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O aluno superdotado das camadas populares

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 57-60)

O instrumento utilizado constou de uma listagem de características selecionadas segundo os 7 aspectos definidos pelo CENESP como áreas de superdotação, que operacionalizadas em comportamentos observáveis, em sala de aula, transformaram-se em 72 no total (DELOU,1987, p 41). A listagem foi estruturada em uma escala ordinal tipo Lickert, contendo alternativas de 0 a 10 para cada característica selecionada. Enviada aos especialistas, estes emitiram seu posicionamento em dois rounds. O tratamento estatístico dos dados teve a finalidade de verificar a existência do consenso entre os especialistas 3.1.4 Conclusão

Delou (1987) conclui que o julgamento de professores, quando combinado com outros métodos de constatação, aumenta a probabilidade de que crianças não deixarão de ser consideradas e referidas de acordo com Martinson (sem data apud DELOU,1987, p. 69). Em relação a análise das listagens e à opinião dos especialistas obteve os seguintes dados: 1 – não é qualquer característica comportamental, das apontadas pelos instrumentos, que serve como indicadores de superdotação; 2 - a priorização de características é necessária pois seleciona as mais importantes; 3 - o aluno superdotado possui características comportamentais variadas, que sofrem influências diversas relativas a fatores genéticos, estimulação ambiental e à maneira como combina esses dois fatores; 4 - as opiniões, entre os especialistas, divergem em relação às características devido á interpretação científica, filosófica e técnica assumida sobre o assunto; à diversificação existente em relação às suas respectivas formações e experiências profissionais - professores, psicólogos, advogados, empresário, biólogo e assistente social - (DELOU 1987, p.70.).

Assis (1995), a seguir, apresenta dados da realização de um amplo processo de identificação nas camadas populares do município de Nova Iguaçu, RJ.

3.2 O aluno superdotado das camadas populares

segmento do 1º Grau participarem eficientemente do processo de identificação de seus alunos superdotados.

3.2.2 Fundamentos teórico-metodológicos

Como introdução ao tema, Assis (1995, p.1) apresenta a conceituação de superdotação, sendo analisadas as várias designações relativas aos que se destacam em algum campo do conhecimento e/ou da realização ou possui potencial para tal: dotado, bem-dotado, superdotado, portador de altas habilidades. Utiliza no estudo em pauta o termo superdotado por ser a designação usada pelos órgãos oficiais da educação no Brasil.

Segundo Landau (1990 apud ASSIS, 1995, p.17), após um ano de implementação de programas suplementares, em Tel-Aviv, os superdotados carentes apresentaram um aumento considerável nos testes de inteligência até 20 pontos, bem como modificações de vários aspectos do comportamento. A visão geral, sobre superdotados, de Assis (1995) baseia-se em dados descritos numa perspectiva histórica, através de Alencar (1986), Landau (1990) e Novaes (1975 apud ASSIS, 1995, p.10). Inicia-se com a definição de Terman, em 1925, o qual encontrou alto nível intelectual em 1% a 2% da população infantil na classificação de QI igual ou superior a 140 na escala Binet-Stanford. Continua com as novas formas de se conceber o quociente intelectual medido pelos testes de inteligência, que além da avaliação do pensamento indutivo, da compreensão verbal, da percepção espacial e da capacidade matemática, passa também a valorizar outras habilidades intelectuais como o pensamento original, a percepção e a experiência não convencional.

Refere-se à definição adotada pelo MEC em sua resolução n 35/1972/1974 que se inspira no Relatório Marland de Departamento de Saúde, Educação e Bem Estar dos Estados Unidos, o qual define a criança superdotada como aquela que demonstra talentos evidentes e produções excepcionais ou elevada potencialidade, em uma ou várias das seguintes áreas: capacidade intelectual superior, habilidade acadêmica específica, pensamento criativo, liderança, arte e habilidade psicomotora.

