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HABILIDADES E COMPETÊNCIAS

Para Silva; Sousa e Freitas (2011), competência é a capacidade de aplicar, adequadamente, conhecimentos e habilidades para alcançar um determinado resultado em um contexto concreto. Para as autoras existem ainda dois obstáculos para a implementação das DCNs/ENF, conforme preconiza a legislação, ou seja, a dicotomia entre teoria e prática e a dificuldade de avaliação de competências profissionais para o efeito de certificação.

Para Ito et al (2006 p. 574), “[...] a competência profissional é definida como a capacidade de articular e mobilizar conhecimentos, habilidades e atitudes, colocando- os em ação para resolver problemas e enfrentar situações de imprevisibilidade em dada situação e contexto cultural.”.

As Diretrizes Curriculares Nacionais do Curso de Graduação em Enfermagem trazem, entre outros, três grandes artigos referentes às competências e habilidades gerais, específicas e conteúdos essenciais para a formação do enfermeiro (artigos 4º, 5º e 6º, respectivamente), porém de forma muito implícita e abrangente.

A definição clara das competências e habilidades esperadas de um determinado profissional estabelece certas vantagens, como a oportunidade para o profissional refletir a natureza do seu trabalho dentro de uma empresa; estabelecer o que os membros de uma profissão estão habilitados a fazer e o que o público pode esperar deles; estabelecer metas mais claras do que, normalmente, existem para as instituições de ensino e para os programas de educação permanente e tornar mais claro para o estudante o que será esperado alcançar por ele ao final de sua trajetória acadêmica.

Nesta categoria, classifiquei 2 (duas) pesquisas que utilizaram instrumentos para avaliação do processo formativo do profissional de enfermagem.

A pesquisa realizada por Meira (2012), entrevistou enfermeiros egressos já inseridos no mercado de trabalho, graduados no ano de 2007 do Centro Universitário Adventista de São Paulo, e enfermeiros gestores/empregadores. Essa IES é uma instituição filantrópica situada na cidade de São Paulo. Foram utilizados 3 (três) instrumentos de coleta de dados, sendo um instrumento para entrevista com egressos e dois instrumentos para entrevista com enfermeiros gestores/empregadores. Esses instrumentos traziam questões discursivas sobre as dificuldades encontradas pelos

enfermeiros durante sua atuação profissional e sobre qual seria o perfil profissional desejado pelas instituições que estes gestores/empregadores trabalham.

Em outra pesquisa classificada nessa categoria, Rebouças (2014) utilizou 2 (dois) instrumentos para coleta de dados em 5 (cinco) IES públicas do Estado da Bahia com discentes e docentes de cursos de bacharelado em enfermagem. As perguntas discursivas dos instrumentos foram direcionadas aos docentes do curso de enfermagem dessas IES e discentes cursando os últimos 2 (dois) semestres para avaliar o currículo quanto as habilidades e competências adquiridas durante a vida acadêmica. Esta pesquisa também foi classificada na categoria conteúdos curriculares, pois o instrumento direcionado aos docentes também tinha relação com essa categoria.

Após análise, observei que não havia dentro dessa categoria e nos instrumentos analisados, um padrão quanto a forma e a direção que foram aplicados os instrumentos nas duas pesquisas.

5 CONCLUSÃO E CONSIDERAÇÕES FINAIS

Essa pesquisa centrou-se na análise de instrumentos utilizados em pesquisas para avaliação do currículo na formação do profissional de enfermagem para sua atuação.

Neste sentido, buscou-se conhecer, por intermédio de pesquisas publicadas, como estão sendo avaliados o processo de ensino-aprendizagem curricular por meio de instrumentos como questionários, fóruns, debates e grupos focais nas pesquisas encontradas ao realizar o estado da arte.

Gostaria de deixar registrado aqui que em momento algum da pesquisa pensei ingenuamente que pudéssemos alcançar a qualidade total no processo ensino- aprendizagem ou que o currículo, sozinho e complexo como ele é, seja o responsável por transformações verdadeiras na forma de ensinar ou de aprender, mas que, por meio deste estudo, fosse possível identificar e contribuir em qual ou quais pontos esse processo de ensino-aprendizagem, por meio do currículo, possa ser repensado pelos profissionais que discutem e debatem esse assunto e também pelos próprios profissionais de enfermagem inseridos ou não na área da educação.

Gostaria de considerar, também, que as Diretrizes Curriculares Nacionais para cursos de enfermagem estão completando 20 (vinte) anos de existência e que no ano de 2001, ano da publicação das DCN/ENF para cursos de enfermagem, tínhamos uma realidade diferente da que temos hoje. Tínhamos uma população em quantidade bem inferior ao que temos hoje, além de novas doenças que surgiram de lá pra cá e doenças que haviam sido erradicadas, reapareceram, além, é claro, dos avanços tecnológicos, do envelhecimento da população, do aumento da quantidade de unidades de saúde, hospitais, clínicas, especialidades médicas e, consequentemente, a complexidade, carecendo cada vez mais de profissionais bem preparados e formados na área de enfermagem.

