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NOÇÕES SOBRE COMPETÊNCIA

3.1 - DISPOSIÇÕES GERAIS

Competência vem do latim competentia que quer dizer, estar no gozo ou no uso de ser capaz.

Jurisdição vem do latim ius, iurs, com o significado de direito, e dictio, do verbo dicere, que quer dizer dicção.

Dessa forma, a competência é uma parcela da jurisdição, dada a cada juiz. É o poder atribuído pelo Estado ao juiz de dizer os direitos nos casos concretos a ele submetido.

Em síntese dispõe Mário Guimarães83

:

“A jurisdição é um todo. A competência uma fração. Pode um juiz ter jurisdição sem competência. Não poderá ter competência sem jurisdição”.

Leciona Athos Gusmão Carneiro84

:

“Ante a multiplicidade e a variedade das demandas proponíveis em juízo, tornou-se necessário encontrar critérios a fim de que as causas sejam adequadamente distribuídas aos juízes, de conformidade não só com o superior interesse de uma melhor aplicação da Justiça, como, também, buscando na medida do possível atender ao interesse particular, à comodidade das partes litigantes.”

E complementa,

“Todos os juízes exercem jurisdição, mas a exercem numa certa medida, dentro de certos limites. São, pois ‘competentes’ somente para processar e julgar determinadas causas. A ‘competência’, assim, ‘é a medida da jurisdição’, ou ainda, é a jurisdição na medida em que pode e deve ser exercida pelo juiz”.

Sérgio Pinto Martins85 explica:

“A competência é uma parcela da jurisdição, dada a cada juiz. É a parte da jurisdição atribuída a cada juiz, ou seja, a área geográfica e o setor do Direito em que vai atuar, podendo emitir suas decisões”.

Consiste a competência na delimitação do poder jurisdicional, sendo, portanto, o limite da jurisdição, a medida desta.

83 GUIMARÃES, Mário. O juiz e a função jurisdicional, Rio de Janeiro: Forense, 1958, p. 56.

84 CARNEIRO, Athos Gusmão. Jurisdição e Competência, 14ª Edição, São Paulo, Saraiva, 2005, pág. 67.

3.2 - A COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO E O DANO MORAL

Uns dos assuntos que mais ensejavam discussões com relação ao dano moral trabalhista encontravam-se na determinação da justiça competente para a respectiva apreciação.

Muitos doutrinadores entendiam ser competência da justiça do trabalho as ações oriundas de contrato trabalhista, ao passo que outra parte da doutrina, entendia que a competência era da justiça comum, por entenderem que o dano moral não estava relacionado à relação trabalhista e sim de um dano pessoal, sendo, portanto matéria do âmbito civil.

Isso ocorria com maior freqüência antes da vinculação da Emenda Constitucional n. 45, publicada em dezembro de 2004, que alterou o art.

114 da Constituição Federal, in verbis:

Art. 114. Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar:

(...)

VI as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho.

O texto deixa claro acerca da competência da justiça laboral para redimir ações de cunho moral oriundo de relação trabalhista.

85 MARTINS, Sergio Pinto, Dano moral decorrente do contrato de trabalho. São Paulo: Atlas, 2007, p. 105.

Bem como sendo reforçada a competência da justiça do trabalho para julgar o dano moral trabalhista, através da Súmula Nº 392 do TST, que diz:

Dano moral. Competência da Justiça do Trabalho.

Nos termos do art. 114 da CF/1988, a Justiça do Trabalho é competente para dirimir controvérsias referentes à indenização por dano moral, quando decorrente da relação de trabalho. (ex-OJ nº 327 - DJ 09.12.2003)

Mesmo antes da Emenda Constitucional n. 45, boa parte dos doutrinadores já reconheciam a competência da Justiça do Trabalho, para julgar os casos de dano moral decorrente de contrato de trabalho.

