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2.5 Estresse

2.5.1 Fases do Estresse

O processo do estresse biológico denominado por Hans Selye de Síndrome de Adaptação Geral (SGA), esta dividida em três fases: a fase do alarme ou alerta, a fase da resistência e por fim a fase da exaustão (LIPP, 1998).

A primeira é a fase do Alarme, onde o indivíduo ao se deparar com o agente estressor prepara-se para lutar ou fugir. Nesta fase ocorre a quebra da homeostase compreendido nesta fase como um leve desequilíbrio biológico e psíquico (RIBEIRO;

RIBEIRO, 2005).

Conforme França e Rodrigues (1997) a Reação do Alarme é caracterizada pelos seguintes sintomas: aumento da freqüência cardíaca; aumento da pressão arterial; aumento da concentração de glóbulos vermelhos; aumento da concentração de açúcar no sangue; redistribuição do sangue; aumento da freqüência respiratória;

dilatação dos brônquios; dilatação da pupila; aumento da concentração de glóbulos brancos e a ansiedade.

A segunda fase trata-se da fase da resistência que é compreendida quando o estressor é de longa duração ou quando sua intensidade é demasiada, nesta fase a pessoa faz uso da energia adaptativa agindo no meio social tentando modificá-lo com a intenção de reequilibrá-lo (RIBEIRO e RIBEIRO, 2005).

De acordo com França e Rodrigues (1997) esta fase é caracterizada pelos seguintes sintomas; aumento do córtex da supra-renal; atrofia de algumas estruturas relacionadas à produção de células do sangue; ulcerações no aparelho digestivo;

irritabilidade; insônia; mudanças no humor e diminuição do desejo sexual.

França e Rodrigues (2005) esclarecem a terceira fase denominada de fase de Exaustão a qual representa a falha dos mecanismos de adaptação onde em parte existe um retorno à fase de Alarme e, posteriormente caso o estimulo estressor permaneça pode levar o indivíduo a morte. Já Ribeiro e Ribeiro (2005) elucidam esta fase como a fase de exaustão e adoecimento com conseqüente estado de depressão e estresse.

Conforme França e Rodrigues (1997) nesta fase os sintomas estão caracterizados pelos seguintes fatores: retorno parcial e breve à Reação de Alarme;

falhas dos mecanismos de adaptação; esgotamento por sobrecarga fisiológica e morte do organismo.

Para Lipp (2002), o estágio de esgotamento desenvolve-se quando a ação do estressor, a qual o organismo se adaptou, permanece por um longo período, esgotando a energia de adaptação. O organismo é atingido no plano biológico ou físico e no plano psicológico ou emocional.

Segundo Selye (apud BENEVIDES-PEREIRA, 2002), existem dois tipos de estresse conforme a seguir:

Eustress ou estresse positivo o qual ocorre quando a intensidade do estressor é positiva e/ou breve, e as respostas de estresse suaves e controláveis, podendo ser estimulantes e excitantes ao individuo possibilitando crescimento, prazer, desenvolvimento emocional e intelectual.

Distress ocorre quando o estressor tem um caráter negativo, é mais prolongado ou denota maior gravidade. Ele sobrevém quando o estresse ultrapassa um determinado limite, que pode variar de organismo para organismo ou dependente das perdas e transtornos que acarreta ou ameaça.

Para Ribeiro e Ribeiro (2005) o eustress é conhecido como o bom estresse, ou seja, a capacidade que uma pessoa tem em impelir-se para a ação, motivando-o a atuar no mundo. Porém o mau estresse chamado de distress pode variar de intensidade, do desconforto moderado ao extremo podendo levar uma pessoa ao esgotamento físico e mental.

França e Rodrigues (2005, p. 32) elucidam que:

Em essência, o que temos é um estímulo sobre o organismo, o estressor, que desencadeia uma resposta, que é o stress. O stress pode ser observado em pelo menos duas dimensões: como processo e como estado.

O estresse como processo é a tensão diante de uma situação de desafio por ameaça ou conquista. O estresse como estado é o resultado positivo ou negativo da tensão realizada pela pessoa.

