A água destinada ao abastecimento de uma comunidade deve possuir características de pureza, isto é, deve satisfazer a uma série de exigências que constituem as condições de potabilidade, entendendo-se como água potável aquela que não contém microrganismos patogênicos, não possui substâncias químicas tóxicas e é dotada de aspecto físico agradável, sem cor, cheiro ou sabor e cristalina, sem turbidez (LEME, 1984).
Figura 4 – Esquema ilustrativo de um típico sistema de abastecimento de água. Fonte: (ISO 245012).
O sistema convencional de abastecimento (Figura 4) é composto pelas unidades de captação, adução, tratamento, reservação e distribuição, dispostas conforme a configuração adotada e especificidades locais das cidades (características físicas).
2.3.1 Manancial
É a fonte de onde se tira o suprimento de água. A escolha do manancial deve ser condicionada tanto à disponibilidade como à qualidade da água (BRAGA et al., 2005).
2.3.2 Captação
De acordo com Leme (1984), captação é o conjunto de obras e dispositivos de engenharia construídos junto à fonte de suprimento, para retirada de água que deve ser conduzida pelo sistema de abastecimento, em quantidade suficiente para satisfazer às necessidades de consumo da área abastecida.
2.3.2.1 Água superficial
O suprimento de água superficial é feito com água retirada de rios perenes ou contínuos, bem como dos que possuem lagos naturais ou artificiais que decorrem de represamentos por meio de barragens construídas pelo homem (LEME, 1984).
Pinto (1998) descreveu o escoamento superficial como sendo o segmento do ciclo hidrológico que estuda o deslocamento das águas na superfície da Terra. O estudo considera o movimento da água a partir da menor porção de chuva que, caindo sobre um solo saturado de umidade ou impermeável, escoa pela sua superfície, formando sucessivamente as enxurradas ou torrentes, córregos, ribeirões, rios e lagos ou reservatórios de acumulação.
2.3.2.2 Água subterrânea
A água subterrânea é a que ocorre abaixo da superfície da Terra, preenchendo os poros ou vazios Inter granulares das rochas sedimentares, ou as fraturas, falhas e fissuras das rochas compactas, e que sendo submetida a duas forças (de adesão e de gravidade) desempenha um papel essencial na manutenção da umidade do solo, do fluxo dos rios, lagos e brejos. As águas subterrâneas cumprem uma fase do ciclo hidrológico, uma vez que constituem uma parcela da água precipitada (ABAS, 2014).
De acordo com Tomaz (2003), a água subterrânea compreende 29,9% do volume total de água doce do planeta.
Segundo Macêdo (2007), a utilização de águas subterrâneas remonta dos primórdios das civilizações, sendo que existem vestígios de sua utilização que datam do ano 12000 a.C. No ano 5000 a.C., os chineses perfuravam poços de até 100 m de profundidade.
2.3.2.3 Água pluvial
É a captação das águas pluviais caídas sobre telhados ou superfícies preparadas para esta finalidade, em áreas coletoras devidamente determinadas (LEME, 1984).
A superfície para captação de água de chuva considerada são os telhados, os quais geralmente já estão prontos. Quando não possuído é necessário, há colocação de calhas, condutores verticais e coletores horizontais, a construção do reservatório de autolimpeza e do reservatório de acumulação da água de chuva, que poderá ser apoiado sobre o solo ou enterrado (TOMAZ, 2003).
O telhado pode estar inclinado, pouco inclinado ou plano. Para a captação da água de chuva são necessárias calhas e coletores de águas pluviais que podem ser de PVC ou metálicos. A primeira chuva, que contém muita sujeira dos telhados, pode ser removida manualmente com uso de tubulações, as quais podem ser desviadas do reservatório ou automaticamente através de dispositivos de autolimpeza em que o homem não precisa fazer nenhuma operação. Para remover materiais em suspensão, usam-se peneiras com tela de 0,2 mm a 1,0 mm (TOMAZ, 2003).
