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INSCRIÇÃO DA DÍVIDA ATIVA

No documento MONOGRAFIA EXECUCAO FSCAL 1 PARTE - Univali (páginas 49-54)

Portanto, há várias formas de lançamento, todavia, todas objetivam a declaração da obrigação tributária e a formação do crédito tributário126.

durante cento e oitenta dias ou até a distribuição da execução fiscal, se esta ocorrer antes do término deste prazo131.

Vale relembrar que somente ocorrerá a inscrição da dívida ativa quando falharem as tentativas de cobrança através do processo administrativo e esta deverá respeitar os requisitos dispostos no artigo 202132 e seu parágrafo único do Código Tributário Nacional, que serão alvo de explanação no próximo item133.

Assim sendo, de acordo com Amaro a finalidade da inscrição é conferir “presunção de liquidez e certeza” a dívida ativa, “dando-lhe o efeito de prova pré-constituída (art. 204134), e tornando-a idônea a ser cobrada por ação de execução”135.

Portanto, a inscrição da dívida ativa é responsável pela constituição do controle administrativo referente à legalidade, auferindo ao crédito tributário a presunção de liquidez e certeza, ou seja, através deste ato à dívida possuíra o caráter executório, bem como o efeito de prova pré-constituída, conforme dispõe o artigo 204 do Código Tributário Nacional136.

131 PACHECO, José da Silva. Comentários à lei de execução fiscal, p. 42.

132 Art. 202. O termo de inscrição da dívida ativa, autenticado pela autoridade competente, indicará obrigatoriamente: I - o nome do devedor e, sendo caso, o dos co-responsáveis, bem como, sempre que possível, o domicílio ou a residência de um e de outros; II - a quantia devida e a maneira de calcular os juros de mora acrescidos; III - a origem e natureza do crédito, mencionada especificamente a disposição da lei em que seja fundado; IV - a data em que foi inscrita; V - sendo caso, o número do processo administrativo de que se originar o crédito. Parágrafo único. A certidão conterá, além dos requisitos deste artigo, a indicação do livro e da folha da inscrição.

133 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro, p. 454.

134 Art. 204. A dívida regularmente inscrita goza da presunção de certeza e liquidez e tem o efeito de prova pré-constituída. Parágrafo único. A presunção a que se refere este artigo é relativa e pode ser ilidida por prova inequívoca, a cargo do sujeito passivo ou do terceiro a que aproveite.

135 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro, p. 454.

136 HARADA, kiyoshi. Direito Financeiro e Tributário, p. 544.

2.3.1 Requisitos essenciais da dívida ativa

Conforme estabelecido no art. 2º, § 5º, da Lei n. 6.830/80, a certidão possui requisitos fundamentais, dentre os quais:

Art. 2º - Constitui Dívida Ativa da Fazenda Pública aquela definida como tributária ou não tributária na Lei nº 4.320, de 17 de março de 1964, com as alterações posteriores, que estatui normas gerais de direito financeiro para elaboração e controle dos orçamentos e balanços da União, dos Estados, dos Municípios e do Distrito Federal.

(...)

§ 5º - O Termo de Inscrição de Dívida Ativa deverá conter:

I - o nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que conhecido, o domicílio ou residência de um e de outros;

II - o valor originário da dívida, bem como o termo inicial e a forma de calcular os juros de mora e demais encargos previstos em lei ou contrato;

III - a origem, a natureza e o fundamento legal ou contratual da dívida;

IV - a indicação, se for o caso, de estar a dívida sujeita à atualização monetária, bem como o respectivo fundamento legal e o termo inicial para o cálculo;

V - a data e o número da inscrição, no Registro de Dívida Ativa;

VI - o número do processo administrativo ou do auto de infração, se neles estiver apurado o valor da dívida.

E ainda, além dos requisitos citados acima, Martins inclui outros requisitos necessários, quais sejam: “a indicação do livro e da folha da inscrição e os mesmos elementos do termo de inscrição, sendo autenticada pela autoridade competente”137.