Esclarece David Alves86

“A matéria competencial trabalhista esgota-se no art. 114 d Carta Magna, sempre que a violação a direito pessoal derivar do contrato de trabalho, ainda que a matéria, relativa a indenização, tenha natureza civil. De tal forma, quando o inidividuo sofre um dano ao seu patrimônio pessoal originando-se esse dano da relação havida por força de um contrato de trabalho, outra não pode ser a jurisdição a resolve-lo, senão a do Poder Judiciário do Trabalho. O direito perseguido é tratado e previsto na Legislação Comum, eis que ali é sua área própria. Mas, ao ser empregado, o trabalhador não deixa de ser homem. Ser humano dotado de personalidade e direitos a serem exercitados. Dá-se uma atração. Do contrato de trabalho surge uma violação a indenizar. Ainda que a previsão legal esteja no Direito Comum, brotando do pacto laboral, atrai,

86 JÚNIOR, David Alves de Melo. A indenização por dano moral no contrato de trabalho. apud Suplemento Trabalhista, Manaus, n. 12, out./1998, p. 146.

inevitavelmente, a natureza trabalhista, sem a qual o direito perseguido não teria aflorado.”

Segundo João Oreste Dalazem87,

"No que tange à lide entre empregado e empregador referente à indenização civil por dano moral, cuidando-se também de infração à obrigação contratual acessória implícita de respeito à honra e à dignidade do outro contratante, ou de lesão provocada como empregado ao empregador e vice-versa, em virtude do contrato de trabalho, afigura-se também competente a Justiça do Trabalho, ante o comando dos arts. 652, inc. IV, da CLT e 114, da CF/88."

Atualmente leciona Sérgio Pinto Martins88,

“A Justiça do Trabalho é competente para examinar o pedido de dano moral. Essa competência decorre do fato de, apesar de envolver responsabilidade civil, prevista no Código Civil, a questão é oriunda do contrato de trabalho. estaria, portanto, incluída essa competencia na redação original da Constituição, que prevê controvérsias entre empregado e empregador de correntes do contrato de trabalho são de competencia da Justiça do Trabalho”.

E complementa,

“O inciso IV do artigo 652 da CLT atribuiu competências às Varas do Trabalho para julgar “os demais dissídios concernentes ao contrato individual do trabalho”. A Justiça do Trabalho tem, por

87DALAZEN, João Oreste. Competência material trabalhista. São Paulo : LTr, 1994. p. 118.

88 MARTINS, Sergio Pinto, Dano moral decorrente do contrato de trabalho. São Paulo: Atlas, 2007, p. 105.

exemplo, competência para resolver questões pertinentes à anulação ou cancelamento de suspensão ou advertência”.

Discorre Gardênia Borges de Moraes89, “o judiciário Trabalhista possui competência para a referida apreciação”.

Desta feita, diante todo o abordado, e mais precisamente o art. 114 da CF, não restam dúvidas quanto a competência da Justiça do Trabalho para dirimir controvérsias à respeito da reparação de dano moral decorrentes de contrato de trabalho.

3.3 - POSICIONAMENTOS DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL E DO TRT 12°

REGIÃO

A seguir, algumas posições anteriores da Emenda Constitucional n. 45, do Supremo Tribunal Federal e do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, referente à matéria em comento e exclusivamente da competência da justiça trabalhista, veja:

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OPOSTOS À DECISÃO DO RELATOR: CONVERSÃO EM AGRAVO REGIMENTAL.

CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. TRABALHO.

COMPETÊNCIA: JUSTIÇA DO TRABALHO: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO: DANOS MORAIS. C.F., art. 114. I. - Embargos de declaração opostos à decisão singular do Relator. Conversão dos embargos em agravo regimental. II. - Ação de reparação de danos morais decorrentes da relação de emprego: competência da Justiça do Trabalho: C.F., art. 114. Na fixação da competência da Justiça do Trabalho, em casos assim, não importa se a

controvérsia tenha base na legislação civil. O que deve ser considerado é se o litígio decorre da relação de trabalho. III. - Embargos de declaração convertidos em agravo regimental. Não provimento deste. RE-ED 421455 / ES - ESPÍRITO SANTO RECURSO EXTRAORDINÁRIO - Relator(a): Min. CARLOS VELLOSO - Julgamento: 10/08/2004.

EMBARGOS DE DECLARAÇÃO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. 2. decisão monocrática do relator. Embargos de declaração recebidos como agravo regimental. Precedentes. 3.

