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EXPERIÊNCIAS DE LICENCIAMENTO MUNICIPAL

Instituir o Sistema Municipal Ambiental é o primeiro passo, para aqueles Municípios que queiram implantar o Licenciamento Ambiental, porquanto representa um importante instrumento a ser utilizado pelo ente municipal na defesa dos recursos ambientais.

Por último é necessário entender que o Município só poderá de fato realizar o licenciamento ambiental, quando o mesmo tiver lei local regulamentando o procedimento administrativo ou através de convênio com o órgão Estadual. Também poder-se-ia admitir que o Estado edite uma normatização que determine que o Município tenha a estrutura para licenciar.

Para Machado: o assunto de interesse local não é aquele que interessa exclusivamente ao município, mas aquele que afeta a população do lugar140.

De tudo que se observou no presente trabalho, denota-se que a atividade empresarial, bem como, o próprio desenvolvimento da agricultura, dentre tantas outras atividades, avançam a passos largos sobre o meio ambiente, por necessitarem da utilização de seus recursos. Então, é necessário que, em se tratando de impacto ambiental local, o Município se prepare, se estruture, para acompanhar e até fiscalizar a implantação dos empreendimentos a serem desenvolvidos dentro de seus limites territoriais. Imprescindível que o Município implemente o Sistema Municipal de Meio Ambiente, para fazer o convênio com o Estado e poder promover o Licenciamento Ambiental, além, é claro, da execução dos outros instrumentos do Sistema Municipal do Meio Ambiente.

140 MACHADO, Paulo Affonso Leme. Direito Ambiental Brasileiro, p. 468.

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por muitos séculos, o ser humano encarou o meio ambiente como um gerador permanente de recursos naturais, necessários a sobrevivência das populações e ao enriquecimento de alguns poucos. Mas, com o passar dos tempos, observamos o esgotamento acelerado desses recursos, pela ação desenfreada e sem consciência do próprio homem. Em decorrência desses fatos, recentemente começou a surgir leis de proteção do meio ambiente para conter esse avanço desenfreado, buscando através da tutela jurídica e tendo como objetivo, o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico e ambiental, de forma sustentável em detrimento ao meio ambiente.

A sociedade brasileira, que até o final dos anos sessenta não tinha muita preocupação à crescente escalada da degradação ambiental, sem conhecimento claro das ações, apoiando a causa, acabou se comprometendo com a Declaração de Estocolmo em 1972, onde essa declaração deflagra sobre a tutela do meio ambiente. Diante do fato acontecido, o Brasil inicia finalmente, a busca de uma forma de proteção ambiental. Como primeira ação rumo a conscientização e contenção da degradação ambiental, foi criada a lei 6.938/1981, que estabelece uma Política Nacional de Meio Ambiente e na sequência destas ações necessárias. Também a Constituição da Republica Federativa do Brasil de 1988 trás um capitulo específico sobre meio ambiente, fazendo com que a questão ambiental tenha maior relevância, apontando deveres e direitos a coletividade e ao Poder Público.

Atualmente a questão ligada ao meio ambiente e causas ambientais de uma forma ampla, faz com que esse tema seja muito discutido. Diante da importância do tema, o presente estudo abordou a questão da proteção ambiental, buscando afirmar o conhecimento da sociedade e em especial do meio acadêmico de Tijucas, em Santa Catarina, sobre a tutela crescente da proteção ambiental. O objeto principal do presente estudo tratou sobre a competência do Município para realizar o Licenciamento Ambiental, mediante a criação da estrutura adequada para tal.

De acordo com o estudo realizado, o licenciamento ambiental é um importante instrumento de proteção ao meio ambiente, fazendo parte da Política Nacional de Meio Ambiente, a qual criou vários instrumentos para pôr em prática, a defesa e o controle do desgaste ambiental, como o Sistema Nacional do Meio Ambiente (SISNAMA), o órgão gestor nacional (IBAMA), os órgãos estaduais, entre outros.

