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O corpus lexicográfico

O corpus lexicográfico constitui-se de um total de vinte e um dicionários e, desses, dezenove são dicionários gerais da língua (dezesseis impressos e três on-line e de acesso gratuito). É importante relembrar, com relação aos dicionários on-line, o que já foi dito na introdução desta dissertação: não foram consultadas certas obras de língua portuguesa neste formato que são bastante conhecidas, como os dicionários Priberam da Língua Portuguesa (https://www.priberam.pt/DLPO/) e o Dicionário de Língua Portuguesa da Porto Editora (http://www.infopedia.pt/dicionarios/lingua-portuguesa/), por se tratarem de dicionários dedicados ao português europeu.

5 Como hype e vintage atingiram ao mesmo número de ocorrências, optou-se por colocar hype como a de número 8 seguindo o critério de ordem alfabética.

Nesta dissertação, entende-se como dicionário geral de língua o que Krieger et al.

(2006, p. 172) definem da seguinte forma,

o dicionário de língua – a mais prototípica das obras lexicográficas – constitui-se no único lugar que reúne, de modo sistemático, o conjunto dos itens lexicais criados e utilizados por uma comunidade lingüística, permitindo que ela reconheça-se a si mesma em sua história e em sua cultura. Além de se constituir em espelho da memória social da língua, o dicionário desempenha o papel de legitimar o léxico. E, como tal, alcança o estatuto de um código normativo que define parâmetros orientadores dos usos lexicais.

O corpus lexicográfico se completa com um dicionário etimológico - Dicionário Etimológico da língua portuguesa de Antônio Geraldo da Cunha - e um dicionário de usos, o Dicionário UNESP do português contemporâneo que, na sua própria introdução (2014, p.

VII), propõe “[...] organizar-se de forma a estimular a pesquisa vocabular e a reflexão sobre o uso da língua, pela observação do jogo de contextos dentro de cada verbete”.

O critério de escolha dos dicionários foi norteado pelos objetivos a serem alcançados para o prosseguimento da pesquisa. Assim, buscou-se constituir um corpus lexicográfico que proporcionasse:

 rastreamento cronológico das lexias, tanto dos registros mais antigos em dicionários quanto de desdobramentos semânticos;

 identificação de definições atualizadas com o objetivo de constatar até que ponto dicionários modernos (tanto impressos quanto virtuais) contemplam a renovação lexical que se identifica no corpus;

 pesquisa etimológica para identificar a origem das lexias estudadas.

É preciso explicar que, entre os dicionários gerais impressos de Língua Portuguesa, três deles – o Vocabulario portuguez & latino: aulico, anatomico, architectonico ... de Raphael Bluteau (1728), o Diccionario da lingua portugueza - recompilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado e muito acrescentado de Antonio Moraes Silva (1789) e o Diccionario contemporaneo da lingua portuguesa de Francisco Júlio de Caldas Aulete (1881) – ainda que sejam, em seu formato original, obras impressas, foram consultados durante o processo de pesquisa via internet e um deles baixado em versão pdf (o de Francisco Júlio Caldas Aulete). Todos encontram-se integralmente digitalizados para consulta gratuita através de portais de universidades brasileiras: os dicionários de Raphael Bluteau e Antonio Moraes Silva pertencem à Biblioteca Brasiliana Guita e José Mindlin da Universidade de São Paulo (USP) e o dicionário de Francisco Júlio de Caldas Aulete pertence à Biblioteca Digital da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

Outra observação que se faz necessária é a respeito do Dicionário Houaiss da língua

portuguesa (2001). Ainda que este seja um dicionário geral de língua, a obra também traz informações detalhadas sobre etimologia e, por esta razão, a edição de 2001 do Dicionário Houaiss da língua portuguesa é utilizada como dicionário de língua e também como dicionário etimológico.

Quanto aos dicionários em seu formato tradicional, o de livro, foram usados exemplares que pertencem ao acervo da pesquisadora, da Biblioteca Nacional, da biblioteca central da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ) e ao acervo das bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Esses exemplares foram consultados em datas diversas durante o período da pesquisa, já os dicionários virtuais - como fica claro tratando-se desse tipo de formato - foram consultados via internet sempre que houve necessidade.

O corpus lexicográfico, então, organiza-se a partir das seguintes obras:

1) Dicionários da Língua Portuguesa:

Impressos:

Século XVIII

1728 - Vocabulario portuguez & latino: aulico, anatomico, architectonico ... de Raphael Bluteau;

1789 - Diccionario da lingua portugueza - recompilado dos vocabularios impressos ate agora, e nesta segunda edição novamente emendado e muito acrescentado de Antonio Moraes Silva;

Século XIX

1881 - Diccionario contemporaneo da lingua portuguesa de Francisco Júlio de Caldas Aulete;

Século XX

1957 – Grande e novíssimo dicionário da língua portuguesa de Laudelino Freire;

1958 - Dicionário contemporâneo da língua portuguesa Caldas Aulete;

1964 - Dicionário contemporâneo da língua portuguesa Caldas Aulete;

1974 - Dicionário contemporâneo da língua portuguesa Caldas Aulete;

1980 – Dicionário contemporâneo da língua portuguesa Caldas Aulete;

1975 - Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa;

1986 - Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa;

1987 - Dicionário contemporâneo da língua portuguesa Caldas Aulete;

1999 – Aurélio Século XXI – o dicionário da língua portuguesa;

Século XXI

2001 - Dicionário Houaiss da língua portuguesa;

2004 - Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa;

2009 - Dicionário Houaiss da língua portuguesa;

2010 - Novo dicionário Aurélio da língua portuguesa;

2011 - Novíssimo Aulete – dicionário contemporâneo da língua portuguesa;

Virtuais:

Aulete digital: http://www.aulete.com.br/

Dicionário inFormal: http://www.dicionarioinformal.com.br/

Dicio – Dicionário on-line de português: http://www.dicio.com.br/

2) Dicionário de usos

2004 - Dicionário UNESP do português contemporâneo;

3) Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa:

2010 - Dicionário Etimológico da língua portuguesa (Antônio Geraldo da Cunha).

4 ANÁLISE DE DADOS

Este capítulo divide-se em três partes: na primeira os verbetes recolhidos no corpus lexicográfico são expostos e comparados e, na segunda, é feita efetivamente a análise dos registros lexicográficos encontrados. Objetiva-se, nestas duas partes, identificar a origem da lexia simples e informações etimológicas; quais os tipos de renovação as lexias do corpus trazem para o léxico do português brasileiro e quando (e se) as acepções do domínio discursivo da moda são incorporadas e possíveis adaptações dos estrangeirismos e de mudanças em seus verbetes ao longo do tempo pesquisado.

Dois itens linguísticos, ainda que expressivos no corpus, seguem sem serem legitimados pelos dicionários gerais de língua portuguesa impressos (foram verificados apenas em dicionário virtual): o francesismo maison e o anglicismo hype. Todavia serão analisados juntamente com os demais sempre que existirem dados a serem expostos.

E, finalmente na terceira e última parte do capítulo, chega-se ao objetivo central deste trabalho, que é o de refletir a respeito da importância do dicionário como obra legitimadora do léxico, em seu formato tradicional – o impresso – para a sociedade contemporânea.