As páginas do site do Museu Virtual da Facul- dade de Medicina da UFRJ apontam para a proposta de construção de uma memória institucional, que se inicia com a identificação, o registro e a conservação de objetos de natu- reza diversas, ligados à memória da vida acadêmica. Esses regis- tros encontram-se dispersos nas dependências da instituição e nas posses de pessoas físicas.
Segundo Diana Maul de Carvalho (2006), a proposta do site se iniciou como um projeto de extensão. Para a segunda fase, está rece- bendo financiamento do CNPq. Essa etapa contemplará o acervo de depoimentos orais tanto de pessoas que trabalharam na instituição – e que são convidadas a participar da reconstituição física e do mobiliário docu- mental do prédio demolido da Faculdade de Medicina – como do público que visita o museu. A interativi- dade do Museu Virtual da Faculdade de Medicina será caracterizada, assim que o recurso estiver disponível, pela possibilidade de os visitantes incluírem seus depoimentos diretamente na página da internet. Isso
Cabe a nós aprofundar os estudos sobre os museus virtuais de natureza
interativa e desenvolver modelos teóricos que considerem a dinâmica da
memória social também
no ciberespaço
Revista MUSAS
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Seção do Museu Virtual da Faculdade de Medicina da UFRJ
Imagem do prédio da Faculdade de Medicina da UFRJ em 1918
MUSEU VIRTUAL DA FACULDADE DE MEDICINA DA UFRJMUSEU VIRTUAL DA FACULDADE DE MEDICINA DA UFRJ
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significa que o visitante não apenas irá se “apropriar” do acervo, mas também vai ser ele próprio o responsável por sua ampliação. Com essa proposta, o próprio grupo poderá criar a sua memória e expô-la num espaço de grande visibilidade, o que talvez não pudesse acontecer num plano físico concreto. Essa intenção está explícita na apresentação do projeto no website:2
O Museu Virtual, sem prejuízo de áreas físicas de expo- sição e guarda dos diversos acervos, pretende ampliar o acesso a todo este rico conjunto documental e se constituir num espaço de construção da história da nossa Faculdade, em interação com todos aqueles que, das mais diversas formas, dela fazem parte. A convergência de propósitos dos diversos projetos em curso e a evidente divergência de necessidades e usos de acervos docu- mentais tão diversos indicaram que o melhor lugar para o nosso Museu é o espaço virtual. Neste espaço dinâmico, cada usuário poderá construir seu próprio percurso através de espaços reais contíguos ou não, públicos ou não, e a qualquer hora.
É importante reiterar que o acervo que está no Museu Virtual da Faculdade de Medicina da UFRJ não foi organizado como exposição fora deste ambiente. O site também possibilita uma visita que jamais poderia ser feita fora do contexto da simulação virtual. Por meio dele, é possível conhecer a estrutura e até mesmo fazer uma “visita guiada” pelos corredores do prédio onde se instalou a Faculdade de Medicina em 1918. Ori- ginalmente localizada no campus da Praia Vermelha, no Rio de Janeiro, ela foi demolida em 1975, por força do regime militar.
Exemplos de interatividade no campo da memória social podem ser encontrados em museus virtuais como o Museu da Pessoa (www.museudapessoa.com.br), o site
da BBC (www.bbc.co.uk), que reúne mais de 40 mil teste- munhos sobre a Segunda Guerra Mundial (Dantas, 2006), entre outras experiências que fazem uso da narrativa para preencher lacunas existentes na reconstituição de uma ação no passado, ou para fazer emergir versões da história até então silenciadas. Independentemente dos motivos que desencadeiam essas iniciativas de constru- ção de memórias, o fato é que o ciberespaço propicia esta interação entre as pessoas, que vão adicionando informação aos acervos virtuais e deles se alimentando para a produção de novos conhecimentos. Aos espec- tadores/pesquisadores de espaços de memória como o do Museu Virtual da Faculdade de Medicina da UFRJ e de toda a tendência contemporânea à virtualização resta a certeza de que algumas questões ainda carecem ser mais debatidas. Como poderemos assegurar a pre- servação diante da fluidez da informação? Um museu virtual deve operar com a mesma lógica de salvaguarda dos museus concretos?
Os museus virtuais estão construindo suas pro- postas, inclusive no Brasil, e, para tanto, são necessá- rios padrões e normas. O Comitê Avicon, do Conselho Internacional de Museus – Icom,3 criado em 1991, propõe uma sistematização de conhecimento para que as fron- teiras sejam de fato alargadas e, portanto, constitui-se em um importante indício de que a utilização das novas tecnologias é um fenômeno que altera o cotidiano dos museus no mundo.
Cabe a nós aprofundar os estudos sobre os museus virtuais de natureza interativa e, sobretudo, problematizar e desenvolver modelos teóricos que considerem a dinâmica da memória social também no ciberespaço.
Revista MUSAS
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NOTAS
1. Grifos do autor.
2. Disponível em www.museuvirtual.medicina.ufrj.br/frm_
conteudo.php?cod=3. Último acesso em 24 jun.2006.
3. Os objetivos do Conselho Internacional para o Audiovisual
e as Tecnologias da Imagem e do Som nos Museus/Avicon estão disponíveis em: http://www.unesco.org/webworld/
avicomfaimp/avicom/avicom_qui_somme_nous.htm.
Último acesso em 05 set.2006.
REFERÊNCIASBIBLIOGRÁFICAS
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COELHO NETTO, José Teixeira. Dicionário crítico de polí- tica cultural: cultura e imaginário. São Paulo: Iluminuras, 1999.
DANTAS, C. G. Interfaces da memória na Internet: o caso de um acervo digital. Anais do VIII Ciclo de Estudos em Ciência da Informação [CD-ROM]. Rio de Janeiro: UFRJ/SIBI, 2006.
DELEUZE, Gilles. Diferença e repetição. Rio de Janeiro:
Graal, 1988.
GODOY, Karla Estelita. A museologia diante do virtual:
repensando os elementos conceituais e a memória, a partir das novas tecnologias informáticas. Dissertação de mestrado. Rio de Janeiro: Programa de Pós-Graduação em Memória Social e Documento/Centro de Ciências Humanas, Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro, 1999.
HENRIQUES, Rosali. Memória, museologia e virtualidade:
um estudo sobre o Museu da Pessoa. Dissertação de Mestrado em Museologia Social. Lisboa: Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologia, 2004.
LATOUR, Bruno. “Redes que a razão desconhece: labo- ratórios, bibliotecas, coleções”. In: BARATIN, Marc; JACOB, Christian (orgs.). O poder das bibliotecas: a memória dos livros no Ocidente. Rio de Janeiro: Ed. UFRJ, 2000.
LÉVY, Pierre. Cibercultura. São Paulo: Ed. 34, 2005.
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Disponível em: www.museuvirtual.medicina.ufrj.br. Último acesso em 05 set.2006.
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