Porém, todos os princípios vão ser combatidos, demonstrando sua eficácia na teoria, e não na prática, gerando assim a negação da ideologia da defesa social, que é o assunto explanado a seguir.
social, quando dentro de determinados limites funcionais, e o comportamento desviante é necessário e útil para o desenvolvimento e equilíbrio sócio-cultural168.
Afirma ainda que apenas quando ultrapassados esses limites é que o fenômeno do desvio passa a ser negativo para a estrutura da sociedade, pois é seguido de um estado de desorganização, onde as regras de conduta perdem seu valor, enquanto um novo sistema ainda não está firmado, situação denominada anomia169.
Durkheim vai criticar a noção de crime como fenômeno patológico, pois acredita que não exista sociedade sem criminalidade170. Para ele o delito é um elemento funcional, da fisiologia e não da patologia social171. Porém, como já dito, a sua forma anormal, quando há um crescimento exagerado por exemplo, pode então ser considerada como patológica172.
Essa contradição pode ser explicada, segundo o autor, levando em conta o que se entende por normalidade e funcionalidade do delito173.
Primeiramente, deve-se verificar que o delito provoca e estimula a reação social, estabilizando e mantendo vivo o sentimento de conformidade da sociedade em relação às normas que a regem174.
Possui também a característica de ser um fenômeno e entidade particular, sancionado pela lei penal, pois a autoridade pública exerce sua reação reguladora sobre os fenômenos de desvio que atingem a intensidade do crime, permitindo assim, a transformação e evolução social175.
Ademais, segundo ele, pode exercer ainda um papel direto no desenvolvimento moral da sociedade, quando prepara diretamente as transformações ocorridas, antecipando o conteúdo das mesmas176.
Dessa última teoria de Durkheim vai ser desenvolvida a teoria funcionalista da anomia, por Robert Merton, que assim como o primeiro, vai se opor à idéia patológica do desvio177.
168 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 59-60.
169 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 59-60.
170 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 60.
171 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 60.
172 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 60.
173 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 60.
174 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 60.
175 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 60-61.
176 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 61.
177 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 62.
Para Merton a sociedade vai reprimir o livre desenvolvimento dos recursos vitais dos indivíduos, gerando assim uma revolta contra essa ação repressiva178. Por sua vez, essa revolta vai ser repelida e sancionada pela sociedade como criminal, e portanto, patológica e perigosa179.
Já a teoria desenvolvida por ele vai considerar o desvio como o produto da estrutura social, sendo tratado de forma normal, justamente como o comportamento considerado como adequado, por ser seguidor das regras180. Assim, a estrutura da sociedade vai ter um efeito repressivo, bem como um efeito estimulante sobre o comportamento de seus indivíduos181.
Deste modo, diante das teorias desenvolvidas pelos doutrinadores Durkheim e Merton, vemos que o Princípio do Bem e do Mal é negado por se entender que o ato delituoso não diz respeito a uma patologia individual, tampouco uma patologia social, e sim como um ato normal de um indivíduo inserido em uma estrutura social que não corresponde à idéia em que se funda o princípio, ou seja, da sociedade como o bem, e o delito como o mal.
O Princípio da Culpabilidade vai ser negado pela idéia de que o delito seria cometido em razão da responsabilidade moral da pessoa, que, livre e conscientemente, atua de forma contrária aos valores e normas existentes na sociedade182. Essa negação vai se dar, pois acredita-se que não existe um sistema oficial de valores único, e sim diferentes mecanismos de socialização, aprendizagens específicas nos ambientes e grupos sociais particulares em que cada um está inserido183.
Vai ser negada pela teoria funcionalista, que trata do vínculo funcional do comportamento desviante com a estrutura social, e pela teoria das subculturas criminais, que estuda como a subcultura delinquencial se comunica aos delinqüentes184.
A primeira teoria, entretanto, é suscetível de ser integrada pela segunda, e assim vão ser apresentadas como teoria funcionalista da anomia desenvolvida como teoria da subculturas criminais185. Baseia-se na diversidade das chances que tem um indivíduo de utilizar meios legítimos para alcançar fins culturais186.
