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Notas dos textos de Hannah Arendt*

No documento Hannah Arendt (páginas 82-85)

1. John Emerich Edward Dalberg Acton, numa carta a Mandell Creighton, 5 de abril de 1887:

"Power tends to corrupt and absolute power corrupts absolutely", in Essays on Freedom and Power, escolhido e introd. por Gertrude Himmelfarb, Glencoe, 111.: Free Press, 1948, p. 364.

2. Hannah Arendt não se pronunciou em detalhes sobre o discernimento nos manuscritos deixados. Mas, devemos notar que a tese com a qual ela se ocuparia mais tarde com tanta intensidade, ou seja, que "o pensamento político se funda sobretudo no discernimento", já é formulada nessa época da primeira fase. Para isso, veja também Fragmento 3c, p. 85 e seg., além da p. 190 no Apêndice e nota 66 no Comentário.

3. Não pôde ser apurado de que "pesquisa" se trata (que também é mencionada em outra parte dos manuscritos aqui publicados, veja pp. 189-190). Isso é muito lamentável porque é provável que a partir dessa fonte se pudessem tirar conclusões para a datação dos fragmentos. Compare também com Comentário p. 151 e seg.

4. É evidente que Hannah Arendt começou a retocar essa introdução mais tarde, antes de escrever a "Introdução: O Sentido da Política" (Fragmento 3d); foi conservada a primeira parte de um manuscrito correspondente (página n2 022377, de H.A., numerado com "-I-". No que concernea detalhes técnicos — tipo de máquina, configuração da página, papel —, essa página corresponde ao Fragmento 3d; portanto, é provável que seja oriunda da época em que ele foi escrito. Em termos objetivos, ela pertence ao manuscrito anterior porque logo no começo é abordado o tema "liberdade". A página tem o seguinte teor: "Introdução: Tem a política ainda algum sentido?" Para a pergunta sobre o sentido da política existe uma resposta tão simples e tão concludente em si que se poderia dizer que todas as outras estão dispensadas. A resposta é:

o sentido da política é a liberdade. O notável nessa resposta é que ela é evidente e convence, embora esteja em contradição com as definições que as ciências políticas dos tempos modernos oferecem para a coisa política, e não é congruen-te com as diversas teorias que filósofos políticos desde Platão costumavam dar à pergunta. Pois essas definições como aquelas teorias partiam do pressuposto de que a política é uma necessidade impreterível para a vida dos homens; ela trata do sustento da existência da sociedade e da segurança da vida do indivíduo.

Se tiver alguma coisa a ver com a liberdade, seria apenas no sentido de a liberdade ser seu objetivo, quer dizer, algo situado fora dela mesma e para o qual ela é apenas um meio. Porém, o sentido de uma coisa, ao contrário de seu objetivo, está contido nela mesma. Se a liberdade é o objetivo da política, então não pode ser seu sentido. Então, a liberdade começa ali onde cessou a ativi-dade-política exatamente como a existência de algum objeto qualquer produzido começa no momento en. que o produtor colocou a mão pela última vez nele. Mas, a frase: o sentido da política é a liberdade, significa uma coisa bem diferente, ou seja, que a liberdade, bem como o ser-livre, estão contidos na coisa política e em suas atividades.

Assim, sem dúvida, é natural que entendamos a liberdade como um objetivo da política, e o óbvio que há na frase "osentido da política é a liberdade", pode ter muita coisa a ver com esse mal-entendido.

* Referências para as notas estavam contidas em parte nos manuscritos de Arendt, em parte se pôde recorrer a outros materiais do espólio. A organização foi feita pela editora.

5. The Federalist, n- 51 (Madison): "Mas o que é o governo em si a não ser o maior de todos os reflexos da natureza humana? Se os homens fossem anjos, não haveria necessidade de governo algum. Se anjos governassem os homens, não seriam necessários controles internos nem externos sobre o governo. Ao moldar um governo que deve ser administrado por homens sobre homens, a grande dificuldade reside nisso: você precisa primeiro capacitar o governo a controlar os governados e, no passo seguinte, obrigá-lo a se autocontrolar." Citado segundo: Alexander Hamilton et ai., The Federalist Papers, com uma introdução... de Clin-ton Rossiter, Nova York:

A Mentor Book (ME 2541), 1961, p. 322.