137 MARTINS, Sérgio Pinto. Manual de direito tributário, p. 227.

Segundo Pacheco:

Todos esses requisitos são essenciais, a começar pelo nome do devedor, dos co-responsáveis e, sempre que conhecido, o domicilio o residência de um e de outros. A falta de nome invalida o termo, equivalendo à falta de devedor conhecido e determinado. A omissão do domicílio ou residência só se justifica se não forem conhecidos138.

Deve-se destacar que será nula a certidão que não possuir um dos requisitos essenciais, uma vez que o presente título não possuirá liquidez e certeza139. Todavia, a omissão ou erro, poderão ser sanados através da substituição do título executivo (certidão de dívida ativa), observando-se, sempre, o grau de jurisdição140.

Pode-se dar com exemplo de certidão ilíquida aquela que

“englobar verbas indevidas que não possam facilmente ser reparadas o quantum global da inscrição”, conforme ensina Theodoro Júnior141.

Nesse norte, verifica-se que a certidão da dívida ativa deverá obedecer, preliminarmente, os requisitos essenciais a ela impostos pelo ordenamento jurídico, para serem passíveis de execução, sob pena de nulidade.

2.3.2 Certidão da dívida ativa

Nas palavras de Greco Filho o título executivo no âmbito fiscal é “a Certidão da Dívida Ativa inscrita na forma da lei, a qual tem a peculariedade de ser o único título extrajudicial que pode ser formado exclusivamente pela atividade do credor”142.

138 PACHECO, José da Silva. Comentários à lei de execução fiscal, p. 46.

139 ROCHA, J. Virgilio Castelo Branco Filho. Execução fiscal, p. 71.

140 PACHECO, José da Silva. Comentários à lei de execução fiscal, p. 48.

141 THEODORO, Humberto Júnior. Lei de execução Fiscal, p. 16.

142 GRECO, Vicente Filho. Direito processual civil brasileiro. v. 3. 12. ed., São Paulo: Saraiva, 1997. p. 101.

Montenegro Filho explica que “a certidão representa o título de forma documental, demonstrando os aspectos substanciais necessários a que o documento seja tratado de forma privilegiada, subsidiando o requerimento de execução, que autoriza o Estado a agir de forma substitutiva, submetendo o devedor ao estado de sujeição”143.

Nessa senda, nota-se que a certidão de ativa trata-se das providências administrativa que deverão ser tomadas pelo exeqüente (Fazenda Nacional) a fim de caracterizar o titulo como executório. Evitando todos os vícios que de alguma forma não poderão ser sanados no decorrer da execução fiscal.

De acordo como Barros de Carvalho a “certidão de dívida ativa é o único dos títulos executivos extrajudiciais em que não há necessidade da assinatura do devedor, existindo a partir de ato unilateral do credor”144.

Tendo em vista que a inscrição da divida ativa é o requisito fundamental responsável pela liquidez e certeza do título, entende-se que somente haverá sua extração após a inscrição tornando-a um título executivo que dispensa a anuência do devedor145.

Destarte, considerando que o pressuposto legal para intentar uma execução fiscal é a existência da dívida regularmente inscrita, verifica-se que a certidão nada mais é do que a prova documental utilizada pelo Estado a fim de comprovar a existência do título executivo extrajudicial146.

143 MONTENEGRO, Misael Filho. Curso de direito processual civil, p. 452.

144 CARVALHO, Paulo de Barros. Curso de direito tributário nacional, p. 543.

145 CHIMENTI, Ricardo Cunha. Direito tributário, p. 83.

146 CHIMENTI, Ricardo Cunha; PIERRE, Andréia de Toledo. Teoria e prática do direito tributário.

São Paulo: Saraiva, 2005. p. 123.

No documento MONOGRAFIA EXECUCAO FSCAL 1 PARTE - Univali (páginas 49-54)

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