3. PROPOSTA
3.1. INFOLIBRAS
3.1.2. Integração do Surdo na Escola
Os problemas auditivos quando detectados precocemente, facilitam a conduta de pais e professores na orientação do processo de ensino. A orientação é fundamental e por isso, torna-se mais importante a participação de um fonoaudiólogo junto à equipe profissional que atua (tratar-se) nas escolas.
Nem todos são iguais, as diferenças existem e precisam ser respeitadas. Quando a causa dessas diferenças é a surdez, a comunicação fica prejudicada, já que a audição e a fala são canais por onde a sociedade passa as suas informações. Isso acaba dificultando a integração de pessoas surdas à sociedade.
Entende-se como integração, a possibilidade de que as pessoas com necessidades especiais devido à deficiência ou problemas em seu desenvolvimento, possam conviver com as demais pessoas de sua comunidade. Viver e conviver em sua própria comunidade é um direito e uma
questão de justiça. É justo que a pessoa surda receba uma educação adequada as suas necessidades educativas (CORRÊA, 1997).
Toda questão está no fato de que integrar não é só alocar o aluno surdo na sala de ensino regular. Na realidade, o professor é preparado para atuar com crianças que ouvem e falam, e todo o material foi selecionado para este tipo de população, que é a maioria. No entanto, é necessário preparar todos os professores, sem exceção, para aceitarem as diferenças individuais de cada um.
Neste contexto é imprescindível também, o trabalho de uma equipe multidisciplinar com psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos e a informática.
No Dicionário Enciclopédico Ilustrado Trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira de Fernando César Capovilla foi criado o livro para três línguas diferentes em todas regiões do Brasil, foram encontrados 18 palavras com termos de informática.
3.1.3. Dicionário Enciclopédia Ilustrado Trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira
É o primeiro Dicionário Enciclopédia Ilustrado Trilíngüe da Língua de Sinais Brasileira (LIBRAS) já produzido num esforço cooperativo entre equipes de professores Surdos de LIBRAS e pesquisadores ouvintes. Ele só foi possível graças ao apoio da Federação Nacional de Educação e Integração de Surdos (FENEIS), e a financiamentos independentes, concedidos por organizações representativas dos três setores: De uma empresa de capital privado na área de telecomunicações (Brasil Telecom), de uma fundação não-governamental de apoio à cultura e à promoção social (Fundação Vitae), e da fundação governamentais de financiamento à pesquisa (FAPESP). A partir de extensa pesquisa com informantes e professores Surdos congênitos sinalizadores, e com revisão e aprovação integral pela Coordenação Nacional de Cursos de LIBRAS da FENEIS, bem como pela Diretoria Cientifica da FAPESP, pela Diretoria da Fundação Vitae, e pela Presidência da Brasil Telecom, este dicionário documenta cientificamente, pela primeira vez, os sinais da LIBRAS correspondentes a 9.500 verbetes em Inglês, e seus respectivos verbetes em Português (CAPOVILA e RAFHAEL, 2001).Seu objetivo é servir de instrumento para a concretização da Educação Bilíngüe no Brasil e o resgate da cidadania do Surdo Brasileiro, e inspirar o advento de outros dicionários provenientes dos demais estados, de modo a assegurar uma documentação cientifica compreensiva e representativa da LIBRAS, tal como usada por Surdos de todo o território nacional. Trata-se de um dicionário enciclopédico trilíngüe porque contém informações acerca de todos os ramos do saber
humano e permite a tradução entre três línguas escritas: O Português e o Inglês escritos alfabeticamente, e a LIBRAS escrita de maneira visual direta por meio do sistema SignWriting (escrita de sinais) (CAPOVILA e RAFHAEL, 2001).
Foram criados 320 sinais relacionadas com palavras específicas da informática. Os sinais foram criados a partir de uma necessidade enquanto acadêmico surdo do Curso de Ciência da Computação porque pela ausência desses sinais no Dicionário Enciclopédia Ilustrado Trilíngüe Língua de Sinais Brasileira a comunicação entre TILS (Tradutor e Intérprete de Língua de Sinais) e o acadêmico ficava restrito e o conteúdo da matéria por conseqüência se tornava limitado prejudicando assim o desempenho intelectual do mesmo.
O Dicionário Enciclopédia Ilustrado Trilíngüe da LIBRAS é muito mais que um mero léxico de sinais. Ele é composto de três capítulos introdutórios, do corpo principal do dicionário da LIBRAS e de um thesausus (dicionário de sinônimos) Inglês-Português.
Iniciando com três capítulos introdutórios, o primeiro explica precisamente a estrutura do dicionário e mostra como obter informações detalhadas sobre a composição quirêmica exata e o significado preciso dos sinais, sobre seu uso pragmático na comunicação e sobre como fazer sua escrita visual direta. O segundo consiste numa seção que ilustra a soletração digital de letras e números em LIBRAS, e os nomes das principais formas da mão empregadas nas descrições e ilustrações dos sinais que se encontram no dicionário. O terceiro explica sistematicamente como ler e escrever os sinais da LIBRAS em SignWriting, e ilustra detalhadamente tais explicações por meio de um farto numero sinais da LIBRAS escolhidos a partir deste dicionário.
Os dois volumes do corpo principal do Dicionário da LIBRAS contém os sinais propriamente ditos que correspondem a verbetes em Inglês e Português. Para cada sinal há uma área de ilustrações (acima) e uma área de texto (abaixo). A área de ilustrações é dividida em três sub- áreas: A da ilustração do significado do sinal (à esquerda), da ilustração da forma (composição quirêmica) do sinal (ao centro), e a da escrita visual direta do sinal em SignWriting (à direita). A área de texto começa pelos verbetes em Português (em negrito) e em Inglês (em Itálico) que correspondem ao sinal, e continua com a sua classificação gramatical, sua definição lexical, e exemplos que ilustram seu uso lingüístico apropriado. Finalmente, ela termina com a descrição detalhada da composição quirêmica do sinal. A inclusão da ilustração do significado do sinal objetiva levar a criança Surda a apreender, de maneira visual e direta, o sentido daquilo a que se
mediação pela escrita no código alfabético, espera-se facilitar e promover o processamento visual, a aprendizagem, a retenção, a evocação e o uso dos sinais, conforme na Figura 3.
Figura 3. Sinal do Computador Fonte: Capovila e Raphael (2001).
Após o corpo principal, há o thesausus Inglês-Português, que lista alfabeticamente, todos os verbetes do Inglês (em negrito) juntamente com seus respectivos verbetes em Português, aos quais correspondem precisamente os sinais da LIBRAS do dicionário. Tal indexação de todos os sinais da LIBRAS pelos respectivos verbetes em Inglês permite ao leitor de Inglês-Português. Para tanto, basta usar a ordem alfabética para localizar o verbete desejado em Inglês no thesausus, encontrar o verbete em Português à direita daquele em Inglês do thesausus e, de volta ao corpo do dicionário, usar a ordem alfabética para localizar o verbete em Português e, então, observar o sinal da LIBRAS a eles correspondente (CAPOVILA e RAFHAEL, 2001).
Sendo assim, para esse fim de processo de ensino e cultura da comunidade surda (desde a criança até o adulto) os sinais aqui criados foram direcionado a área de informática, validados num esforço e cooperação entre a ASBAC (Associação de Surdos de Balneário Camboriú), visando a multiplicação da educação bilíngüe para surdos nesse seguimento, baseados em documentos cientifico.