4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
construir um cruzeiro e edificar uma capela, sob a invocação dos apóstolos São Felipe e São Tiago, que se tornaram padroeiros da nova localidade.
Nesse período, o pequeno povoado era conhecido pela designação de São Felipe das Roças, tal a quantidade de lavouras de mandioca, fumo, cana-de-açúcar e cereais existentes.
Mais tarde, talvez por terem verificado que as cabeceiras do rio Copioba não estavam muito longe do povoado, passaram a chamá-lo de São Felipe das Cabeceiras. Mas, em virtude do seu grande desenvolvimento, em 29 de maio de 1880, foi criado o município com a denominação de São Felipe. Sua composição administrativa é de dois distritos: São Felipe e Caraípe, de acordo com a Lei nº 628, de 30 de dezembro de 1953.
Conforme os dados divulgados pelo IBGE, atualmente o município possui, em média, 205,989 km² de extensão. Em 2010, sua população estimada era de 20.305 habitantes, sendo que mais da metade (10.485 habitantes) residiam na zona rural. Nos últimos seis anos, verificamos que houve um aumento demográfico, uma vez que se estima que a população atual seja de 21.935 habitantes.
O Colégio Estadual Governador João Durval Carneiro – localizado na rua Dr.
Djalma Rocha Galvão, s/n, Centro – foi criado em 1986, através de um convênio firmado entre a Prefeitura Municipal de São Felipe e o Governo do Estado da Bahia. Inicialmente, havia apenas quatro salas de aula, existindo a oferta somente das séries iniciais do Ensino Fundamental. Nessa época, seu nome também era outro, Escola Estadual de 1º Grau Governador João Durval Carneiro.
No ano de 1992, a escola passou pela primeira ampliação e, em 2002, foi construído um segundo pavilhão de salas de aula, tendo em vista a implementação do Segundo Grau.
Desde essa data, o “João Durval”, como também é conhecido, passou a ser considerada a principal unidade escolar do município por ser a maior e única escola pública que tem a oferta do Ensino Médio na cidade.
Sua estrutura física atual é composta por: três pavilhões; uma quadra poliesportiva, que está em vias de reforma; e uma ampla área externa, onde acontecem os eventos de grande porte do colégio, como a culminância de projetos interdisciplinares, e que também é utilizada como estacionamento, sobretudo por professores, funcionários e visitantes.
As salas de aula estão concentradas nos pavilhões Prof. José Guedes e Prof.ª Maria Alice S. N. Espínola. São treze ao total, sendo que uma delas é reservada para a Educação Especial. A maioria das salas é ampla e, normalmente, tem-se o número de carteiras suficientes para acomodar os alunos. Algumas possuem janelas grandes e todas são equipadas com ventiladores de teto. No entanto, isso não é suficiente para amenizar o calor, sobretudo
no turno vespertino e nos meses em que a temperatura está mais alta. Percebe-se, ainda, que as salas de aula carecem de pintura, pois suas paredes estão riscadas.
No pavilhão Raymundo dos Santos Ferreira, estão: a sala da direção e vice-direção; a sala dos professores; a sala de xerografia; o almoxarifado/sala de arquivo; a rádio escolar; a sala de informática/biblioteca; a sala de vídeo; o auditório, que tem capacidade para acomodar 200 pessoas; a secretaria; a despensa; a cozinha; o depósito; e o pátio, que funciona também como refeitório. Além disso, no colégio há rampas de acesso para cadeirantes e seis banheiros, sendo dois adaptados para deficientes físicos. Grande parte das suas instalações pode ser conferida no anexo I.
Ressaltamos que, na sala de informática, há doze computadores com conexão à internet. Esses computadores podem ser utilizados pelos alunos para realizarem pesquisas e as atividades escolares propostas pelos professores. Esclarecemos, ainda, que a internet utilizada no colégio é financiada pela Secretária da Educação do Estado da Bahia (SEC).
