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MANIFESTAÇÕES DA SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO DA

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 40-44)

1.3. MANIFESTAÇÕES DA SEGURIDADE SOCIAL NA CONSTITUIÇÃO

(serviço médico, de habilitação profissional) ou mediante pagamento de valores (benefícios)116.

De outra banda, a Saúde é verdadeiro direito fundamental social do indivíduo frente ao Estado, e no campo nacional é representada pelos artigos 196 a 200 da Constituição Federal de 1988, os quais estabelecem o direito à saúde a todos e impõe o dever do Estado na garantia desta à população, desta forma, os serviços destinados à saúde são prestados a todos, independentemente de filiação e de carência.

A Lei 8.080 de 1990 institucionalizou o Sistema Único de Saúde – SUS, diretamente vinculado ao Ministério da Saúde, que atua no campo da saúde pela promoção, prevenção e assistência à saúde de todos os brasileiros, e também dos estrangeiros residentes no país, de maneira universal e igualitária.

O acesso à saúde é igualitário e universal e se opera mediante três vias: a prevenção, que visa a evitar o risco da doença, a promoção, que objetiva proporcionar uma melhor qualidade de vida e de saúde às pessoas, e a curativa, que busca o campo de atuação mais próximo da cura das doenças117.

O objetivo do Constituinte de 1988 no campo da saúde foi proporcionar aos indivíduos o seu maior nível: “[...] no preâmbulo de cuja Constituição se define a saúde como o ‘completo bem-estar físico, mental e social’, noção que de longe supera a acepção de saúde como a mera ausência de doença”118.

A Assistência Social é a caridade dos indivíduos mais privilegiados para com os necessitados, sistema de proteção social insculpido no cerne de cada homem, visto que nascemos como um ideal de socorrer o necessitado como forma de preservar a dignidade da espécie.

116 CRUZ, Paulo Márcio. Fundamentos Históricos, Políticos e Jurídicos da Seguridade Social, p. 78.

117 SARLET, Ingo Wolfgang. FIGUEIREDO, Mariana Filchtiner. Reserva do possível, mínimo existencial e direito à saúde: algumas aproximações. In: SARLET, Ingo Wolfgang. TIMM, Luciano Benetti (Org.). Direitos Fundamentais: Orçamento e "Reserva do Possível", Porto Alegre:

Livraria do Advogado, 2008, p. 39-40.

118 SARLET, Ingo Wolfgang. FIGUEIREDO, Mariana Filchtiner. Reserva do possível, mínimo existencial e direito à saúde: algumas aproximações. p. 40.

Por este motivo, o espírito humano de socorrer o próximo em necessidade física ou material independe de sistema jurídico de proteção social, a inexistência de mandamento jurídico não impede o assistencialismo:

Ora, tal vocação não poderia ser apreendida nos estreitos limites de certa obrigação jurídica. Trata-se, antes e propriamente, de pendor moral decorrente da consciência bem formada. Portanto, seria impróprio situar algo inerente ao convívio humano como dependente de qualificação jurídica 119.

Como já apresentado anteriormente, a história dos mecanismos de proteção social apresenta o assistencialismo como meio protetivo precursor do seguro social120.

No Brasil, a assistência social resta disciplinada nos artigos 203 e 204 da Constituição de 1988, e na Lei 8.742 de 1993 a assistência social é destinada a todos, entretanto, somente aqueles que se enquadrem na faixa de pobreza possuem direito à referida proteção social. Ainda, os benefícios assistenciais a exemplo da saúde, também independem de carência e de contribuição à Seguridade Social.

A Previdência Social surgiu como remédio à manutenção do modelo liberal, que tinha como pilastras a industrialização e a urbanização, eventos que provocavam na Sociedade do século XIX grande volume de necessitados de ajuda material, principalmente trabalhadores idosos, acidentados e viúvas:

Pode parecer paradoxal, mas a mesma atuação revolucionária que imprimiu novo fator ao individualismo e que implantou a falsa concepção de liberdade das forças econômicas, impondo, embora, ao Poder Público, um recuo nas suas originárias atribuições, denunciou as profundas desigualdades de então e abriu caminho para o surgimento de modalidades de relações sociais que iriam combater os desmandos, os abusos e as injustiças provocados pelo liberalismo econômico e pelo individualismo. A enorme dívida social, lembrávamos antes, foi

119 BALERA, Wagner. Noções Preliminares de Direito Previdenciário, p. 60.

120 Como precursora na moldagem escrita a Act for the Relief of the Poor, sancionada no reinado de Isabel I, em 1601 na Inglaterra, também conhecida como a Lei dos Pobres, sistema gerido pela Igreja e destinado ao socorro de desempregados e doentes, surgiu como um sistema securitário assistencialista com contribuição da sociedade, mais, sem contribuição do trabalhador, o objetivo era amparar as classes necessitadas da época. No Brasil, as Santas Casas de Misericórdia foram às primeiras entidades a atuar na Seguridade Social, isto desde 1553, com serviços voltados aos necessitados em caráter eminentemente assistencialista.

denunciada vigorosamente pelos revolucionários de 1789 em sua célebre proclamação121.

Inegável que a Previdência Social parte da interlocução dos diversos atores sociais com o Poder Público, a ideia é a proteção social dos eventos de risco, tais como doença, velhice, acidentes e desemprego, mediante participação de recursos de trabalhadores, empregadores e do próprio Estado:

É justamente nos momentos nos quais os cidadãos, inseridos na sociedade por força de sua capacidade de trabalho (substancial maioria da população), têm a sua força laboral afetada, ou mesmo negado acesso ao trabalho, como é cada vez mais comum por força do modelo econômico excludente, que a previdência social evidencia seu papel nuclear para a manutenção do ser humano dentro de um nível existencial minimamente adequado122.

No Brasil, a Previdência Social foi introduzida no sistema jurídico de maneira clara e consistente somente com a Carta Federal de 1988, que trouxe no artigo 193 o seu objetivo geral, e as suas diretrizes basilares previstas no artigo 194.

O Poder Constituinte de 1988 assegura a Previdência Social ao trabalhador e aos seus dependentes, atingidos por algum dos infortúnios indicados ao longo dos incisos do artigo 201 da Carta Federal de 1988, assim, o legislador infraconstitucional não se pode furtar à definição dos benefícios correspondentes, os quais, de fato, acham-se disciplinados ao longo das diversas disposições da Lei de Benefícios 8.213, de 24 de julho de 1991.

O até aqui apresentado comprova que o primeiro meio de proteção social foi o assistencialismo, em seu conteúdo moral, que com sua evolução passou a um modelo de caridade pública.

E os modelos de proteção social podem ser resumidos em assistenciais e prestacionais, e no campo constitucional brasileiro a proteção social desde 1988 é representada pelo instituto da Seguridade Social, que em sua trilogia engloba a saúde, a previdência e a assistência social.

121 BALERA, Wagner. Noções Preliminares de Direito Previdenciário. p. 64.

122 ROCHA, Daniel Machado da. O Direito Fundamental à Previdência Social. Na perspectiva dos princípios constitucionais diretivos do Sistema Previdenciário Brasileiro. Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora, 2004, p. 111.

1.4 PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS DA PROTEÇÃO SOCIAL RURAL

No documento UNIVERSIDADE DO VALE DO ITAJAÍ – UNIVALI (páginas 40-44)