Essa pesquisa foi realizada através da Clínica Integrada de Atenção Básica à Saúde (CIABS), órgão da Fundação Universidade do Vale do Itajaí, situada no Município de Biguaçu.
A inauguração da CIABS ocorreu em 17 de maio de 2002, e teve suas atividades iniciadas em 03 de junho do mesmo ano. É um órgão de prestação de ações e serviços de atenção básica a saúde, com vistas à promoção, proteção, recuperação e reabilitação a saúde da criança, do adolescente, da mulher, do adulto e do idoso, atendendo todas as pessoas de sua área de abrangência, indiscriminadamente, além de promover a formação do profissional da saúde, através do desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão. A área de extensão da CIABS compreende a população moradora dos bairros Jardim Carandaí, Fundos, Bela Vista, Loteamento São Miguel e Rio Caveiras.
5.3 Os sujeitos do estudo
O estudo foi iniciado com quatro adolescentes, porém só desenvolvido com três que sentiram interesse em participar da pesquisa até sua finalização. Tendo ocorrido encontros individuais na própria CIABS e também por meio de visitas domiciliares.
No primeiro momento apresentamos a proposta do estudo, juntamente com a leitura do Termo de Consentimento Livre e Esclarecido - TCLE (apêndice C) para que as responsáveis pelas adolescentes pudessem assinar autorizando a pesquisa formalmente e também às próprias adolescentes mesmo que em caráter simbólico. Atendemos também os critérios previstos pelo código de ética ao envolver seres humanos na pesquisa, respeitando princípios de honestidade e fidedignidade, assim como preservando direitos autorais no processo da pesquisa, na divulgação dos resultados, mantendo sigilo, respeitando princípios éticos e legais da profissão, na pesquisa e produções técnico-científicas, além da produção dos indivíduos pesquisados, conforme prevê a Resolução 196/96.
Ao introduzir o tema solicitamos que cada adolescente escolhesse uma modalidade esportiva para ser associada à mesma durante os encontros e denominação no trabalho.
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Fig. 1 – Codinomes escolhidos pelas participantes da pesquisa
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Bailarina
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Surfista
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Skatista
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No momento em que optaram por suas modalidades, percebemos que a escolha envolvia certa vaidade e até uma disputa entre elas para ser uma ou outra, mas, por fim tudo se resolveu tranquilamente e passaram a se autodenominar como tais.
5.4 Coleta de dados
A coleta de dados denominada como acesso dos dados foi feita através de observações e inferências sobre a natureza das necessidades, compreensão do indivíduo sobre o que estava acontecendo. Os dados foram coletados, por meio de observação dos participantes no contexto onde estavam inseridos os adolescentes e seus familiares através de entrevistas abertas e conversas informais, conforme modelo de coleta de dados segundo Travelbee (2006), (Anexo A).
Para Figueiredo (2004), a observação participante representa um modo de obter informações, ao mesmo tempo em que implica uma série de comportamentos nas situações em que se está envolvida. Assim sendo, o pesquisador move-se nos papéis de observador e participante, conforme as condições encontradas em seu dia-a-dia no trabalho de campo.
No primeiro passo, as pesquisadoras concentraram-se nas observações. Observar e escutar são os aspectos essenciais. O observador busca obter uma visão ampla da situação e, gradualmente, faz observações detalhadas. É essencial que seja reservado algum tempo para a documentação detalhada das observações, antes que haja interação ou participação mais direta com as pessoas, pois isto permite verificar o que está ocorrendo antes que a situação seja influenciada pela participação de um estranho. Nesta fase, o observador é também observado e testado.
Após a aprovação do projeto pelo Comitê de Ética em Pesquisa, iniciamos uma busca através dos Agentes Comunitários de Saúde - ACS por adolescentes que fossem atendidos pela CIABS e tivessem interesse em participar do estudo. O primeiro contato foi realizado com nossa professora orientadora, que informou para as ACS o propósito da nossa pesquisa e a importância da participação dos adolescentes e de seus responsáveis. Assim foi por mais duas vezes, o que determinou quais pessoas participariam de nossa pesquisa. Houve também, dois contatos realizados por nós acadêmicas com as ACS, para que conseguíssemos um adolescente do sexo masculino, a fim de enriquecer os dados da pesquisa, mas em ambos os
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casos não pudemos acompanhá-los durante a pesquisa, devido, principalmente, à participação direta que possuíam com os afazeres relacionados aos negócios da família. Os adolescentes sempre justificavam a sua ausência nos encontros relatando a realização de pedidos feitos por seus pais, eles trabalhavam diariamente e isso gerava atribuições no período extra-escolar.