Registra como base teórica para o seu processo de identificação o Modelo Triádico de Renzulli, que define a superdotação como o espaço de superposição formado pela interseção existente entre as capacidades gerais acima da média, os altos níveis de envolvimento com a tarefa e os altos níveis de criatividade. Estes três componentes são,

também, segundo Mönks, marcados pela influência da família, do colégio e dos companheiros. Distingue, através de Landau (1990 apud ASSIS, 1995, p.14), talento, superdotação e genialidade. Observa que as formas atuais de conceber a superdotação destacam as questões relativas à criatividade, às realizações, ao talento e às características personalísticas em paralelo ao alto nível intelectual.

3.2.3 Dados sobre a pesquisa

Assis (1995, p.26) utiliza em sua pesquisa a amostragem probabilística estratificada, tendo escolhido cinco escolas pertencentes à Rede de Ensino Municipal de Nova Iguaçu, RJ. O critério de escolha foi a diversidade de localização das escolas. Os procedimentos metodológicos de acordo com Renzulli, (1991 apud ASSIS, 1995, p.27), preveem que as pesquisas relativas aos alunos superdotados devem ser baseadas na realidade das escolas e salas de aula, devem ser acessíveis e significativas para quem estuda ou trabalha no local da pesquisa, devem trazer benefícios a médicos e psicólogos e, essencialmente, servir de embasamento teórico e sondagem empírica.

Descreve o grupo de sujeitos: - 2.807 alunos de 1a. a 4a. séries do 1 Grau e 85 professores que representaram a amostra de 6,7% das escolas, 11,2% dos professores e 8,8% dos alunos, distribuídos nas diferentes regiões do Município. Define a significação da expressão socioeconomicamente carente para a presente pesquisa como a combinação de baixa renda familiar (um a quatro salários mínimos), ausência ou precariedade de patrimônio, família com mais de cinco membros e escolaridade de 1 grau.

Utiliza um formulário de Pré-identificação de Alunos Superdotados, idealizado especificamente para a pesquisa com base em Gowan (1971), Renzulli e Hartman (1971), Ashman e Vukelich (apud ALENCAR, 1986), constando desse formulário itens relativos à capacidade acima da média, criatividade e envolvimento com a tarefa. - Roteiro de entrevista com a família, para caracterização do aluno no ambiente familiar, adaptado do roteiro brasileiro utilizado pela equipe do Projeto Destaque do Colégio Princesa Isabel. - Roteiro de entrevista com o aluno indicado pelo professor, também adaptado a partir do roteiro usado pelo Projeto Destaque, para coleta de dados sobre gostos, interesses, motivações, habilidades e projetos. - Teste de inteligência, não verbal, Matrizes Progressivas - Escala Geral, de Raven.

3.2.4 Conclusão

Assis (1995) apresenta como indicadores do rigor científico de seu trabalho em primeiro lugar, a estipulação do percentil 90 como mínimo aceito no teste de inteligência, apesar da recomendação de Antipoff, (1981 apud ASSIS, 1995, p. 42) do percentil 75 no trabalho com as camadas populares. Em segundo lugar, o número baixo de indicações feitas pelas professoras, 74 alunos num universo de 2.807. Atribui o pequeno número de alunos indicados à insegurança e dúvidas por parte das professoras; à pequena participação dos pais e dos próprios alunos nas entrevistas que fizeram parte do processo de identificação. Observa serem urgentes medidas no sentido de aperfeiçoar professores para o trabalho com superdotados, pois a identificação desses alunos tem como um importante ponto de partida, a indicação de seus professores. Conclui que a pesquisa conseguiu atingir o índice esperado e validar a recomendação para que seja implantado no Serviço de Educação Especial do Município de Nova Iguaçu - RJ e em outros municípios similares o atendimento específico ao aluno superdotado.

No documento Universidade do Estado do Rio de Janeiro (páginas 57-60)