Ainda França e Rodrigues (2005) esclarecem que existem dois tipos de processos que o indivíduo pode passar, caracterizados como: processo de avaliação e de enfrentamento. No processo de avaliação existe uma atividade mental, que em parte é racional e, em parte é emocional não necessariamente consciente, no qual a pessoa faz um reconhecimento de situações ao qual esta vivendo baseada em experiências passadas, que terá importância não apenas no momento em que o indivíduo percebe o estresse ou como irá enfrentá-lo, mas também na determinação do tipo e intensidade da resposta a ser produzida. A avaliação permite ao indivíduo entender o momento que está sendo vivido.

Um acontecimento estressante pode se distinguir de uma pessoa para outra, podendo ser para alguns um motivo de grande alegria e para outros uma causa de sofrimento (FRANÇA; RODRIGUES, 2005).

França e Rodrigues (2005, p.48) conceituam enfrentamento como: ―o conjunto de esforços que uma pessoa desenvolve para manejar ou lidar com as solicitações externas ou internas, avaliadas por ela como excessivas ou acima de suas possibilidades‖.

O enfrentamento pode ser visto como uma estratégia da pessoa, não necessariamente consciente, para obter o maior número de informações sobre o que esta acontecendo e condições internas (psíquicas) para o processamento e administração das informações, permitindo que o indivíduo tenha condições de agir em situações de estresse podendo assim diminuir a resposta do distress mantendo equilíbrio do seu organismo (FRANÇA; RODRIGUES, 2005).

O enfrentamento diz respeito ao que o indivíduo pensa ou sente e o que faz ou faria em determinadas condições. Esse processo não é estático e pode modificar- se conforme a pessoa avalia e reavalia a situação estressante na medida em que ele vai se desenvolvendo. Um exemplo é uma pessoa que perde o emprego de forma abrupta, no primeiro momento pode ser um choque, como ter uma vivência do tipo ―isto não é possível‖; podem seguir-se sentimentos de raiva e/ou de busca frenética por outra atividade, para nos momentos seguintes, passar por um período de tristeza às vezes até de depressão voltando mais tarde a sua atitude cotidiana.

2.5.2 Tipos de Comportamento relacionados ao Estresse

De acordo com Andrews (2003) existem dois tipos de comportamentos relacionados ao estresse, conforme a seguir:

a) Comportamento tipo A

O conceito de padrão de personalidade tipo A, foi construído em 1974, por dois pesquisadores Friedmann e Rosemann que definiram como sendo ―esforço crônico e incessante de melhorar cada vez mais, em períodos de tempos pequenos, mesmo que encontre obstáculos do ambiente ou de pessoas‖. Podendo ser visto também como um forma de enfrentar o estresse (FRANÇA; RODRIGUES, 2005).

Segundo Andrews (2003, p.44) o comportamento tipo A é definido por três características: sempre com pressa e fazendo várias coisas ao mesmo tempo;

altamente competitivo e hostil.

Para Robbins e Coulter (1998 p 278), os indivíduos de comportamento tipo A se caracterizam por: ―um senso crônico de urgência de tempo e um impulso excessivamente competitivo‖.

b) Comportamento Tipo B

De acordo com Lipp e Rocha, (1994) o comportamento tipo B é típico de pessoas que não tem pressa, são menos hostis e geralmente são mais tranqüilas.

Já para Baccaro (1997 p. 40) ―o comportamento tipo B é raramente mortificado por desejos de obter um número crescente de coisas‖.

Santos (1995) elucida que o comportamento tipo B é diferente do comportamento tipo A, mas não necessariamente o oposto total.

Conforme Dias e Di Lascio (2003) o comportamento tipo B pode ser definido pelas seguintes características: tende a ser calmo, relaxado e positivo; parece não ter pressa e não demonstra hostilidade; costuma participar de atividades esportivas para se divertir e não apenas para ganhar e tem facilidade para relaxar, os quais de um modo geral se distinguem do comportamento do tipo A.