Na sala de Educação Especial, são atendidas pessoas da comunidade que têm necessidades especiais auditivas e intelectuais, tais como Síndrome de Down, paralisia cerebral, autismo, TDA, TDA/H e dislexia. De acordo com informações cedidas pelo colégio, a sala conta com uma equipe de profissionais preparados para o atendimento a essas pessoas:
técnicos em Libras, pedagogo e psicopedagogo. Nesse sentido, é desenvolvido um conjunto de atividades que estimulam o processo da comunicação entre mudos, surdos e falantes, bem como são realizadas propostas pedagógicas que estimulam o cognitivo, permitindo que se abra um caminho facilitador para a aprendizagem e respeitando as limitações físicas e psíquicas desses sujeitos.
Além do prédio situado na sede municipal, a instituição conta ainda com um anexo na Vila Caraípe, distrito de São Felipe, onde funcionam uma turma de 3º ano do Ensino Médio e uma turma de Educação de Jovens e Adultos (EJA).
Hoje, o Colégio João Durval está vinculado ao Núcleo Regional de Educação – NRE 21, sediado em Santo Antônio de Jesus. O NRE 21 é responsável por cinquenta e nove escolas localizadas nos vinte municípios do Território de Identidade do Recôncavo, conforme é ilustrado na figura a seguir:
Figura 4 - Municípios vinculados ao NRE 21
Fonte: Disponível em: <http://nre21.educacao.ba.gov.br/?page_id=6>. Acesso em: 24 set. 2016.
A equipe gestora da unidade escolar é formada por um diretor, três vice-diretoras e uma coordenadora pedagógica. O colégio conta com dezesseis funcionários terceirizados, sendo: quatro assistentes administrativos, uma cozinheira, quatro merendeiras, seis auxiliares de serviços gerais e um porteiro. Há também duas funcionárias efetivas que desempenham a função de secretária escolar e de assistente administrativa.
Atualmente, o corpo docente da instituição é composto por trinta e seis professores, dos quais vinte e cinco são estatuários, funcionários concursados com estabilidade no emprego, e onze são contratados pela SEC, sendo que oito são por Regime Especial de Direito Administrativo (REDA). Alguns desses professores residem na cidade, enquanto outra parte mora em outras cidades, como Cruz das Almas, Conceição do Almeida, Santo Antônio de Jesus, Sapeaçu e Feira de Santana. Segundo dados fornecidos pelo colégio, quase todos são especialistas e frequentemente participam de cursos de atualização oferecidos pela SEC e/ou outras instituições, melhorando seu nível de qualificação e aprimorando sua prática docente.
Dessa forma, no contexto atual, o CEGJDC uma instituição de grande porte, que atende cerca de 1.100 alunos oriundos da sede municipal e de zonas rurais circunvizinhas. O colégio funciona no turno matutino, vespertino e noturno. No quadro a seguir, podemos conferir a distribuição das turmas, no ano letivo de 2016, nos três turnos:
Quadro 4 - Distribuição das turmas no ano letivo de 2016 Turno matutino
Série Nº de turmas Pavilhão de aula
1º 5 Prof. José Guedes
2º 4 Prof. José Guedes /
Prof.ª Maria Alice
3º 3 Prof.ª Maria Alice
Turno vespertino
Série Nº de turmas Pavilhão de aula
8ª 1 Prof. José Guedes
1º 2 Prof. José Guedes
2º 2 Prof. José Guedes
3º 2 Prof.ª Maria Alice
Turno noturno
Série Nº de turmas Pavilhão de aula
1º 1 Prof. José Guedes
2º 2 Prof. José Guedes /
Prof.ª Maria Alice
3º 2 Prof.ª Maria Alice
EJA 4 Prof. José Guedes
Fonte: Elaborado pela professora pesquisadora.
Conforme já mencionado, o Colégio João Durval é a única instituição de ensino do município que oferta a última etapa da Educação Básica, o Ensino Médio. Ressaltamos, ainda, que, em 2016, está sendo oferecida a última turma de 8ª série do colégio, uma vez que o Ensino Fundamental vem passando por processo de municipalização desde o ano de 2013.
