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Dos quatro professores participantes da pesquisa, apenas um é de fato servidor público do município, os demais ingressaram na rede por meio de contratação. O professor 1, apesar de trabalhar no município, mora na cidade do Rio de Janeiro e precisa deslocar -se semanalmente para Rio das Ostras, também possui outros dois vínculos de trabalho em seu município de origem. Quanto aos demais todos residem no município de Rio das Ostras.

O professor 1 também é o único com formação em Língua Portuguesa e suas respectivas literaturas e conta em sua formação acadêmica com o curso de mestrado em Literatura Portuguesa pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Os demais professores possuem apenas graduação em Letras – Português\Inglês. Também ressalvo que o professor 2, o professor 3 e o professor 4 não possuem experiência no ensino de língua portuguesa. Os professores 2 e 4 sempre ministraram a disciplina de inglês em anos anteriores e o professor 3 não possuía nenhuma experiência com a prática de ensino de língua portuguesa.

Estiveram envolvidos na pesquisa de maneira espontânea, concordaram em contribuir com a entrevista solicitada (Apêndice B), bem como autorizaram juntamente com a equipe gestora com a observação de suas práticas pedagógicas por um período de dois meses.

Os alunos das cinco turmas de 9º Ano possuem idades entre 14 e 17 anos e somam um total de 132 alunos, dos quais 118 responderam ao questionário (Apêndice C). As cinco turmas estão divididas nos horários da manhã (3 turmas) e tarde (2 turmas). As turmas 901, 902 e 903 constituem-se de alunos mais novos do 9º Ano, enquanto as turmas 904 e 905 de alunos mais velhos. As turmas são submetidas a duas avaliações sistêmicas: o SAERO que acontece anualmente e a Prova Brasil – bienalmente.

contribuições das orientações nacionais (PCNs) para sua prática e ainda, verificamos quais fatores influenciam diretamente à prática profissional com relação ao ensino de língua e a metodologia de trabalho adotada.

Com essa perspectiva, a escolha pelo método utilizado justifica-se por possuir uma dimensão empírica, portanto, assumimos a abordagem qualitativa como fonte concreta para a obtenção dos dados os quais nos serviram para análise e reflexão da realidade em que estão inseridos os indivíduos dessa investigação, que de certa forma, realizam concretamente as relações de aprendizagem investigadas.

Assim, ponderamos que a pesquisa qualitativa representava um processo de reflexão e análise da realidade, fato que poderia assegurar um caminho mais seguro para a compreensão pormenorizada do objeto pesquisado, uma vez que o insere em seu contexto. Os dados coletados para as análises são oriundos do contato direto da pesquisa com a realidade, nesse caso, a prática pedagógica dos professores e a relação dos alunos com essa prática. O registro de observação foi o elemento fundamental da análise.

Logo, para o início da investigação, precisamos proceder a um contato com a Casa da Educação, setor mencionado anteriormente, que coordena a formação pedagógica das escolas. No início de julho marcamos via telefone uma entrevista com a coordenadora responsável. Nosso primeiro contato foi com a Coordenadora Pedagógica da Casa de Educação, srª Eliara Fialho Ribeiro que demonstrou interesse e receptividade para contribuir com a pesquisa. A conversa constitui-se de um momento informal, onde apresentamos a carta de apresentação (Apêndice A) direcionada à direção da escola Inayá Moraes D‘Couto.

Diante das competências apresentadas para o setor, procurei entender como se organizavam no município as escolas, de que maneira a Casa da Educação planejava a formação continuada dos professores e em que medida regulava o trabalho das escolas. Com intuito de ter uma visão mais abrangente de como se relacionavam as escolas e o órgão pertencente à Secretaria de Educação Municipal – SEMED, os questionamentos já nos serviriam de análise para a compreensão da prática e formação continuada dos professores.

Na medida em que eram respondidas, tomávamos nota em um caderno de observação, que seria a partir deste momento o principal instrumento utilizado para a pesquisa.

A coordenadora da Casa de Educação colocou-se à disposição para fornecer quaisquer dados necessários e prontamente enviou por e-mail as propostas de trabalho para a formação continuada no ano de 2014 para a rede de ensino. Também nos autorizou a proceder com a investigação na escola selecionada.

O segundo momento então, foi determinado pelo contato com a escola através de visita e entrega da carta de apresentação à direção. Neste mesmo dia os horários, nomes e turmas dos professores foram entregues para que pudéssemos organizar as datas de observação. Também a direção apresentou-nos à equipe escolar e a duas professoras de língua portuguesa do 9º Ano, que nesse dia trabalhavam na escola. Marcamos o primeiro dia de observação para o dia 31 de julho, seguindo a disponibilidade dos horários apresentados.

