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Modelos de Referência

2.2 MELHORIA DE PROCESSO DE SOFTWARE

2.2.2 Modelos de Referência

Além das abordagens apresentadas na Seção 2.2.1 para implementar a melhoria de processos de software há também, modelos de referências que possuem as melhores práticas, indicando o que precisa ser feito por uma organização para obter a melhoria de seu processo.

Segundo Hauck (2007) a evolução da engenharia de software resultou na criação de normas, modelos e guias que ajudam o gerente de projeto a adaptar os conceitos e práticas de gerência de projetos para a realidade e desafios da gerência dos projetos de software.

Dentre os modelos existentes este trabalho utilizou o modelo MR-MPS por ter sido criado para atender a realidade das empresas bra sileiras de software e já está reconhecido nacionalmente (SOFTEX, 2009a). Outros fatores que contribuíram na escolha destes modelos foram à relevância, utilização, conhecimento e pelo crescimento de avaliações destes modelos pelas organizações (MCT, 2010).

2.2.2.1 MPS.BR

O MPS.BR é um programa mobilizador criado em dezembro de 2003, coordenado pelo SOFTEX, apoiado pelo MCT, Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE) e Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), cujo objetivo é a Melhoria de Processo do Software Brasileiro (SOFTEX, 2011).

O modelo MPS apoia-se nos conceitos de maturidade e capacidade de processo para a avaliação e a melhoria da qualidade, bem como a produtividade de produtos de so ftware e serviços correlatos (SOFTEX, 2011).

A capacidade de processo é representada por um conjunto de Atributos de Processo (AP) descrito na forma de resultados esperados de atributos de processo (RAP), onde os atributos expressam o grau de aprimoramento e institucionalização com que o processo é executado na organização. Isto é, a capacidade do processo está diretamente relacionada com o atendimento dos atributos de processo agregados a cada nível de maturidade do modelo (SOFTEX, 2011).

A estrutura do MR-MPS, apresentada na Figura 5 é composta de processo, que contém um propósito e um conjunto de resultados esperados de processo. Cada processo está ligado a um nível de maturidade. A capacidade do processo possui um conjunto de atributos de processo que são definidos em termos de resultados de atributo de processo. Salienta-se que, alguns resultados de atributo de processo são específicos para um determinado nível de maturidade.

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Figura 5. Estrutura do MR-MPS Fonte: Adaptado de SOFTEX (2009)

O modelo MPS é formado por três componentes: Modelo de Referência (MR-MPS), Método de Avaliação (MA-MPS) e Modelo de Negócio (MN-MPS). A base técnica para construção e refinamento deste modelo de melhoria e avaliação de processo de software é composta pelas normas ISO/IEC 12207, ISO/IEC 15504 e CMMI-DEV (SOFTEX, 2011). A Figura 6 apresenta os componentes do modelo MPS que serão detalhados a seguir.

Figura 6. Componentes do Modelo MPS Fonte: SOFTEX (2011)

O Modelo de Referência (MR-MPS) contém os requisitos que os processos das organizações devem atender para que estejam em conformidade com o modelo (SOFTEX, 2011).

O Guia de Aquisição não contém requisitos e sim boas práticas para aquisição de software e serviços no formato de um documento complementar voltado para as organizações que visam adquirir software ou serviços correlatos (SOFTEX, 2011).

O Guia de Implementação é divido em oito partes, sendo que as sete primeiras apresentam orientações para implementar cada um dos níveis do MR-MPS e a oitava parte apresenta sugestões para uma organização que realiza a aquisição poder implementar o MR-MPS (SOFTEX, 2011).

O Guia de Avaliação apresenta o processo e o método de avaliação MA-MPS e também os requisitos para os avaliadores e as Instituições Avaliadoras (IA). O processo e o método de avaliação MA-MPS estão em conformidade com a Norma Internacional ISO/IEC 15504 (SOFTEX, 2011).

O modelo de Negócio MN-MPS descreve as regras de negócio para implementação do MR- MPS pelas Instituições Implementadoras (II), organização de grupos de empresas pelas Instituições Organizadoras de Grupos de Empresas (IOGE) para implementação do MR-MPS e avaliação MA- MPS, certificação de Consultores de Aquisição (CA) e programas anuais de treinamento do MPS.BR por meio de cursos, provas e workshops (SOFTEX, 2011).

A descrição do modelo MPS é dada por meio de documentos em formatos de guias (SOFTEX, 2011):

Guia Geral: apresenta a descrição detalhada do MR-MPS e a visão geral do MPS;

Guia de Aquisição: descreve um processo de aquisição de software e serviços correlatos apoiado no MR-MPS;

Guia de Avaliação: descreve o processo e o método de avaliação MA-MPS, assim como os requisitos para avaliadores e Instituições Avaliadoras (IA).

Guia de Imple mentação: série de dez documentos que fornecem orientações para implementação dos níveis de maturidade descritos no MR-MPS.

O nível de maturidade do processo, segundo a SOFTEX (2009), é o grau de melhoria de processo para um conjunto de processos pré-definidos, onde todos os objetivos dentro deste conjunto são atendidos.

O MR-MPS define sete (7) níveis de maturidade: Nível G – Parcialmente Gerenciado; Nível F – Gerenciado; Nível E – Parcialmente Definido; Nível D – Largamente Definido; Nível C – Definido; Nível B – Gerenciado Quantitativamente e Nível A – Em Otimização, conforme apresentado na Figura 7 (SOFTEX, 2011).

Figura 7. Níveis de Maturidade Fonte: Adaptado SOFTEX (2011)

A escala de maturidade inicia-se no nível G e vai até o nível A. No MR-MPS, à medida que a organização evolui nos níveis de maturidade, um maior nível de capacidade para desempenhar o processo deve ser atingido pela organização (SOFTEX, 2011). Para atingir ou subir um determinado nível de maturidade é preciso atender os propósitos, resultados esperados e atributos de processos pré-estabelecidos para o nível desejado (SOFTEX, 2011).

O objetivo da divisão em sete níveis é permitir uma implementação e avaliação adequada às micros, pequenas e médias empresas, bem como, o fato da possibilidade das avaliações considerarem mais níveis permite uma visibilidade dos resultados de melhoria de processos em prazos menores.