Baseado no licenciamento ambiental como instrumento importante da Política Nacional do Meio Ambiente, e tendo como hipótese na introdução colocada, que o Município

tem competência para realizar o licenciamento ambiental, restou confirmada a primeira hipótese que o Município possui a competência para realizar o licenciamento ambiental; A segunda hipótese colocada na introdução é que o Município precisa fazer convênio com o Estado para realizar o licenciamento ambiental, nesse caso restou confirmada parcialmente a hipótese, pois não ficou confirmada essa necessidade para que o Município realize o licenciamento ambiental; Já a terceira hipótese apresentada na introdução deste trabalho foi que o Município para realizar o licenciamento ambiental precisaria implantar o conselho municipal de meio ambiente, essa hipótese restou confirmada, na medida que para realizar o licenciamento ambiental o Município necessita ter o Sistema Municipal de Meio ambiente e um dos instrumentos do Sistema Municipal é o conselho Municipal de Meio Ambiente.

Apropriado destas competências, o município poderá ter ações e poderes para desenvolver de forma eficiente, o licenciamento ambiental em seu território, sendo necessário observarmos a ligação entre as leis municipais ambientais, com as esferas da União e dos estados. Nesse contexto, o processo de descentralização torna-se importante, visto que o mesmo tem como objetivo a aproximação da comunidade na discussão e busca de informações e ações quanto a proteção do meio ambiente, na tomada de decisões dessas ações, no licenciamento e também na fiscalização, deixando estes atos serem centralizadas apenas no Estado, que está distante da realidade local.

De acordo com os estudos realizados, observamos a possibilidade de que é possível fazer com que as ações aconteçam de maneira presente na própria sociedade, em relação à coibição do dano e ou defesa do meio ambiente, sendo notório que o Município poderá ter competência para o Licenciamento Ambiental. Torna-se evidente este fato, quando estudamos a Resolução do CONAMA nº 239/97, no seu artigo sexto, quando trás de forma clara que, compete ao órgão ambiental municipal, depois de ouvidos os órgãos competentes da União, Estados e Distrito Federal, quando couber, o licenciamento ambiental. O que esteve presente na resolução, quando afirmou o Município como competente ao licenciamento ambiental, foi o princípio do interesse local. De acordo com alguns autores, uma resolução não pode sobrepor a uma lei - que é a lei 6.938/81-, que descreve o Estado como sendo o ente federado responsável pelo licenciamento ambiental. Entretanto, temos de forma sobreposta a essa lei, a Constituição Federal de 1988, que descreve no artigo 30 a competência do Município legislar de forma suplementar, no que couber, perante União e Estados, em assuntos de interesse local.

Então, não existe a possibilidade de negar, que o Município possui competência para realizar o licenciamento ambiental e também que deverá realizar o licenciamento

daqueles empreendimentos com impacto ambiental local, fazendo com que tudo que envolver o meio ambiente e comunidade local, que poderá ser envolvida neste contexto, possam juntos, discutir e avaliar a situação e definir o que será melhor sem agredir ou danificar o meio ambiente, buscando principalmente alternativas para o impasse, quando houver.

A implantação do Sistema Municipal de Meio Ambiente, e o consequente desenvolvimento da Política Municipal de Meio Ambiente atualmente é considerado de grande importância, tanto quanto à implementação de qualquer outro programa de governo.

Contudo, para que toda esta estrutura normativa e material se torne efetiva, faz-se necessário muito mais do que sua regulamentação. Nesta perspectiva, será primordial que o chefe do poder executivo tenha clareza da causa, vontade, determinação e esteja sensível à questão ambiental de seu Município.

Somos sabedores de que o licenciamento ambiental é um ato administrativo, um serviço público, um ato de fiscalização preventivo, mas principalmente também é um ato educativo, que aumenta em muito o conhecimento da população na proteção ao meio ambiente.

Ainda destacamos como necessário expressar que, no mesmo caminho que preceitua o artigo 225 da Carta Constitucional, o Poder Público em todas as suas esferas, União, Estado e Municípios, devem defender o meio ambiente de modo que o mesmo possa ser racionalmente utilizado pela atual geração e principalmente pelas gerações futuras.

O presente estudo evidenciou a competência do Município como responsável por este licenciamento, mas é preciso o compromisso dos acadêmicos e estudiosos da área, para aprofundar cada vez mais a capacidade da sociedade em tutelar a proteção ambiental, buscando com clareza, o equilíbrio da ação do ser humano no meio ambiente.

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