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A força de resistência à tensão de cisalhamento das superfícies controle (lixa 600) variaram de 20,4+2,0 Mpa (All Bond-2) para 10,2+1,7 Mpa (Mirage ABC), com óxido de alumínio variaram de 20,7+1,6Mpa (All Bond-2) para 11,2+1,7Mpa (Mirage ABC) e com hidroxiapatita variaram de 17,6+3,3 Mpa (ScothbondMulti-Purpose) para 8,7+3,9Mpa (Mirage ABC). O tratamento das superfícies com óxido de alumínio ou hidroxiapatita não aumentou a resistência às forças de adesão com qualquer dos sistemas adesivo usados.

A microabrasão da dentina com óxido de alumínio, de forma geral, aumentou o número de falhas coesivas na dentina (exceto para o All Bond-2). Com relação à hidroxiapatita, de um modo geral, a força de adesão do compósito com a dentina também foi menor, embora não apresente diferença estatística.

O exame em microscopia de varredura demonstrou que tanto o jateamento com óxido de alumínio, como com a hidroxiapatita promoveram mudanças na morfologia da superfície dentinária, criando uma superfície bastante irregular.

Parece que esta micro abrasão produziu um smear layer sobre a superfície irregular da dentina. Para o sistema Prime & Bond 3, seu primer modifica o smear layer e promove uma adesão química ao componente mineralizado da dentina, o aumento da área de superfície resultante da microabrasão, com óxido de alumínio, pode aumentar a força adesiva deste sistema adesivo. O tipo de smear layer criado por este abrasivo pode ter sido o fator responsável pelo aumento da sua força de adesão. Embora seja evidente a maior rugosidade provocada pela microabrasão com hidróxiapatita, quando comparada com o controle (600), as mudanças na morfologia da superfície dentinária não resultaram no aumento da força adesiva com o uso do Prime Bond 3 ou de qualquer outro sistema adesivo.

Os autores concluiram que:

A micro abrasão (ou abrasão a ar) com óxido de alumínio criou mais irregularidades na superfície da dentina que a produzida pela hidroxiapatita A microabrasão da dentina com óxido de alumínio ou hidróxiapatita não

aumenta a resistência às forças de cisalhamento dos compósitos, com os sistemas adesivos utilizados.

A resistência às forças de cisalhamento do compósito à dentina abrasionada com óxido de alumínio foram maiores, de um modo geral, que a dentina abrasionada com hidroxiapatita.

A abrasão com óxido de alumínio, de um modo geral apresentou um aumento na porcentagem de falhas coesivas na dentina.

Nikaido et al.34, em 1995, utilizaram o jateamento de bicarbonato de sódio, a aproximadamente 5mm durante 15 Seg., com uma pressão de ar de 29,4N perpendicular à superfície do substrato, com a intenção de avaliar os efeitos do preparo com jateamento na adesão ao esmalte e substrato dentinário bovino.

Os testes de adesão foram feitos em uma máquina universal de ensaios (AUTOGRAPH AG-500B, SHIMADZU CO. KIOTO, JAPAN) em uma velocidade de carregamento de 2mm/min. E os dados foram analisados estatisticamente usando

“one-way” (ANOVA) e o teste t- Student ao nível de significância de 5%.

A análise com EDS (espectroscopia de energia despersiva) indicou que nenhum sódio foi encontrado nas superfícies tanto do esmalte quanto da dentina

Os autores concordam que o smear layer deve ser removido e a superfície dentinária deve ser desmineralizada. Esta zona desmineralizada consiste de uma camada de fibras colágenas que pode ser desnaturada e colabar depois de lavado e seco. Esta camada colabada pode dificultar a infiltração da resina na área desmineralizada da dentina. Porosidades poderão aparecer na base ou na própria camada híbrida, o que pode acarretar um decréscimo na durabilidade da adesão. O

adesivo “One-step” foi desenvolvido com a intenção de eliminar as etapas de lavagem e secagem da dentina.