É fato que o profissional de enfermagem precisa atender as necessidades sociais da saúde, com ênfase no Sistema Único de Saúde (SUS), assegurando a integralidade da atenção, a qualidade e a humanização no atendimento. O currículo pode produzir contribuições relevantes para a construção de um modelo em que as práticas pedagógicas possam somar para um aprendizado mais próximo das exigências do mundo produtivo, ou seja, as DCNs necessitam estar em um processo contínuo, cíclico e ascendente de adequações, melhorias e ajustes afim de que sejam

aprimoradas para a realidade atual, principalmente no que tange a avaliação da aprendizagem, estreitando a relação entre a teoria e a prática, buscando a formação de um profissional, após formado, menos inseguro, mais crítico e reflexivo como deve ser e com competência para a promoção de mudanças, ser decisivo, inovador e articulado com outras áreas de conhecimento, conforme prevê as DCNs/ENF quando preconiza a interdisciplinaridade.

O processo de formação de enfermeiros precisa subsidiar novas práticas de educação em saúde; sobretudo no desenvolvimento de tecnologias para as práticas de prevenção e promoção, visando a superação do modelo biomédico. No entanto, por meio da articulação dos documentos analisados nessa pesquisa em sintonia com o seu objeto e na busca da padronização de um instrumento de avaliação dos currículos de enfermagem, observei uma certa diluição na forma de buscar respostas vindas da verbalização dos sujeitos envolvidos nas pesquisas realizadas.

Apesar da Resolução Nº 573, de 2018, do Conselho Nacional de Saude (CNS), sobre as recomendações sobre a proposta das Diretrizes Curriculares Nacionais de Enfermagem de 2001 (DCNs/ENF) parecem necessitar de uma atualização, considerando uma comparação do cenário que tínhamos naquela época com o cenário que temos atualmente, já descrito anteriormente, sejam eles, número de habitantes, complexidade das enfermidades, surgimento de novas patologias e ressurgimento de patologias que haviam sido erradicadas, além do envelhecimento da população brasileira e prevendo alguns critérios para a oferta do ensino à distância (EAD) em enfermagem, iniciado em 2016 nas IES.

Por meio da análise realizada dos instrumentos encontrados nas pesquisas, não constatei um instrumento padrão que, de fato, concluíssem se os currículos dos cursos adotados nas Instituições de Ensino Superior dão conta de formar o profissional almejado e desejado nos ambientes profissionais de saúde e tão pouco o que preconiza as DCNs/ENF de 2001.

Percebi também que a quantidade de horas de estágio do aluno de enfermagem parece não ser suficiente, visto que nas DCNs/ENF de 2001 extipula-se um mínimo de 500 horas. Considerando a complexidade de qualquer hospital, o egresso que é contratado para seu primeiro emprego parece não estar pronto para exercer suas funções em todas as unidades dentro do hospital, a exemplo de uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) a qual, recentemente, por conta do Coronavírus (COVID 19), este setor careceu de profissionais habilitados e capacitados para

exercer tal função. Aliás, aproveito essa pesquisa para mencionar a sobrecarga no atendimento e na ocupação de leitos que colocam em xeque, todos os dias, a capacidade operacional do próprio SUS, maior sistema público do mundo. Serviços gratuitos como a saúde e que, portanto, devem ser garantidos e defendidos pelo Estado, pois, de acordo com a Constituição Federal de 1988, em seu Art. 6º, “São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.” (BRASIL, 1988).

Não posso deixar de mencionar, também, que tenho ciência que o aumento da carga horária do estágio possa influenciar no valor da mensalidade do aluno durante seu curso e que o tempo de dedicação para esta disciplina seria maior, porém, é durante o Estágio que se tem a possibilidade de colocar em prática o que aprendizado de sala de aula, com situações reais e com acompanhamento efetivo de um supervisor, fato que lhe daria mais segurança para atuar logo após formado.

Foi possível perceber que poucas pesquisas têm se preocupado com a avaliação dos cursos de bacharelado em enfermagem e, ainda, se o currículo adotado nas Instituições de Ensino Superior está dando conta de formar um profissional com formação generalista, humanista, crítica e reflexiva, conforme as DCNS/ENF.

Não poderia deixar de mencionar, ainda, que conforme preconiza as DCNs/ENF de 2001, a realização de cursos de capacitações e especializações dos profissionais de enfermagem é essencial para o currículo do profissional, a fim de refletir diretamente na melhoria da qualidade do atendimento, uma vez que o conhecimento e tecnologia em saúde estão sempre mudando e, dessa forma, buscando sempre melhorar a assistência e trazer mais segurança na sua atuação profissional. Logo, quanto melhor o currículo, bem como sua constante atualização é imprescindível para oferta de uma assistência de qualidade e, assim, proporcionar uma melhor qualidade de vida da população e melhorar os aspectos de vitalidade e saúde de todos.

De todo modo, esses temas abordados foram descritos na análise desta pesquisa, que são: currículo, conteúdos curriculares, práticas pedagógicas, habilidades e atitudes. Para as pesquisas futuras, acredito ser de grande validade e importância de uma análise das DCNs, bem como sua atualização para o cenário atual da saúde e da população no Brasil por atores que vivenciam ou não a educação em

enfermagem, juntamente aos órgãos reguladores e que seja possível criar um instrumento de avaliação de currículo de cursos de enfermagem adotado nas Instituições de Ensino Superior para que possa, por meio dessa avaliação, gerar alguma nota que seja considerada com algum peso para o conceito do curso perante o Ministério da Educação (MEC).

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