6. Compare Victor Ehrenberg, art. "Isonomia", in Paulys Real-Encyclopaedie der classischen Altertumwissenschaften, Supl., tomo 7 (1950), p. 293 e segs.

7. Theodor Mommsen, Roemische Geschichte, 3 tomos, 5-ed., Berlim: Weidmann, 1868-1870, tm. 1, p. 62.

8. A palavra é "philopsychia". Compare para isso Jacob Burckhardt, Griechische Kulturgeschichte, edição completa, 4 tomos, Munique: dtv (6075-6078), tm. 2, p. 391: "... o amor à vida (philopsychia) é uma repreensão da qual os gregos e os trágicos costumavam preservar seus personagens heróicos... Em geral, o amor à vida era atribuído aos serviçais e escravos como uma característica vil, que os diferenciava dos homens livres." Essa citação também se encontra num apontamento conservado no espólio de Arendt em Washington.

9. É provável que seja aludida a palavra asty, para a qual H. G. Liddle e R. Scott, A Greek English Lexicon, Oxford, Claredon (ed. 1968, p. 263), documenta o seguinte significado: "no sentido material, o oposto a polis."

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10. Ehrenberg, 1. c.

11. Segundo Thucídides, II, 41; compare Hannah Arendt, Vita Activa oder Vom taetigen Leben, nova edição 1981, Munique-Zurique: Piper (SP 217), 1983, p. 190 e seg. Veja também abaixo, p. 102 e nota 37.

12. Veja "As Cartas transmitidas com o nome de Platão", tit. de Hieronymus e Friedrich Mueller, in Platão, Sàmtli-che Werke, na tradução de Friedrich Schleiermacher com a numeração de Stephanus, 3 tomos, Hamburgo: Rowohlt (RK 1, 14, 27), 1957-1958, tm. I, pp.

285-336, p. 333 (= 2^ Carta, 359b).

13. Edmund Burke, em Thoughts on the Cause of the Pre-sent Discontents (1970: "Eles [isto é, os Whigs no reinado da Rainha Anne, ed.] acreditavam que nenhum homem poderia agir com efeito, se não agisse de comum acordo; que nenhum homem poderia agir de comum acordo, se não agisse com confiança; que nenhum homem poderia agir com confiança, se não estivesse ligado por opiniões comuns, afeições comuns e interesses comuns." Citado aqui segundo extrato em Edmund Burke, On Government, Po-litics and Society, escolhido e editado por B. W. Hill, Nova York: Internai. Library, 1976, pp. 75-119, p. 113.

14. Veja "As Cartas Transmitidas com o nome de Platão", 1. c, p. 303.

15. Refere-se à distância da esfera política, que se presta sobretudo às atividades produtivas artesanais e artísticas, mas também ao filosofar pensante. Hannah Arendt só chega a falar de leve sobre ambos nos manuscritos deixados (compare p. 101 e seg.). É possível que estivessem previstas explicações correspondentes para isso nos apontamentos manuscritos para a introdução (veja no Apêndice, Documento 1), mas não estava planejado o assentado terceiro capítulo "A Posição Socrática".

16. Veja Fragmento p. 73 e segs., além do Fragmento 3c 203

no qual se faz referência à política externa como uma concepção especificamente romana, p.

122 e segs.

17. Essa referência poderia relacionar-se com o planejado capítulo "A Posição Socrática".

18. Tertuliano, Apologeticus, 38: "nec ulla magis res aliena quam publica". Compare Arendt, Vita Activa, 1. c, p. 71.

19. No original acompanha o seguinte texto: "Pois, os cristãos não ficam satisfeitos em exercer uma misericórdia que vá além da coisa política; eles têm a pretensão expressa de "exercer a justiça" e o dar esmolas, do qual fala Mt 6, 1 e segs., é uma concepção judaica bem como do cristianismo primitivo, em conseqüência totalmente da justiça e não da misericórdia só que essa atividade não deve aparecer diante dos olhos dos homens, não deve ser vista por eles, mas sim permanecer tão firmemente oculta que a mão esquerda não possa saber o que a direita faz, quer dizer, que o autor seja excluído como observador de seu próprio feito.

