2.3 LEI DE RESPONSABILIDADE FISCAL - LRF
2.3.1 Limites da Despesa com Pessoal Segundo a LRF
Como vimos a LRF tem como missão instituir ordem definitiva nas contas públicas do conjunto dos poderes e níveis de governo, por isso a observância dos gastos com pessoal tem grande importância na referida lei, visto que as finanças públicas necessitavam de leis que controlassem esses gastos públicos.
Para melhor entendimento trarei primeiro a definição da Despesa Total com Pessoal -DTP, disposta no artigo 18, um dos mais importantes da LRF, o qual define
como devem ser computadas as despesas com pessoal no cálculo dos limites estabelecidos na LRF relativos ao comprometimento da Receita Corrente Líquida – RCL, para fim de evitar diferentes entendimentos abordou-se uma ampla lista como despesa de pessoal, conforme exposto no artigo 18 da LRF de 2000:
Art. 18. Para os efeitos desta Lei Complementar, entende-se como despesa total com pessoal: o somatório dos gastos do ente da Federação com os ativos, os inativos e os pensionistas, relativos a mandatos eletivos, cargos, funções ou empregos, civis, militares e de membros de Poder, com quaisquer espécies remuneratórias, tais como vencimentos e vantagens, fixas e variáveis, subsídios, proventos da aposentadoria, reformas e pensões, Lei Complementar n 19 o 101/2000 inclusive adicionais, gratificações, horas extras e vantagens pessoais de qualquer natureza, bem como encargos sociais e contribuições recolhidas pelo ente às entidades de previdência. (BRASIL, 2000).
Neste artigo foram apresentadas todas as espécies remuneratórias que fazem parte do cálculo para efeito de limites, o quesito inovação fica por conta da regra introduzida pelo parágrafo 1º, que diz que “os valores dos contratos de terceirização de mão-de-obra que se referem à substituição de servidores e empregados públicos serão contabilizados como Outras Despesas de Pessoal” (BRASIL, 2000).
É importante ressaltar que nesse enquadramento a Despesa Total com Pessoal deverá ser apurada somando-se a realizada no mês em referência com as dos doze meses imediatamente anteriores, adotando-se o regime de competência (BRASIL, 2000).
A Lei de Responsabilidade Fiscal (BRASIL, 2000) amparada pela CF/88 que dispõe em seu artigo 169 que a despesa total com pessoal ativo e inativo da União, estados e municípios e do Distrito Federal não poderão exceder os limites impostos pela lei complementar 101, tornando-se um dos instrumentos utilizados pela administração pública para fixar as despesas, dispondo em seu artigo 19° a despesa com pessoal, onde define os seguintes limites:
Art. 19. Para os fins do disposto no caput do art. 169 da Constituição, a despesa total com pessoal, em cada período de apuração e em cada ente da Federação, não poderá exceder os percentuais da receita corrente líquida, a seguir discriminados:
I - União: 50% (cinquenta por cento);
II - Estados: 60% (sessenta por cento);
III - Municípios: 60% (sessenta por cento).
Traz ainda a descriminação em seu § 1° das despesas que não serão computadas para efeito da verificação da LRF:
§ 1o Na verificação do atendimento dos limites definidos neste artigo, não serão computadas as despesas:
I - de indenização por demissão de servidores ou empregados;
II - relativas a incentivos à demissão voluntária;
III - derivadas da aplicação do disposto no inciso II do § 6o do art. 57 da Constituição;
IV - decorrentes de decisão judicial e da competência de período anterior ao da apuração a que se refere o § 2o do art. 18 (BRASIL, 2000).
V - com pessoal, do Distrito Federal e dos Estados do Amapá e Roraima, custeadas com recursos transferidos pela União na forma dos incisos XIII e XIV do art. 21 da Constituição e do art. 31 da Emenda Constitucional no 19;
VI - com inativos, ainda que por intermédio de fundo específico, custeadas por recursos provenientes:
a) da arrecadação de contribuições dos segurados;
b) da compensação financeira de que trata o § 9o do art. 201 da Constituição;
c) das demais receitas diretamente arrecadadas por fundo vinculado a tal finalidade, inclusive o produto da alienação de bens, direitos e ativos, bem como seu superávit financeiro.
