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4. JUNHO DE 2013

5.5 BH nas Ruas

5.5.2 Organização

5.5.2.2 Imagens

A página BH nas Ruas utilizou muitas imagens para ilustrar algumas dicas sobre os protestos, como no post abaixo87. A imagem mostra uma figura de pessoas correndo, no entanto, eles pedem calma na hora que as pessoas forem marchar: “Manifestação não é maratona”, diz o cartaz. No post, a página ainda reforçava a ideia de que para que a manifestação ficasse bonita era preciso que todos ficassem unidos e caminhando juntos.

Como veremos abaixo, a página utilizou a hashtag #BHnasruas em praticamente todos os posts. Isso pode ser justificado porque o uso da hashtag ajudava a localizar a informação e, consequentemente, contribuía para o processo organizativo. A hashtag também era uma forma de divulgar o nome da página.

Manifestação bonita é feita com muita gente.

Então, por que não ficamos todos unidos? Ande com calma, mantenha o grupo junto. Se você está na frente e viu que pessoas estão se separando, diminua o passo. Afinal, quanto maior a passeata, maior a força da reivindicação!

#bhnasruas

86 Importante lembrar que a frase “O gigante acordou” gerou muita polêmica entre os manifestantes. Muitos deles não concordavam com a frase, uma vez as pessoas que vivem nas periferias, convivendo diariamente com as injustiças sociais, “nunca dormiram”.

87 Postagem do dia 22 de junho de 2013. Disponível em:

<https://www.facebook.com/BHnasRuas/photos/a.556582191047777.1073741831.556386254400704/55855947 0850049/?type=1&relevant_count=1>. Acesso em 26 jun. 2015.

FIGURA 33 – Imagem divulgada na página BH nas Ruas

Em outro post88, a página alertava para que as pessoas ficassem atentas ao passar por locais onde o acesso era difícil o que poderia causar tumultos e confusão. A imagem fazia uma analogia aos procedimentos de segurança no avião, onde uma aeromoça mostrava as portas de saída de emergência da aeronave. No entanto a mensagem dizia para que os manifestantes ficassem atentos: “máscaras não cairão automaticamente do céu”.

Evite ao máximo passar por locais de difícil acesso.

Ruas estreitas, túneis e terrenos baldios podem causar tumulto. Lembre-se: em caso de emergência, máscaras não cairão automaticamente do céu. Atenção com o caminho. #bhnasruas

88 Post do dia 22 de junho de 2014. Disponível em:

<https://www.facebook.com/BHnasRuas/photos/a.556582191047777.1073741831.556386254400704/55857581 0848415/?type=1&relevant_count=1>. Acesso em 26. Jun. 2015.

FIGURA 34 – Imagem publicada na página BH nas Ruas

Outra característica encontrada na página é que ela também divulgava um resumo das manifestações, além de informar sobre as decisões que foram tomadas e quais direcionamentos dos os próximos protestos. Abaixo, um dos posts89 referentes a um resumo das ações dos manifestantes em BH. Acredita-se que a foto escolhida para o post foi manifestação, uma vez que é possível identificar focos de fogo na fotografia, como foi relatado no resumo.

RESUMO DAS MANIFESTAÇÕES DE HOJE – por BH nas Ruas

A manifestação de hoje (quarta-feira) começou a se concentrar às 12h, na Praça Sete. De acordo com emissoras de TV, o ato teria contado com a participação de 50 mil pessoas. Os manifestantes, ainda na Praça Sete, votaram no trajeto e destino que preferiam para a manifestação. Ir para a região da Pampulha, pela avenida Antônio Carlos, ganhou. A ideia era seguir a avenida até a Lagoa da Pampulha, passando direto pela avenida Abrahão Caram e evitando o confronto com policiais, localizados principalmente no acesso ao Mineirão - protegendo o "território da FIFA".

A Assembleia Popular de Belo Horizonte e o COPAC, além de diversos

movimentos e organizações sociais, como o MST, o Sindicato dos Policiais Civis e o Sindicato dos Servidores da Educação, incentivaram durante todo o trajeto, inclusive com um carro de som, que a manifestação não fosse em direção ao Mineirão e seguisse de forma segura para os participantes - dado a forma como a PM atuou nos últimos atos. No cruzamento entre as avenidas Antônio Carlos e Abrahão Caram, membros dessas organizações e outros manifestantes fizeram um cordão humano, tentando orientar as pessoas para que não fossem em direção ao bloqueio da Polícia Militar e da Tropa de Choque. Parte dos manifestantes, no

89 Post do dia 26 de junho. Disponível em:

<https://www.facebook.com/556386254400704/posts/560708603968469>. Acesso em 26 jun. 2015.

entanto, decidiu seguir a avenida Abrahão Caram e tentar chegar até o Mineirão.

Houve conflito entre os manifestantes e a polícia, com bombas de gás lacrimogêneo, balas de borracha e pedras. Enquanto isso, um grupo da manifestação seguia em direção à Lagoa da Pampulha, pela avenida Antônio Carlos, e outro ficou próximo à avenida Abrahão Caram, ainda querendo ir até o Mineirão.

O grupo que foi até a lagoa decidiu retornar para o centro da cidade, passando por dentro dos bairros. Segundo manifestantes desse grupo, a PM teria fechado rotas de fuga que deveriam estar abertas, o que teria atingido toda a manifestação. Na avenida Antônio Carlos, nas proximidades do cruzamento com a avenida Abrahão Caram, o conflito entre manifestantes e polícia durou até as primeiras horas da noite.

Estabelecimentos comerciais foram invadidos e focos de fogo foram criados pelos manifestantes.

A PM, depois de aproximadamente uma hora e meia, decidiu avançar pela Av.

Antônio Carlos. Em clara objeção ao direito de manifestação, no carro de som da PM, um policial gritava palavras de ordem, informando que todos nas ruas deveriam voltar para casa, e, entre outras mensagens, que a polícia estava "reinstaurando a ordem pública". Aos manifestantes que chegavam na Praça Sete, policiais avisavam que teria conflito no centro e todos deveriam ir para casa. Além disso, todos os manifestantes eram encaminhados para passar no meio de um corredor formado por policiais. Na manifestação nessa área central, nenhuma ocorrência havia sido registrada. A ação da PM no centro acontece até agora - momento em que publicamos essa retrospectiva. Há relatos de bombas de gás e balas de borracha, além das falas no carro de som já mencionadas.

#BHnasRuas

FIGURA 35 – Imagem da manifestação em Belo Horizonte