2.6 O Estresse Ocupacional

As mudanças econômicas, sociais e tecnológicas, pelas quais a sociedade tem passado nas últimas décadas, atingem substancialmente a vida dos homens seja individual ou em grupo (SARDA; LEGAL; JABLONSKI, 2004).

Segundo Spector (2006) no ambiente de trabalho existem situações consideradas estressantes pelos funcionários, situações estas como: ser repreendido pelo supervisor, ter pouco tempo para completar uma tarefa ou o aviso de uma possível demissão. Para compreender o estresse no trabalho primeiramente faz-se necessário entender as diferentes concepções envolvidas no processo que leva ao estresse.

Ainda Spector (2006, p. 431) esclarece que um fator estressante no trabalho

―é uma condição ou situação que exige a adaptação do funcionário‖.

De acordo com Siqueira (1995) o estresse ocupacional é resultado da interação entre o individuo e o seu ambiente ocupacional, na qual as imposições destes ultrapassam as habilidades do individuo de superá-las resultando em um desgaste excessivo do organismo interferindo na qualidade da assistência prestada.

Já para Perkins (1995) o estresse ocupacional é definido como um processo em que o individuo percebe demandas de trabalho como estressores os quais quando excedem sua habilidade de enfrentamento provoca reações negativas.

França e Rodrigues (2005) ressaltam que os estressores advêm tanto do meio externo como frio, calor, condições de insalubridade, como também do ambiente social como trabalho e do mundo interno, aquele vasto mundo que temos dentro de nós tais como pensamentos e emoções. Todos esses estressores são capazes de disparar em nosso organismo uma imensa série de reações via sistema nervoso, sistema endócrino e imunológico, através da estimulação do hipotálamo e do sistema límbico, consideradas importante estruturas do sistema nervoso central relacionadas com o funcionamento dos órgãos e regulação das emoções.

Ainda França e Rodrigues (2005) elucidam que uma das funções básicas do sistema nervoso são a regulação e a manutenção da estabilidade do organismo, por intermédio de diversas funções. Algumas dessas funções são chamadas de vegetativas, como a circulação sanguínea, a respiração, a digestão etc., e asseguram sua organização e seu funcionamento.

Grandjean (1998, p. 165) conceitua estresse ocupacional como: ―o estado emocional, causado por uma discrepância entre o grau de exigência do trabalho e recursos disponíveis para gerenciá-lo‖. É um fenômeno subjetivo o qual depende da compreensão individual e da capacidade de gerenciar as exigências no trabalho.

Rossi; Perrewé e Sauter, (2005) esclarecem que: ―Uma conseqüência relevante, porém pouco estudada, do stress no local de trabalho é seu potencial de reduzir a eficácia dos funcionários. Porém pesquisadores e gerentes de organizações têm dado pouca importância em relação a esta questão. A eficácia do funcionário é muito mais do que fazer seu trabalho ela representa a soma total das contribuições de um funcionário à organização.

Segundo Wagner e Hollenbeck (2003, p. 367) ―a cultura de uma organização é uma maneira informal e compartilhada de perceber a vida e a participação na organização, que mantém os seus membros unidos e influência o que pensam sobre si mesmos e seu trabalho‖.

―Toda pessoa na empresa interage com suas próprias crenças e histórias, combinadas com os moldes da empresa, formando uma dinâmica psicossocial.

Psico porque esta presente em cada pessoa de forma particular e, Social porque é compartilhada e reconhecida pelas pessoas que estão comprometidas com tarefas,

responsabilidades e funções em determinada empresa‖ (FRANÇA; RODRIGUES, 2005, p. 128).

2.6.1 Fatores que levam ao Estresse Ocupacional

De acordo com Serafim e Carvalho (2004) o estresse dependendo do seu nível pode ser positivo, servindo como impulsionador na vida dos indivíduos, levando o mesmo a ser criativo e produtivo, favorecendo seu crescimento. Ele não aparece apenas em situações ruins, mas em momentos da vida a qual se deseje alguma coisa boa como uma promoção no trabalho ou um cargo a ocupar. Sem estresse a vida seria monótona.

