Quadro 12– Resolução CONAMA 237/1997
Artigo Resumo/Parágrafos/Incisos
1º
Define que licenciamento ambiental corresponde a um procedimento administrativo pelo qual o órgão ambiental competente licencia a localização, instalação, ampliação e a operação de empreendimentos e atividades que utilizam recursos ambientais, efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam gerar degradação ambiental, apreciando as disposições legais e regulamentares e as normas técnicas aplicáveis.
2º
Refere-se ao enquadramento dos empreendimentos quanto à necessidade de licenciamento e apresentação prévia de estudo de impacto ambiental e respectivo relatório de impacto sobre o meio ambiente (EIA/RIMA). E caberá ao órgão ambiental competente definir os critérios de exigibilidade, o detalhamento e a complementação levando em consideração as especificidades, os riscos ambientais, o porte e outras características do empreendimento ou atividade.
Fonte: CONAMA (1997).
Os artigos 5º, 6º e 7º tratam do licenciamento dos empreendimentos sob a esfera geográfica de atuação. Ou seja, o licenciamento será dado pelo órgão municipal quando o impacto de poluição estiver restrito ao município, pelo órgão de estado quando atividade abrangente a mais de um município na mesma unidade federal e pelo órgão nacional quando atravessar fronteiras interestaduais. Os tipos de licenças estão descritas no Art. 8º, como segue no Quadro 13.
Quadro 13– Descrição das Licenças Ambientais, Artigo 8º CONAMA
Artigo Parágrafos/Incisos
8º
Parágrafo - O Poder Público, no exercício de sua competência de controle, expedirá as seguintes licenças:
I - Licença Prévia (LP) - concedida na fase preliminar do planejamento do empreendimento ou atividade aprovando sua localização e concepção, atestando a viabilidade ambiental e estabelecendo os requisitos básicos e condicionantes a serem atendidos nas próximas fases de sua
implementação;
II - Licença de Instalação (LI) - autoriza a instalação do empreendimento ou atividade de acordo com as especificações constantes dos planos, programas e projetos aprovados, incluindo as medidas de controle ambiental e demais condicionantes, da qual constituem motivo determinante;
III - Licença de Operação (LO) - autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de
controle ambiental e condicionantes determinados para a operação.
Fonte: CONAMA (1997).
Dentro da resolução, mais especificamente no artigo 1º, o parágrafo II especifica que o ato administrativo de licenciamento estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades (CONAMA, 2014). Assim, é necessária a busca pela regulamentação que orienta as condições, restrições e medidas de controle ambiental utilizada pelos órgãos executores dos licenciamentos para a Licença de Operação (LO), uma vez que o estudo ocorre com empresas já em funcionamento.
A resolução CONAMA no 430 também corrobora a necessidade dos empreendimentos ao devido licenciamento em vistadas características das atividades desenvolvidas. A resolução lista uma série de materiais que seutilizados e descartados por efluentes pelos empreendimentos obriga-os a devidas avaliações dos órgãos para a autorização de instalação e operação.
Conforme citado anteriormente, a legislação afiança que o licenciamento deverá ser obtido junto ao órgão da região na qual o impacto das empresas se manifesta. No caso desta pesquisaos resíduos da indústria de pranchas de Florianópolis são destinados ao aterro sanitário localizado na cidade de Biguaçu - SC, conforme Rocha (2011) e Grijó (2011, 2004), o que caracteriza assim a intermunicipalidade dos efeitos da indústria, exigindo que o órgão a ser consultado para liberação das atividades produtivas deva ser o órgão ambiental de Santa Catarina, a FATMA.
2.5.2 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL DO ESTADO DE SANTA CATARINA
Para a análise regional, a legislação ambiental vigente em Santa Catarina vai ao encontro da PNRS. Mas inicialmente posiciona as responsabilidades municipais através dos artigos 259 e 260, que explicitam o seguinte:.