Os autores afirmam que o jateamento pode remover o smear layer e expor a camada de dentina subjacente, portanto esperavam que o agente adesivo penetraria com mais facilidade nos levando a um aumento da força de adesão. Contudo os resultados deste estudo levou-os a notar que o jateamento, adversamente ao que se esperava, afeta a força de adesão para adesivos como o KBT-5 e Clearfil Liner Bond ll, à dentina, porém com o sistema adesivo Superbond D-Liner Plus isto não acontece.

Uma análise ao MEV (J XA-840 JEOL, Tokio, Japão) da interface dentina/resina levou os autores a concluir que o jateamento aumenta a rugosidade da dentina, mas a profundidade da camada híbrida torna-se mais irregular e um tanto mais fina. Pareceu que o monômero teve mais dificuldade de penetrar na dentina jateada, com os sistemas adesivos “One-step”.

Observando ao TEM a interface do sistema adesivo KBT-5 e dentina jateada produziu uma camada singular, não diferenciada. Esta camada amorfa sugere que os cristais de hidroxiapatita fora completamente removidos e as fibras colágenas se tornaram maceradas após o jateamento e também pelo condicionamento ácido.

Os autores afirmam que o decréscimo na força de adesão dos sistemas adesivos KBT-5 e Clearfil Liner Bond ll pode ter sido causado por mudanças física e/ou químicas na rede de fibras colágenas da superfície jateada. As fibras colágenas podem ter sido desnaturadas fisicamente por efeitos mecânicos do jateamento e/ou por uma ação química do pó de bicarbonato de sódio cujo o pH é 8,3.

Nikaido et. al.35, em 1996, se propuseram a avaliar a influência do jateamento na adesão ao esmalte e dentina de boi usando testes de força de adesão e eletromicroscopia de varredura.

Os autores utilizaram uma lixa de granulação 600 de carbeto de silício sob fluxo de água contínuo, para tornar a superfície do esmalte e da dentina planos, sendo esta a forma do grupo controle. Para os grupos experimentais, utilizaram a mesma metodologia, sendo que depois eles usaram o jateador Micro Blaster (Panaheraus Dental, Osaka, Japão) por 15 segundos com uma pressão de ar de 3kgf/cm2(41,8 psi), e como abrasivo usaram alumina 50 m ou bolinhas de vidro de 50 m. Depois de lavados e secos, cada área de adesão, foi demarcada com uma fita adesiva de 4mm de diâmetro. Foi utilizado o sistema adesivo Superbond D-Liner Plus (Sun Medical Co, Kyoto, Japão) de acordo com as especificações do fabricante.

A resina compósita fotopolimerizavel, Photoclearfil Bright (Kuraray Co, Osaka, Japão), foi aplicada, contornada por uma matriz de poliéster pressionada por uma lâmina de vidro e polimerizada por 40 segundos. Uma barra de aço inoxidável, usada para testes de tensão adesiva, foi cimentada perpendicularmente à superfície do compósito utilizando cimento resinoso (Panavia Ex, Kuraray). Os espécimes foram estocados em água à 37oC, por um dia. Os testes de adesão foram feitos em uma Máquina Universal de Ensaios (Autograph GA-500B, Shimadzu Co, Kioto, Japão) com uma velocidade de carregamento de 2mm/min., tendo 10 espécimes testados por grupo. Os dados foram analisados estatisticamente através dos testes:

“one-way” (ANOVA) e o Teste “Duncan’s Multiple Range” ao nível de significância de 5%(P< 0,05). Três espécimes, por grupo foram observados em eletromicroscopia de varredura (MEV) para confirmar algumas diferenças morfológicas.

Através de observação no MEV das superfícies de esmalte e dentina, os autores notaram que as características destas superfícies, quando jateadas, são muito diferentes do que aquelas tratadas quimicamente com condicionamento ácido.

No caso da dentina, os autores, notaram que os túbulos dentinários não podiam ser observados nas superfícies jateadas, sugerindo que o smear layer foi criado pelo processo de abrasão por ar ou jateamento. A superfície jateada por alumina mostrou-se muito rugosa, com a superfície esburacada, já a superfície que foi jateada com partículas de vidro criaram um smear layer mais liso.