Já Robbins (2008) elucida que a existência do estresse no local de trabalho não é por si só, um fator que implica redução do desempenho, evidências indicam que o estresse pode exercer uma influência tanto positiva quanto negativa, em relação ao desempenho dos funcionários. Para muitas pessoas um nível baixo ou moderado de estresse pode capacitá-las a trabalhar melhor por aumentar a intensidade de seu trabalho, sua atenção e sua capacidade de reação.

De acordo com França e Rodrigues (1997) alguns indicadores podem ajudar a detectar a ação dos agentes estressores em relação ao comprometimento no desempenho de um individuo no sentido biopsicossocial conforme a seguir:

Individuais caracterizados pela queda na eficiência; ausência repetida;

insegurança nas decisões; protelação na tomada de decisões; sobrecarga voluntária de trabalho; uso abusivo de medicamentos; irritabilidade constante; explode facilmente; grande nível de tensão; sentimento de frustração; sentimentos de onipotência; desconfiança e eclosão ou agravamento de doenças.

França e Rodrigues (1997) esclarecem ainda que em relação aos grupos e organizações as situações estressantes podem ser detectadas através das seguintes características:

De grupos as quais se caracterizam por competição não saudável;

politicagem; comportamento hostil com as pessoas; perda de tempo com discussões inúteis; pouca contribuição ao trabalho; membros trabalham isoladamente;

problemas comuns não são compartilhados; alto nível de insegurança e grande dependência do líder.

Já as Organizações estão caracterizadas por: greves; atrasos constantes nos prazos; ociosidade; sabotagem; absenteísmo; alta rotatividade de funcionários; altas taxas de doenças; baixo nível de esforço; vínculos empobrecidos e relacionamento entre funcionários caracterizados por: rivalidade; desconfiança; desrespeito e desqualificação.

A insatisfação e o stress do empregado produzem na empresa importantes efeitos que não podem ser negligenciados, efeitos estes como a elevação de custos com assistência médica, rotatividade, absenteísmo e violência no local de trabalho.

Já a satisfação no trabalho, ―é um sentimento agradável que resulta da percepção de que nosso trabalho realiza ou permite a realização de valores importantes relativos ao próprio trabalho‖ (WAGNER; HOLLEBECK, 2003).

A satisfação no ambiente de trabalho é uma variável de atitude que mostra como as pessoas se sentem em relação ao trabalho que exercem, seja no todo ou em relação a alguns de seus aspectos. O que a reflete é o quanto as pessoas gostam de seu trabalho (SPECTOR, 2006).

Segundo Lacombe (2007) um dos fatores que aumenta o stress é a falta de controle das pessoas sobre os possíveis riscos, causando medo. Este medo é caracterizado pelo fato de não conseguir realizar o que se espera, ou seja, medo dos riscos que não são controlados. Outro fator relevante é a exagerada pressão pelos resultados e o medo de não conseguir um desempenho satisfatório, bem como a falta de controle sobre determinadas variáveis importantes para a obtenção dos resultados.

2.6.2 Conseqüências do Estresse Ocupacional

Os distúrbios causados pelo estresse, devido a um desgaste emocional, trazem conseqüências graves ao individuo, quando o mesmo, estando consciente das alterações ocorridas em seu organismo ignore e, não tome providências para controlar os agentes estressores (CARVALHO; SERAFIM, 2004).

As conseqüências do estresse, segundo Robbins (2008), pode ser esclarecidas em três categorias gerais sendo elas sintomas físicos, psicológicos, e comportamentais.

Quanto aos sintomas físicos as primeiras preocupações com o estresse estavam dirigidas a este sintoma devido ao fato de que o assunto era pesquisado por profissionais da saúde e da medicina. Concluiu-se que o estresse poderia ser a causa de mudanças no metabolismo, aumento dos ritmos cardíaco e respiratório, aumento da pressão sanguínea, dores de cabeça e até ataques de coração (ROBBINS, 2008).

De acordo com Spector (2006) os sintomas psicológicos envolvem respostas emocionais, tais como ansiedade ou frustração.

