3.2 A GUARDA COMPARTILHADA
3.2.3 Guarda compartilhada e a convivência familiar
pois mantém, apesar da ruptura, o exercício em comum da autoridade parental e reserva, a cada um dos pais, o direito de participar das decisões importantes que se referem à criança.
Seguindo a trilha aberta pelos diplomas internacionais e pela legislação alienígena mais avançada, o Direito brasileiro igualmente elegeu o interesse do menor como fundamental para reduzir os efeitos patológicos que o impacto negativo das situações familiares conflitivas provoca na formação da criança.142
Observado o que foi dito pelos autores ora citados, verifica-se que o ordenamento jurídico não veda o deferimento da Guarda Compartilhada, até mesmo defendem-na como a modalidade mais adequada para o desenvolvimento da criança.
extremamente benéfico para seu desenvolvimento”.145 Retornando com Akel, esta aduz que:
Embora o exercício conjunto permita total flexibilização da guarda, possibilitando o convívio efetivo dos pais com os filhos, é preciso atentar para um detalhe importante, evitando problemas ulteriores, isto é, após um certo tempo de utilização desse modelo de guarda, é possível que surjam desentendimentos que acarretem uma degradação natural da relação que, até então, existia e era amistosa.146
Frente aos desentendimentos dos genitores, com a decisão no acato à Guarda Compartilhada, leciona Akel que:
Caberá ao magistrado analisar a gravidade do fato, verificando a possibilidade da mantença da guarda compartilhada ou, simplesmente, reconsiderar o sistema escolhido pelas partes, decidindo pela guarda uniparental. Assim, diante de um desentendimento pontual, poderá ser desconsiderada a guarda conjunta e, na hipótese de uma desavença mais profunda e de difícil solução, o exercício conjunto da autoridade parental tornar-se-á dificilmente concebível, sendo necessária a utilização do sistema usual.147
Retornando-se ao objetivo da Guarda Compartilhada, Deirdre vem complementar o já mencionado, enfatizando que:
A guarda compartilhada almeja assegurar o interesse do menor, com o fim de protegê-lo, e permitir o seu desenvolvimento e a sua estabilidade emocional, tornando-o apto à formação equilibrada de sua personalidade. Busca-se diversificar as influências que atuam amiúde na criança, ampliando o seu espectro de desenvolvimento físico e moral, a qualidade de suas relações afetivas e a sua inserção no grupo social. Busca-se, com efeito, a completa e a eficiente formação sócio-psicológica, ambiental, afetiva, espiritual e educacional do menor cuja guarda se compartilha.148
No entanto, Akel ressalta que a guarda conjunta ou compartilhada,
145 RAMOS, Patrícia Pimentel de Oliveira Chambers. O poder familiar e a guarda compartilhada sob o enfoque dos novos paradigmas do direito de família. p. 79.
146 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família, p. 106.
147 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família, p. 106.
148 DEIRDRE Neiva. Guarda Compartilhada. <http://jus.uol.com.br/revista/texto/4352/consideracoes- sobre-a-guarda-compartilhada>. Acesso em 03 de novembro de 2010.
[...] não impõe as filhos a escolha por um dos genitores como guardião, o que é causa, normalmente, de muita angústia e desgaste emocional em virtude do medo de magoar o genitor preterido, possibilitando o exercício isonômico dos direitos e deveres inerentes ao casamento e à união estável, a saber, a guarda, o sustendo e a educação da prole.149
Prossegue Akel em sua analise sobre o modelo de Guarda Compartilhada com a seguinte consideração:
A guarda compartilhada privilegia e envolve, de forma igualitária, ambos os pais nas funções formativa e educativa dos filhos menores, buscando reorganizar as relações entre os genitores e os filhos no interior da família desunida, conferindo àqueles maiores responsabilidades e garantido a ambos em relacionamento melhor do que o oferecimento pela guarda uniparental.150
E, ainda enfatiza em sua obra sobre os temores dos filhos com a separação dos pais, de que “a certeza de que os vínculos com os pais serão mantidos, ainda que estes não mais compartilhem o mesmo lar, é de suma importância para que os filhos percebam que ainda há lugar para eles na vida do pai e da mãe, mesmo após o divórcio, eliminando o medo de perder os pais.151
Sustenta Akel:
A co-educação e o desenvolvimento da criança exigem sensibilidade e flexibilidade e, quando os pais são capazes de discriminar seus conflitos conjugais do adequado exercício da paternidade, a complexa situação dos filhos instaurada pelo divórcio encontra resposta na guarda conjunta, ressaltando, mais uma vez, que a guarda compartilhada como deve funcionar quando se estabelece a harmonia entre genitores.152
Concordando com a autora acima, Grisard analisando as vantagens da Guarda Compartilhada, aduz que:
Com efeito, a guarda conjunta é uma abordagem nova e benéfica que somente se realiza na cooperação entre os genitores, isto é, os pais devem isolar os filhos de seus conflitos pessoais, não sendo viável seu estabelecimento numa relação em que pai e mãe vivam
149 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família, p. 107.
150 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família, p. 107.
151 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família, p. 109.
152 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família, p. 109.
em constantes discussões, conforme corriqueiramente se observa.153 O autor Grisard alerta para as desavenças entre os pais, e neste caso, se posiciona como favorável à manutenção do modelo clássico de Guarda Uniparental.
Assim, nas famílias em que predominam desavenças e desrespeito, que inviabilizam qualquer tipo de convivência entre genitores, deve- se optar pela guarda única, modelo tradicional, deferindo-a ao genitor que melhor tem condições de guardar os filhos menores, conferindo, ao outro, direito amplo de visitas.154
Diante do exposto observa-se a necessidade da dedicação especial entre os genitores, cuidando para que seus conflitos pessoais não interfiram no relacionamento que terão com os filhos, visto que esse novo modelo de guarda exige isso ao máximo. Considera-se primordial, portanto, que para o bom andamento desse novo instituto, os pais atentem à observância da supremacia do principio do bem estar do menor.
3.2.4 Conveniência da opção pela guarda compartilhada: Literatura, doutrina e