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Identificada e declarada à existência da AP, cabe agora ao Estado através de seus representantes, coibirem estas práticas abusivas do agente ativo. A partir, desta análise o judiciário deverá determinar as medidas de intervenção adequadas ao caso concreto deparado. De modo que as sanções jurídicas impostas ao agente alienador sejam cumpridas de forma eficaz, sem atingir, mesmo de forma indireta, a criança ou adolescente.

Neste sentido, faz-se necessário analisar as medidas punitivas, apresentadas no artigo 6º da Lei de Alienação Parental.

Art. 6º - Caracterizados atos típicos de alienação parental ou qualquer conduta que dificulte a convivência de criança ou adolescente com genitor, em ação autônoma ou incidental, o juiz poderá, cumulativamente ou não, sem prejuízo da decorrente responsabilidade civil ou criminal e da ampla utilização de instrumentos processuais aptos a inibir ou atenuar seus efeitos, segundo a gravidade do caso:

I - declarar a ocorrência de alienação parental e advertir o alienador;

II - ampliar o regime de convivência familiar em favor do genitor alienado;

III - estipular multa ao alienador;

IV - determinar acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial;

V - determinar a alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão;

VI - determinar a fixação cautelar do domicílio da criança ou adolescente;

VII - declarar a suspensão da autoridade parental.

Parágrafo único. Caracterizado mudança abusiva de endereço, inviabilização ou obstrução à convivência familiar, o juiz também

poderá inverter a obrigação de levar para ou retirar a criança ou adolescente da residência do genitor, por ocasião das alternâncias dos períodos de convivência familiar.89

Cada um destas sanções vem um objetivo que de acordo com a gravidade do caso apresentado em que deverá ser aplicada pelo magistrado. A advertência foi inserida na lei, pois o mero reconhecimento da alienação parental pelo judiciário, em muitos casos, é suficiente para interromper a prática, algo formidável sob o ponto de vista da prevenção e da educação.90

Outra penalidade cabível é a multa, que tem caráter judicial civil e para se imposta de forma coercitiva ao alienador criando neste agente um receio da punição, fazendo dissuadi-lo de cometer o ato ilícito.91Já o inciso IV determina o acompanhamento psicológico e/ou biopsicossocial.

No que se refere aos demais incisos , assim como no parágrafo, estes serão somente usados em casos graves, visto as interferências drásticas que estas atitudes poderão causar a entidade familiar.

Neste sentido, os Tribunais de Justiça têm mantido em seus julgados o seguinte posicionamento:

Agravo de Instrumento n. 2013.067949-6, de Joinville Relator: Des. Trindade dos Santos

AGRAVO DE INSTRUMENTO. AÇÃO DE REGULAMENTAÇÃO DE VISITAS. PEDIDO DE REALIZAÇÃO DE ESTUDO PSICOLÓGICO E DE PERÍCIA TÉCNICA. TENTATIVA DO PAI EM COMPROVAR NÃO TER PRATICADO QUALQUER ATO LIBIDINOSO CONTRA FILHA INTERDITADA. ALEGAÇÃO DE PRÁTICA DE ALIENAÇÃO PARENTAL PELA GENITORA E CURADORA DESSA FILHA.

NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. VISITAS QUE ESTÃO OCORRENDO DE MANEIRA ASSISTIDA POR CUIDADORA CONTRATADA PELAS PARTES. HIPÓTESE QUE NÃO PODE PERDURAR ETERNAMENTE. NECESSIDADE DE

89 BRASIL. Lei n° 12.318, de 26 ago. 2010.

90 GUILHERMANO, Juliana Ferla. Alienação parental: aspectos jurídicos e psíquicos. 2012. 30 f.

Monografia (Especialização) - Curso de Direito, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do

Sul, Porto Alegre, 2012. Disponível em:

<http://www3.pucrs.br/pucrs/files/uni/poa/direito/graduacao/tcc/tcc2/trabalhos2012_1/juliana_guilher mano.pdf>. Acesso em: 05 fev. 2014.p.20.

91 GUILHERMANO, Juliana Ferla. Alienação parental: aspectos jurídicos e psíquicos. p. 20.

APURAÇÃO DAS SUSPEITAS LEVANTADAS. RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.92

Ementa:APELAÇÃO CÍVEL. GUARDA. HONORARIOS Foram realizadas perícias, psicológica e social, que concluíram que ambos os genitores estão capacitados para dispensar à filha os cuidados necessários. Em que pese haja entre o ex-casal um forte clima de desavença, não se verifica situação de vulnerabilidade à infante sob os cuidados maternos, nem mesmo foram identificados indícios de alienação parental por parte da mãe. Assim, é de ser mantida a guarda com a genitora. No que diz respeito aos honorários, é de ser mantida a verba tal como fixada na sentença, pois de acordo com os parâmetros do art. 20, §3º e 4º do CPC. NEGARAM PROVIMENTO A AMBOS OS RECURSOS. UNÂNIME.93

Contudo, apesar de haver mecanismos punitivos, o legislador ainda não trás em alguns dos casos de modo satisfatório a penalização do agente ativo. Visto que, as sanções não afetam de forma eficiente a complexa relação familiar formada por estas práticas abusivas prejudiciais a criança e o adolescente.

Neste contexto, por muitas das vezes, percebe-se nos julgados analisados a única necessidade do magistrado em cumprir de forma célere sua função, de demonstrar a verdade dos fatos e punir o agente infrator, como uma forma de tentativa de exercer a justiça, mais sem preocupar-se com as conseqüências que esses meios punitivos poderão causar ao ente vulnerável e os demais membros envolvidos.