Diante das circunstâncias não foi possível prosseguir a pesquisa com o adolescente do sexo masculino.
Após o contato feito com as adolescentes através da ACS, marcamos então a data do primeiro encontro, que seria realizado como Visita Domiciliar - VD na residência de uma delas, já prevendo que essa seria uma boa forma de familiarização com o tema, ainda em um ambiente que estivesse desprovido de fatores que gerassem receio.
A Estratégia Saúde da Família – ESF, prevê a utilização da assistência domiciliar à saúde, em especial, a visita domiciliar, como forma de instrumentalizar os profissionais para sua inserção e o conhecimento da realidade de vida da população, bem como o estabelecimento de vínculos com a mesma; visando atender as diferentes necessidades de saúde das pessoas, preocupando-se com a infra-estrutura existente nas comunidades e o atendimento à saúde das famílias. (GIACOMOZZI; LACERDA, 2006, p.646).
Com a certeza de que esse representava um grande desafio para nós acadêmicas, nos preparamos através de material didático para estar lidando com diversos tipos de situações, inclusive estudando qual seria a melhor forma de abordagem para que os encontros transcorressem de forma natural e tranqüila. Segundo Brasil (2003), a busca pela criação de uma metodologia de aprendizagem para equipes da atenção básica de saúde está fundamentada na tentativa de entender os mecanismos importantes para a implementação de ações que vão contribuir com a melhoria da saúde da população adolescente e jovem, qualificando os profissionais que lidam com ela cotidianamente.
Um dia antes do primeiro encontro telefonamos para as adolescentes reforçando a data e o horário e lembramos a necessidade de seus responsáveis estarem assinando o TCLE.
No primeiro encontro, chegamos pontualmente no local marcado e assim como era esperado, as adolescentes estavam tão receosas quanto nós para essa atividade. Ao adentrar o ambiente em que íamos permanecer pelo menos pelos próximos 60 minutos, as meninas demonstravam a expectativa do que seria tudo aquilo em suas faces. Foi então que, para diminuir um pouco o nível de ansiedade iniciamos nossa apresentação, os nossos objetivos e colocamos o nosso verdadeiro interesse em estar conhecendo-as e participando um pouco de tudo que elas gostariam de dividir conosco, ressaltando como seria importante que todas
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participassem da pesquisa até que esta se concluísse. Mas, também esclarecendo que a desistência seria aceita de imediato, caso essa fosse a vontade. Também, lembramos que realizaríamos um encontro com seus responsáveis que ficou pré-acordado que seriam suas mães (responsáveis que assinaram seus TCLEs). Nesse encontro não seriam discutidos de forma nenhuma o que foi dito por elas, que apesar das adolescentes possuírem o direito de sigilo previsto, o nosso interesse era de perceber a comunicação sob o ponto de vista dos responsáveis e alcançou os objetivos da pesquisa.
Registramos o que ocorreu durante cada encontro, sendo uma das pesquisadoras que registrava e a outra conduzia os encontros e vice-versa. E após o registro, fizemos a leitura de todo o material para analisá-lo e a partir da metodologia construir de forma organizada o corpo do trabalho.
5.4.1 Registro de dados
Os registros de dados obtidos a partir dos encontros com as adolescentes, auxiliaram o diagnóstico, tendo sido realizados de forma coletiva ou individual, foram anotados em um diário de campo para possibilitar a descrição de forma organizada momentos após as atividades. As anotações completas foram feitas posteriormente, ao final de cada período de observação, para que fosse plausível a reconstrução posterior das circunstâncias e relatos.
