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REINCIDÊNCIA DA AP: APLICABILIDADE DA LEI 12.318/10 PELO PODER

Através da entrevista realizada com o Dra. Maria Berenice Dias113 e Sr. Sérgio de Moura Rodrigues114, percebe-se o seguinte entendimento dos entrevistados, respectivamente:

112 ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA CRIANÇA FELIZ (Brasil). ESTATUTO SOCIAL DA ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA CRIANÇA FELIZ. Disponível em: <http://criancafeliz.org/category/institucional/>.

Acesso em: 23 abr. 2014.

113 DIAS, Maria Berenice. Alienação Parental. Balneário Camboriú, 15 abr. 2014. Entrevista a Danielle Martins Vaz.

O problema do aumento dos casos de Alienação Parental seria por causa da falta de divulgação ou por causa da maneira como o Judiciário vêm aplicando as penas previstas na Lei 12.318/10?

O que eu acho que está havendo são duas coisas simultaneamente, ou seja, cada vez mais, até vou falar dessa realidade homem e mulher, pai e mãe, porque isso é a realidade de 95% dos casos que não só esses. O filho fica com a mãe historicamente sempre foi isso e o pai visitava esporadicamente e dava alimentos e pronto.

Acontece assim, que com toda chamada de evolução feminina, as mulheres entrarem no mercado de trabalho e os homens foram convocados a participar da criação dos filhos, da atividade doméstica. Então eles começaram a ficar pertos dos filhos as gerações anteriores não havia tanta proximidade o homem não sabia trocar uma fralda, o homem não sabia dar mamadeira, isso sempre foi função da mãe e com a separação sempre visita de vez enquanto e como houve essa aproximação toda que eu acho absolutamente saudável com a separação os pais começaram a reivindicar uma presença mais efetiva na vida dos filhos isso um pouco assustou as mães que começaram a ficar com medo de perder os filhos.

Começou haver um movimento reativo normalmente das mães de não querem está convivência maior. Ai entra aquela história de sentimentos da causa da separação, me trocou me deixou me abandonou por outra mais jovem, então você não vai ver seus filhos.

As pessoas se separam com mais frequência que eu acho absolutamente salutar ninguém tem que ficar dentro de casamentos findos. Então esse movimento eu acho saudável. O aumento do número de casos, por que aumento o número de separação, aumento o número de pais querendo conviver mais com os filhos.

Tanto que a lei da alienação parental e a lei da guarda compartilhada são fruto do movimento dos homens, foram eles que se mobilizaram nesse sentido, algo bem raro, porque os homens sempre foram os detentores do poder nunca precisaram movimentar sempre foram as minorias excluídas que se movimentam que se junta a movimentos sociais sempre é mulher, negro, homossexual são sempre eles que se unem e vão atrás. Nesse caso esse fenômeno partiu dos homens, por que os homens são aliviados do poder para com relação aos filhos, daí eles são a minoria, ai eles são excluídos, ai eles se uniram para a busca para aprovação desta lei.

O problema do aumento dos casos de Alienação Parental seria por causa da falta de divulgação ou por causa da maneira como o Judiciário vêm aplicando as penas previstas na Lei 12.318/10?

O problema do aumento deve-se ao fato da eficiência da divulgação pelas ONGS e Grupos de Pais, vez que as pessoas estão tomando consciência, identificando e reagindo.

Os casos já existiam, poucos sabiam o que era agora tem nome e tratamento.

114 Rodrigues, Sérgio de Moura. Alienação Parental. Balneário Camboriú, 18 abr. 2014. Entrevista a Danielle Martins Vaz.

Quanto aos magistrados, nos tribunais o número de reconhecimentos é bem baixo, demonstrando que o Judiciário ainda reluta em aceitar a nova lei e a Alienação Parental, pois o conhecimento está vindo de fora, e os “DEUSES” não podem aceitar o fato social, eles é que entendem de leis.

Segundo a juíza da 3º Vara da Família de Fortaleza, Marleide Maciel, durante audiência pública explica que quanto mais o tema for divulgado e levado ao conhecimento da população, melhor. “O caminho é direcionar para o conhecimento público do tema e buscar auxílio das autoridades instituídas e do poder público. Assim conseguiremos conscientizar as pessoas, que podem estar causando mal aos seus filhos sem saber”.115

Diante dos depoimentos relatados a dos casos de AP não é a forma como o judiciário vem decidindo e aplicando as medidas previstas na Lei 12.318/10 e sim a falta de divulgação. Sendo um tema ainda recente perante o Poder Judiciário, falta ainda adequasse as realidades encontradas e aplicabilidade perante a Lei 12.318/10 nos julgamentos das lides envolvendo a AP.

