Ambiental crítica e de conscientização. A análise foi feita nos meses de junho, julho, agosto do mesmo ano.
Ressaltamos que os procedimentos éticos previstos para realiza- ção de pesquisa com seres humanos foram seguidos, e os participantes foram munidos de todas as informações sobre possíveis riscos. O proje- to foi aprovado pelo CEP/UFG sob o número 3.099.030/2018.
1.3 Histórico da Educação Ambiental: E a humanidade excluí-
Essa visão antropocentrista, além de difundir que o homem é su- perior a todos os outros seres, fez com que surgisse a competitividade e a necessidade de, a cada dia, possuir mais bens, independente das con- sequências de suas ações. Esse fator, juntamente com o advento da Re- volução Industrial, — ocorrido na segunda metade do século, — contri- buiu para a dilapidação do meio ambiente. Segundo Dias (1994, p. 20),
Nas décadas de 50/60, impulsionado por avanços tecnológi- cos, o homem ampliou a sua capacidade de produzir altera- ções no meio ambiente natural, notadamente nos países mais desenvolvidos, e na década seguinte os efeitos negativos sobre a qualidade de vida já eram evidentes.
A Revolução Industrial trouxe a criação de equipamentos e má- quinas e da ciência, que passou a ser usada na produção em grande es- cala. Segundo (SAMPAIO, 2010, apud VIVEIROS, 2015, p. 331), “houve a fragmentação do trabalho, a desintegração do ambiente social e cultu- ral do trabalhador, estabelecendo uma nova relação entre homem-ho- mem e entre homem-natureza”. A partir dessa nova realidade, de um homem soberano, de uma indústria massivadora, que põe em risco a sobrevivência da espécie humana, devido à destruição em massa dos recursos naturais, começa-se a haver, por parte de algumas pessoas, a preocupação com os efeitos negativos sobre o meio ambiente.
O cacique Seattle, na sua carta ao presidente dos EUA, no ano de 1885, já alertava sobre os danos causados ao meio ambiente pelo ser humano, assim como ele, muitas outras pessoas, ao longo de décadas, têm se juntado para lutar pela preservação do meio ambiente. É uma luta que une governos, religiões, entidades, movimentos sociais, etc. To- dos em busca de uma solução para salvar o Planeta Terra.
O empenho em unir forças, criar leis e estabelecer normas foi de- sencadeado a partir da leitura do livro Primavera Silenciosa, de Rachel Carson, que tratava do uso excessivo de produtos químicos, e reper- cutiu mundialmente, através do movimento ambientalista, chamando atenção para o que o homem estava fazendo com a natureza. Albert
Schweitzer, Nobel da Paz, por popularizar a ética ambiental, foi um dos precursores de grandes encontros mundiais.
O primeiro evento mundial, que reuniu especialistas para se dis- cutir a crise ambiental que já estava deflagrada, aconteceu em Roma, e foi criado, a partir dessa reunião, o Clube de Roma (DIAS, 1994, p.
21). Em 1972 o Clube de Roma publicou seu relatório The Limites of Growth. Ainda, segundo Dias (1994, p. 21), esse relatório “denunciava que o crescente consumo mundial levaria a humanidade a um limite de crescimento e possivelmente a um colapso”.
O Clube de Roma foi o pontapé inicial para que outros eventos acontecessem, sempre cobrado por movimentos ambientalistas mun- diais, que percebiam o quanto a qualidade do meio ambiente tinha de- caído em consequência da ganância humana de obter lucros sem pensar nos efeitos colaterais de suas decisões.
Mas o marco histórico/político internacional, que trouxe politicas de gerenciamento ambiental, foi a Conferência da ONU, que aconteceu na cidade sueca de Estocolmo, no ano de 1972, e gerou a Declaração so- bre meio Ambiente Humano e estabeleceu um Plano de Ação Mundial para lidar com a problemática da degradação ambiental (DIAS, 1994, p.
21). Ainda, segundo Dias (1994, p. 21):
O Plano de Ação Mundial como o objetivo de inspirar e orien- tar a humanidade para a preservação e melhoria do ambiente humano. Reconheceu o desenvolvimento da Educação Am- biental como elemento crítico para o combate à crise ambien- tal no mundo, e enfatizou a urgência da necessidade do ho- mem reordenar suas prioridades.
A Conferência de Estocolmo, além de sugerir e reconhecer a im- portância da EA, enfatizou a importância de treinar (preparar) os pro- fessores para que fossem capazes de fazer um bom trabalho, além da ne- cessidade de criar recursos metodológicos que tivesssem a capacidade de atender às necessidades dos professores. Diante da inevitabilidade de
seguir essas orientações, a UNESCO organizou o Encontro de Belgrado, realizado na Iugoslávia em 1975, que, de acordo com Dias (1994),
...ficou conhecido como (The Belgrade Workshop), onde fo- ram formulados os princípios e orientações para o programa internacional de EA. Nesse encontro também foi formulada a Carta de Belgrado que preconizava a necessidade de uma nova ética global, capaz de promover a erradicação da pobre- za, da fome, do analfabetismo, da poluição, da exploração e dominação humana, e censurava o desenvolvimento que be- neficiassem toda a humanidade. (DIAS, 1994, p. 22)
É interessante perceber que não basta apenas falar de EA. É ne- cessário lutar pela erradicação da pobreza, por uma nova ética global, e, principalmente, contra o analfabetismo, que impede o conhecimento e a busca de melhores condições de vida em harmonia com o meio em que vive. A consciência ambiental se espalhou pelo mundo através de vários outros encontros, movimentos, seguindo sempre as recomenda- ções da Conferência de Estocolmo. Um evento ainda maior foi realizado em Tbilisi, seguindo a recomendação nº 96 da Conferência de Estocol- mo. Segundo Dias (1994):
[...] a Conferência Intergovernamental sobre Educação Am- biental (Conferência de Tbilisi, como ficou conhecida) cujo produto mais importante foi a Declaração sobre Educação Ambiental, documento técnico que apresentava as finalida- des, objetivos, princípios orientadores e estratégias para o desenvolvimento da EA e elegia o treinamento de pessoal, o desenvolvimento de materiais educativos, a pesquisa de no- vos métodos, o processamento de dados e a disseminação de informações como o mais urgente dentro das estratégias de desenvolvimento. A Conferência de Tbilisi foi um marco his- tórico de destaque na evolução da EA. (DIAS, 1994, p. 22)
A Conferência de Tbilisi espalhou suas recomendações por vários países do mundo, e, dez anos depois, quando essas nações se reuniram novamente, na Conferência Intergovernamental sobre Educação Am- biental, em Moscou, para avaliar se o que havia sido combinado. Obser- vou-se que, menos nos países pobres, que são os que mais necessitam colocar em prática as recomendações sobre EA, o decreto estava sendo cumprido. Com relação ao Brasil, Dias (1994, p. 23) expõe que “alguns resultados foram alcançados, principalmente, por órgãos estaduais de meio ambiente. O que se produziu, porém, não foi o suficiente para ser capaz de produzir as transformações necessárias”.
A EA, de acordo com a Conferência de Tbilisi, deve ser trabalhada de forma interdisciplinar, e, no Brasil, pelo Parecer 226/87 do Conselho Federal de Educação, a Educação Ambiental é confundida com Ecologia.
1.4 A Educação Ambiental no Brasil: o que a lei determina