178 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 62.
179 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 62.
180 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 62.
181 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 62.
182 Cf. ANDRADE, Vera Regina Pereira de, A ilusão de segurança jurídica, p.201.
183 Cf. ANDRADE, Vera Regina Pereira de, A ilusão de segurança jurídica, p.201.
184 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 69.
185 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 70.
186 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 70.
Segundo os autores Cloward e Ohlin, que desenvolveram tal teoria, a distribuição das chances de acesso a meios legítimos, baseada na estratificação social, tem origem nas subculturas criminais da sociedade industrializada, e que assumem forma de bandos juvenis187.
A subcultura criminal diz respeito a reação de minorias desfavorecidas e a tentativa de sua orientação dentro da sociedade, não obstante as poucas possibilidades legítimas que possuem para agir188.
Essa teoria vai ser acrescida da teoria das associações diferenciais, proposta por Edwin Sutherland, através da análise das formas de aprendizagem do comportamento desviante e da dependência desta aprendizagem das várias associações que o indivíduo tem com os outros, ou com outros grupos189.
Com seu estudo, o autor vai fazer uma crítica às teorias gerais do comportamento criminoso baseadas nas condições econômicas, psicopatológicas ou sociopatológicas, pois acredita que elas se fundam em uma falsa amostra da criminalidade, onde a criminalidade oficial e tradicional é ignorada; e acredita também que elas não explicam corretamente a criminalidade de colarinho branco, e também a criminalidade dos estratos inferiores190.
A teoria das subculturas criminais vai negar o princípio da culpabilidade, pois ela não acredita que o delito possa ser considerado como expressão de uma atitude contrária aos valores e às normas sociais gerais, pois defende que existem valores e normas específicos para os diferentes grupos sociais, as subculturas191. Esses valores e normas específicos são interiorizados pelas pessoas dos grupos através de mecanismos de interação e de aprendizagem, e determinam seus comportamentos, em concurso com os valores e normas aceitos pelo direito ou pela moral oficial192.
Deste modo não existe um só sistema de valores válido, pelo contrário, afirma Baratta:
Não só a estratificação e o pluralismo dos grupos sociais, mas também as reações típicas de grupos socialmente impedidos do pleno acesso aos meios legítimos para consecução dos fins institucionais, dão lugar a um pluralismo de subgrupos culturais, alguns dos quais rigidamente fechados em face do sistema institucional de valores e de normas, e caracterizados por valores, normas e modelos de comportamento alternativos àquele193.
187 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 70.
188 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 70.
189 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 71.
190 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 71-72.
191 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 73-74.
192 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 73-74.
193 BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 74.
Assim, fica à escolha do indivíduo o sistema de valores ao qual vai aderir, e essa escolha vai ser influenciada pelas condições sociais, estruturas e mecanismos de comunicação e aprendizagem194.
A discriminação do direito em relação à atitude interior conformista, atitude positiva, e a atitude desviante, reprovável, ou seja, um ato espontâneo pelo sistema institucional de valores, ou contra ele, são combatidas por estas teorias195.
Essa diferenciação de atitudes nos leva ao princípio do bem e do mal, que é baseado nesse conjunto de valores e modelos de comportamentos autorizados pelo sistema penal como os critérios positivos de conduta social que devem ser seguidos pela sociedade196. A minoria desviante representaria assim, a conduta reprovável destes valores, sendo, portanto, a negação culpável do mínimo ético defendido pelo sistema penal197.
Enfim, a teoria das subculturas criminais vai negar o princípio da culpabilidade demonstrando que os modelos e mecanismos do comportamento criminoso não diferenciam dos mecanismos de socialização sobre os quais é explicado o comportamento considerado aceito e normal198.