Ação por dano moral decorrente de relação de emprego. 4.

Competência da justiça trabalhista. Agravo regimental a que se nega provimento. AI-ED 483710 / RJ - RIO DE JANEIRO.

AGRAVO DE INSTRUMENTO - Relator(a): Min. GILMAR MENDES - Julgamento: 18/05/2004.

CONSTITUCIONAL. PROCESSUAL CIVIL. TRABALHO.

COMPETÊNCIA: JUSTIÇA DO TRABALHO: AÇÃO DE INDENIZAÇÃO: DANOS MORAIS. C.F., art. 114. I. - Ação de reparação de danos morais decorrentes da relação de emprego:

competência da Justiça do Trabalho: C.F., art. 114. Na fixação da competência da Justiça do Trabalho, em casos assim, não importa se a controvérsia tenha base na legislação civil. O que deve ser considerado é se o litígio decorre da relação de trabalho. II. - R.E.

conhecido e provido. Agravo não provido. RE-AgR 408381 / RJ - RIO DE JANEIRO – RECURSO EXTRAORDINÁRIO - Relator(a):

Min. CARLOS VELLOSO - Julgamento: 23/03/2004.

89 MORAES, Gardênia Borges, Dano moral nas relações de trabalho, São Paulo, editora: LTR, 2003, p. 107.

Observado a tendência do Supremo Tribunal Federal em atribuir a Justiça do Trabalho a competência para avaliar os danos morais trabalhista, antes mesmo da Emenda Constitucional n. 45, observa-se os posicionamento do Tribunal Regional do Trabalho de Santa Catarina, que assim também entendia, a saber:

DANO MORAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.

A questão da competência da Justiça do Trabalho para apreciação do pedido de indenização por dano moral foi objeto de inúmeras discussões doutrinárias e jurisprudenciais, mas atualmente já está pacificado o entendimento de que "nos termos do art. 114 da CF/1988, a Justiça do Trabalho é competente para dirimir controvérsias referentes à indenização por dano moral, quando decorrente da relação de trabalho" (Orientação Jurisprudencial nº 327 da SDI-I do TST). Processo: Nº: 00449-2002-011-12-00-6 Acórdão 9779/2004 - Juiz Gilmar Cavalheri - Publicado no DJ/SC em 10-09-2004 , página: 250.

COMPETÊNCIA. INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. ACIDENTE DO TRABALHO. Estando o pleito relativo à indenização de dano moral diretamente vinculado à relação de trabalho havida entre as partes, incide à hipótese o entendimento consagrado na Orientação Jurisprudencial nº 327 do c. TST, assim expresso:

"Dano moral. Competência da Justiça do Trabalho - DJ. 09-12- 2003 - Parágrafo único do art. 168 do Regimento Interno do TST - Nos termos do art. 114 da CF/1988, a Justiça do Trabalho é competente para dirimir controvérsias referentes à indenização por dano moral, quando decorrente da relação de trabalho". Vale ressaltar que esta competência remanesce mesmo que a fonte formal que ampara o respectivo direito decorra de institutos inseridos no campo do Direito Civil. Processo: Nº: 04134-2003-

018-12-00-3 Acórdão 12025/2004 - Juíza Ligia M. Teixeira Gouvêa - Publicado no DJ/SC em 27-10-2004, página: 233.

INDENIZAÇÃO. DANO MORAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. É da Justiça do Trabalho a competência para processar e julgar pedido de indenização por danos morais decorrente da relação de emprego. Processo: Nº: 03933-2002- 004-12-00-9 Acórdão 10038/2004 - Juíza Ione Ramos - Publicado no DJ/SC em 15-09-2004 , página: 206.

DANO MORAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO.

Ainda que de natureza civil o suporte jurídico da indenização por dano moral, é desta Justiça Especializada a competência para apreciar a matéria quando o conflito envolve sujeitos protegidos pelo Direito do Trabalho. Processo: Nº: 00640-2003-007-12-00-0 Acórdão 10048/2004 - Juíza Maria Aparecida Caitano - Publicado no DJ/SC em 15-09-2004 , página: 207.

