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EXERCÍCIO DO PODER DE POLÍCIA

No documento universidade do vale do itajai-univali (páginas 67-73)

97 MELLO de Bandeira Celso Antônio. Direito Administrativo. p.787 98 MEIRELLES,Hely Lopes. Direito administrativo. p.116

O exercício do Poder de Polícia é faculdade de que dispõe a Administração para condicionar, restringir e fiscalizar o uso e gozo de bens, atividades e direitos individuais, em razão da coletividade ou do próprio Estado. É mecanismo que Administração Pública tem para conter os abusos do direito individual. 99

Mukai100 afirma que o Exercício do Poder de Polícia é harmonizadora ao interesse coletivo.

O exercício do Poder Polícia é uma faculdade inerente ao Estado.

Com efeito, desde que a inteligência humana concebeu a idéia de Estado, já ligou a ele outra idéia a de que deveria fazer parte do seu próprio conceito à existência de um poder superior a todos os membros da coletividade, que afinal, não seria senão o que se denominou poder de polícia. Tal idéia decorre do entendimento de que a vida em sociedade traz aos particulares algumas limitações, pois em muitas ocasiões o interesse individual deve ceder lugar ao interesse coletivo, ao bem comum. Essas limitações harmonizadoras especialmente da liberdade e da propriedade individual são impostas aos particulares, de maneira a permitir a regular e adequada realização dos serviços públicos. Assim, atividades que seja considerada pela lei dificultadoras, ou mesmo impeditivas ao serviço público ou prejudicial á vida em sociedade serão repelidas pelo poder de polícia.

O Exercício do Poder de Polícia Administrativo, é fundado na legitimação do Estado, de organizar a convivência social em virtude da restrição aos direitos, de liberdade, em favor de um interesse público, o Estado tem a prerrogativa na sua proteção de exigir determinadas condutas dos indivíduos, ou mesmo restringir o conteúdo de determinados direitos e limites que permitam, o respeito à garantia ao interesse público.

3.3.1 Polícia Administrativa e Polícia Judiciária.

99 GASPARINI, Diógenes, Direito Administrativo. p.115 100 MUKAI, Toshio. Direito Administrativo Sistematizado.p.86

Através do Poder de Polícia Administrativo, o Estado pode restringir o uso de bens, direitos e atividades e alguns casos, incidindo sobre as pessoas101.

Mello102 menciona que a Polícia Administrativa é impedir atos sociais, a Polícia Judiciária se preordena á responsabilidade dos violadores da ordem jurídica.

Com efeito, freqüentemente a Administração, no exercício da polícia administrativa, age repressivamente. Sempre que uma atividade particular, já em curso, é porque esta se revelou contraste com o interesse público, isso é, lesou-o; enfim causou um dano para a coletividade. A dissolução de um comício, de uma passeata, atos típicos da polícia administrativa, tem lugar apenas quando se revelam perturbadores da tranqüilidade pública, isto é, quando já feriram o interesse protegido pelo poder de polícia e, em conseqüência, já causaram um dano, uma perturbação á coletividade. Portanto, a atuação administrativa marca-se, ai, pela repressão a uma atuação anti-social. Só se poderá, considera-la preventiva relativamente, isto é, em relação aos futuros danos outros que adviriam da persistência do comportamento reprimido.

É certo, pois, que tal tipo de repressão seria perfeitamente diverso daquele que caracteriza a polícia judiciária, uma vez que não estaria em pauta o enquadramento do perturbador nas malhas do Poder Judiciário para aplicação da sanção prevista, como ausente estaria também o propósito de capturara delinqüentes já condenados ou sujeitos a mandado judicial de prisão preventiva, mas tais circunstâncias não elidem o caráter repressor da ação policial administrativa nas hipóteses aventadas. O Poder de Polícia Administrativo pode agir preventivamente, pois tem por objeto impedir ações anti-sociais, no entanto também pode agir repressivamente com a finalidade de coagir o infrator ao cumprir a lei (interdição de atividade, apreensão de mercadorias deterioradas). A Polícia Judiciária, embora seja repressiva tem por objeto punir os infratores da lei penal, é também preventiva em relação ao interesse geral porque, punindo-o, tenta evitar que o indivíduo volte a incidir na mesma infração.

101MELLO de Bandeira Celso Antônio Direito Administrativo. p.783 102MELLO de Bandeira Celso Antônio Direito Administrativo. p.784

Mukai103 conceitua que a Polícia Administrativa distingue-se da Polícia Judiciária.

A polícia administrativa distingue-se da polícia judiciária a medida que a administrava se predispõe unicamente a impedir ou paralisar atividades anti-sociais, enquanto a judiciária preordena- se, além de restabelecer a situação devida, a responsabilizar os violadores da ordem jurídica. As multas estipuladas pelo poder de policia administrativa não visam responsabilizar o infrator, mas forçar a paralisação ou ameaçar o possível infrator para que não chegue a ofender as limitações impostas. A principal diferença entre a polícia administrativa e a judiciária é que naquela, a ação do Poder Público é sempre de natureza preventiva e nesta, repressiva. Mas outras distinções são feitas que a polícia judiciária atua sobre as pessoas enquanto a polícia administrativa atua sobre bens, direitos e atividades.

A Polícia Administrativa pode atuar de forma preventiva, ou seja, para evitar que os delitos sejam consumados, mas pode atuar de forma repressiva, também, quando a infração já se consumou. Já a Polícia Judiciária aparece depois de cometida à infração e investiga fatos já consumados. A diferença é que a primeira age antes e depois de cometido à infração. E a segunda age depois de ter violado a lei.