Porém, esta teoria vai sofrer uma correção, feita através da análise das técnicas de neutralização, ou seja,
daquelas formas de racionalização do comportamento desviante que são aprendidas e utilizadas ao lado dos modelos de comportamento e valores alternativos, de modo a neutralizar a eficácia dos valores e das normas sociais aos quais, apesar de tudo, em realidade, o delinqüente geralmente adere199.
Essa teoria corretiva vai ser apresentada como uma teoria da delinqüência, alternativa à das subculturas criminais, que pregava um sistema de valores que representa uma mudança dos valores aceitos na sociedade e na lei200. Ela vai se opor a esse sistema de valores e normas, dizendo que isso não ocorre sempre, já que os delinqüentes estão inseridos na sociedade, e não são submetidos a mecanismos de socialização específicos e exclusivos, o que lhes permite interiorizar essas normas e valores socialmente aceitos201.
194 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 74.
195 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 74.
196 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 74.
197 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 74-75.
198 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 76.
199 BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 77.
200 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 77-78.
201 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 77-78.
Os autores que sustentam essa teoria chegaram a essa conclusão através da análise de grupos de jovens delinqüentes, quando viram que eles reconhecem a ordem social dominante, demonstrando sentimento de culpa ou de vergonha pelo ato praticado202.
O Princípio da Legitimidade vai ser criticado pelas teorias do Direito Penal e pelas teorias psicanalíticas da criminalidade203, que vão negar também o princípio da legalidade, através de duas grandes linhas de pensamento204.
A primeira, referente à explicação do comportamento criminoso, teve seu desenvolvimento evidenciado a partir dos estudos de Freud sobre o comportamento delituoso205.
De acordo com Freud:
[...] a repressão de instintos delituosos pela ação do superego, não destrói estes instintos, mas deixa que estes se sedimentem no inconsciente. Esses instintos são acompanhados, no inconsciente, por um sentimento de culpa, uma tendência a confessar. Precisamente com o comportamento delituoso, o indivíduo supera o sentimento de culpa e realiza a tendência a confessar206.
Assim, segundo Freud, a repressão dos instintos criminosos do indivíduo faz com que eles se sedimentem no inconsciente, acompanhados de um sentimento de culpa, e uma tendência à confissão207.
A teoria psicanalítica do comportamento criminoso vai, portanto, negar além do princípio da legalidade, também o da culpabilidade, bem como o direito penal baseado nele208.
A segunda linha de pensamento, que vai realizar a negação do princípio da legalidade, se traduz na teoria psicanalítica que atribui à reação punitiva uma função psicossocial que permite fazer a interpretação das funções preventivas, defensivas e éticas, como uma mistificação racionalizante, sendo que estas funções é que baseiam a ideologia da defesa social, por sua vez, o princípio em questão, e toda a ideologia penal209.
Para essa linha da teoria psicanalítica, a reação penal em relação ao comportamento criminoso não tem o escopo de eliminar a criminalidade, mas diz respeito a mecanismos
202 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 78.
203 Cf. ANDRADE, Vera Regina Pereira de, A ilusão de segurança jurídica, p.201.
204 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 49.
205 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 49.
206 BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
207 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
208 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
209 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
psicológicos sobre os quais o desvio criminalizado aparece como necessário e ineliminável da sociedade210.
Freud ainda faz uma distinção entre neurose e tabu211. Sendo que a primeira seria uma doença individual, enquanto a segunda, uma formação social212.
Deste modo, a violação do tabu, de formação social, a punição ocorre de maneira espontânea, e a intervenção social é somente uma forma secundária da pena, que ocorre de maneira subsidiária, pois o grupo se sente ameaçado pela violação do tabu e antecipam na punição do violador213.
Portanto, a reação punitiva pressupõe a presença de impulsos iguais aos proibidos nos membros do grupo214.
A teoria criada por Freud acerca do delito por sentimento de culpa vai servir de base para Theodor Reik lançar sua teoria psicanalítica do Direito Penal, fundado na dupla função da pena, ou seja, de que, primeiramente, a pena satisfaz a necessidade inconsciente de punição, gerada pela realização da ação proibida, e também satisfaz a necessidade de punição da sociedade, através de sua identificação inconsciente com o criminoso215.
