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O melasma é uma hipermelanose da pele muito resistente a tratamentos. É uma doença de pele crônica consequente do estímulo dos melanócitos que levam a produção excessiva de melanina na epiderme e na derme. Pode afetar milhões de pessoas em todo o mundo e todas as raças, principalmente os tipos de pele mais elevados, onde sua presença é mais frequente em indivíduos que vivem em países tropicais. A hipermelanose está caracterizada nas seguintes formas: o tamanho das manchas podem variar; possuem coloração acastanhada, mais ou menos escuras;

apresenta contornos irregulares; é reticular e simétrica. É mais comum se desenvolver nas mulheres do que nos homens. Acomete em particular a face, na região das maçãs do rosto, do lábio superior, do nariz, da testa, do queixo e das têmporas, além do pescoço, colo e braços.

Entre os fatores que podem provocar o seu desenvolvimento está a exposição excessiva ao sol e a falta de proteção da pele, exposição a luz visível, vascularização de pele afetada, elevação significativa de fatores angiogênicos na epiderme, medicamentos fotossensibilizantes, gestação, influências genéticas, cosméticos, fatores emocionais, contraceptivos, terapia de reposição hormonal, medicamentos fotossensibilizantes, distúrbios tireoidianos e endócrinos, disfunção do fígado. Pode ser classificado nos seguintes tipos: epidérmico - localizada na epiderme, camada protetora e superficial da pele; dérmico - localizada na derme, camada intermediária da pele, tornando a mancha mais profunda; misto - afeta tanto a derme quanto a epiderme; indeterminante - a melanina é encontrada na derme.

A palavra melasma deriva do grego “melas”, que significa “negro” (GUEVARA e PANDYA, 2003). Segundo Victor, Gelber e Rao (2004), o termo cloasma, que vem do grego “cloazian” (que significa “estar verde”) também é usado para designar melasma.

Melasma (Figura 2) é uma alteração pigmentar crônica recorrente, caracterizada por máculas hiperpigmentadas assintomáticas e simétricas na pele devido ao aumento local da melanogênese. Ela atinge milhões de pessoas em todo o mundo (SHETH e PANDYA, 2011).

Figura 2: Representação do melasma facial

Fonte: https://www.mdsaude.com/dermatologia/melasma/

Melasma é uma hipermelanose comum, adquirida, simétrica, caracterizada por máculas acastanhadas, mais ou menos escuras, de contornos irregulares, mas limites nítidos, nas áreas foto expostas, especialmente, face, fronte, têmporas e, mais raramente, no nariz, pálpebras, mento e membros superiores. Tratando-se de uma disfunção da melanogênese humana resultando em hipermelanose localizada crônica na pele sua incidência é em algumas áreas do corpo e afeta principalmente mulheres (HANDEL; MIOT; MIOT, 2014).

Segundo Urasaki (2018), a mancha hipercromica pode ser uma das principais causas da elevada procura por atendimentos dermatológicos e estéticos. O melasma é mais frequente em mulheres em idade fértil, entre 30 a 55 anos, afetando cerca de 90% destas, apesar que possa ser visto em homens, sendo eles correspondentes por 10% dos casos (GAEDTKE, 2011; BRIANEZI, 2016).

Os principais padrões de melasma são o centrofacial, em razão de afetar a região central da fronte, bucal, labial, supralabial e mentoniana; e malar, por atingir regiões zigomáticas (MIOT et al.,2009). Embora possa acometer todas as raças, há maior incidência em fenótipos mais pigmentados, particularmente os tipos de pele IV e V (BRIANEZI, 2016; PIRES e PANCOTE, 2012).

Existem diversos fatores relatados na literatura, porém ainda não são totalmente esclarecidas. Influências genéticas e hormonais em combinação com radiação ultravioleta (UV) são as causas mais importantes na concepção de Costin e Birlea (2006). Outros fatores relacionados são disfunção na tireoide, fígado, cosméticos, tendo destaque o óleo de mostarda que é usado frequentemente por homens indianos, tanto para massagem quanto para cozinhar, drogas foto tóxicas, endocrinopatias, fatores emocionais e medicações anticonvulsivantes (SARKAR et al., 2009; MIOT et al., 2009; VACHIRAMON et al., 2012; KAMRA et al., 2014).

