2.5 TAPING
2.5.3 Taping e Suas Aplicabilidades
(LEMOS,2013).
O conceito de associação com cromoterapia nas bandagens elásticas é bem observado entre os orientais. Assim, estudos apontam que bandagens nas cores rosa e preta são energizantes, ativam e melhoram a circulação sanguínea e linfática, aquecem e melhoram o retorno venoso. Já as de cores azul e bege são relaxantes, sedativas, inibitórias e refrescantes. As bandagens pretas requerem um cuidado maior no uso, devido à grande absorção de calor. Isso, principalmente em dias mais quentes, podendo aumentar e agravar processos inflamatórios agudos e ainda provocar leves queimaduras, uma vez que o adesivo é termo ativado. (LEMOS, 2013).
Existem diversas marcas de bandagens elásticas. As primeiras desenvolvidas e comercializadas foram as Kinesio Taping®, do criador do método do mesmo nome Kenzo Kase. Posteriormente outras marcas foram surgindo como a K. Taping®, a Physio Taping®, Sport Tex®, Cure Tape®, Leukotape®, Tape K TaPin, Balance- Tex®, SportsTex®, Kinesio-Tex®, Mueller®, 3NS Kinesiology, K Active. A Therapy Tex® é a bandagem brasileira fabricada na Coreia do Sul (KEIL,2014;
MORINI,2015).
Ainda em 1979 introduziu o método em hospitais do Japão, sendo amplamente reconhecido e difundido para o restante do mundo através das Olimpíadas de Seoul em 1988. Devido à grande divulgação midiática, chega aos Estados Unidos em 1995, Europa em 1996 e somente na década seguinte ao Brasil através de Nelson Morini. Nas Olimpíadas de Beijing, em 2008, cerca de 200 atletas utilizaram a Kinesio Taping durante nas competições. Nas Olimpíadas de Londres, em 2012, quase todas as provas haviam atletas utilizando essas bandagens elásticas nas mais variadas cores (BRIZZIO, 2009).
2.5.3 Taping e Suas Aplicabilidades
Segundo Langendeon, a bandagem elástica possui características que lhe dão uma grande versatilidade de aplicações. Entre elas, destacam-se casos de degeneração articular, tensão muscular, resfriados, edemas e dores em geral, cujos efeitos se dão pelas vias da ação do Taping, baseadas na redução da dor e inchaço e no suporte funcional. (apud BERGESCH, 2017 p 87).
Segundo LEMOS, é sumamente importante saber manipular as bandagens elásticas no sentido de poder realizar correções. Estas correções podem ser das fáscias, dos ligamentos e tendões e linfáticas. Existe uma relação entre a função das bandagens elásticas e seus efeitos fisiológicos. O taping atua em quatro funções distintas: função dérmica, função muscular, função articular e função linfática (LEMOS,2013).
Segundo Stockheimer e Kase, para a aplicação do taping é necessário verificar a variação da tensão da bandagem. Assim, tensão entre 10 a 15% em relação ao estado normal é considerada sem função; 15 a 25% como tensão leve;
25 a 50% sendo a tensão moderada, a tensão rígida de 50 a 75% e a tensão total de 75% a 100%. (apud BERGESCH, 2017 p 88).
A relação entre a tensão e seus efeitos fisiológicos já é bem definida e a maior parte das aplicações utilizam tensões abaixo de 50%, distribuídas de forma que quanto mais tensão maior o efeito mecânico e quanto menor a tensão maior o efeito sensitivo provocado. A colocação da bandagem é realizada por dois pontos fixos chamados âncoras, cujo local não há tensão. A partir daí a cobertura da bandagem tensa delimita a zona terapêutica, que de acordo com a tensão, têm-se o tratamento alvo. (LEMOS,2013).
Segundo Langendoen e Kase, além da tensão, outro ponto significativo é a direção de aplicação da bandagem, que interfere diretamente sobre o objetivo do tratamento. Isso porque a o vetor de força de tração é sempre direcionado para ancoragem inicial, ou seja, sempre será um vetor de força inversamente proporcional à colocação. Este é um dos fatores que faz com que consideremos não realizar trabalhos com ancoragens pequenas, sugerindo 2,5 cm a 5 cm para tensões abaixo de 40% e nas tensões maiores, ancoragem maior. (apud BERGESCH, 2017 p 88).