2.3.3 Adução
É a parte do sistema constituída de tubulações sem derivações, que liga a captação ao tratamento ou o tratamento ao reservatório de distribuição. A adução pode ser por gravidade, recalque ou mista. Deve-se priorizar a adução por gravidade para se evitar gastos adicionais (BRAGA et al., 2005).
2.3.4 Tratamento
O tratamento visa remover impurezas existentes na água, bem como eliminar microrganismos que causem mal à saúde, adequando à água existente no manancial ao padrão de potabilidade em vigor (BRAGA et al., 2005).
Segundo Macêdo (2007), o tratamento convencional para obtenção de água potável necessita a retirada de materiais que flutuam, materiais em suspensão, materiais dissolvidos e coloides. Esses processos são da seguinte forma:
- Gradeamento: usado para a retirada de materiais que flutuam, passando por uma série de malhas diversificadas.
- Processos para retirada de sabor e odor: principais métodos para a remoção de gostos e odores são; aeração, pré-cloração, carvão ativado e uso de sulfatos.
- Processo de clarificação: os sólidos em suspensão são removidos por sedimentação simples ou sedimentação por coagulação (usando produtos coagulantes) e
filtração. Microrganismos também são removidos pelos métodos de eliminação de sólidos em suspensão, ressaltando que a redução dos microrganismos a níveis considerados seguros se obtém com o processo de desinfecção.
- Processos de filtração: consiste em fazer a água atravessar uma camada de material poroso, que em função do diâmetro dos poros, após a passagem haverá a remoção das partículas em suspensão e até a carga bacteriana será reduzida.
- Processo de desinfecção: na etapa anterior é eficiente no processo de remoção de microrganismos da água, mas mesmo assim, não é suficiente para garantir a qualidade microbiológica de uma água, em função do exposto, a desinfecção (tratamentos a base de ozônio, ultravioleta, cloração, etc.), é de fundamental importância na garantia da qualidade sanitária de uma água (MACÊDO, 2007).
Antes do procedimento de desinfecção deve-se proceder a limpeza (mecânica) do alvo em questão, que compreende a remoção da sujidade matéria orgânica (óleo, gordura, sangue ou pus) ou qualquer outro tipo de material como cimentos e resina aderidos aos instrumentos e superfícies.
A correta limpeza representa etapa essencial para o controle microbiano, reduzindo a carga bacteriana, onde ocorre o processo de eliminação de formas vegetativas, existentes nas superfícies inanimadas, mediante a aplicação de agentes químicos e/ou físicos.
Essa desinfecção é o processo de purificação cuja finalidade é destruir bactérias patogênicas e outros microrganismos que podem infectar o homem (LEME, 1984).
2.3.5 Fleutação
Uma das principais finalidades do tratamento da água de um sistema público de abastecimento é evitar a proliferação de doenças entre a população. E, entre elas, está a cárie.
O flúor está na lista dos elementos que trazem efeitos fisiológicos benéficos. A fluoretação previne a perda de minerais do esmalte dos dentes, deixando-os mais resistentes à ação de agentes nocivos (SABSP, 2014).
2.3.6 Regulação do pH
Aplicação de produtos químicos visando corrigir acidez ou alcalinidade excessiva da água (SANTA CATARINA, 2012).
Esta providência visa principalmente proteger estruturas de armazenamento e distribuição da água (SANTA CATARINA, 2012).
2.3.7 Reservação
A reservação é empregada para acumular água com o propósito de atender à variação do consumo horário, manter uma pressão mínima ou constante na rede e atender às demandas de emergência, como em casos de incêndio, ruptura da rede (BRAGA et al., 2005).
2.3.8 Distribuição
A rede de distribuição leva a água do reservatório ou da adutora para pontos de consumo público e demais locais a serem abastecidos na comunidade (BRAGA et al., 2005).