A lei trouxe ao judiciário a tipificação da AP e antes era tida com violência psicológica, como explica o Dr. Orlando Uliano, trouxe um norte de atuação ao Poder Judiciário. Contudo, não cabe somente ao Estado-Juiz a responsabilidade nos casos de AP e SAP, cabe também a entidade familiar e a sociedade atuar conjuntamente com o Estado para que se tenha a proteção integral da criança ou adolescente como preconiza o ECA. Surgindo esta responsabilidade a necessidade de maior divulgação Lei 12.318/10 conceituando, dos determinando os atos de AP e medidas de proteção contidas na legislação.

115 CEARÁ. AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DA ASSEMBLEIA LEGISLATIVA. Maior divulgação da lei sobre alienação parental é cobrada na AL. 2013. Disponível em:

<http://www.al.ce.gov.br/index.php/destaques-do-site/item/18946-1507rg-audiencia-alienacao- parental>. Acesso em: 11 maio 2014.

A AP, é uma situação que se encontra presente na sociedade brasileira, foi criada por Richard Gardner na década de 80 e introduzido no ordenamento jurídico brasileiro por Maria Berenice Dias. Os casos de AP apresentam-se nas entidades familiares, através de atos que decorrem da tentativa ou do efetivo rompimento de vínculos afetivos, poderá causar também a “perda” do Poder Familiar sobre os filhos, na grande maioria das vezes, mais alem dos gnitores estes atos de AP poderá ser sofrido ou praticado por outros parentes, como por exemplo, os avós. Assim na medida em que tipificou este atos contrários as princípios norteadores do ECA , foi conceituado quem pratica a AP, sujeito alienador e quem sofre o ato de AP, o sujeito alienado.

É através, das práticas da AP, muitas das vezes causadas, por ações decorrentes da dissolução do vínculo conjugal como forma de vingança do outro genitor, surgirão fatos, com distúrbios psicológicos nas crianças ou adolescentes, dão origem á figura do instituto da SAP. Sendo assim, diante deste dever-poder que possui o Estado, a sociedade e a família de salva-guardar os direitos da criança ou adolescente, previstos na CRFB/88, no ECA e na Convenção Internacional dos Direitos Humanos, a Lei 12.318/10 apresenta em seu texto sanções ao agente alienador, entre elas, advertência, multa, alteração da guarda para guarda compartilhada ou sua inversão e para casos mais graves a suspensão da autoridade parental.

Na medida em que ocorrem ações de AP e a SAP, faz necessária a atuação do Poder Judiciário para os casos de AP que sejam interpostos pelas partes, como atuação de órgãos públicos, MP, Conselho Tutelar e CRAS órgãos sócias, Instituição Brasileira de Direito de Família e a Associação Brasileira Criança Feliz. A falta de divulgação da AP e SAP é grande responsável pela reincidência da AP e não a forma como o judiciário vem determinando as sanções os julgados. Ao que se refere às hipóteses levantadas, a aplicação da pena deverá ser realizada conforme o caso encontrado, ou seja, possui caráter subjetivo, confirmando totalmente a hipótese , quanto as sujeitos alienadores possíveis,

segundo as pesquisas realizadas e informações prestadas pela Dra. Maria Berenice Dias será que forma mais frequente alienadores os genitores, principalmente a mãe podendo a ser os parentes mais próximos como avós e tios, portanto hipótese confirmada totalmente.Ademais a conceituação de AP e SAP apresentados no decorrer deste trabalho determina a AP com os atos, ações que o sujeito alienador realiza como forma de desconstituir o vínculo da criança ou adolescente com o sujeito alienado, enquanto que a SAP sãos as consequências principalmente de caráter psicológico dos atos abusivos do alienador, tendo a hipótese confirmada totalmente sobre a diferenciação da AP e da SAP e também a hipótese referente a consequências da AP. Ao que refere-se a hipótese sobre o papel da Lei 12.318/10 esta foi confirmada parcialmente,pois a legislação ainda não atingiu seu ápice de atuação no resguardo dos direitos da criança e do adolescente, visto que a mesma é considerada ainda uma legislação recente e diante de fato precisa ainda ser assimilada pelos órgãos públicos e da saúde e principalmente precisa ter maior divulgação e conscientização da gravidade dos atos de AP decorrem na criança ou adolescente como também para o sujeito alienador e alienado.

REFERÊNCIA DAS FONTES CITADAS

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA CRIANÇA FELIZ (Brasil). Estatuto social da

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em:<http://criancafeliz.org/category/institucional/>. Acesso em: 23 abr. 2014.

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BRASIL. Tribunal de Justiça de Santa Catarina. Agravo de Instrumento nº. n.