ACIDENTE DO TRABALHO. DANO MORAL. COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ARTIGO 114. A Justiça do Trabalho é competente para julgar pedido de dano moral oriundo da relação de trabalho, nos termos do artigo 114 da Constituição Federal. Processo: Nº: 01130-2003- 029-12-00-7 Acórdão 9910/2004 - Juiz Roberto Basilone Leite - Publicado no DJ/SC em 14-09-2004 , página: 226.

DANO MORAL. COMPETÊNCIA. Compete à Justiça do Trabalho o julgamento da ação de indenização por danos morais decorrentes de acidente de trabalho (inteligência da OJ-SDI I/TST n° 327). Processo: Nº: 00419-2003-019-12-00-1 Acórdão 9368/2004 - Juiz Roberto Basilone Leite - Publicado no DJ/SC em 26-08-2004 , página: 216.

INDENIZAÇÃO. ACIDENTE DO TRABALHO. COMPETÊNCIA.

Se a ação trabalhista tem por finalidade a apuração da culpa do empregador que não adotou as normas de segurança do trabalho e do nexo de causalidade entre ela e a lesão sofrida pelo trabalhador, é competente, em razão da matéria, esta Justiça Social para dirimir o conflito instalado entre as partes. Processo:

Nº: 00503-2003-019-12-00-5 Acórdão 5274/2004 - Juiz Garibaldi T. P. Ferreira - Publicado no DJ/SC em 27-05-2004 , página: 188.

COMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO PARA JULGAR AÇÕES QUE VERSEM SOBRE INDENIZAÇÃO POR DANOS DECORRENTES DE ACIDENTE DE TRABALHO. A competência jurisdicional para decidir a lide dá-se com espeque na relação jurídica que a materializa, e não no sistema legislativo que a prevê.

Processo: Nº: 00737-2003-019-12-00-2 Acórdão 4591/2004 - Juíza Teresa Regina Cotosky - Publicado no DJ/SC em 13-05- 2004 , página: 203.

INCOMPETÊNCIA DA JUSTIÇA DO TRABALHO. PRELIMINAR REJEITADA. De acordo com o art. 114 da Constituição Federal, a Justiça do Trabalho é competente para examinar pedido de reparação de lesão decorrente da relação de emprego. Processo:

Nº: 03312-2002-016-12-00-5 Acórdão 4285/2004 - Juíza Mari Eleda Migliorini - Publicado no DJ/SC em 05-05-2004 , página:

229.

Os julgados supracitados confirmam que mesmo antes da Emenda Constitucional n° 45, de 08/12/2004, a jurisprudência já defendia, quase que unanimemente, a justiça trabalhista competente para dirimir ações de dano moral oriundas de relação de trabalho.

3.4 - CRITÉRIOS PARA INDENIZAÇÃO

Como já abordado a Constituição Federal em seu art. 5°, incisos V e X, e os artigos 186 e 927 do Código Civil, asseveram a reparabilidade do dano moral.

Mas complexa é a fixação do valor da indenização por dano moral, uma vez que o elemento ‘dor’ não tem valor ou medida que o institua.

Bem como encontram dificuldades os juristas e magistrados, no quesito quantum indenizatórios, uma vez que não existe na legislação trabalhista e nem na legislação civil, qualquer regra que estabeleça os parâmetros da quantificação pecuniária do dano moral.

Como ensina Roberta Schneider90

“a mensuração do dano moral, à falta de um parâmetro mínimo e máximo estipulado em lei, constitui o aspecto mais crucial e desafiador os estudiosos do tema.”

Como esclarece Yussef Sahid91, se reserva ao livre arbítrio do julgador a fixação do quantum indenizatório, veja:

“a fixação do quantum indenizatório se reserva, portanto, ao prudente e livre arbítrio do julgador, não sendo nem mesmo de aplicar-se o critério de estimação do valor do dano, preconizado pelo art. 1547 do antigo CC(art. 953 do CC/2002), em sua remissão às penas previstas para os crimes contra a honra, na consideração de que nem sempre necessariamente as ofensas

90 WESTPHAL, Roberta Schneider. O dano moral e o direito do trabalho. Florianópolis: Momento Atual, 2003, p. 29.

91 CAHALI, Yussef Sahid. Dano moral. 3° ed. rev. atual. ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005. p. 561.

aos direitos da personalidade do empregado se resolvem como denunciação caluniosa, difamação ou injúria”.