20. Carlos I em seu discurso antes de sua decapitação em 30 de janeiro de 1649: "Para o povo desejo verdadeiramente sua liberdade e libertação tanto quanto qualquer outra pessoa. Mas devo dizer-lhes que sua liberdade e libertação consiste em ter governo — aquelas leis pelas quais sua vida e seus bens possam ser seus ao máximo. Não é ter uma parte no governo. Isso não lhes diz respeito." Citado aqui de acordo com Hugh Ross Williamson, The Day They Kill-ed the King,

Nova York: Macmillan, 1957, pp. 139-144, p. 143. Willliamson chama atenção para o fato de que existem várias versões desse discurso.

21. Compare, por exemplo, Leopold von Ranke, Die gros-sen Maechte (1833), em: o mesmo, Geschichte undPolitik: Ausgewaehlte Aufsãtze und Meisterschriften, ed. por Hans Hofmann, Stuttgart: Kroener, 1942, pp. 1-53, p. 2. Não pôde ser descoberto se Arendt refere-se diretamente a esse ou outros trechos de Ranke ou se sua afirmação baseia-se apenas numa avaliação geral da obra de Ranke. Compare, porém, Politisches Gespraech (1836), pp. 78-114, p. 97 na mesma antologia de Ranke; o título da página provavelmente formulado pelo editor é

"Primado da Política Exterior"; Ranke faz Karl dizer: "Parece que na política as relações exteriores desempenham um grande papel."

22. Compare Theodor Eschenburg, Staat und Gesellschaft in Deutschland, Stuttgart: Schwab, 1956, p. 19. A citação em Eschenburg é: "O Estado como portador da força é uma instituição da sociedade imprescindível para esta."

23. Nos fragmentos deixados, esse pensamento é exposto sobretudo no Fragmento 3 d.

24. A formulação obsoleta "levar a conselho" pode ter sido inspirada no poema de Goethe

"Amyntas", em cuja última linha está escrito: "Quem confia no amor, leva sua vida a conselho?"

Agradeço essa referência à administradora do espólio de Arendt, dra. Lotte Koehler, Nova York.

25. No original, segue-se o seguinte texto entre parênteses: "Infelizmente, Marx foi muito melhor historiador do que teórico e, em geral, só aumentou muito conceitualmente enquanto teoria aquilo que podia ser demonstrado, de maneira objetiva, como tendência histórica. O extinguir-se da coisa política pertence a essas tendências objetivamente de-monstráveis dos tempos modernos.

26. O trecho em Platão (na tradução de Rudolf Rufener) diz: "Porém, a terceira espécie de loucura e demência vem das musas. Quando captura uma alma sensível e intacta, ela a desperta e entusiasma para cantos e outras obras da arte poética, e ao glorificar milhares de feitos dos antigos, ela forma os descendentes." Platão, Meisterdialoge: Phaidom, Symposion, Phaidros:

Fédon, Simpósio, Fedro, Zurique, Stuttgart: Artemis (A Biblioteca do Mundo Antigo, 111/43, 1958, p. 211.)

27. Theodor Mommsen, Roemiscbe Gescbicbte, 1. c, tm. I, p. 3.

28. Heródoto, I, 1.

29. Jacob Burckhardt, Griechische Kulturgeschichte, 1. c, tm. 3, p. 406.

30. Compare Thucídides, V, 89 (Melierdialog).

31. Heráclito, B 53, em: Hermann Diels, Die Fragmente der Vorsokratiker: Griechisch und Deutsch, 6- ed. melh., edit. por Walther Kranz, tm. I (reimpressão Berlim: Weid-mann, 1951), p. 162.

32. Kant, Kritik der Urteilskraft, B 158; compare Hannah Arendt, Das Urteilen: Texte zu Kants Politischer Philoso-phie, ed. e com um ensaio de Ronald Beiner, Munique-Zu-rique: Piper, 1985, p. 60 e segs., p. 95 e segs.

33. Kant, ibid.

34. 1. c, B 159.

35. Compare Mommsen, Roemische Gescbicbte, 1. c, tm. I, p. 62.

36. 1. c, p. 71.

37. Transmitido por Thucídides, II, 41.

38. St. Weinstock, art. Penates, em: Paulys Real-Encyclo-paedie der classiscben Altertumwissenschaft, tm. 19 (1938), p. 417 e segs, p. 428.

No documento Hannah Arendt (páginas 82-85)

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