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5. Discussão

5.2 Hemodinâmica

este modelo geralmente não produz alterações similares com as dietas do tipo high fat. Em relação as diferenças nas concentrações séricas de colesterol, é observado que o colesterol-total e colesterol-LDL são maiores no grupo alimentado com a dieta high fat em comparação ao grupo alimentado com a dieta cafeteria, enquanto que as concentrações de colesterol-HDL foram aumentadas apenas pela dieta high fat, quando comparado ao grupo controle e grupo cafeteria (Higa et al., 2014). Tem sido sugerido que a dieta cafeteria pelletizada é mais eficiente para induzir hiperfagia, hipertrofia de adipócitos, hiperglicemia e resistência à insulina, enquanto a dieta high fat é mais eficiente para induzir mudanças no perfil lipídico (Higa et al., 2014). A oferta da dieta high fat contendo de 23 - 36% de gordura a roedores induz um aumento de adiposidade corporal (Battault et al., 2017; Barnes et al., 2003; Fardin et al., 2012; How et al., 2014; Khan et al.,2015; Stocker et al., 2007) e dislipidemia (Battault et al., 2017; Erdos et al., 2011; Higa et al., 2014). Além disso também induz resistência à insulina (Battault et al., 2017; Barnes et al., 2003; Erdos et al., 2011;

Higa et al., 2014; Zhao et al., 2012) e aumento nas concentrações séricas de leptina (Barnes et al., 2003; Erdos et al., 2011; Fardin et al., 2012; Higa et al., 2014).

Existem algumas diferenças encontradas nesses estudos que podem ser devido ao tempo de manutenção dos animais na dieta e à sua composição. As dietas com alto teor de gordura em geral estão associadas à hiperfagia, entretanto dietas ricas em gorduras insaturadas são consideradas menos deletérias para a saúde humana do que as ricas em gorduras saturadas (Coelho et al., 2011; Crescenzo et al., 2015).

Porém são observadas alterações metabólicas mesmo em dietas que são suplementadas com óleo de soja (Barnes et al., 2003).

difere entre os estudos. A dieta cafeteria não induz alteração na PAM e na FC obtidas diariamente por telemetria após 15 dias de dieta (Muntzel et al., 2012) ou pelo método de manguito de cauda após 12 semanas de dieta (Higa et al., 2014), porém induz um aumento global desses parâmetros quando comparado ao grupo controle (Muntzel et al., 2012). Os animais alimentados com a dieta cafeteria não apresentam diferença na PAS, PAD e FC, avaliado pelo método manguito de cauda, durante a primeira semana quando comparado ao grupo controle (Howitt et al., 2011). Em nosso estudo a dieta cafeteria durante 26 dias também não alterou a PA.

No entanto ratos Sprague-Dawley alimentados durante 8 semanas com a dieta cafeteria apresentam um aumento da PA quando comparado ao grupo controle, usando o método de manguito de cauda em animais não anestesiados (Coatmellec- Taglioni et al., 2000). Também tem sido demonstrado que no final da 16° semana de dieta a PAS é significativamente elevada, sem induzir alteração na PAD e na FC (Howitt et al., 2011). Ratos Holtzmam alimentados durante 7 semanas com a dieta cafeteria na forma de pellet apresentam um aumento na PAM e na FC quando comparados aos controles, sendo o registro realizado em ratos conscientes e movimentando livremente após canulação da artéria femural (Speretta et al., 2016).

Na dieta high fat é oferecido aos animais um pellet com concentrações pré- definidas de cada macronutriente, porém entre os estudos a porcentagem dos macronutrientes e a fonte de gordura não são exatamente os mesmos. Com isso, mesmo a dieta high fat sendo um modelo de obesidade muito usado, os dados referentes à PA e FC também são discrepantes. Abaixo estão descritos alguns estudos que mostram o efeito da dieta high fat na PA e FC. É observado que ratos alimentados com a dieta high fat durante 8 semanas apresentam um aumento na PAM e na atividade do nervo simpático renal, sem alterar a FC. Esses experimentos foram realizados após canulação da artéria femural e os animais permaneceram anestesiados (Khan et al., 2015). Ratos Wistar anestesiados alimentados durante doze semanas com uma dieta high fat apresentam aumento da PAM, avaliada através da canulação da artéria femural, e da atividade do nervo simpático renal quando comparado aos controles (Barnes et al., 2003). Por outro lado, ratos alimentados com a dieta high fat por 10 ou 20 semanas não apresentam aumento na PAM (após canulação da artéria femural em ratos conscientes) e na atividade do nervo simpático renal (ratos anestesiados) quando comparados aos seus respectivos controles (Fardin et al., 2012). Ratos Sprague-Dawley conscientes