Wagner e Hollenbeck (1999) seguem esclarecendo que o corpo ao perceber uma ameaça produz substâncias químicas capazes de elevar a pressão sanguínea desviando da pele e do aparelho digestivo para os músculos. Já França e Rodrigues (2005) ressaltam que as conseqüências fisiológicas podem ser de curto prazo.

Em relação aos sintomas psicológicos: o estresse pode causar satisfação e quando relacionado ao trabalho pode levar a insatisfação, que na verdade, é o efeito psicológico mais simples e óbvio do estresse. O estresse também se apresenta em outros estados psicológicos como a tensão, ansiedade, irritabilidade, tédio e procrastinação (HOBBINS, 2008).

Spector (2006) elucida que as reações físicas incluem sintomas como dores de cabeça, problemas digestivos e doenças como o câncer.

Já França e Rodrigues (2005) citam os sintomas físicos como sendo de curto prazo a ansiedade, insatisfação, doenças psicogênicas de massa e de longo prazo a depressão, burnout e distúrbios mentais.

Quando as pessoas estão envolvidas em trabalhos que apresentam demandas múltiplas e conflitantes, ou quando não há clareza sobre os deveres, a autoridade e a responsabilidade de cada um, tanto o estresse como a insatisfação podem aumentar. Quanto menor o controle do individuo sobre o ritmo de seu trabalho, maiores serão o estresse e a insatisfação. Segundo pesquisas os trabalhos que oferecem baixos níveis de variedade, significância, autonomia, feedback e identidade geram estresse e reduzem o envolvimento e a satisfação do trabalhador (HOBBINS, 2008).

Em relação aos sintomas comportamentais Spector (2006) ressalta que são respostas a fatores estressantes e, incluem substâncias do fumo, e a ocorrência de acidentes. Já Robbins (2008) esclarece que os sintomas comportamentais incluem mudanças na produtividade, absenteísmo e rotatividade, bem como mudanças nos

hábitos de alimentação, aumento do consumo de álcool ou tabaco, fala mais rápida, inquietação e distúrbios do sono.

França e Rodrigues (2005) esclarecem que além de sintomas relacionados ao trabalho como absenteísmo, produtividade e participação existem também conseqüências de curto prazo o qual envolve a sociedade como redução das amizades e da participação e conseqüências de longo prazo caracterizado como a desesperança aprendida.

Lipp (2001, p. 302) corrobora que:

Há séculos. O homem tinha como fonte principal de estresse, não a burocracia, de hoje, mas outras situações que ameaçam sua vida. O agente estressor da vida de nossos antepassados, o tigre selvagem deu lugar a competição, as reuniões e a burocracia que o executivo de hoje experimenta.

Esses fatores associados à concorrência acirrada faz com que o estresse seja cada vez mais constante na vida dos trabalhadores, que ao identificar o problema deixa passar despercebido seus malefícios, descuidando-se de sua saúde física e mental.

2.6.3 Sintomas do Estresse Ocupacional

De acordo com Carvalho e Serafim (2004) as pessoas podem apresentar diferentes sintomas relacionados ao estresse, sendo que algumas pessoas manifestam mais sintomas do que outras. Isso devido à vulnerabilidade psicológica que pode variar devido à estrutura psíquica de cada indivíduo.

Carvalho e Serafim (2004, p. 129) destacam alguns dos principais sintomas do estresse: sinais de cansaço; sudorese intensa; queixas freqüentes; angústia;

perda de memória; esgotamento; tristeza; prostração; perturbação; dor na coluna;

fala desordenada; diarréia; aceleração do batimento cardíaco; irritação; ulcera;

medo; colite; melancolia; alteração do desempenho das suas funções normais;

aflição; dor de cabeça intensa; bruxismo – ranger os dentes à noite; grande agitação; roer unhas; nó na garganta; pigarro; hipertensão; isolamento; mau humor;

pânico; manchas roxas lamentações.