Assim expôs a Dra. Maria Berenice Dias94 quando a forma que o judiciário vem aplicando a Lei da AP:

Primeiro lugar é identificar a pratica da alienação para aplicar a penalidade. Tanto que na lei havia previsões de ordem penal que foram afastadas pelo Congresso, até pela relatora Maria do Rosário.

Os juízes ainda têm essa postura conversadora de que o filho tem que ficar com a mãe, que existe esse ranço, que ainda dificulta a aplicação das medidas que eu acho absolutamente salutar. As pessoas precisavam ter consciência que os filhos são dos dois, os deveres e poderes familiares são de ambos , quando a separação

92 BRASIL. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Apelação Cível nº. . 2013.067949-6,de Joinville, da 2ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina,Florianópolis.

RelatorTrindade dos Santos.Julgado em: 10 abr. 2014. Disponível em: < http://www.tjsc.jus.br>.

Acesso em: 02 de maio 2014.

93 BRASIL. Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul. Apelação Cível nº. 70057137911, de Lajeado, da 8ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça do Estado do Rio Grande do Sul, Porto Alegre. Relator:

Luiz Felipe Brasil Santos. Julgado em: 30 jan. 2014. Disponível em: < http://www.tjrs.jus.br/>.

Acesso em: 05 de fev. 2014.

94DIAS, Maria Berenice. Alienação Parental. Balneário Camboriú, 15 abr. 2014.Entrevista a Danielle Martins Vaz.

sempre a esse exercício concomitante do poder familiar isso está na lei, com a separação a única coisa que se precisa fazer é a convivência. Então a guarda compartilhada nada mais é que o compartilhamento da convivência de um com o outro, os deveres e direitos são iguais, acho que se os pais tivessem a consciência de que se separam e a guarda vai ser compartilhada, não ainda ficar brigando dizendo que o filho é meu, o filho não é meu é do outro, precisa da mudança da mentalidade nesse sentido.

Já em conversa realizada com o ex-conselheiro o Dr. Orlando Uliano que fez parte da primeira chapa do Conselho Tutelar do município de Balneário Camboriú e exerceu mais dois mandados no Conselho Tutelar desta cidade antes da vigência da Lei 12.318/10 apresentou o seguinte posicionamento quanto à atuação junto ao Poder Judiciário nos casos de AP, conforme as perguntas que foram realizadas:

Como era a relação do Conselho Tutelar com o Poder Judiciário naquela época?

A relação sempre foi muito boa, mas isso depende de conselho para conselho.

Mais como era a relação do Conselho Tutelar de Balneário Camboriú, dos conselhos que o senhor fez parte?

Tem chapas de conselhos que o pessoal não gostava muito do juiz do promotor, o juiz ou promotor dão uma opinião e eles acham que já estão interferindo na autonomia do conselho, as chapas das quais eu participei, nós tínhamos uma relação muito boa com o juiz e com o promotor. As dúvidas que nós tínhamos que poderiam causar algum impacto, algum atrito a gente ia primeiro no juiz e depois fazíamos o relatório, até com ordem judicial para não ter esse problema.

A resolução dos casos, as medidas penais, no caso da penalização ao final das audiências o senhor acredita que eram as medidas corretas a serem tomadas ou poderia existir outras medidas?

O conselho percebia a violência física nas classes mais baixas e as violências psicológicas era nas classes mais altas a violência física e outras vão sumindo e é aonde pode se perceber a AP sozinha. No pessoal que estava em baixo não havia muitas opções a que se discordar do juiz, por que chegava ao bairro Dos Municípios e via aquele pessoal morando do lado do rio em barraco, vizinho do lado era traficante o vizinho da frente era traficante. Quando o juiz chegava e tomava uma medida de tira à criança nós nem tínhamos muitas condições objetivas de questionar ou discordar, a origem era pior a situação originária da medida era muito tão aberrante. Era poucas às vezes em que agente chegou de que o juiz decidiu errado que o promotor decidiu errado. Eles sempre escutavam muito a

psicóloga do Fórum e os nossos relatórios, eles iam muito pelos nossos relatórios.

E o presidente da Associação Brasileira da Criança Feliz, o Sr.

Sérgio de Moura Rodrigues95 e que participou da primeira audiência pública no Senado Federal na Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) para debater a alienação parental posicionou-se da seguinte forma quanto ao Poder Judiciário:

[...]

Quanto aos magistrados, nos tribunais o número de reconhecimentos é bem baixo, demonstrando que o Judiciário ainda reluta em aceitar a nova lei e a Alienação Parental, pois o conhecimento está vindo de fora, e os “DEUSES” não podem aceitar o fato social, eles é que entendem de leis.

Qual a dificuldade do judiciário em punir o agente alienador?

Entendemos que são varias

a) A falta de vontade e compromisso social dos julgadores, que preferem jogar a responsabilidade da identificação aos profissionais da saúde e estes por sua vez não fornecem dados precisos, ou quando fazem, fazem de forma parcial (laudos tendenciosos)

b) A falta de profissionalismo dos Operadores do Direito e das áreas de saúde (Psicólogos e Peritos) que não preparam bem os documentos, laudos superficiais, tendenciosos, Advogados que apoiam o cliente na formulação das falsas denúncias.

c) A Falta de ética destes profissionais, pois ao receberem os Alienadores, olham para seus bolsos/carteiras e não para os filhos, vítimas.

Embora existam essas medidas judiciais previstas na Lei da AP, percebe-se que muitos dos juízes quando verificada a possibilidade, principalmente, de convivência entre as partes envolvidas, geralmente dos genitores, determina-se a guarda compartilhada, como um conforme de satisfazer todas as partes envolvidas e interferir de forma mínima na vida das crianças e adolescentes.

95 RODRIGUES, Sérgio de Moura. Alienação Parental. Balneário Camboriú, 18 abr. 2014. Entrevista a Danielle Martins Vaz.