Havia uma enorme necessidade de se conter a destruição ao meio ambiente, diante disso, criou-se a Lei 9605, de 12 de fevereiro de 1998, que dispõe sobre os crimes ambientais. No entendimento de Fiorillo, “[...] veio punir
120 MONTENEGRO, Magda. Meio ambiente e responsabilidade civil. São Paulo: IOB Thomson.
2005. p. 80.
penalmente os infratores responsáveis, dentre outros delitos, pelo crime de poluição, bem como pelos crimes contra o ordenamento urbano e patrimônio cultural.” 121
Nesse sentido, Fiorillo também dispõe que:
“[...] o legislador, ao estabelecer os crimes contra o ordenamento urbano, limitou-se em relação à forma, à liberdade de expressão, com o propósito de tutela à estética urbana e, por decorrência, salvaguardar a sadia qualidade de vida.” 122
Milaré entende que:
“[...] as penalidades pecuniárias procuraram ressarcimentos ou compensações de danos. No entanto, por mais custosa que seja a recuperação ou vultosa a compensação, jamais se reconstituirá a integridade ambiental ou a qualidade plena do meio que foi afetado.”123
Entretanto, como preconiza Freitas, “[...] o crime ambiental pode ser conceituado como a ação típica, derivada de um conduta humana ou de um atividade de pessoa jurídica, violadora da lei dos crimes ambientais, culpável e punida com uma sanção determinada.”124
Mesmo que a referida lei não seja a melhor possível, apresentando alguns defeitos, foi uma grande conquista política na sentido de proteção ao meio ambiente, já que inicia um sistema de infrações de natureza administrativas com pesadas sanções, e também tipifica crimes ecológicos, inclusive na modalidade culposa.
Conforme disposição feita por Milaré, capitulam-se na legislação ambiental os seguintes crimes:
“[...] Crimes contra a fauna (arts. 29 a 37), crimes contra a flora (arts.
38 a 53), crime de poluição (art. 54), crimes contra o ordenamento
121 FIORILO, Celso Antônio Pacheco. Curso de direito ambiental brasileiro. p. 171.
122 ID.
123 MILARÉ, Édis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. p. 443.
124 FREITAS, Gilberto Passos de. Ilícito penal ambiental e reparação do dano. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p. 114.
urbano e o patrimônio cultural (arts 62 a 65) e crimes contra a administração ambiental (arts. 66 a 69). Recebem tratamento específico as atividades mineradoras exercidas em desconformidade com os requerimentos ambientais (art. 55); a importação, a exploração, a produção, o armazenamento, a comercialização, o transporte, o uso e descarte indevido de produtos ou substâncias tóxicas (art. 56); a construção, a reforma, a ampliação, a instalação e o funcionamento de estabelecimentos, obras ou serviços potencialmente poluidores, sem as devidas licenças ou autorizações dos órgãos ambientais (art. 60) e a disseminação de doença ou praga ou espécies que possam causar dano à agricultura, à pecuária, à fauna, à flora ou aos ecossistemas (art. 61).”125
Nem sempre é possível descrever todos as ações ou omissões que são lícitas ou proibidas em matéria de dano ao meio ambiente. Para isso usa-se o tipo penal aberto, adaptando-se as regras e princípios do direito penal ao direito penal ambiental.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A presente Monografia teve como objetivo destacar o Dano Ambiental e sua Reparação.
Tendo por base o objetivo que foi proposta a analisar, qual seja identificar os elementos que caracterizam o dano ambiental e a sua respectiva reparação, em virtude da gigantesca gama de danos ambientais consequentes do crescimento mal planejado, de ações que são pouco fiscalizadas e da falta de consciência a respeito da matéria, diante da sociedade de risco atual, foi dividido o trabalho em três capítulos:
Em seu primeiro capítulo, a principal idéia foi passar uma noção a respeito do meio ambiente, bem como apresentar suas modalidades, e também, analisar os princípios de direito internacional ambiental que servem de base não somente para a legislação ambiental brasileira, mas também para a legislação de outros países.
125 MILARÉ, Édis. Direito do ambiente: doutrina, jurisprudência, glossário. p. 873.
Em seu segundo capítulo, analisou-se a responsabilidade civil, passando pelos conceitos e suas modalidades. Foi tratado também os pressupostos da responsabilidade subjetiva, e noções de risco para que ao final do capítulo fosse tratado da responsabilidade civil ambiental.
O presente trabalho foi finalizado com o terceiro capítulo que abordou a questão do dano ambiental, os tipos de reparação dos danos ambientais, com base no princípio da recuperação natural e por fim, uma breve análise das leis esparsas criadas com o objetivo de evitar esses danos, mostrando a evolução legislativa da matéria, que apesar de ainda estar longe do considerado ideal, está progredindo.
As três questões levantadas no início do presente trabalho, restaram confirmadas ao final:
Todos os sujeitos de direitos e obrigações são responsáveis pelo meio ambiente, ou seja, temos o dever e o direito de manter o meio ambiente ecologicamente equilibrado, bem de uso comum do povo e essencial a sadia qualidade de vida. Cabe a coletividade e ao Poder Público o dever de preservar e defender o meio ambiente para as presentes e futuras gerações.
A responsabilidade civil por dano ambiental é objetiva e baseia- se na teoria do risco integral. Quem pratica atividades que podem causar danos ambientais está sujeito a repará-lo, independentemente de culpa na ação.
O objetivo principal que se busca é sempre a reparação do dano ambiental ocorrido. Sua recomposição não redunda na irreparabilidade do mesmo, já que há várias formas de reparação. A sociedade possui mecanismos jurisdicionais de reparação como a recomposição, recuperação e substituição do bem ambiental lesado.
Assim, há de se evidenciar a crise ambiental que tem a sociedade de risco, onde não obstante encontra-se inserido neste contexto, os danos ambientais causados pelas atividades empresariais e também pelo homem, sem pensar na presente e futuras gerações, sem valorizar o meio ambiente que é indispensável a sobrevivência de qualquer ser humano.
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