Já Ribeiro e Ribeiro (2005) destacam outros sintomas do estresse relacionados ao ambiente de trabalho são eles:

- Pessoas pedindo demissão para poder melhorar a sua ―qualidade de vida;

- Aumento na formação de ―igrejinhas‖, grupos fechados e competitivos, na organização;

- Aumento na competição entre os setores;

- Comprometimento na qualidade do atendimento ao público;

- Redução na produtividade;

- Aumento no número de faltas ao trabalho;

- Aumento no número de acidentes no trabalho;

- Chefias inseguras ou sem autonomia para tomar decisões;

- Reuniões numerosas, muito demoradas e pouco produtivas;

- Excesso de demissões;

- Excesso de atritos e discussões;

- Atrasos constantes, dificuldade em cumprir os horários de trabalho;

- Esquecimento de missões que lhes foram delegadas;

- Excesso de burocracia, com muitas planilhas atas ou relatórios a serem preenchidos;

- Falta de tempo dos líderes para ouvir os funcionários sob sua responsabilidade;

- Falta de elogios nos acertos cometidos;

- Erros de profissionais sendo discutidos em público;

- Valorizar-se a mesquinhez e a fofoca;

- Superexaltar apenas funcionários recém-contratados;

- Descrença na existência de um plano de cargos e carreiras ou de melhorias profissionais futuras.

O estresse produz uma série de transformações químicas no corpo podendo provocar conseqüências profundas tanto na saúde mental quanto física de um individuo.

2.6.4 Doenças causadas pelo Estresse Ocupacional

De acordo com Perkins (1995) todas as pessoas sofrem de alguma forma de estresse, quando este estresse se torna grave freqüentemente resulta em enfermidades físicas e emocionais.

Já Alves (1985) corrobora que ―cada corpo é o centro do mundo‖ os limites do desejo, do prazer, da dor, dos desafios do viver são desempenhados na dinâmica do corpo de cada pessoa. Quando se trabalha, o corpo vai se moldando as exigências e necessidades mentais, físicas e de relacionamento de cada função.

- Síndrome da Fadiga: a fadiga pode ser definida como um estado físico e mental que resulta de um esforço prolongado ou repetido o qual implica repercussões sobre vários sistemas do organismo, provocando múltiplas alterações de funções, que conduz a uma diminuição do desempenho no trabalho tanto de forma qualitativa quanto quantitativa em graus variáveis e também ao absenteísmo do trabalho, qual desencadeia uma série de distúrbios psicológicos, familiares e sociais. As principais características são: sensação de cansaço, fadiga constante e intensa após esforço mental; às vezes seguidas de exaustão ou de esgotamento e fraqueza, após pequenos esforços.

- Sintomas orgânicos mais comuns: dores musculares e nas articulações, tonturas, dor de cabeça decorrente de tensão emocional, diversas perturbações do sono, sonolência excessiva, alterações digestivas, gânglios sensíveis ou dolorosos;

manifestações de ansiedade, com sintomas principalmente ao nível somático, como:

como: sudorese, aceleração da freqüência do pulso, dos batimentos cardíacos e da respiração, sensação de falta de ar, com aumento ou não da pressão arterial;

palidez ou vermelhidão; diminuição da libido, diminuição do prazer no que faz, com pouco interesse pela vida, falta de motivação; isolamento; dificuldades nas tomadas decisões, diminuição da capacidade de concentração e comprometimento da memória.

Muitas doenças físicas podem provocar a síndrome da fadiga tais como:

quadros infecciosos como brucelose, mononucleose infecciosa distúrbios endócrinos glandulares como a hipo ou hiperfuncionamento da tireóide, alterações do metabolismo como: apnéia do sono. Distúrbios psiquiátricos também podem provocar a fadiga: hipocondria, depressões e psicoses são as mais comuns (FRANÇA; RODRIGUES, 2005).

- Distúrbios do Sono: França e Rodrigues (2005) elucidam que o distúrbio do sono é considerado um dos sintomas mais comuns apresentados por uma pessoa após uma situação que exija esforço, embora não seja o único fator etiológico desse problema. Pesquisadores dos distúrbios do sono calculam que cerca de um terço da população adulta apresente dificuldades para dormir, porém 17% apenas recorrem a

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