• Nenhum resultado encontrado

Possibilidade do deferimento da guarda compartilhada no ordenamento

3.2 A GUARDA COMPARTILHADA

3.2.2 Possibilidade do deferimento da guarda compartilhada no ordenamento

Por outro prisma, Motta132 menciona que:

A guarda compartilhada refere-se aos aspectos mais concretos da guarda e das visitas. Implica a divisão do tempo passado com a criança entre os dois genitores. Aproxima-se da guarda alternada no sentido de que a criança terá moradias diferentes em períodos de tempo alternados, porém diferencia-se daquela, pois a guarda legal conjunta implica em que os guardiões legais ambos os pais.

Na intenção de abrandar o sofrimento dos filhos, mediante a Guarda Compartilhada, percebe-se que esta pode propiciar aos genitores a opção de, em comum acordo, decidir e estar com os filhos todos os dias, minimizando o impacto sofrido por eles na hora da separação.

3.2.2 Possibilidade do deferimento da guarda compartilhada no ordenamento

lesivos aos filhos134.

Com respeito à Guarda Compartilhada, uma contribuição é dada por Vilela:

Se a intenção é somente que os dois genitores dividam os direitos e deveres em relação aos filhos, basta que se inclua expressamente no texto legal a possibilidade do poder familiar conjunta após a separação, ou mesmo, dando plena interpretação á regra contida no artigo 1632 do Código Civil, que determina que “a separação judicial, o divórcio e a dissolução da união estável não alteram as relações entre pais e filhos senão quanto ao direito, que aos princípios cabe, de terem em sua companhia os segundos.135

Assim, tem-se que o artigo 1632 do Código Civil já deixa expresso que os direitos e deveres dos pais em relação aos filhos permanecerão intactos após a separação, o que na prática não é observado, uma vez que o genitor sem a guarda da criança tem completamente esvaziado o conteúdo do poder de família.136

Pimentel na sua interpretação da legislação brasileira, fundamenta na Carta Magna o direito de deferimento da Guarda Compartilhada, o direito à convivência familiar é um direito fundamental e constitucionalmente assegurado e vem previsto no art. 227 da Carta Magna que consiste no direito de ser criado e educado no âmbito da própria família.137

Compartilhando ainda com Pimentel, Ramos138 leciona:

Considerando ser a família o lugar natural onde o ser humano em desenvolvimento se sente protegido e aprende os conceitos básicos para a vida, não se pode concebê-la sob um aspecto meramente unilateral quando ocorre a separação dos pais.

134 (Guarda Compartilhada: Um Novo Modelo de Responsabilidade Parental. RT. 2000, p. 140/174.In:

CARCERERI, Pedro Augusto Lemos. Aspectos destacados da guarda de filhos no Brasil. Revista Jus Vigilantibus, 30 de dezembro de 2002, p. 12.

135 VILELA, Sandra Regina. Título. Revista de psicologia jurídica. Edição Especial, nº 5. São Paulo.

2007. p. 25.

136 VILELA, Sandra Regina. Título. Revista de psicologia jurídica. Edição Especial, nº. 5. São Paulo. 2007. p. 25-26.

137 RAMOS, Patrícia Pimentel de Oliveira Chambers. O poder familiar e a guarda compartilhada sob o enfoque dos novos paradigmas do direito de família. p 78.

138 RAMOS, Patrícia Pimentel de Oliveira Chambers. O poder familiar e a guarda compartilhada sob o enfoque dos novos paradigmas do direito de família. p 79.

Na visão de Akel, a guarda dos filhos diante da separação dos pais representa para a criança um de seus direitos, pois conforme seus ensinamentos, deve-se entender que:

A atribuição de guarda após a separação é um ato de importância incalculável na vida da criança, a qual deve ser considerada como sujeito de Direito, tanto quanto os adultos que se separaram. Seus interesses devem ser primordialmente considerados em toda e qualquer decisão legal que a envolva.139

Dantas anota em sua obra os seguintes termos:

[...] para que se vislumbre a possível aplicação da guarda compartilhada, deve ser analisado o caso concreto, pois, em determinadas situações pode não atender o melhor interesse do menor, pois mais do que direito, a convivência com ambos os genitores é um fator fundamental no desenvolvimento social e psicológico, tendo em vista que é através de nossas famílias de origem, representadas por nossos pais, que nos inserimos na estrutura social, bem como é primordialmente através da relações com ambos, pai e mãe, que construímos nossa subjetividade.140 Pimentel visualiza a Guarda Compartilhada dentro dos ditames legais como um direito da criança respeitando sua dignidade, visto que aduz:

Não há nenhuma vedação legal à aplicação imediata da guarda compartilhada em nosso país. Pelo contrário, em razão dos dispositivos legais e constitucionais existentes e já mencionados, é um modelo que melhor atende aos ditames constitucionais e legais de igualdade jurídica entre pais e o direito da criança à convivência familiar e respeito à sua dignidade. Na hipótese de ambos os pais, querendo e tendo possibilidades para o exercício da guarda, e sendo este o anseio do filho, há de lhes ser deferido o exercício da guarda conjunta ou compartilhada.141

Neste mesmo seara, visualizando o interesse da criança, Grisard Filho leciona:

[...] a guarda compartilhada assume uma importância extraordinária, na medida em que valoriza o convívio da menor com seus dois pais,

139 AKEL, Ana Carolina Silveira. Guarda compartilhada: um avanço para família. p. 127.

140 DANTAS, Priscilla C. Ramos. A guarda compartilhada como possível solução para os conflitos decorrentes da separação dos pais. Disponível em http://www.boletimjuridico.com.br/doutrina/texto.asp?id=1355. Acesso: 26 de outubro de 2010.

141 RAMOS, Patrícia Pimentel de Oliveira Chambers. O poder familiar e a guarda compartilhada sob o enfoque dos novos paradigmas do direito de família. p 84.

pois mantém, apesar da ruptura, o exercício em comum da autoridade parental e reserva, a cada um dos pais, o direito de participar das decisões importantes que se referem à criança.

Seguindo a trilha aberta pelos diplomas internacionais e pela legislação alienígena mais avançada, o Direito brasileiro igualmente elegeu o interesse do menor como fundamental para reduzir os efeitos patológicos que o impacto negativo das situações familiares conflitivas provoca na formação da criança.142

Observado o que foi dito pelos autores ora citados, verifica-se que o ordenamento jurídico não veda o deferimento da Guarda Compartilhada, até mesmo defendem-na como a modalidade mais adequada para o desenvolvimento da criança.