Ainda de acordo com Mascena (2016) e Martins; Oliveira (2015) outros fatores etiológicos na patogênese incluem: gestação, contraceptivos, ou terapia de reposição hormonal, medicamentos fotossensibilizantes, distúrbios tireoidianos e endócrinos, cosméticos derivados do petróleo e fatores emocionais. A teoria mais aceita em relação à radiação UV levar ao desenvolvimento e agravamento da doença, é de que a radiação possa causar peroxidação de lipídios nas membranas celulares, levando a formação de radicais livres que podem, por sua vez, estimular os melanócitos a produzirem melanina em excesso, formando assim o melasma (ORTONNE et al., 2009; BOLANCA et al., 2008).

O aumento da pigmentação tornou-se a principal característica para o diagnóstico do melasma, sendo a causa mais comum sua indução por melanócitos biologicamente ativos (SHETH e PANDYA, 2011). Outro aspecto que provavelmente esteja associado, é a vascularização de pele afetada e a expressão elevada de fatores angiogênicos na epiderme (SHETH e PANDYA, 2011; KIM et al., 2016; KIM et al., 2007).

Segundo Cayce, McMichael e Feldman (2004), o melasma é dividido em quatro padrões histológicos de acordo com a sua aparência sob a lâmpada de Wood:

epidérmico, dérmico, misto e indeterminado. A categorização do tipo do melasma é útil e extremamente importante, pois pode ajudar a orientar nas opções de tratamentos e nas expectativas do paciente (AREFIEV e HANTASH, 2012).

Padrão epidérmico: consiste em deposição de melanina nas camadas basal e supra basal da epiderme, algumas vezes ocorrendo em todas as camadas da epiderme (KANG et al., 2002). As lesões costumam ser de cor castanho-claro à luz ambiente e é o tipo mais comum, em que se observa um contraste bem definido entre a pele normal e a afetada pela a doença (CONSTANCIO, 2010).

Padrão dérmico: envolve as dermes superficial e média e apresenta contraste discreto de cor sob a luz de Wood (CONSTANCIO, 2010). À luz ambiente essas lesões aparecem como manchas cinzas pálidas ou azuladas (STULBERG; CLARK;

TOVEY, 2003).

Padrão misto: a deposição de melanina tanto na epiderme quanto na derme constitui este padrão (KANG et al., 2002). Neste tipo, no mesmo paciente são vistas áreas com muito e pouco contraste sob luz de Wood. À luz ambiente, esse padrão usualmente aparece como um marrom profundo ou escuro (CAYCE, MCMICHAEL;

FELDMAN, 2004).

Padrão indeterminado: encontrado em pacientes de pele muito escura (fototipos V-VI) e à luz ambiente, as lesões são cinza-pálido e podem ser difíceis de reconhecer. Essas manchas não são aparentes à luz de Wood, e histologicamente, a melanina deposita-se principalmente na derme (CAYCE; MCMICHAEL; FELDMAN, 2004), mas pode ter o mesmo padrão histológico do tipo misto (KANG et al., 2002;

PONZIO, 1995).

Vale destacar que o melasma é uma das dermatoses inestéticas das quais determinam a grande procura ao atendimento dermatológico especializado, embora represente, somente, uma anormalidade comum e benigna da pigmentação. Talvez,

isso se explique pela natureza cosmeticamente desfigurante e pelos efeitos emocionais e psicológicos nos indivíduos acometidos pelo problema, os quais, muitas vezes, em virtude da insatisfação com a aparência, acabam se privando do convívio social, inclusive com casos de suicídio relatados (BALKRISHNAN et al., 2003; DOMINGUEZ et al., 2006; WOLF et al., 1991).

A hipermelanose desempenha um impacto negativo, interferindo na qualidade de vida, podendo levar os portadores desse transtorno a uma angústia considerável e a se privarem do convívio social. Acredita-se que é uma das principais razões da grande busca por serviços estéticos e dermatológicos. Pesquisas comprovam que não se sabe a causa exata desse problema e que não existe cura, desta forma, existem terapias que podem reforçar o seu controle, uma delas é o uso de cremes com ativos despigmentantes, como a vitamina C, assim sendo, neste estudo será destacado a sua ação no tratamento do melasma.