Até que a humanidade percebesse que estava degradando o Planeta e que rapidamente ele ficaria inviável em termos de manutenção de vida e sobrevivência, muitos anos se passaram, muito foi discutido, muito foi tratado, alguns pontos viraram Convenções Internacionais, outros não.
Algumas medidas para amenizar o problema da escassez hídrica estão sendo tomadas em vários países. O (Quadro 2) mostra iniciativas de alguns países, em relação à legislação que trata sobre o controle de enchentes, conservação de água, e o uso racional da água.
Quadro 2 – Legislação de alguns países que tratam sobre a conservação de água destacando o aproveitamento de água de chuva.
Legislação Local de aplicação
Objetivo
Diretriz Europeia 98/83/EG do Conselho
para a Qualidade da Água para Consumação Humano
Alemanha Não estabelece restrições para o uso de água de chuva em residências, bacias sanitárias, limpeza de jardim, lavagem de roupas ou limpeza em geral.
Regulamento de 1984 Tokyo – Japão Obriga que todo prédio com área construída maior que 30.000m2 ou quando o prédio uso mais de 100m3/dia de água não potável, devera ser feito a reciclagem da água de chuva e da água servida.
Regulamento de 1993 Tokyo – Japão Obriga a instalação de reservatório de detenção para evitar enchentes em áreas de terreno superior a 10.000m2 ou quando o edifício tenha mais de 3.000m2 de área construída.
Lei N° 10.597/2008 Cidade de Tcson – EUA
Obriga todos os novos edifícios comercias, prontos a partir de janeiro de 2010, a preverem sistemas de aproveitamento de água de chuva.
Fonte: (YOSHINO, 2012)
A partir da promulgação da Lei nº 9.433/97, que institui a Política Nacional de Recursos Hídricos, é dado um novo enfoque para a questão hídrica, a gestão do uso da água por bacias hidrográficas e o conceito do usuário pagador. A ênfase legislativa incide na racionalização do uso da água, estabelecendo princípios e instrumentos para sua utilização.
Porém, pouca preocupação legislativa ocorreu para fixação de princípios e critérios para a reutilização da água no Brasil.
Segundo Hespanhol (2001), importância especial ao reuso foi dada na Agenda 21, a qual recomendou aos países participantes da ECO a implementação de políticas de gestão
dirigidas para o uso e reciclagem de efluentes, integrando proteção de saúde pública de grupos de risco, com práticas ambientais adequadas.
No capítulo 21 - “Gestão ambientalmente adequada de resíduos líquidos e sólidos”, Área Programática B - “Maximizando o reuso e a reciclagem ambientalmente adequadas”, é estabelecido, como um dos objetivos básicos: “vitalizar e ampliar os sistemas nacionais de reuso e reciclagem de resíduos”.
A prática de uso de águas residuárias também é associada às seguintes áreas programáticas incluídas nos capítulos 14 - “Promovendo a agricultura sustentada e o desenvolvimento rural”, e 18 - “Proteção da qualidade das fontes de águas de abastecimento - Aplicação de métodos adequados para o desenvolvimento, gestão e uso dos recursos hídricos”, visando à disponibilidade de água “para a produção sustentada de alimentos e desenvolvimento rural sustentado” e “para a proteção dos recursos hídricos, qualidade da água e dos ecossistemas aquáticos”.
Em geral são adotados padrões referenciais internacionais ou orientações técnicas produzidas por instituições privadas. Este é um fator que tem dificultado a aplicação desta prática no país, pois a falta de legislação e normatização específica dificulta o trabalho dos profissionais. Ainda pode colocar em risco a saúde da população devido à falta de orientação técnica para a implantação dos sistemas de reuso das águas servidas e a respectiva fiscalização de tais sistemas. Quanto aos sistemas de aproveitamento da água de chuva, as diretrizes de projeto e dimensionamento estão prescritas na Norma Brasileira – NBR, 15.527 – Água da Chuva – Aproveitamento de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis, publicada em 24.10.2007 pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.
O (Quadro 3) mostra algumas iniciativas do Brasil, em relação à legislação que trata sobre conservação de água.
Quadro 3 – Normas e Legislações brasileiras que tratam da conservação de água, destacando o aproveitamento de água de chuva.
Legislação Local de aplicação
Objetivo
Decreto 24.643/1934 Brasil É a primeira legislação brasileira que trata sobre as águas pluviais, definindo-a e determinado alguns critérios.
Lei Brasil Institui a Politica Nacional de Recursos
N° 9.433/1997 Hídricos e tem como um dos objetivos assegurar à atual e às futuras gerações a necessária disponibilidade de respectivos usos.
Lei
N° 9.520/2002
Ribeirão Preto – SP
Torna obrigatória em Ribeirão Preto, a construção de reservatório para as águas coletadas por coberturas e pavimentos nos lotes edificados ou não, que tenha área impermeabilizada superior a 500m2. Decreto
N° 48.138/2003
São Paulo (Estado)
Institui medidas de redução de consumo e racionalização do uso de água no âmbito do Estado de São Paulo.
Lei
N°4.393/2004
Rio de Janeiro (município)
Dispõe sobre a obrigatoriedade das empresas projetistas e de construção civil a prover os imóveis residências e comercias de dispositivos para captação de água de chuva e da outras providências.
