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A Folia de Reis brasileira sofreu, como em outros movimentos culturais, influências trazidas de outros países, no tocante a sua característica própria, que surge após longos trajetos de mudança social e cultural, os quais motivaram as influências como, por exemplo, o ritmo do bloco da cidade, em que seus componentes passaram a executar seus ritmos na Folia, o que podemos denominar aqui de “intercâmbio rítmico”.

As Folias de Reis de Cardoso Moreira não ganharam destaque nas rádios e mídias sociais, sendo assim, até hoje, ainda que reconhecido socialmente, não se trataria de músicas de uma audição comum, mas sim, um conjunto místico de devoção, colorido e movimentação cantada pelas ruas que fazem a disseminação folclórica para os que não a conheciam em um primeiro olhar. E quando disseminada pelos evangélicos protestantes como uma apresentação diabólica, esse processo dificultou até os dias atuais seu lugar meritório da cultura da cidade.

Embora a pesquisa aponte a Folia de Reis como único patrimônio imaterial da cidade, em seu histórico não é considerada como tal, pois não possui uma formação musical, ou seja, não tivemos escolas de música ou, em seu histórico, gêneros musicais ensinados de geração para geração, mesmo que

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informalmente, em que pese os projetos criados no início de 2000 pela prefeitura de Cardoso Moreira, esse ambiente não foi alterado até os dias atuais, mesmo com a chegada das bandas marciais.

Ao compreender as influências musicais, (rítmicas e melódicas), suas matrizes portuguesas e africanas, elementos fundamentais para a chegada e disseminação da folia no Brasil e, principalmente, as influências brasileiras das regiões, como dos Estados e municípios aos redores, entende-se a sua importante colaboração para o que temos hoje, com isso, realizo uma comparação com algumas regiões do país, onde as influências foram mais marcantes.

Ainda que de forma mínima no que tange as influências, por existir ainda diversas variáveis para ao que se chegou hoje, no que a pesquisa irá nos fornecer, apoiando-se em algumas pesquisas bibliográficas, podemos avançar que a folia cardosense, de forma ampla, apresenta uma combinação rítmica, manifestando, aparentemente, alguns estilos do tipo mineiro, paulista e baiano (como vozes, melodias e ritmos). Os estilos observados e com identificável semelhança com a Folia de Reis de Cardoso Moreira, fazem referência aos arredores de nossa região, aliada às influencias que se baseiam em algumas características específicas.

O estilo paulista tem, em sua particularidade, a condução da folia por dois cantores, os quais, em perfeita sintonia não permitem destoar o cântico improvisado; já o estilo mineiro tem em seus cânticos acordes cumulativos, em que basicamente formam uma espécie de coral e o estilo baiano tem sua semelhança com o estilo paulista, porém um canto com seu “beat” mais elevado (rápido), com ênfase nas abordagens percussivas, com bastante síncope e é também bastante ritmada.

No estilo paulista, os cantores principais são muitas vezes chamados embaixadores em vez de mestres, talvez devido ao seu papel de líder como representantes autorizados para os Reis Magos. O estilo é comumente associado à música country no interior do estado de São Paulo e está relacionado à música caipira.

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A viola e o violão são os principais instrumentos de acompanhamento e um terceiro instrumento melódico, como sanfona ou cavaquinho, é adicionado para variação melódica.

A melodia, cantada pelo mestre, é muitas vezes no registro superior para torná-lo mais fácil de ouvir. A segunda voz, cantada pelo contramestre, está em terças acima da melodia.

Os cantores das outras vozes são referidos como respostas porque sua função é apenas repetir a estrutura melódica cantada pelos mestres. Esta prática permite que os cantores líderes improvisem e compunham novos versos, à medida que o grupo repete e reforça os versos.

Durante as visitas, tal estilo também lembra o estilo popular da dupla caipira entre os trabalhadores rurais. Porque a mistura das vozes é esteticamente necessária para os participantes de folia de reis, eles distinguem e aprendem cada parte vocal, dos cantores principais.

No estilo mineiro, o canto é espontâneo e a estética do som muitas vezes se baseia na capacidade dos cantores para misturar suas vozes. Nesta tradição as vozes entram uma a uma e com cada entrada a textura do som se torna progressivamente mais encorpada. É preciso ouvir o mestre e contramestre como combinar suas vozes antes de as vozes seguintes entrarem no final do refrão.

As vozes quinta e sexta cantam as notas altas. Eles frequentemente dobram a oitava para a primeira e segunda vozes, o que pode ser difícil para uma voz masculina alcançar – fato que ocorre na Folia Cardosense. Enquanto em certas regiões não é incomum ouvir mulheres ou crianças cantando essas partes, mais frequentemente, um cantor do sexo masculino com essa faixa normalmente cantá-las.

Alguns grupos usam várias violas para acompanhar o mestre. A viola é um instrumento ideal para dobrar as vozes. Como não há regras que ditem quem deve

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cantar no final de cada refrão, os participantes dobram suas partes e adicionam mais vozes e instrumentos, conforme necessário.

As vozes do estilo mineiro são organizadas de acordo com a estrutura do verso que inclui as seguintes características vocais: a primeira voz traz a melodia cantada pelo mestre; a melodia é repetida e o texto dobrado; a segunda voz (contramestre) canta a resposta ao texto da canção, geralmente em uma terça acima da melodia; o contralto canta a terceira voz unindo-se ao grupo apenas para a última parte do refrão; a quarta voz canta a quarta , a quinta voz (quinta) e a última voz , respectivamente, duplicam o mestre e contramestre em suas respectivas oitavas).

O estilo baiano embora seja do nordeste da Bahia é encontrado entre os grupos de folia de reis no sul do Brasil. O termo "baiano" pode ser enganador, no entanto, porque no sul do Brasil a maioria dos povos rurais se refere a qualquer pessoa da região nordeste, como um baiano, causando confusão e levando à má interpretação do estilo baiano de folia de reis.

Instrumentos ligeiramente diferentes dos estilos paulista e mineiro, por causa do uso de flautinhas. A música é altamente sincopada e coloca mais ênfase na bateria e outros instrumentos de percussão.

Além disso, os cantores muitas vezes respondem ao mestre de uma forma de chamada e resposta. O termo "baiano" desenvolveu-se em Minas Gerais e no sul paulista para folia de reis e outros tipos de música e dança por causa da forte influência africana na região e não necessariamente faz referência aos nascidos ou habitantes da Bahia.

As folias de reis de Cardoso Moreira atravessam em cada período novas formas musicais, pois além de todas estas influências, ainda assim, buscam assimilar o que se houve na atualidade como ritmos, fato que pode ser observado em um registro audiovisual que fiz, demonstrando as modificações rítmicas sofridas até mesmo vinculadas aos jovens aprendizes. Entendo este aspecto

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