A obtenção de sucesso de gestão pelos CBH está intimamente ligada à simplificação da informação e democratização de conhecimento sobre a realidade ambiental das BH. Neste sentido, os indicadores são importantes instrumentos de auxílio aos processos decisórios, facilitando a comunicação, compreensão e potencialidades à gestão das águas (MAGALHÃES, 2014).
O conceito de “indicador” deriva da palavra latina indicare, que significa destacar, revelar ou indicar informações por meio do cruzamento de pelo menos duas variáveis primárias sobre informações espaciais, temporais, ambientais, entre outras. A partir da década de 1990, a busca de ações equacionadas para o desenvolvimento, motivou iniciativas a respeito dos indicadores voltados para gestão dos RH (MAGALHÃES, 2014). Independente de locais e comparações entre municípios, regiões, estados, rios ou bacias, os indicadores devem sempre que possível, não apenas mostrar a diferença entre "sim" e "não", mas também ser expostos em termos numéricos (KRAEMER, 1997).
Indicadores são instrumentos importantes na busca da sustentabilidade. Se pode dizer, que indicadores baseados em informações quantitativas e qualitativas, permitem que um componente ou ação de um determinado sistema seja descrito nos limites do conhecimento atual (BRASIL, 1997).
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Dentre os diferentes tipos de indicadores, é possível destacar a categoria ambiental que pode ser inserida em uma pirâmide de informações (Figura 4), tal qual, é constituída por dados primários do monitoramento, indicadores e índices para ponderação (MAGALHÃES JR., 2014;
UNESCO 1984).
Figura 4. Pirâmide de informações – processos de integração, síntese e simplificação de dados para constituir indicadores e índices para a ponderação. Fonte: Magalhães Júnior (2014).
4.3.1. Sistema de Indicadores de Recursos Hídricos
A escolha dos indicadores à serem utilizados é uma questão importante para o desenvolvimento de um sistema. Para isso, é preciso determinar um processo de lógica estrutural (Figura 5) por meio de um esquema de observações de dados, aplicação de estatística para avaliar indicadores e formar índices que estabeleça uma estrutura ou mudança de fenômeno que atenda as seguintes propriedades para a concepção de um sistema: I- Relevância, onde deve ser representativo, de fácil compreensão e comparável; II – Consistência, onde deve ser bem apoiado em conceitos técnicos e científicos; III - Mensurabilidade, onde deve ser facilmente mensurável e passível de ser monitorado regularmente a um custo não excessivo (ALMEIDA et al. 2014;
MAGALHÃES JR., 2014).
37 Figura 5. Lógica estrutural para ponderação de um sistema de indicadores por relevância, consistência e mensurabilidade. Fonte: adaptada de Magalhães Júnior (2014).
Desta forma, a estrutura de um sistema de indicadores bem elaborado, amplia a visão estratégica da gestão interferindo positivamente na realidade dos RH para a eficiência dos órgãos públicos, além da sociedade obter mais informações e poder avaliar os serviços (MAGALHÃES JR., 2014).
Sobre à eficiência dos órgãos públicos através de um sistema de indicadores, se pode citar as seguintes implementações para a gestão de RH: I - o auxilio no acompanhamento dos resultados das interações entre sociedade e o meio ambiente, incluindo mudanças socioambientais; II - o subsidio em processos de formulação, planejamento e tomada de decisão em escalas públicas de dimensões ambientais e de desenvolvimento; III - a contribuição para avaliação dos resultados das políticas públicas específicas da área ambiental (TEIXEIRA 2014).
No contexto de regulação, indicadores precisam passar informações sobre determinado ambiente para preconizar a necessidade de ação corretiva, pois medida, índice ou modelo usado para definir aspectos físicos, químicos, biológicos ou socioeconômicos podem atribuir condições para ações de gerenciamento na busca do resultado desejado para formar um sistema. Desta forma, esta regulação coloca a dimensão humana ao lado de outras variáveis e identifica a importância dos indicadores (REES et al., 2008).
A partir de levantamento sobre o desenvolvimento e uso de indicadores voltados à recursos hídricos de bacias hidrográficas (Quadro 3), se entende que diferentes modelos metodológicos podem contribuir para a elaboração de um sistema de indicadores, porém,
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apresentam algumas limitações relacionadas à inclusão e escolha de atores sociais para obter as preferências dos decisores em relação a opiniões, possibilitando maior subsídio para a efetivação do sistema.
Quadro 3. Estudos de desenvolvimento e uso de indicadores voltados à recursos hídricos de bacias hidrográficas
Fonte Abordagem
HE et al., (2000)
Desenvolvimento e teste de um conjunto de indicadores hidrológicos e biológicos que refletem a condição de uma bacia hidrográfica e demonstraram que o uso de indicadores hidroambientais no processo de planejamento de bacias hidrográficas requer interações sistemáticas, tais como reuniões, pesquisas e discussões com as partes interessadas, ou seja, os atores sociais envolvidos.
MAGALHÃES JUNIOR et al., (2003)
Síntese dos resultados de um painel Delphi aplicado no país, envolvendo os indicadores mais valorizados e as tendências de pensamento quanto aos principais meios de ação na gestão das águas no país.
VIEIRA et al., (2009)
Aplicação de modelo de índice de sustentabilidade hidroambiental (ISHA) para Ambientes evidenciando a posição relativa e a posição absoluta de município dos seguintes índices: Índice Hídrico (8 indicadores), Índice Físico (4 relacionados), Índice Biótico (4 relacionados) e Índice Antrópico (12 indicadores).
KODIKARA et al., (2010)
Utilização de método Promethee para avaliar as regras de funcionamento dos sistemas de reservatórios de abastecimento de água urbana, considerando três critérios hipotéticos: gestores de recursos, usuários da água e meio ambiente. Para tanto, analisaram as preferências dos entrevistados em relação aos pesos dos critérios.
SILVA et al., (2010)
Apresentam uma ferramenta de apoio à comissão competente para a gestão das bacias hidrográficas do Brasil, a fim de promover a descentralização e a participação de todos os envolvidos na gestão dos recursos hídricos. A ferramenta fornece um ranking de alternativas para a recuperação ambiental de bacias hidrográficas através do uso do método multicritério Promethee II.
MUTIKANGA et al., (2011)
Estudo por escolha de tomadores de decisão por critérios de avaliação caracterizados por aspectos econômicos, ambientais, de saúde pública, impactos técnicos e sociais.
CARVALHO et al., (2011) Proposta composta por 51 indicadores, com o objetivo de verificar o nível de sustentabilidade hidroambiental.
ROOZBAHANI et al., (2012) Avaliação de oito critérios que se aproxime mais da realidade local, por meio de estudo de caso no abastecimento de água.
CARVALHO et al., (2013)
A partir de 51 indicadores foi estabelecida uma metodologia multicritério capaz de identificar a situação hidroambiental de municípios.
CARVALHO et al., (2015)
Foi constituído um sistema de 40 indicadores. Após a concepção, foram classificados por dimensões de categorias, temas, descrição, justificativa, relação, fonte e origem dos dados que indicam características voltadas a gestão da água em municípios, de fácil entendimento, mensuração, comparáveis e que não fossem repetidos.
Fonte: Adaptado de Carvalho (2015).
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