Nikaido et al.35 acreditam que a baixa pressão 41,8 psi, usada neste estudo, pode ter contribuído para a diminuição da força de adesão e que o jateamento não aumenta esta força de adesão e sim aumenta possíveis falhas coesivas na dentina devido à prováveis microfraturas provocadas na estrutura da superfície da dentina pelo jateamento.

Boston et al.3, em 1997, lembraram que o preparo cavitário por abrasão por ar ou jateamento, foi desenvolvido nos anos 40, e na década de 50 este método teve uma boa aceitação, tendo sua técnica descrita, por volta de 1956, em um livro de Dentística operatória (Mc Gehee WHO, True HA, Inskipp EF. A textbook of Operative Dentistry. New York, NY, McGraw- Hill Book Company, 1956; p.266-273), e neste mesmo período alguns trabalhos mostraram que preparos cavitários poderiam ser feitos com esta técnica obtendo-se sucesso na restauração dos dentes com pouco ou nenhum uso de instrumentos rotatórios. As indicações deste método eram classes I, II e V para preparos de amálgama dental.

Os autores afirmam que esta técnica foi capaz de criar paredes de cavidade com orientação de 90o com ângulo cavo-superficial externo do preparo e que poderia ser usada em 70-90% de todos os procedimentos operatórios. Sendo, na época,

preferido pelos pacientes quando comparados com o método com instrumentos rotatórios no quesito tempo, porém a turbina de alta rotação ainda não havia sido introduzida na década de 50.

Boston et. al 3, reconheceram que preparos com os sistemas de jateamento retornaram devido a duas particularidades: a possibilidade de preparos mais conservadores em dentina e esmalte e a maior tolerância do paciente a este tipo de procedimento de preparo.

Os autores analisam que estudos modernos demonstram que este procedimento não causa injurias pulpares e que a adesão ao esmalte condicionado por ácido após ser jateado é completamente aceitável, porém o preparo preconizado e utilizado pelo sistema de abrasão por ar para restauração de compósitos com auxílio de um sistema adesivo esmalte/dentina, contrastam profundamente com a técnica de preparos preconizada por G. V. Black.

Boston et. al.3, compararam o ângulo cavo-superficial e a área perdida de estrutura dentária na margem cavo-superficial, em seções de preparos de classe V feitos com brocas carbide e pelo sistema de preparos de ar abrasivo (jateamento).

Segundo os autores, os preparos com jateamento foram feitos por uma unidade de preparo cavitário KCP 1000 (série # E471000257) usada conforme instruções do fabricante (KCP instructional video 1994 e KCP 1000 manual, 10/94). A unidade operou com 160 psi e partículas de 27nm de alumina, a distância do bocal do aparelho para a superfície do dente foi de 1-2 mm durante todo procedimento de corte.

Não foram encontradas diferenças significativas, dentro dos parâmetros apresentados pelos autores, entre a área de estrutura perdida na margem cavo-

superficial, com preparos feitos com brocas carbide ou em preparos feitos com jateamento, de seções transversas de classe V.

Rinauldo, Cochran e Moore 41, em 1997, procuraram determinar o efeito da microabrasão na resistência às forças de cisalhamento na dentina, usando pressões de 120Psi e 160Psi, relacionando com um ionômero de vidro modificado por resina e 2 sistemas adesivos.

Os autores comentam que desde 1950, a odontologia vem procurando métodos que minimize o desconforto do paciente durante o preparo cavitário. Em particular técnicas de preparos que eliminem a dor, barulho, vibração e um possível impacto psicológico. Afirmam que a microabrasão poderia ser uma solução para este tipo de problema.

Neste estudo, os autores jatearam a uma distância de 8mm sendo depois aplicado o sistema adesivo correspondente conforme instruções do fabricante.

Todos os espécimes foram armazenados em água destilada numa temperatura de 370C, por 2 semanas antes do teste. Os espécimes foram testados em máquina universal de ensaios (Instron) com velocidade de carregamento de 0,5 mm/min, foi utilizada uma ferramenta com a ponta em forma de faca, que foi posicionada entre a superfície dentária e o material testado. Os resultados foram expressos em MPa e tratados por análise de variância “One-Way” e teste “Dunnett’s” ao nível de significância 0,05.

