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Necessidades institucionais

No documento 1. marco referencial - Lima (páginas 89-92)

2. QUADRO DE REFERENCIA ESTRATÉGICO

2.2 Análise das Responsabilidades Institucionais

2.2.2 Necessidades institucionais

No que diz respeito às responsabilidades institucionais, a complexidade das normas ambientais, e suas constantes alterações, aliada ao número reduzido de funcionários tem ocasionado demora na finalização e deferimento dos processos de licenciamento ambiental.

Considerando-se, no âmbito federal, os órgãos que estão relacionados com o Programa a ser implementado, passar-se-á a discorrer sobre as eventuais dificuldades experimentadas por tais órgãos, apontando-se sugestões para a melhora dos seus processos:

Órgãos Federais

No IBAMA, a despeito de qualificados, os funcionários não alcançam número suficiente para atendimento célere das demandas, sendo necessário redimensionar o contingente de pessoal envolvido nos processos de licenciamento ambiental e fiscalização.

Outro fator que contribui para a demora da finalização dos processos é a pouca integração com os Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMA), além dos conflitos interinstitucionais com os demais órgãos do SISNAMA.

Muitos conflitos existem no que concerne ao licenciamento de empreendimentos, especialmente em relação àqueles que integram os bens da União (art. 20 da Constituição Federal/88). Em relação a esses conflitos, é necessária a identificação, com clareza, dos diversos tipos de atividade, resolvendo quando cabe ao IBAMA o Licenciamento Ambiental de empreendimentos em águas da União, da

mesma forma como se resolveu a questão da maricultura (Moção CONAMA no 090/08), cujo licenciamento foi atribuído aos Órgãos Estaduais de Meio Ambiente (OEMA) em face de ter sido declarada como empreendimento ou atividade de pequeno impacto.

Em relação ao Instituto Chico Mendes, é premente a necessidade de sua integração com os demais órgãos do SISNAMA e de melhora substancial de sua estrutura física e funcional, a fim de garantir maior celeridade aos processos.

No caso da ANA, há necessidade de definir precisamente a quem compete a outorga de direito de uso ou de cessão de uso das águas salobras e salinas, bem como de estabelecimento de mecanismos para gestão integrada de recursos hídricos quando existem corpos hídricos de domínio da União e dos Estados, especialmente nos casos de estuários.

Tendo em vista o teor da Instrução Normativa IBAMA nº. 184/08, que estabelece os procedimentos para o licenciamento ambiental federal, é necessária a estruturação da Capitania dos Portos, IPHAN e FUNAI para o atendimento das disposições constantes da mencionada Normativa, tudo com o objetivo precípuo de aprimoramento dos procedimentos internos para dotar os processos de celeridade e, consequentemente, melhor atender o administrado empreendedor.

Em relação à Fundação Palmares e ao INCRA, é necessária a regulamentação do artigo 68 da ADCT — dispõe sobre o reconhecimento da propriedade definitiva das terras ocupadas por remanescentes das comunidades dos quilombos — via Lei específica, pois a matéria vem sendo regulamentada por Decretos, cuja constitucionalidade vem sendo questionada.

Os procedimentos internos do DNPM precisam ser reestruturados para a garantia da celeridade dos processos.

O DNIT é uma autarquia que necessita de recursos orçamentários, financeiros e humanos necessários para concretizar, de forma ágil e eficiente, as tarefas atinentes aos objetivos institucionais do Departamento.

Da mesma forma, as autarquias como ANTT e ANTAQ necessitam, como a maior parte das Agências Reguladoras, de maior número de funcionários para superar dificuldades orçamentárias e de aspectos relacionados com a fiscalização.

A Secretaria Especial de Porto, embora criada em maio de 2007, ainda encontra dificuldades de ordem administrativa e institucional para o exercício das competências que lhe são atribuídas.

Órgãos Estaduais

Em se tratando da SEMA é medida premente o aprimoramento dos mecanismos de integração entre a Diretoria de Unidades de Conservação e o IMA, com vistas à melhoria dos procedimentos internos, com a definição de prazos e outros aspectos que possibilitem a celeridade na conclusão dos processos de licenciamento ambiental.