Os objetivos foram esclarecidos em conversa informal, estabelecendo como meta quatro encontros com as adolescentes, através de visitas domiciliares e encontros na CIABS.
Neste segundo passo, a observação continuou, mas alguma participação ocorreu.
Começamos a interagir mais com as pessoas e observar suas respostas.
5.4.2 Plano e Implementação
Neste terceiro e quarto passo de plano e implementação, as pesquisadoras tornaram-se participantes nas atividades dos informantes, fazendo observações detalhadas de todos os aspectos. Desenvolvemos vários níveis de participação para aprender com as pessoas, sentir e experimentar através do envolvimento direto nas atividades. Foi importante,
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porém, que nos mantivéssemos como observadoras atentas, embora isto ocorresse com menor intensidade.
Do processo de observação participante, fizemos observações reflexivas para determinar o impacto dos eventos, ou dos acontecimentos na vida das pessoas. Observação reflexiva significa “olhar para trás”, relembrar como se desenvolve todo o processo e avaliar como as pessoas responderam ao pesquisador. Isto nos auxiliou a considerar a influência sofrida e o desempenho das pessoas. Representou uma síntese de todo o processo de forma seqüencial e particular, para se obter uma visão integral.
5.4.3 Análise dos dados
Seguindo uma abordagem qualitativa que costuma ser direcionada em seu desenvolvimento, não buscando dados estatísticos ou medir eventos, tornando seu foco de interesse amplo com uma perspectiva diferenciada, fizemos a obtenção de dados descritivos, através de contato direto do pesquisador com os sujeitos do estudo. Buscamos entender os fenômenos, interpretando e decodificando um sistema complexo de significados. (NEVES, 1996).
No quinto passo a avaliação dos dados aconteceu a partir da fala dos sujeitos do estudo, do processo observacional. No processo de análise, foi levado em consideração as entrevistas e conversas informais. Na análise dos dados deste estudo, consideramos o aspecto levantado por Minayo (1996 p. 199):
A expressão mais comumente usada para representar o tratamento dos dados de uma pesquisa qualitativa é a análise de conteúdo. No entanto, o termo significa mais do que um procedimento técnico. Faz parte de histórica busca teórica e prática no campo das investigações sociais.
Segundo Minayo (1996), os conteúdos obtidos das falas e das observações serão organizados em três momentos: a pré-análise, em que se organiza o conteúdo obtido; a exploração do material, os dados a serem codificados buscando ver nesta os elementos centrais para a discussão denominada como apreensão; o tratamento dos resultados, a inferência e a interpretação em que os resultados brutos serão tratados de maneira a serem significativos e válidos, permitindo ao pesquisador a realização de inferências e interpretações, sendo representadas por categorias.
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5.5 Atividade assistencial na escola
Com a proposta de oportunizar para os acadêmicos um maior contato com sua pesquisa e favorecer a coleta de dados, ficou estabelecido pelo plano de ensino, formulado pelo corpo de dicentes do 8º período do curso de enfermagem, uma abordagem dentro da pesquisa que estará aqui demonstrada através de relatório realizado durante 180 horas de prática vivenciada no início do segundo semestre do ano de 2007. Como resultado do relatório da prática assistencial, temos: caracterização da amostra e instrumentos e procedimentos.
Caracterização da Amostra
As atividades foram realizadas em uma escola pública do município de São José/SC, tendo participado 63 alunos adolescentes, com idade entre 12 e 17 anos, sendo 38 do sexo feminino e 21 do sexo masculino que freqüentam as 7ª e 8ª séries do ensino fundamental do turno matutino.
Instrumentos e procedimentos
Foram realizados 3 encontros com adolescentes estudantes das respectivas 7ª e 8ª séries, sendo as turmas 71 e 81 respectivamente, e aconteceram no horário de aula, com a duração de até 90 minutos.
A relação das atividades e resultados estão apresentados na Categoria 3 - Percepção da comunicação por meio escolar, através das dinâmicas .
Realizamos dinâmicas com enfoque nos seguintes temas:
1. Qualidade de vida sob o prisma do (a) adolescente;
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2. A comunicação na adolescência 3. O adolescente precisa de ajuda?