Lei
N° 2.349/2004
Pato Branco – PR
Cria o Programa de Conservação e Uso Racional de Água nas Edificações no município de Pato Branco, Estado do Paraná.
Decreto N° 23.940/2004
Rio de janeiro (Estado)
Dispõe sobre a obrigatoriedade de imóveis com mais de 500m2 de possuírem reservatórios para o recolhimento das águas de chuva com o objetivo de retardar temporariamente o escoamento para a rede de drenagem, além de servir de estimulo pra a pratica do reuso.
Lei
N° 5.722/2006
Santa Catarina (Estado)
Obriga edifícios com um número igual ou superior a três pavimentos e área superior a 600m2 a instalarem sistema de
captação, tratamento e aproveitamento de água de chuva.
Lei
Nº 12.526/2007
São Paulo (Estado)
Estabelece normas para a contensão de enchentes e destinação de águas pluviais.
Artigo 1º obrigatória a implantação de sistema para a captação e retenção de águas pluviais, coletadas por telhados, coberturas, ter aos e pavimentos descobertos, em lotes, edificados ou não, que tenham área impermeabilizada superior a 50 m2 (quinhentos metros quadrados), com os seguintes objetivos:
Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT N° 15.527/2007
Brasil Fornece requisitos para o aproveitamento de água de chuva em coberturas localizadas em áreas urbanas para fins não potáveis.
Instrução Normativa N° 01/2010 da Secretaria de Logística e
Tecnologia da
Informação do Ministério do Planejamento, Orçamento e Gestão.
Administração Pública Federal
direta, autárquica e fundacional.
Dispõe sobre os critérios de sustentabilidade ambiental na aquisição de bens, contratação de serviços ou obras pela Administração Pública Federal direta, autárquica e fundacional e dá outras providências.
Fonte: (YOSHINO, 2012)
A norma da ABNT NBR 15.527/07 trás nos apêndices alguns modelos de dimensionamento de reservatórios.Esta Norma fornece os requisitos para o aproveitamento de água de chuva de coberturas em áreas urbanas para fins não potáveis.
Esta Norma se aplica a usos não potáveis em que as águas de chuva podem ser utilizadas após tratamento adequado como, por exemplo, descargas em bacias sanitárias, irrigação de gramados e plantas ornamentais, lavagem de veículos, limpeza de calçadas e ruas, limpeza de pátios, espelhos d'água e usos industriais.
A ABNT NBR 15527:2007 cita o Método de Rippl, Azevedo Neto, Método da Simulação, Método Prático Alemão, Método Pratico Inglês e Método Prático Australiano.
Devemos salientar que tais métodos funcionam bem no seu país de origem e quando extrapolamos podemos ter problemas. O (Quadro 4) traz as legislações municipais aplicáveis.
Quadro 4 – Legislações municipais que tratam da conservação de água, destacando o aproveitamento de água de chuva.
LEGISLAÇÃO OBJETIVO
Decreto nº 6974, de 09 de abril de 2013.
Declara em situação anormal, caracterizada como situação de emergência, a área do município afetada por enxurradas.
Lei nº 3533, de 26 de dezembro de 2012.
Dispõe sobre o controle do desperdício de água potável distribuída pela rede pública municipal institui o programa municipal de conservação e uso racional da água em edificações, cria concurso de economia de água nas escolas da rede municipal e dá outras providências.
Decreto nº 5263, de 02 de dezembro de 2008.
Cria e nomeia membros para compor a comissão especial destinada à avaliação e controle de danos causados por desastre natural e dá outras providências.
Fonte: (PMBC, 2014).
Segundo a Lei nº 3533/2012, Fonte: (PMBC, 2014):
Art. 1º O Controle do Desperdício de Água Potável no Município de Balneário Camboriú será regido por este instrumento, em conformidade com as diretrizes estabelecidas na legislação municipal, em especial: Lei Orgânica, Plano Diretor, Lei do Parcelamento do Solo, Código de Postura, observadas, no que couber, as disposições previstas na legislação municipal, estadual e federal pertinentes.
Art. 2º Os procedimentos para o Controle do Desperdício de Água visam atender a política urbana de pleno desenvolvimento da função social da cidade e da propriedade urbana conforme estabelece o Estatuto da Cidade.
Art. 13. Os imóveis já edificados deverão ser adaptados ao disposto nesta lei no prazo de 5 (cinco) anos contados da sua publicação.
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ETODOLOGIAPara construção do projeto de aproveitamento da água da chuva no Bloco 6A e 6B da UNIVALI Campus Balneário Camboriú foi seguida uma metodologia que envolve os seguintes passos: descrição do local de estudo, levantamento de dados de consumo da água de acordo com o uso não potável estabelecido para água captada da cobertura, levantamento de dados pluviométricos do local em estudo e outros dados importantes para elaboração do projeto, determinação da área de cobertura, determinação do potencial de captação de água pluvial, identificação do consumo teórico de água, determinação da finalidade do uso da água reservada, estimativa do consumo atual de água, dimensionamento de calhas e condutores, dimensionamento do reservatório e de descarte da primeira água da chuva, definição do sistema de aproveitamento da água da chuva e análise econômica da viabilidade de implantação do sistema.