Em razão da publicação do Decreto nº. 11.235/08, que regulamentou a Lei Ambiental do Estado, há a necessidade de compatibilização dos procedimentos internos às novas normas.

No IMA, a edição de normas técnicas complementares à nova legislação ambiental vigente é medida imperiosa, já que ela permite inúmeras possibilidades de simplificação dos procedimentos de licenciamento ambiental, especialmente aquelas previstas no art. 46 da Lei nº. 10.431/06 e no art.129 do Decreto nº. 11.235/08.

Outra sugestão para melhor desenvolvimento dos processos seria a revisão do Anexo III do Decreto nº. 11.235/08 e do Anexo I da Resolução CEPRAM nº. 3.925/09 sobre “A Tipologia e Porte das Atividades e Empreendimentos com Potencial de Impacto sobre o Meio Ambiente”, no sentido de complementá-lo e adequá-lo aos possíveis empreendimentos e atividades que poderão se instalar em função dos Programas objeto deste estudo.

De outra forma, os processos de licenciamento poderão ser dotados de maior celeridade se forem estabelecidos procedimentos e rotinas para a integração das atividades relacionadas com a supressão da vegetação, aprovação da área de Reserva Legal, anuência de UC, dentre outros aspectos sujeitos a deferimento, anuência ou parecer de órgão do Poder Público. Verifica-se, também, a necessidade de se integrar os sistemas informatizados existentes no IMA, atual INEMA, (CERBERUS), com aquele existente na SEMA (SEIA).

Num primeiro momento, urge a verificação, junto ao INGÁ, do entendimento jurídico quanto a sua competência em relação à sua atuação em área do baixo curso da bacia hidrográfica e no estuário, bem como à questão da outorga de direito de uso das águas em rios de domínio do Estado, quando estes desembocam em águas interiores (estuários, baias). Essa questão precisa ser definida na esfera federal, pois se trata de disciplinar inciso VI do art. 3º da Lei nº. 9.433/97, que trata da interface entre a gestão da Zona Costeira com a de bacias hidrográficas.

Considerando que a ANA não concede outorga em águas do mar, mesmo sendo estas de domínio da União, e que a SEAP, por sua vez, o faz apenas para a atividade de maricultura, verifica-se uma importante lacuna institucional para a cessão de direito de uso desse bem para outras atividades;

sendo necessária a instituição de um sistema de gestão coordenado dos processos de outorga de direito de uso.

No que diz respeito à CONDER, a Resolução CEPRAM nº. 2.983/2002 dispunha que essa instituição deveria ser ouvida nos casos previstos no art. 181, VII do Dec. Estadual nº. 7967/08. Tal previsão deixou de existir em face da revogação do citado Decreto pelo Dec. Estadual nº. 11.235/2001.

O redimensionamento do contingente de pessoal do IPAC, para que seja concedida maior celeridade aos procedimentos administrativos de sua competência, é medida que se faz necessária.

Em relação ao CEPRAM e ao CONERH, há a necessidade de assessoria técnica aos Conselheiros quanto às matérias de maior complexidade, além da capacitação dos Conselheiros e aos integrantes de Câmaras Técnicas quanto às normas ambientais e suas alterações.

Já no âmbito do CONERH, há a necessidade de conclusão dos estudos que tem como objeto o efetivo enquadramento dos corpos d'água do Estado.

No que diz respeito aos Comitês de Bacias Hidrográficas e Conselhos Gestores das Unidades de Conservação, seria necessária a capacitação regular dos Conselheiros quanto às normas ambientais e referentes à gestão dos recursos hídricos.

Os Comitês necessitam de assessoria técnica, especialmente a jurídica, para o auxilio na elaboração de procedimentos e normas visando à implementação das suas atribuições institucionais. Os Conselhos, por sua vez, necessitam se articular com a Câmara de Compensação Ambiental e dotar as Unidades de Conservação de Planos de Manejo, para facilitar a atuação dos conselheiros.

No documento 1. marco referencial - Lima (páginas 89-92)