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As fácies de Dmr e Dmh com marcas ondulas simétricas e assimétricas sugerem este tipo de hidrodinâmica de sedimentação. Os intraclastos tabulares sugerem exposições subaéreas são oriundos do ressecamento da lama carbonático que foram gretadas e posteriormente retrabalhados pela corrente de maré ou até mesmo eventos de tempestades (Shin 1983, Tucker & Wright 1990). A presença de estromatólitos estratiformes a dômicos aponta para ambientes restritos de baixa energia com ação mínima de fluxos de correntes (Logan et al. 1964), e reforça a interpretação de planícies de maré. O aumento da frequência de estromatólitos para o topo e alteração da sua morfologia de estratiforme para forma colunares pode ser interpretado como progressivo aumento da coluna da água.
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principais fácies observadas durante a etapa de campo, e mais cinco lâminas coletadas no trabalho de Meyer (2018) na região de mineração Saldanha.
Foram identificas sete microfácies carbonáticas, as quais incluem: i) Calcário cristalino; ii) Mudstone fino com peloides; iii) Boudstone clacítico; iv) Boudstone dolomitizado; v) Packstone intraclástico; vi) Grainstone peloidal; vii) Rudstnone intraclástico. A porcentagem dos constituintes internos que cada microfácies é demonstrado na Tabela 4.2. A seguir a descrição detalhada de cada microfácies, com suas implicações paleoambienais, bem como efeitos diagenéticos.
Tabela 4-2: Microfácies carbonáticas e as porcentagem dos constituintes que compõe cada arcabouço carbonático.
Composição Cristaline Calcítico
Mudstone fino com Peloides
Boundstone Calcítico
Boundstone Dolomítico
Boundstone Dolomítico Estrtiforme
Packstone intraclástico
Grainstone peloidal
Roudstone Intraclastico
Interior Brechas
Calcita 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0%
Dolomita 0% 0% 0% 40% 48% 0% 0% 0% 83%
Peloídes 1% 7% 36% 5% 7% 40% 75% 0% 15%
Intraclasto 1% 0% 4% 0% 0% 11% 13% 0% 0%
Terrígenos 2% 0% 0% 0% 0% 4% 0% 0% 0
Brechas 0% 0% 0% 0% 0% 0% 0% 79% 0%
Matriz Microcristali
na
89% 86% 35% 35% 16% 30% 2% 0% 0%
Porosidade
Secundária 0% 2% 0% 0% 0% 0% 0% 1% 0%
Cimento 7% 4% 5% 3% 22% 15% 10% 20% 0%
Estromatólito
s 0% 0% 20% 17% 7% 0% 0% 0% 2%
Cristaline calcítico: arcabouço composto predominantemente por calcita microcristalina parcialmente neomorfisada. Raros grãos de pelóides ocorrem dispersos, porém com texturas comprometidas pela neomorfismo. Calcita espática ocorre preenchendo poros de dissolução na forma de bolsões ou móldicos, além de fraturas (Figura 4.11.A). A presença de estilólitos e dissolution seams, destacados por sedimentos terrígenos é frequente (Figura 4.12.B). Esta microfácies ocorre associada as porções calcário maciços da sucessão carbonática relacionada ao ambiente de depósito da associação de fácies A1. O arcabouço recristalizado desta microfácies explica o aspecto maciços de alguns calcários da associação A1, o que sugere alteração textural pós-deposicional.
Mudstone fino com peloídes: arcabouço caracterizado por matriz de calcítica microcristalina com a presença eventual de peloídes dispersos (Figura 4.11.C). Apresenta uma estruturação de fraturamento na vertical sendo preenchidas por calcita espática (Figura 4.11.D). Feições de pressão por
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dissolução como dissulution seams e estilólitos também estão presentes. Esta microfácies está relacionada as fácies de calcário fino laminado da base da sucessão carbonática associado a um ambiente da associação de fácies A1. Esta microfácies representa precipitação de lama carbonática ambiente de baixa energia com incursões esporádicas de sedimentos de zonas mais rasas, condizente com os atributos de sedimentação transicional da associação A1.
Figura 4.11: A. Arcabouço cristalino recristalizado fraturado com preenchimento por calcita espática. B.
Estilólitos e dissolution seams com concentração de grãos terrígenos residuais. C. Mudstone, com arcabouço microcristalino recristalizado. D. Mudstone apresenta fraturas verticais preenchidas por calcita espática.
Packstone intraclástico: arcabouço suportado por grãos e matriz, com peloídes, intraclastos de calcário fino e uma matriz de calcita microcristalina. Feições de neomorfismo são observados na matriz e em grãos, porém sem obliteração total do aspecto primário (Figura 4.12.A). Fraturas e poros fenestrais são preenchidos por cimento de calcita espática, assim como estilólitos e dissolution seams, que carregam consigo grãos terrígenos residuais (Figura 4.12.B). A microfácies compõem as fácies das porções calcíticas inferiores que se relacionam com o ambiente de deposição da associação de fácies A2. Esta microfácies sugere depósitos formados em ambiente de alta energia associados ao
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retrabalhamento de leitos carbonáticos, possivelmente provenientes de eventos de tempestades presentes na associação A2.