2012.0584565, de São José, da 6ª Câmara de Direito Civil do Tribunal de Justiça do Estado de Santa Catarina, Florianópolis. Relator: Ronei Danielli. Julgado em: 06 dez.

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Saraiva, 2004.

1 E-MAILS ENVIADOS

E-mail enviado a 04º Promotoria de Justiça da Comarca de Balneário Camboriú Penalização da Alienação Parental - onografia

Daniele Vaz 09/04/2014

Para: [email protected] Boa tarde,

meu nome é Danielle M. Vaz sou estudante do 9° período do curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí - Campus de Balneário Camboriú e estou concluindo meu trabalho de iniciação científica, cujo o tema é a Penalização da Alienação Parental com enfoque na Lei 12.318/10. E diante da atuação significativa do Ministério Público nos casos de Alienação Parental, gostaria de acrescer ao meu trabalho qual o posicionamento do Ministério Público na forma de aplicação das penas que estão sendo determinadas nos tribunais.

Aguardo retorno, grata pela atenção, Danielle M. Vaz.

E-mail enviado para a Dra. Maria Berenice Dias

Penalização da Alienação Parental - onografia Daniele Vaz

10/04/2014

Para: [email protected] Prezada Maria Berenice Dias,

meu nome é Danielle M. Vaz sou estudante do 9° período do curso de Direito da Universidade do Vale do Itajaí - Campus de Balneário Camboriú/SC e estou concluindo meu trabalho de iniciação científica, cujo o tema é a Penalização da Alienação Parental com enfoque na Lei 12.318/10. Visto que, a doutora atua de forma significativa no Direito de Família , assim como nos casos de Alienação Parental, gostaria de acrescer ao meu trabalho qual o seu posicionamento diante da forma em que vêm sendo aplicadas as penas previstas na Lei 12.318/10 nos tribunais.

Aguardo retorno, grata pela atenção, Danielle M. Vaz.

Resposta ao e-mail enviado para Dra. Maria Berenice Dias

RE: RES: Penalização da Alienação Parental - onografia Daniele Vaz

11/04/2014

Para: Maria Berenice Dias Boa tarde Berenice,

agradeço por ter respondido ao meu e-mail. Em breve entrarei em contato com a Dra. para conversarmos sobre o tema.

Grata pela sua atenção, Danielle M. Vaz.

From: [email protected] To: [email protected]

Subject: RES: Penalização da Alienação Parental - Monografia Date: Thu, 10 Apr 2014 00:21:51 +0000

Daniele,

Vamos conversar pro telefone?

Prefiro.

Lá vão os meus contatos:

(51) 3*** – residência (51) 9*** – celular

Liga quando quiseres, mas tenho preferência pelo turno da manhã.

Um beijo, Berenice

www.mbdias.com.br - www.mariaberenice.com.br - www.direitohomoafetivo.com.br - www.estatutodiversidadesexual.com.br

ENTREVISTA

Entrevistada: Maria Berenice Dias.

Perfil:

 É advogada especializada em Direito Homoafetivo, Direito das Famílias e Sucessões (Endereço: Rua Comendador Caminha, 312 - Conj. 401 e 402, em Porto Alegre - RS - Telefone (51) 3019.0080 - www.mbdias.com.br).

 Foi à primeira Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, tendo sido a primeira mulher a ingressar na magistratura gaúcha.

 É Vice-Presidente Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família - IBDFAM, do qual é uma das fundadoras.

 É Presidenta da Comissão Especial da Diversidade Sexual do Conselho Federal da OAB.

 É membro do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social do Estado do Rio Grande do Sul, representando os mais diversos segmentos da sociedade gaúcha.

 Pós-graduada e Mestre em Processo Civil pela PUC-RS.

 Criou o site www.direitohomoafetivo.com.br

 Lidera um movimento nacional para criação de Comissões da Diversidade Sexual ligadas à OAB e que estão sendo criadas em todo Brasil.

 Criou o JusMulher - serviço voluntário de atendimento jurídico e psicológico às mulheres carentes e lançou o Jornal Mulher.

 Fundou o Jornal Mulher, veículo exclusivamente voltado às questões de gênero.

 Ocupa a 37ª Cadeira da Academia Literária Feminina do Rio Grande do Sul

 É Cidadã Honorária de Porto Alegre, São Borja e da Paraíba.

 Foi a única gaúcha indicada pelo Projeto “1.000 ulheres para o Prêmio Nobel da Paz 2005".

 Foi a embaixatriz do Brasil na I Conferência Internacional dos Direitos Humanos LGBT do I Word Outgames, que realizou-se em Montreal, Canadá.

 Integra a Câmara Técnica Comunitária do Observatório do Programa Brasil sem Homofobia, desenvolvido pelo Governo Federal.

 Participa do Conselho Curador da Fundação Pró-HPS.