5.6 Evidenciando os aspectos éticos
A Resolução 196/96 Conselho Nacional de Saúde, que é responsável pela atual regulação da pesquisa em seres humanos no Brasil, prevê que as crianças e adolescentes tem apenas o direito de serem comunicados, dentro de sua capacidade de compreensão, não participando no processo de consentimento propriamente dito. Esse consentimento que incluiu estes adolescentes na pesquisa foi autorizado por seus representantes legais. Pois os adolescentes são tidos como sujeitos vulneráveis, ou seja, indivíduos que têm autonomia reduzida, havendo a necessidade de alguém que responda legalmente por eles.
Este relatório de conclusão de curso envolveu seres humanos e seguiu alguns aspectos éticos que são fundamentais, dentre eles:
O direito do adolescente e dos pais e/ou responsáveis legais ao acesso à informação;
A vontade do adolescente e dos familiares como norma;
O respeito à autonomia do adolescente e dos familiares;
O respeito à privacidade do adolescente e dos familiares.
Para promover uma assistência integral ao adolescente, o Comitê da Criança sugere que os estados estimulem o respeito ao direito de privacidade, confidencialidade e ao consentimento informado desse segmento, permitindo assim as práticas de aconselhamento individual e que as informações sobre o adolescente sejam reveladas apenas com a autorização do mesmo ou nos casos em que é permitida a quebra de sigilo com relação aos adultos. (VENTURA; CORRÊA, 2006).
Os adolescentes e seus pais e/ou responsáveis legais foram informados e orientados quanto a proposta de estudo. O termo de Consentimento Livre e Esclarecido foi redigido na terceira pessoa, incluindo os pais no tratamento de Sr. (a) e o adolescente, com a designação de o(a) filho (a). A assinatura do termo de consentimento livre e esclarecido foi realizada pelo adolescente e pelos pais e/ou responsáveis legais.
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De acordo com a Resolução 196/96 que prevê as normas de pesquisa que envolve seres humanos, foram tomadas todas as precauções com as questões éticas, incluindo a proteção, confidencialidade e sigilo dos adolescentes e de seus pais, durante todo o processo da pesquisa, relatório e divulgação.
Foi utilizado a codificação de tipo de esportistas escolhidos pelas adolescentes, como forma de garantir o anonimato da identidade e as informações que são confidenciais.
Foi garantido o direito à desistência no estudo a qualquer momento, inclusive sem nenhum motivo, bastando para isso informar, de maneira que achar mais conveniente, a desistência. As divulgações dos resultados no meio acadêmico e científico serão anônimas e em conjunto - grupo de adolescentes e de seus pais. Puderam solicitar informações durante todas as fases do estudo, bem como após a sua publicação.
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6 RESULTADOS
A partir do momento que iniciamos o trabalho com as adolescentes e seus familiares, essas participaram diretamente das atividades propostas, relatando claramente como acontecem as relações em família, as dificuldades consideradas por elas agravantes para o estabelecimento da comunicação.
Joyce Travelbee cita a interação como o contato que envolve indivíduos, havendo uma influência recíproca que favorece a relação pessoa-pessoa, evidenciando formas de compartilhar seus sentimentos, valores, significados através do processo de comunicação.
(LEOPARDI, 2006).
Assim os encontros oportunizaram a construção de uma relação empática, possibilitando a expressão do desejo de ajudar as pessoas envolvidas submetidas a estresse, percebendo então os movimentos internos das pessoas para tomar consciência do mundo que as cerca, assim como, praticando o processo de Rapport5. (LEOPARDI, 2006).
A descrição a seguir desenvolve os encontros realizados durante a pesquisa. Foram realizadas discussões relacionando o referencial teórico e metodológico, assim como outras referências que permitiram compreender melhor a nossa análise, diante dos acontecimentos.
Realizamos a descrição dos dados por ordem dos acontecimentos, preservando a fidedignidade da observação da realidade e apreensão dos fatos para a realização da pré- análise, refletindo uma melhor compreensão, correspondendo ao objetivo da descrição das situações da realidade familiar, apresentaremos os encontros realizados com as adolescentes e seus familiares.