Nos últimos anos, o João Durval tem participado de alguns dos Projetos Estruturantes organizados pela SEC, a saber: Artes Visuais Estudantis (AVE), que tem como objetivo estimular a criação de obras de artes visuais no ambiente escolar, assim como a valorização das expressões culturais regionais; Festival Anual da Canção Estudantil (FACE), cujo objetivo é desenvolver a criação musical nos contextos escolares, contribuindo para a autoria estudantil; Tempos de Artes Literárias (TAL), que visa estimular a produção literária nos contextos escolares e a valorização das manifestações culturais regionais.
No que diz respeito ao Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), indicador nacional formulado para medir a qualidade do aprendizado nacional e estabelecer metas para a melhoria do ensino, o CEGJDC, em 2015, obteve 3,2 pontos, não atingindo a meta que era de 3,6. Contudo, houve uma melhoria com relação ao ano de 2013, quando a
pontuação obtida foi 2,4. No quadro abaixo, podemos observar as notas do colégio e as metas projetadas:
Quadro 5 - Resultados e metas do IDEB
Colégio Estadual Governador João Durval Carneiro (8ª série / 9º ano)
Fonte: Disponível em: <http://ideb.inep.gov.br/resultado/>. Acesso em 27 set. 2016.
Percebemos que, desde 2005, o IDEB da 8ª série do colégio vem crescendo. No entanto, nos dois últimos anos, o colégio não alcançou a meta estabelecida. As notas sinalizadas de verde correspondem aos anos em que a instituição conseguiu alcançar a meta projetada, sendo que, em 2007 e 2009, as notas obtidas foram superiores às metas.
Evidenciamos que o IDEB do colégio, em 2015, também esteve abaixo das metas estadual e nacional para os anos finais do Ensino Fundamental, que foram 4,5 e 4,7, respectivamente.
De acordo com o Projeto Político Pedagógico (PPP), os principais problemas enfrentados na instituição são: o elevado índice de reprovação e aprovação pelo Conselho de Classe; a ocorrência de evasão escolar; a falta de uma participação mais efetiva por parte dos pais; e ainda, mesmo que em menor proporção, casos de preconceito racial, bullying, agressão física e indisciplina. Apesar desses problemas, que também são comuns a outras tantas realidades escolares, nota-se um clima agradável e harmonioso no relacionamento interpessoal: alunos, pais, professores, direção e funcionários.
Tomando ainda o PPP como referência, tecemos, na subsubseção a seguir, algumas considerações acerca das características da comunidade da qual o Colégio João Durval faz parte.
4.1.1 Características da comunidade
O João Durval atende a estudantes de todo município de São Felipe. Segundo o Projeto Político Pedagógico da instituição, o maior público é oriundo da zona rural e a outra parcela advém da zona urbana, incluindo aqui os moradores dos bairros periféricos. O documento sinaliza que, nesses bairros, enfrentam-se problemas que são comuns à sociedade atual como um todo: assassinatos, drogas, violência doméstica etc.
Quanto às condições socioeconômicas e culturais da comunidade, pode-se afirmar que maioria das famílias é de baixa renda e sobrevive da agricultura de subsistência, tendo como ponto de comercialização dos produtos agrícolas a feira livre do município, ou ainda de serviços informais, que não geram uma renda fixa e tampouco lhes dão garantia dos direitos trabalhistas.
Outro dado que diz respeito à renda dessa comunidade é o número considerável de famílias assistidas por programas sociais, como o Bolsa Família, conforme é relatado na ficha de matrícula dos alunos.
No PPP, afirma-se ser importante também observar o nível de escolaridade dos membros das famílias que compõem a comunidade escolar. A maioria desses membros não concluiu o Ensino Fundamental e poucos são os que possuem o Nível Médio ou Superior completo.
No que diz respeito à religião, a maioria da comunidade escolar é católica. Contudo, há também um número expressivo de evangélicos e, com menor representatividade, adeptos de religiões de matrizes africanas.
Com o intuito de entendermos melhor os sujeitos participantes do cenário da pesquisa, apresentamos a subseção que segue.