Outra inovação, na Lei de Responsabilidade Fiscal, é a repartição entre os Poderes dos limites globais de gastos de pessoal, citados no artigo anterior (art.19), a cada esfera de governo. Esses limites divididos por poderes, determinados no art.
20.
Dispõe-se em seu artigo 20:
Art. 20. A repartição dos limites globais do art. 19 não poderá exceder os seguintes percentuais:
II - na esfera estadual:
a) 3% (três por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Estado;
b) 6% (seis por cento) para o Judiciário;
c) 49% (quarenta e nove por cento) para o Executivo;
d) 2% (dois por cento) para o Ministério Público dos Estados;
III - na esfera municipal:
a) 6% (seis por cento) para o Legislativo, incluído o Tribunal de Contas do Município, quando houver;
b) 54% (cinquenta e quatro por cento) para o Executivo.
(BRASIL, 2000).
Paludo (2013, p 259) ao tratar dos artigos 19 e 20 da CF/88 argumenta que o motivo dessa preocupação constitucional, e da exigência de lei complementar para cuidar da matéria, é que as despesas com pessoal disputam com a dívida pública, com o atenuante que esses gastos com pessoal perduram durante toda a vida do
servidor e continuam com seus pensionistas. Além disso, os gastos excessivos com pessoal em muitos estados e municípios, na época de elaboração da LRF, eram superiores aos limites fixados pela lei, chegando, em alguns casos, a ultrapassar a própria receita corrente líquida do ente público.
Baseando-se pela LRF essa análise consistiu em verificar por meio dos demonstrativos se o Estado da Paraíba atendera aos limites da despesa com pessoal, supostos pela LRF, constatando o percentual por órgão e por poder (Quadro 1), além do total da despesa líquida com pessoal sobre a Receita Corrente Líquida (RCL), bem como observar o desempenho e evolução da despesa em relação à RCL.
Esferas do Governo
% da Receita Corrente Líquida
ESTADOS 60%
Ministério Público 2%
Poder Judiciário 6%
Poder Legislativo 3%
Poder Executivo 49%
Quadro 01: Limites Fixados na LRF Fonte: LRF, 2000.
Podendo ser acrescido nos estados 0,4% ao Poder Legislativo, ficando assim um percentual de 3,4%, e ao Poder Executivo uma redução de 0,4%, ficando assim um percentual de 48,6%, caso esses estados tenham Tribunal de Contas dos Municípios.
Os limites fixados nos art. 19 e 20 da LRF de 2000, também são conhecidos doutrinariamente por Limite Máximo, sendo observado ainda o Limite Prudencial, onde a despesa total com pessoal não poderá exceder 95% do limite máximo, como também o Limite de Alerta onde o Tribunal de Contas emitirá um alerta ao estado quando a despesa total com pessoal ultrapassar os 90% do limite máximo regulamentado na LRF, 2000, para melhor entendimento demonstrado no quadro 02.
PODER EXECUTIVO
LIMITES
% RCL da
DTP Equivalência
% RCL da DTP do PE
MÁXIMO 60% 100% 49%
PRUDENCIAL 57% 95% 46,55%
ALERTA 54% 90% 44,10%
Quadro 02: Limites do Poder Executivo Fixados na LRF.
Fonte: Elaborado pela autora com base na LRF, 2000.
Legendas
RCL – Receita Corrente Líquida DTP – Despesa Total com Pessoal PE – Poder Executivo
A LRF representa um importante avanço na relação entre os cidadãos e os responsáveis pela gestão pública, além da função de impor limitações pertinentes para as despesas com pessoal, mas principalmente no que diz respeito à transparência da gestão fiscal.
A LRF,2000 trouxe uma obrigatoriedade na publicação de dois novos conjuntos de demonstrativos contábeis para todos os entes públicos, tendo uma ampla divulgação. São eles: Relatório de Gestão Fiscal (RGF) e Relatório Resumido da Execução Orçamentária (RREO).
A LRF visa, portanto, assegurar a coordenação das políticas fiscais de todos os entes da federação e estabelecer o equilíbrio fiscal como obrigação da administração pública (SODRÉ, 2002).