Os autores afirmam existirem 3 elementos no processo de formação da camada híbrida:

Um condicionamento ácido aplicado sobre a superfície da dentina para remover ou alterar o smear layer e desmineralizar parcialmente esta superfície dentinária.

A existência de um agente "primer" bi-funcional, molécula hidrófila/hidrófoba que penetra na rede de colágeno desmineralizado e habilita um bom molhamento e penetração pela resina adesiva.

Uma resina sem carga que irá atacar a porção hidrófoba do "primer". Esta resina se polimerizará possibilitando uma interpenetração micromecânica entre a rede de colágeno.

Os resultados mostraram que a microabrasão não elimina a necessidade de condicionamento antes da utilização do sistema adesivo. Durante a microabrasão com pressão de 120 e 160 Psi, o smear layer produzido na superfície dentinária é diferente do produzido por lixa de granulação 600 na análise em microscopia eletrônica de varredura. A remoção do smear layer é importante para permitir que o componente resinoso do sistema adesivo penetre dentro da superfície desmineralizada.

A avaliação do uso do One-Step e o Scothbond Multi - Purpose mostrou que a resistência adesiva é significativamente menor quando a superfície da dentina é abrasionada com jateamento e não é condicionada.

Os autores afirmam que este fenômeno pode ter ocorrido por 2 razões:

O smear layer produzido pelo jateamento não permitiu a penetração do sistema adesivo na superfície dentinária.

O óxido de alumínio, nesta técnica, não foi lavado podendo seu remanescente ter contaminado a superfície e a interferido com a formação da camada híbrida.

Souza, Sampaio Filho e Martins 45, em 1998, compararam os valores de resistência às forças de cisalhamento de um adesivo frasco único aplicado à dentina.

Sessenta amostras foram preparadas a partir de faces vestibulares e linguais de terceiros molares humanos recém extraídos. Os fragmentos foram incluídos em resina de poliestireno para que as superfícies pudessem ser desgastadas e polidas por lixas de óxido de alumínio de granulação 220, 320, 400 e 600 em presença de água. Metade das amostras (G1) foram jateadas com carbonato hidrogenado de sódio sob uma pressão de 50psi, durante 1 minuto, enquanto a outra metade (G2) foi aplicado ácido fosfórico 37%, por 15 segundos. Após a lavagem e secagem da dentina um adesivo monocomponente (Prime&Bond - Dentsply) foi aplicado de acordo com as instruções do fabricante. Depois, cilindros de compósito (TPHspectrum- Dentsply) com 3mm de diâmetro e 5 mm de altura, foram feitos com o auxílio de uma matriz de teflon, sendo armazenados em ambiente 100% de umidade, por 1 semana, a uma temperatura de 37oC. O ensaio mecânico foi realizado em máquina universal de ensaios (EMIC- MF500), com célula de força de 100Kg e velocidade de carregamento de 0,5mm/min, revelando uma média de 18,63Mpa para o G1 e 17,56Mpa para o G2. Submetendo-se os resultados à análise estatística (teste t - Student).

Os autores concluiram que:

Não houve diferença significativa entre os métodos de remoção de lama dentinária, em relação à resistência às forças de cisalhamento.

2 PROPOSIÇÃO

Neste trabalho, pretendemos comparar a resistência às forças de cisalhamento de um adesivo tipo frasco único aplicado sobre um substrato dentinário coberto por smear layer criado por lixamento, com as forças de cisalhamento conseguidas após o tratamento desta dentina com ácido fosfórico a 37% durante 15 segundos ou jateamento com carbonato hidrogenado de sódio por um minuto, nas pressões de 30 e 60 psi (libras por polegada quadrada), procurando também analisar o padrão das fraturas resultantes dos ensaios mecânicos através de uma lupa estereoscópica.

3 MATERIAL E MÉTODOS

No documento UNIVERSIDADE DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO (páginas 80-91)

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