Art. 259. O gerenciamento dos resíduos sólidos urbanos deve ser efetuado pelos municípios, preferencialmente de forma integrada.
§ 1º A execução dos serviços a cargo da esfera municipal, em todas as etapas ou parcialmente, pode ser feita direta ou indiretamente através de consórcios intermunicipais ou da iniciativa privada.
§ 2º A concessão de serviços de responsabilidade do Poder Público à iniciativa privada não exonera a sua responsabilidade pela gestão.
Ainda relevante no corpo da regulamentação estadual é:
Art. 260. Constituem serviços públicos de caráter essencial à organização municipal, o gerenciamento, o acondicionamento, o armazenamento, a coleta, o transporte, o tratamento e a disposição final dos resíduos sólidos domiciliares.
Parágrafo único. Visando à minimização de resíduos com disposição final no solo, devem os municípios adotar programas de coleta seletiva, estabelecendo metas graduais de crescimento e de mercado.
Os artigos 265, 266, 267 e 268 discorrem sobre os deveres das empresas com o desenvolvimento e adesão às iniciativas de redução e correto destino de resíduos. O artigo 265 estipula que os geradores de resíduos sólidos (empresas) devem elaborar o Plano de
Gerenciamento de Resíduos Sólidos – PGRS, que deverá ser avaliado e estará sujeito à aprovação do órgão ambiental estadual. O artigo 266 descreve a responsabilidade do órgão fiscalizador como preditor dos critérios para a elaboração do PGRS, sendo que os princípios fundamentais estão descritos no artigo. Particularmente o art. 266 detalha as informações requeridas ao PGRS:
§ 1º Os Planos de Gerenciamento de Resíduos Sólidos devem contemplar a alternativa de disposição final consorciada ou em centrais integradas de tratamento de resíduos, de acordo com as diretrizes e prioridades estabelecidas pelos órgãos de meio ambiente e de saúde competentes.
Toda aplicação da legislação ambiental catarinense está baseada na operação de empreendimentos que estejam legalmente amparados pelas instruções normativas da Fundação do Meio Ambiente – FATMA, órgão ambiental da esfera estadual do Governo de Santa Catarina, mediante seu prévio licenciamento e consequente instalação e operação. A Instrução Normativa 04/2013, instituída pela FATMA, contempla a legislação ambiental aplicada na definição da documentação necessária ao licenciamento e no estabelecimento dos critérios para apresentação dos planos, programas e projetos ambientais para implantação deatividades industriaisde pequeno, médio e grande porte, incluindo tratamento de resíduos líquidos, tratamento e disposição de resíduos sólidos, ruídos, vibrações e outros passivos ambientais (FATMA, 2015).
A Licença Ambiental é o ato administrativo pelo qual o órgão ambiental competente estabelece as condições, restrições e medidas de controle ambiental que deverão ser obedecidas pelo empreendedor, pessoa física ou jurídica, para localizar, instalar, ampliar e operar empreendimentos ou atividades utilizadoras dos recursos ambientais consideradas efetiva ou potencialmente poluidoras ou aquelas que, sob qualquer forma, possam causar degradação ambiental (CONAMA, 2014).
Os Empreendimentos Passíveis de Licenciamento Ambiental são pessoas físicas ou jurídicas e as entidades das administrações públicas federal, estaduais e municipais, cujas atividades utilizem recursos primários ou secundários e possam ser causadoras efetivas ou potenciais de poluição ou de degradação ambiental, e constantes da Listagem de Atividades Potencialmente Causadoras de Degradação Ambiental (CONAMA, 2014).
Quanto aos Instrumentos Legais do Processo de Controle Ambiental previstos para análise do objeto de estudo, destaca-se o seguinte item:
Licença Ambiental de Operação (LAO): Com prazo de validade de, no máximo, 10 (dez) anos, autoriza a operação da atividade ou empreendimento, após a verificação do efetivo cumprimento do que consta das licenças anteriores, com as medidas de controle ambiental e condicionantes determinados para a operação (Lei nº. 14.675/09 combinada com a Lei nº. 14.262/07 e a Resolução CONAMA nº.