E complementa,

“o novo Código Civil, em função de regra geral inserta no parágrafo único o art. 953, consagrou definitivamente o critério da estimativa do dano moral, atribuindo ao juiz a fixação equitativa da indenização na conformidade das circunstancias do caso, descartando de vez qualquer fixação apriorística, seja por remissão ao estatuto penal, seja a qualquer legislação especial com respeito a dano moral por ofensa à honra. Portanto, no prudente arbitramento da indenização do dano moral sofrido pelo obreiro, o juiz terá em contas as peculiaridades de caso concreto, fazendo incidir certos princípios informadores próprios da quantificação do dano moral em geral, ministrados pela doutrina e pela jurisprudência, seja em função da natureza e da função da reparação, seja igualmente tendo em vista a conduta do empregador e as condições pessoais das partes.”

Assim sendo, a avaliação do dano moral deve ser observada de forma alheia a cada caso, analisando peculiarmente os acontecimentos, as partes, condições e as conseqüências do ato lesivo.

Por livre convencimento, tem o julgador autonomia de definir o quantum indenizatório, alcançando assim de certa forma, a reparação do dano moral experimentado pela vítima.

Vislumbra Maria Helena Diniz92

92 DINIZ, Maria Helena. Curso de direito civil brasileiro. Responsabilidade Civil. 7 ed. São Paulo:

Saraiva, 1993, p. 248.

“A reparação pecuniária do dano moral é um misto de pena e de satisfação compensatória, tendo função: a) penal ou punitiva, constituindo uma sanção imposta ao ofensor, visando a diminuição de seu patrimônio, pela indenização paga pelo ofendido, visto que o bem jurídico da pessoa – integridade física, moral e intelectual – não poderá ser violado impunemente, subtraindo-se o seu ofensor às conseqüências de seu ato por não serem reparáveis; e b) satisfatória ou compensatória, pois , como o dano moral constitui um menoscabo a interesses jurídicos extrapatrimoniais, provocando sentimentos que não tem preço, a reparação pecuniária visa proporcionar ao prejudicado uma satisfação que atenue a ofensa causada. Não se trata, como vimos, de uma indenização de sua dor, da perda de sua tranqüilidade ou prazer de viver, mas de uma compensação pelo dano e injustiça que sofreu, suscetível de proporcionar uma vantagem ao ofendido, pois ele poderá, com a soma de dinheiro recebida, procurar atender às satisfações materiais ou ideais que repute convenientes, atenuando assim, em parte, ser sofrimento.”

Por certo que uma das maiores dificuldades da reparabilidade do dano moral, encontra-se na quantificação do valor econômico, a ser ressarcido à vítima, uma vez que o abalo moral não é fácil de ser medido.

Consoante com o tema, alega Sérgio Pinto Martins93

“o juiz não fixará a indenização por arbitramento, mas irá estimar o valor da indenização, pois não é possível fixar exatamente o valor da indenização, matematicamente o que corresponda ao preço da dor. Ao fixar o valor da indenização, o juiz deve-se ater a questão, às influencias que isso proporcionou ao lesado, arbitrando-a de maneira equitativa, prudente, razoável e não abusiva, atentando-

93 MARTINS, Sérgio Pinto, Dano moral decorrente do contrato de trabalho. São Paulo: Atlas, 2007. p. 95.

se para a capacidade de pagar do que causou a situação de modo a compensar a dor sofrida pelo lesionado e inibir a prática de outras situações semelhantes (...) o juiz irá fixar por equidade, tentando fazer justiça em relação ao caso que lhe foi submetido à apreciação”.

Cuida-se que a indenização tem por escopo inibir a reincidência do ofensor, e de certa forma recompor o que fora sofrido, atentando- se para não beneficiar de forma exagerada o lesado, ou ainda enriquecê-lo.