O primeiro contato com os demais professores foi mediado pela coordenação pedagógica que nos apresentou antes que começássemos as observações. Marcamos um horário, que na verdade correspondia a um tempo disponível para o planejamento das aulas, tempo em que os professores estariam livres para uma conversa inicial. Dessa forma, procuramos nos aproximar e estabelecer um vínculo, esclarecendo que o trabalho fazia parte de uma pesquisa acadêmica, que também atuávamos como professora de língua portuguesa e que as observações, entrevistas e questionários eram de caráter sigiloso.

Antes do início das observações procuramos conhecer o professor, sua origem, tempo de atuação, o tipo de vínculo estabelecido com a prefeitura, características de sua formação e impressões sobre a profissão e a maneira como se organizava no município, a relação entre a formação e as reais demandas de sala de aula. Esse primeiro momento foi caracterizado pelo desejo de aproximação, poucas anotações e uma atitude informal que procurou estabelecer uma relação de igualdade entre os participantes.

De maneira geral, não encontramos resistência à pesquisa, nem à presença em sala de aula como método escolhido. Entretanto, alguns fatores externos algumas vezes comprometiam o trabalho de observação, como exemplo destaco os jogos internos da escola, momento em que não houve aula, falta dos professores e projetos externos.

As observações começam juntamente com o início do 3º bimestre escolar e devido à necessidade de adaptação ao tempo e aos objetivos traçados, avançamos para o 4º bimestre.

Os alunos também recebem com naturalidade a presença de alguém observando a aula, demonstram curiosidade acerca do trabalho e após apresentação mediada pelos professores, passamos a frequentar as aulas semanalmente, sem causar nenhum estranhamento.

A partir desse momento, todas as observações relevantes eram anotadas no caderno de observação, que passou a constituir um diário de investigação. A rotina escolar recebeu destaque em nossas anotações e análises. Também passamos a anotar e analisar os conteúdos dados em sala de aula, sobretudo os que precisavam ser copiados do quadro pelos alunos em seus cadernos. A observação do trabalho pedagógico da escola fora da sala de aula também fez parte das anotações e reflexões que apresentaremos na próxima seção.

Depois desse período de observação, concluímos que a entrevista gravada com os professores seria o melhor método para registro e posterior análise. As informações coletadas oralmente corresponderiam a respostas mais próximas da realidade, sem uma preocupação de uma escrita previamente construída para atender a uma expectativa. Marcamos assim, a data final para as observações e a primeira quinzena de outubro para as gravações das entrevistas.

Foi nossa intenção, a partir das entrevistas com os professores, confrontar os discursos sobre o ensino de língua portuguesa e a prática de sala de aula, analisando quais fatores influenciam diretamente a prática profissional e a metodologia de trabalho adotada. Por isso, selecionamos nove perguntas que orientaram a entrevista.

Também por essa ocasião preparamos o questionário que seria aplicado aos alunos, apresentamos aos professores para que tomassem conhecimento das questões e organizamos o roteiro de investigação com doze perguntas, cinco abertas e sete fechadas.

Escolhemos um aluno do 8º Ano da mesma escola para referendar o questionário, direcionamos a escolha a partir da idade, portanto procuramos dentre os alunos aquele que tivesse a maior idade. A aplicação de testagem buscou a adequação das perguntas e a observação de possíveis ambiguidades, além de falhas em alguns itens de respostas. Dessa forma, assim que as alterações e acertos foram feitos, tornou-se possível definir a data para aplicação. No dia 23 de outubro de 2014 faríamos a entrega dos questionários, que seriam aplicados e recolhidos no mesmo dia.

Os professores ajudaram na entrega dos questionários, mas colocaram-se em colaboração com esta pesquisa quando procuraram não intervir nas respostas. Quando solicitados por ocasião de alguma pergunta, conduziam para a pessoa do pesquisador as respostas e explicações necessárias. Nesse dia dos 132 alunos do 9ºAno, das cinco turmas, apenas 118 alunos participaram da pesquisa, os demais faltaram à aula no dia.

As questões propostas no questionário dos alunos versavam sobre a percepção de cada aluno acerca das aulas de língua portuguesa e sobre a prática do professor que ministrava a disciplina. Também se destaca o objetivo de coletar informações sobre a relação dos alunos com a língua materna, a forma como concebem a disciplina e, sobretudo, evidenciar em que medida a prática do professor pode impactar sobre a aprendizagem dos alunos.

Tão logo recolhemos os questionários empreendemos o trabalho de análise e tabulação das respostas que foram demonstradas em gráficos. As sete perguntas fechadas em gráficos e as cinco abertas em tabelas e gráficos. Quanto à entrevista concedida pelos professores foram transcritas para o diário de investigação e analisadas primeiro

individualmente, depois propondo um comparativo entre os pares e por último confrontando com as respostas dadas pelos alunos.