237/97, art. 8º, inciso III).
De acordo com a classificação das atividades previstas na instrução normativa em seu Anexo1, os empreendimentos da indústria do surfe estarão posicionados no código 23.10.00 – Fabricação de artigos de material plástico, sendo exigida para a efetivação do licenciamento a execução do EAS.
2.5.3 LEGISLAÇÃO AMBIENTAL DA CIDADE DE FLORIANÓPOLIS
O município de Florianópolis, com relação às práticas ambientais no âmbito produtivo, conta com duas ferramentas para sua aplicação. A primeira ferramenta se designa pela ação do seu órgão executivo, a FUNDAÇÃO MUNICIPAL DO MEIO AMBIENTE DE FLORIANÓPOLIS – FLORAM, entidade pública, sem fins lucrativos, instituída pela Lei Municipal 4.645/95, que tem por objetivo a execução da política ambiental em Florianópolis.
Entre as atividades previstas estão: implantar, fiscalizar e administrar as unidades de conservação e áreas protegidas, tais como dunas, restingas, manguezais, recursos hídricos, visando à proteção de mananciais, encostas e outros bens de interesse ambiental, e a fiscalização e controle das atividades causadoras de agressão ao meio ambiente.
O órgão determina através de sua normativa 016 que, assim como a normativa NR04 da FATMA, os empreendimentos classificados pela resolução CONAMA como 23.10.00 – Fabricação de artigos de material plástico – exigem para a efetivação do licenciamento a execução do EAS.
Basicamente a regulamentação para a liberação, controle e fiscalização da operação de empreendimentos está balizada nos seguintes artigos do CONAMA: Resolução CONAMA nº.
237/97, artigo 8º, incisos I, II e III, não havendo parâmetros legais adicionais no âmbito do município.
A outra ferramenta é o Plano Diretor (Lei Complementar N. 482, de 2014), que, através do decreto N.13.349, regulamenta o estudo específico de localização que tem por objetivo analisar os impactos relativos a aspectos urbanísticos de inserção de empreendimentos, e sua aprovação será requisito obrigatório para obtenção do licenciamento de construção, ampliação ou funcionamento. Chamam a atenção os itens 4.3 e 4.4, que rezam sobre a periculosidade do empreendimento para a vizinhança e o meio ambiente respectivamente e definem áreas preestabelecidas para a implantação dos empreendimentos.
Para a obtenção de licença de instalação, a implantação dos empreendimentos deverá estar livre das classificações descritas pelo inciso LXIII que se refere ao incômodo: é o uso industrial caracterizado pelo exercício de atividades que produzem ruídos, perturbações de trânsitos, trepidações, poeiras, exalações, odores ou fumaças, incômodas à vizinhança. O inciso LXIV diz respeito ao uso nocivo: é o uso industrial caracterizado pelo exercício de atividades que implicam a utilização de ingredientes, matérias-primas e processos que produzem ruídos, vibrações, vapores e resíduos prejudiciais à saúde, à conservação dos prédios vizinhos, ou por qualquer outra forma causem poluição ambiental. E o inciso LXV que se relaciona ao uso perigoso: é o uso industrial caracterizado por atividades que possam originar explosões, incêndios, trepidações, emissões de gases, poeiras e exalações, que causem prejuízo à saúde, constituam ameaça para a vida das pessoas e para a segurança das propriedades vizinhas, ou por qualquer outra forma ocasionem grave poluição ambiental.
3 METODOLOGIA
Os tópicos a seguir apresentam os passos percorridos para o desenvolvimento da pesquisa, inicialmente a classificação, o roteiro metodológico, a caracterização do objeto de estudo, instrumentos de coletas de dados e indicadores e análise e interpretação de dados.