Ressalta ainda Sérgio pinto Martins94

“a indenização por dano moral não pode, porém, ser fundamento para enriquecimento do lesado, mas apenas compensar ou reparar o dano causado. Não pode também ser fundamento para arruinar financeiramente o réu, que deixará de pagar a indenização. Não pode constituir um prêmio da loteria.”

Ou seja, a indenização não pode ser tão grande que torne o ofendido opulento, mas também não pode ser pequena de mais, a ponto de haver uma injustiça, deve haver um equilíbrio na sentença.

Ressalta Roberta Schneider95

“(...) ao que se percebe, a jurisprudência brasileira oscila de valores irrisórios a valores astronômicos, estimulantes de pleitos aventureiros e até conducentes a locupletação indevida. Salta vista que condenações a cifras milionárias suscitam, inclusive, o perigo evidente de ‘industrialização’ do dano moral. Aliás, já se nota na

94 MARTINS, Sérgio Pinto, Dano moral decorrente do contrato de trabalho. São Paulo: Atlas, 2007. p. 95.

95 WESTPHAL, Roberta Schneider. O dano moral e o direito do trabalho. Florianópolis: Momento Atual, 2003, p. 29.

justiça do trabalho há certo tempo o crescimento em progressão geométrica dos litígios sobre danos morais”.

E complementa,

“A indenização em decorrência do dano material se fundamenta restauração ou reequilíbrio do patrimônio. Como, entretanto, indenizar em dinheiro algo que é economicamente inapreciável ou até considerado por alguns como imoral se vinculando a valores patrimoniais? A fixação é complexa e difícil, mas, de qualquer maneira, a Carta Magna impõe uma indenização e é assim que se procede no direito comparado, oferecendo ao lesado uma compensação econômica (...).

Dispõe Clayton Reis96

“o dano há de ser reparado ou compensado, não se adequando que a dificuldade na sua avaliação, ou as eventuais incertezas de ordem legislativa, possa justificar a ausência de uma prestação jurisdicional efetiva.”

Assim também entende o Tribunal Regional de Santa Catarina, veja:

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. FIXAÇÃO DO VALOR. O juiz, ao estabelecer o valor da indenização por danos morais, se norteia pelas seguintes premissas: a gravidade do dano, o grau de culpabilidade do agente e a situação econômica do ofensor.

Processo: Nº: 00721-2005-012-12-00-7 Acórdão / - Juiz Roberto Basilone Leite - Publicado no TRTSC/DOE em 12-06-2008.

96 REIS, Clayton. Avaliação do ano moral. 4. Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2002, p. 58.

INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS. FIXAÇÃO. Ante a ausência de disciplina legal acerca da fixação do valor da indenização por danos morais, compete ao juízo subjetivo do sentenciante esse dimensionamento. No entanto, o valor deve ser suficiente para cobrir os prejuízos experimentados e mais o que razoavelmente se deixará de lucrar, vedado o enriquecimento indevido da parte lesada. Processo: Nº: 00770-2002-025-12-00-3 Acórdão 9777/2004 - Juíza Teresa Regina Cotosky - Publicado no DJ/SC em 10-09-2007, página: 250.

Vale ressaltar que os principais critérios para a fixação do quantum indenizatório devem ser observados os seguintes: a gravidade do dano, o grau de culpabilidade do agente e a situação econômica do ofensor.

Em síntese, resta clara a função do juiz quanto à avaliação do dano e a fixação para restituir o ofendido, cabendo a este avalizar/estimar o valor da indenização, de maneira equilibrada e prudente.

3.5 - DA PRESCRIÇÃO DO DANO MORAL TRABALHISTA

Primeiramente trar-se-á o conceito de prescrição, e adiante será tratado acerca da prescrição nas relações do trabalho.

Para Antônio Luis Câmara97, prescrição é:

“o reconhecimento da modificação sofrida pelo direito do seu titular, em virtude de sua inércia durante um certo período de tempo. Logo são prescritíveis todas as ações que tem por fim defender o direito do titular contra as modificações por ele sofridas

97 LEAL, Antônio Luis Câmara. 3 ed. Da prescrição e da decadência. Rio de Janeiro: Forense, 1978, p. 38.

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