Formatos de corte também podem fazer diferença nos resultados, verificando- se na literatura que há alguns cortes básicos que são nominados como corte em “I”, corte em “Y”, corte em “ X”, corte em leque, web, polvo, garfo ou ainda rabo, corte em rede, corte donut, corte dentado e corte basket. Alguns formatos diferenciados e combinados podem ser utilizados, dependendo do objetivo de tratamento, como no caso do corte em “X” com donut e também o corte basket com extremidades abertas ou fechadas. (LEMOS,2017; LEMOS,2018).
Figura 2: Modelos de Cortes da bandagem
Fonte: https://www.dreamstime.com/royalty-free-stock-photos-therapy-taping-collage- image40172738
https://s-media-cache-ak0.pinimg.com/236x/9b/1e/a5/9b1ea54f1c434441db9834 9e7d64a464.jpg;
Entre as quatro funções e efeitos fisiológicos do Taping temos a função dérmica, ocasionada pela ação sobre os mecano-receptores (disco de Merkel, corpúsculos de Meissner, Ruffini, corpúsculo de Paccini), que resultam numa ação sensorial, por meio de descompressões, trações da pele, elevações, tensões e pressões. No efeito dérmico são ativados nervos periféricos de acordo com a teoria das comportas medulares de Melzack e Wall. O simples ato da ancoragem, deslizamento, pressão e a tensão da pele causada pela bandagem promove o alívio de dores e sensação de desconforto nos tecidos subjacentes. Esta ação dos mecanoreceptores inclui as sensações exteroreceptivas de vibração, tato e pressão verificados pelos mesmos mecanoreceptores (MORINI, 2015).
Outro componente do processo álgico são os precursores inflamatórios e também a compressão dos nociceptores causados pelo edema, o que requer uma descompressão destes receptores, que pode ser resolvida com a criação de espaços ocasionados pelas circunvoluções da epiderme e da derme imediatamente abaixo da bandagem adesivada. (BERGESCH, 2017).
Segundo Kase, na função muscular, o músculo ou grupo de músculos tratados pode ser ativado ou estimulado na área terapêutica subjacente adesivada, evitando lesões, espasmos, episódios de fadiga e contraturas. Este conceito se baseia na comunicação neural pelos mecanoreceptores, aumentando o número de unidades motoras recrutadas na contração muscular. O contrário também é possível, os efeitos serão inibitórios quando o objetivo é promover relaxamento de musculaturas hipertônicas, tensionadas ou hiperativas. (LEMOS,2017).
A diferença nas ações depende diretamente da técnica de colocação da bandagem, sendo que para efeitos de ativação a colocação das bandagens é orientada da inserção proximal para distal com tensões que variam de 15% a 35%;
já o processo para relaxamento inicia-se a colocação da bandagem da inserção distal para a inserção proximal, com uma tensão de 10 a 15% no máximo.
(LEMOS,2017).
A função linfática do Taping provoca uma elevação que gera circunvoluções da pele. Esse processo promove trações e tensões dos filamentos de ancoragem, que geram abertura das fendas dos linfáticos inicias, aumentando a captação dos exsudatos e do líquido intersticial, cuja pressão de 1 mmHg de diferença entre o lado externo e interno do linfático inicial é alterada pela elevação, promovendo uma captação proteica. (KASE, 2013).
Esta pressão negativa gerada pelo tracionamento dos filamentos de ancoragem de acordo com a movimentação cotidiana do indivíduo, diminui ou elimina as restrições circulatórias com um efeito 24 horas de drenagem linfática.
Indicada especialmente para êxtase venosa, pois este afrouxamento do tecido conjuntivo provoca na área terapêutica uma estimulação da linfangiomotricidade, gerando menor pressão do tecido abaixo da zona terapêutica (WITTLINGER, 2013).
A função articular, que tem por objetivo estabilizar estruturas osteomusculares e melhorar o alinhamento biomecânico, provocados por lesões e estão diretamente ligados à atividade repetitiva e constante, gerando desequilíbrios musculares, fraqueza, tensão, encurtamento perda da rigidez e distonias. A bandagem normaliza a amplitude, controla os tônus musculares e reduz as dores articulares, principalmente melhorando a propriocepção local. (LEMOS,2018).