alimentados com a dieta high fat por 4 semanas foram divididos em dois grupos, animais propensos à obesidade e resistentes à obesidade, não sendo observado diferença na PAM e na FC (medida através da canulação da artéria femural) entre os grupos (Zhao et al., 2012). Ratos Sprague-Dawley foram alimentados por 13-15 semanas com uma dieta high fat e foi observado que os animais propensos à obesidade possuem um significante aumento na PA (medida através da canulação da artéria femural) sem alteração na FC (How et al., 2014). Ratos Sprague-Dawley pesando aproximadamente 350-425g foram alimentados com uma dieta low fat (10%

kcal de gordura) e high fat (32% kcal de gordura) durante 13 semanas (Stocker et al., 2007). Após 5 semanas os animais alimentados com a dieta high fat foram separados em animais propensos à obesidade e resistentes à obesidade baseado no ganho de peso corporal e foi visto que a partir da 10° até a 13° semana a PAM foi maior em animais propensos a obesidade, sem alteração na FC, sendo o registro feito através de telemetria (Stocker et al., 2007). Ratos jovens e adultos foram alimentados com uma dieta high fat durante 15 semanas e através da análise por telemetria foi observado na primeira semana uma diminuição na PA em animais adultos e um aumento na FC em jovens e adultos (Erdos et al., 2011). Similar aos nossos achados, a oferta da dieta high fat por uma semana aumenta a FC sem alterar a PA em animais jovens. Porém, após a sexta semana a PAM de ratos jovens aumentou, sendo que a PA dos animais adultos permaneceu menor e a FC diminuiu em ambas as idades, sendo que a redução em jovens foi mais significante (Erdos et al., 2011). Ratos Wistar adultos, pesando aproximadamente 200-230g tratados por 30 dias com uma dieta com alto teor de carboidratos e lipídeos através de uma emulsão por via oral, apresentam redução na PA e na FC (Ai et al., 2010). A PA dos animais anestesiados com pentobarbital de sódio foi avaliada através da instrumentação de um catéter na artéria femural (Ai et al., 2010). Apesar de alguns experimentos terem sido conduzidos em animais anestesiados, acreditamos que as divergências encontradas nos estudos acima não sejam decorrentes do efeito do anestésico.

Estudos realizados com ratos Zucker, um modelo geneticamente modificado, tem sugerido que a idade é um fator determinante no desenvolvimento de alterações hemodinâmicas em obesos. Ratos Zucker possuem receptores para leptina não funcionais e se tornam obesos através da hiperfagia (Huber; Schreihofer, 2010). A partir da 6° semana de idade estes animais apresentam um aumento no peso

corporal e nas concentrações séricas de insulina e triglicérides e a partir da 15°

semana, além dessas alterações, apresentam também um aumento nas concentrações séricas de colesterol e glicose em jejum, mostrando resistência à insulina (Frisbee, 2005). Ratos Zucker obeso na fase adulta (avaliado a partir 12°

semana de idade) apresentam aumento da PAM, sem alteração na FC, na presença (Frisbee, 2005; Schreihofer et al., 2007) ou ausência de anestésico (Guimarães et al., 2014; Osmond et al., 2009). No entanto, em fêmeas adultas essa alteração não é encontrada (Buñag; Barringer, 1988). Não existe um consenso nos valores de PA em ratos Zucker obesos jovens (avaliado a partir da 6°-7° semana) não anestesiados (Guimarães et al., 2014; Osmond et al., 2009). Embora tenha sido demonstrado que ratos Zucker obesos conscientes com idade de 6 - 7 semanas (jovens) apresentam aumento da PAM sem alteração na FC (Guimarães et al., 2014). Um outro estudo mostra que a PAM foi semelhante entre ratos jovens (7 semanas) magros e obesos (Osmond et al., 2009). A diferença entre os estudos é o método de avaliação da PA. Enquanto um trabalho realiza a aferição da PA por canulação da artéria femural (Guimarães et al., 2014) o outro avalia pelo método de telemetria (Osmond et al., 2009).

5.3 Variabilidade da pressão arterial sistólica e frequência cardíaca e