Essas funções da pena são dois aspectos de uma teoria psicológica do Direito Penal, entende Reik, onde a concepção retributiva e preventiva da pena são racionalizações de fenômenos frutos do inconsciente da psique humana216.
A teoria retributiva vai encontrar sua correspondência nas autopunições inconscientes da pessoa considerada neurótica, que são reguladas pelo princípio do talião, sendo que a retribuição, como finalidade da pena, pode ser considerada como a representação de um impulso, transformada em teoria217.
A teoria da retribuição vai destacar ainda a função da pena em face da sociedade, como prevenção geral, com intuito de afirmar valores e regras sociais, e desmotivar o comportamento
210 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
211 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
212 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
213 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 50.
214 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 51.
215 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 51.
216 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 51.
217 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 51.
contrário à lei, e em face do autor do delito, como prevenção especial, com o escopo de ressocialização ou neutralização desse criminoso218.
Essas funções da pena são transferidas para um resultado futuro, que se traduz na influência da sociedade, no caso da prevenção geral, ou na influência ao autor do delito, no caso da prevenção especial, e só podem ser entendidas através da fundação psicológica da finalidade da pena, realizada por Freud acerca do sentimento de culpa219.
Relata ainda Baratta acerca da conclusão de Reik sobre a menor necessidade da existência de punições:
Da hipótese segunda a qual o efeito dissuasivo da pena se funda sobre a identidade dos impulsos proibidos, no delinqüente e na sociedade punitiva, finalmente Reik extrai a conclusão de que a tendência de desenvolvimento do direito penal é a da superação da pena [...]220.
A teoria psicanalítica da finalidade da pena vai ser posteriormente enriquecida por Franz Alexander e Hugo Staub, com a exposição de uma variante ao princípio de Freud sobre a identidade dos impulsos que movem o criminoso e a sociedade221. Essa variante se traduz por transportar o princípio de Freud para as características psicológicas gerais do mundo dos delinqüentes e das pessoas que fazem parte dos órgãos do sistema penal222.
Afirmam os pensadores, que entre essas pessoas há uma afinidade que pode ser explicada com a presença de tendências anti-sociais não totalmente reprimidas, as quais fazem com que as pessoas do segundo grupo realizem um maior exercício punitivo223.
Deste modo, esta teoria desloca o âmbito de sua aplicação da sociedade em geral, para as pessoas que estão a seu serviço, ou seja, os juízes, polícia, agentes de segurança, etc224.
Essa outra variante ainda complementa a teoria de Reik quando passa a ver a pena, não como identificação da sociedade com o criminoso, mas sim da identificação de uma pessoa com a sociedade punitiva e com os órgãos da reação penal225.
Paul Reiwark e Helmut Ostermeyer vão ainda, desenvolver a teoria da sociedade punitiva, em seguida a Reik, Alexander e Staub226.
218 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 51.
219 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 51-52.
220 BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 52.
221 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 53.
222 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 53.
223 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 53.
224 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 53.
225 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 53.
Eles vão explicar a sociedade punitiva separando o bem do mal, do sujeito delinqüente, e transferindo a ele suas próprias agressões227.
Ostermeyer acredita que a pena não basta para descarregar a agressão reprimida, pois uma parte dela é transferida para o exterior, para a sociedade, pelo mecanismo de projeção, que é quando as pessoas projetam suas tendências anti-sociais em delinqüentes, ou sujeitos desviantes228.
Esse fenômeno de projeção é analisado através da figura do bode expiatório, que se encontra no delinqüente e sobre o qual é projetada a inconsciente tendência criminosa dos indivíduos229.