Grainstone peloidal: arcabouço sustentado por grãos e cimento, rara com presença de matriz de calcita microcristalina pertencente a fácies Ll1(Figura 4.12.C). Pelóides e intraclastos calcário fino são os principais grãos carbonáticos. Os intraclastos apresentam forma tabular, tamanho areia fina a granulo, angulosos e mal selecionados. Os pelóides são de tamanho areia fina, arredondados e bem selecionados.
Feições de grãos orientados e gradação normal também estão presentes (Figura 4.12.C). Dois tipos de cimento de calcita são observados (Figura 4.12.D): i) cimento de coroa isópaca de calcita fibrosa ao redor dos grãos carbonáticos; e ii) cimento de calcita espática monocristalino preenchendo poros intergranulares.
Segundo Dunham (1962) grainstone são oriundos de ambientes de alta energia de fluxo. A presença de intraclastos carbonáticos e pelóides indica retrabalhamento de leitos carbonáticos lamosos e esteiras microbiais em função da presença de pelóides (Tucker 1992). O cimento de coroa isópaca indica diagênese marinha de zona freática, enquanto que cimento de calcita monocristalina são de origem de diagênese de soterramento (Tucker & Dimas Dias-Brito 2017). Esta microfácies corresponde as características de sedimentação observadas na associação de fácies A2.
Roudstone intraclástico: arcabouço completamente dolomitizado, sustentado por grãos e cimento (Figura 4.12.E). Os grãos são compostos por fragmentos carbonáticos como dolomito fino, dolomito fino laminado, dolomito peloidal e dolomito com terrígenos. Cimento de calcita espática na forma de mosaicos grossos e eventualmente zonado preenchem os poros intergranulares. Também ocorre cimento subordinado de dolomita em mosaico. Porosidade secundária é indica por fraturas não preenchidas (Figura 4.12.F). Esta microfácies provem das brechas intraclásticas da associação de fácies A4, que separam as porções calcíticas inferiores das porções dolomíticas superiores da sequência carbonática mapeada.
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Figura 4.12: A: Grãos se apresentam recristalizando mantendo apenas sua forma original B: Estilólitos e dissolution seams também são frequentes, carregando consigo sedimentos terrígenos. C: Grainstone com arcabouço composto por peloídes (seta amarela) e intraclastos (e) imbricados e porosidade intergranular preenchida por calcita espática (c) D: Dois processos principais de cimentação, uma por calcita espática (c) preenchendo espaços vazios intergranulares e outra por calcita radial entorno dos grãos (seta amarela). E. Rudstone com arcabouço dolomitizado composto por grãos de fragmentos carbonáticos (r) e cimento espático (c). F.
Porosidade secundária não preenchida (seta amarela)
Boundstone calcítico: O arcabouço desta microfácies é representado por laminações microbianas que acompanham a forma dos estromatólitos bulbosos da fácies Bb, associação de fácies
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A3. O arranjo interno desta microfácies é marcada pela alternância de lâminas de esteiras microbiais e lâminas de pelóides e intraclastos trapeados (Figura 4.13.A). As esteiras microbiais irregulares e milimétricas, compostas por calcita microcristalina e porções dolomitizadas. As porções de sedimentos trapeados consiste em pelóides e intraclástos de calcário fino, com poros intergranulares preenchidos por cimento de calcita espática em mosaico fino, que por vezes é substituído por dolomito microespático.
Poros fenestrais são comuns associada a dissolução da calcita microcristalina e de grãos peloidais.
Feições de neomorfismo e estilólitos também são observados.
Boundstone dolomítico: Está microfácies ocorre na parte superior da sucessão carbonática, caracterizada por um arcabouço formado a estromatólitos colunar a dômico, tendo grande parte da sua composição primária substituída por dolomita, contudo ainda é possível reconhecer a textura primária de grãos e matriz (Figura 4.13.B). O arranjo interno se organiza por meio de intercalações de laminações irregulares de esteiras microbiais compostas por dolomita microcristalina intercaladas por níveis de pelóides e grãos terrígenos, com eventuais presença de dolomita romboédrica. Lâminas com feições de arqueamento e côncava, sugerem a forma colunar a dômica destes biohermas. Esta microfácies representa um ambiente de associação de fácies A6 que recobre brechas carbonáticas do depósito da associação de fácies A4.
Figura 4.13: A. Boudstone calcítico sustentado por um arcabouço de laminações de esteiras microbiais que trapeiam pelóides e intraclastos. B. Boudstone dolomítico caracterizado por arcabouço dolomitizado formado por estromatólitos colunares a dômicos intercalada com níveis de pelóides, intraclastos e grãos terrígenos.