3.3.2 Objeto e Finalidade

O objeto do Poder de Polícia Administrativa é todo bem, direito ou atividade individual que possa afetar a coletividade ou pôr em risco a segurança nacional exigindo, por isso mesmo, regulamentação, controle e contenção pelo Poder Público. A finalidade do Poder de Polícia é a proteção ao interesse público, no seu sentido mais amplo. 104

Meirelles105 conceitua que o controle e contenção pelo o poder público é o objeto do Poder de Polícia.

103MUKAI, Toshio. Direito Administrativo Sistematizado.p.94

104 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. 26 ed., São Paulo : Malheiros, 2001, p. 126.

105 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito Administrativo Brasileiro. p.118

O objeto do poder de polícia administrativa é todo bem, direito ou atividade individual que possa afetar a coletividade ou pôr em risco a segurança nacional, exigindo, por isso mesmo, regulamentação, controle e contenção pelo poder Público. Com esse propósito, a Administração pode condicionar o exercício de direito individuais pode delimitar a execução de atividades, como pode condicionar o uso de bens que afetem a coletividade em geral, ou contrariando a ordem jurídica estabelecida ou se oponham aos objetivos permanentes da Nação. A finalidade do poder de polícia é a proteção ao interesse publico no seu sentido mais amplo. Nesse interesse superior da comunidade, entram não só valores materiais como também, o patrimônio moral e espiritual do povo, expresso na tradição, nas instituições e nas aspirações nacionais da maioria que sustenta o regime político adotado e consagrado na constituição e na ordem jurídica vigente.

O Poder de Polícia tem com objeto a proteção do interesse público. A Administração pode condicionar aos direitos individuais, que possa afetar a coletividade ou que prejudique a ordem estabelecida pelo Poder Público.

Gasparini106 conceitua quando atividade do particular é nociva aos interesses sociais.

O objeto é á vista do que a liberdade e a propriedade dos administrados, sem alcançar os respectivos direito. Aquela, no que respeita ao exercício; esta no que se relaciona com uso, gozo e disposição. Por administrados há de se entender todas as pessoas físicas e jurídicas, embora sempre se diga; liberdade e propriedade individuais. Não se deve, pois, restringir esses direitos aos brasileiros e estrangeiros, como assim. O motivo da atribuição de policia é o interesse público e o bem estar social. O uso gozo e disposição da propriedade e o exercício da liberdade não podem impedir a realização do interesse público nem o pleno alcance do bem-estar social. Destina-se a polícia administrativa a prevenir o surgimento quando ainda não aconteceu de atividades particulares nocivos ao interesses sociais ou públicos ou obstar (paralisar impedir ) seu desenvolvimento.

106 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo .p.115

O objeto Poder de Polícia Administrativo é a proteção do interesse público de assegurar o seu exercício condicionando ao bem-estar social em benefício da coletividade.

3.3.3 Extensão e Limites

Onde houver interesse relevante da coletividade ou do próprio Estado, haverá igual Poder de Polícia Administrativa para a proteção desses interesses. Por essa razão a Extensão do Poder de Polícia é muito ampla, abrangendo desde a proteção a moral e aos bons costumes até a segurança nacional. Os limites são demarcados pelo interesse social em conciliação com os direitos fundamentais do indivíduo, assegurados na Constituição Federal, através de restrições impostas às atividades, de indivíduo que afetem a coletividade107.

Mukai108 menciona que a extensão e limites no exercício do Poder de Polícia Administrativa na proteção e garantias individuais.

A extensão do exercício do poder de polícia é multiforme ele abrange desde a proteção á moral a aos bons costumes, a preservação da saúde pública, a segurança das construções e dos transportes, até a segurança nacional, em particular. Daí encontra nos Estados modernos, a polícia de costumes, “polícia sanitária”, a polícia florestal, a polícia de trânsito, a policia dos meios de comunicação e divulgação, a polícia das profissões, a polícia ambiental, a policia da economia popular, etc. Os limites do exercício do pode de polícia estão determinados na Constituição e nos princípios fundamentais, e ainda, nos princípios gerais de direito público e de Direito Administrativo. Os limites constantes na Constituição são impostos pelos direitos e garantias individuais nela consagrados. Não é concebível, pois, que o exercício do poder de polícia desrespeite esses direitos e garantias.

O Poder de Polícia é muito extenso, incluindo desde a moral até a economia popular. Os limites do exercício do Poder de Polícia têm que respeitar as normas, consagrado na Constituição Federal que são os princípios fundamentais, e Diretos e garantias individuais.

107MUKAI, Toshio. Direito Administrativo Sistematizado.p.96 108MUKAI, Toshio. Direito Administrativo Sistematizado.p.96

Gasparini109 menciona que os limites, ao exercício do Pode de Polícia Administrativa no desempenho de suas funções..

Atribuição de polícia está demarcada por dois limites: os primeiro se encontram no plano desempenho da atribuição, isto é, no amplo interesse de impor limitações ao exercício da liberdade e ao uso, gozo e disposição da propriedade. O segundo reside na observância dos direitos assegurados aos administrados pelo ordenamento positivo. É conciliação da necessidade de limitar ou restringir o desfrute da liberdade individual a da propriedade particular com os direitos fundamentais, reconhecidos a favor dos administrados, que se encontram os limites dessa atribuição.

Assim mesmo que a pretexto do exercício do poder de polícia, não se pode aniquilar os mencionados direitos.

A atribuição do Poder de Polícia Administrativa é de impor limites da liberdade individual da propriedade, em benefício da Administração Pública.

No documento universidade do vale do itajai-univali (páginas 67-73)

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