A respeito dessa projeção da tendência criminosa na figura do bode expiatório, relata Baratta:
O nosso negativo, a assim chamada sombra, produz [...] sentimentos de culpa inconscientes que procuram ser descarregados. Em todo o homem existe a tendência a transferir esta sombra sobre uma terceira pessoa, objeto da projeção, ou seja, transportá- la para o exterior e, com isso, concebê-la como alguma coisa de externo, que pertence a um terceiro. Em lugar de voltar-se contra si próprio, insulta-se e pune-se o objeto desta transferência, o bode expiatório, para o qual é sobretudo característico o fato de que se encontra em condição indefesa230.
As teorias aqui apresentadas, da explicação do comportamento criminoso, bem como da reação punitiva, apesar de negarem o princípio da legitimidade, através de suas críticas à ideologia da defesa social, não superaram os limites da criminologia tradicional231.
A negação do Princípio de Igualdade vai ser realizada pela teoria do Labelling Approach232, que vai atacar justamente a idéia de que o Direito é igual para todos, e que a reação penal, e até a reação social, seria a mesma para todos os criminosos. Essa idéia é substituída pelo paradigma da reação social, quando expõe que o desvio e a criminalidade são qualidades atribuídas à determinada camada social por meio de mecanismos de seleção e rotulação, que atuam de maneira desigual. Assim:
Isto implica que o princípio da igualdade, ou seja, a base mesma da ideologia do Direito Penal, seja posta em séria dúvida, eis que a minoria criminal a que se refere a definição
226 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 55.
227 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 55.
228 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 55.
229 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 56.
230 BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 56.
231 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 57.
232 Ver nota nº 82 que trata do Labelling Approach, ou Paradigma da Reação Social.
sociológica aparece, na perspectiva do labelling approach, como o resultado de um processo altamente seletivo e desigual dentro da população total; enquanto o comportamento efetivo dos indivíduos não é, por si mesmo, condição suficiente deste processo233.
Um fato que demonstra claramente a idéia de que a reação penal, e a reação social não são iguais a todos os criminosos é a pesquisa realizada acerca do crime de colarinho branco, característico das sociedades de capitalismo avançado234.
Esse crime e o seu autor se revestem de características muito distintas dos crimes e dos autores selecionados pelo sistema para serem punidos. O crime de colarinho branco possui conivências entre a classe política e a economia privada, os autores da infração detém um certo prestígio, o efeito estigmatizante das sanções aplicadas é escasso, além da falta de um esteriótipo que as agências oficiais possam perseguir, ao contrário do que ocorre nas infrações típicas das camadas desfavorecidas235.
As pesquisas realizadas sobre esse tipo de crime demonstraram que as estatísticas criminais e sua interpretação sobre a distribuição da criminalidade nas diversas camadas sociais, bem como as teorias da criminalidade, estavam se baseando sobre a criminalidade identificada e perseguida, ou seja, a criminalidade já selecionada, ocorrendo, portanto, uma distorção dessas teorias da criminalidade, criando uma idéia falsa da distribuição da criminalidade nos grupos sociais236.
Diante disso, tende-se a acreditar numa criminalidade concentrada nos estratos inferiores, ligada a fatores pessoais e sociais, relacionadas geralmente à pobreza, e ainda à condição social a que pertence o delinqüente, ou a situação familiar de que provém. Isso orienta e influencia os órgãos oficiais, que continuam, através de suas ações, a alimentar esse processo seletivo237.
Sobre essa criminalidade relacionada às baixas classes sociais, afirma Baratta:
Uma pessoa que provém destas situações sociais deve ter consciência do fato de que seu comportamento acarreta uma maior probabilidade de ser definido como desviante ou criminoso, por parte dos outros, e de modo particular por parte dos detentores do controle social institucional, do que outra pessoa que se comporta do mesmo modo, mas que pertence a outra classe social ou a um milieu familiar íntegro238.
233 ANDRADE, Vera Regina Pereira de, A ilusão de segurança jurídica, p.202.
234 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 101.
235 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 102.
236 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 102.
237 Cf. BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 102-103 e 111-112.
238 BARATTA, Alessandro. Criminologia crítica e Crítica do Direito Penal. p. 112.