1.2. METODOLOGIA DA PESQUISA
1.2.4 O DELINEAMENTO DA PESQUISA E A COLETA DE DADOS
A concepção do estudo pode ser definida como uma sequência lógica que une os dados empíricos às questões introdutórias e às conclusões. Para Yin (2001), a concepção é uma ação planejada, é um guia para o investigador, onde possa coletar dados, analisar e interpretar as observações. Também para Castro (2003), é
o mapeamento que indica o caminho, desde formulação das questões até o conjunto de resultados ou conclusões sobre o estudo.
Para Godoy (2006), Yin (2001), a coleta de dados no estudo pode ser feita em especial, a partir de seis fontes de evidência – documentos, registros em arquivos, entrevistas, observação direta, observação participante e artefatos físicos – que podem ser combinados de diferentes formas. Segundo o autor, é possível reuni-las em três grupos principais: observação, entrevistas e documentos.
A observação tem um papel fundamental no estudo qualitativo. Por meio da observação procura-se apreender aparências, eventos e/ou comportamentos. A entrevista semi-estruturada tem como objetivo compreender os significados que os entrevistados atribuem às questões e situação relativas ao tema. Neste caso, a entrevista é utilizada para recolher dados descritivos, possibilitando ao investigador desenvolver uma ideia sobre a maneira como os entrevistados interpretam os aspectos de mundo. É adequada quando o pesquisador deseja apreender a compreensão de mundo do entrevistado. Os documentos trazem contribuições importantes para o estudo em questão. Documentos devem ser entendidos de forma ampla, incluindo os materiais escritos, (como recortes de jornais, textos, cartas, relatórios internos e externos, documentos administrativos) o uso dos documentos dá-se em função da corroboração e ampliação das evidências de outras fontes (GODOY, 2006, p. 133,134,135).
Seguindo a orientação dos autores, foi dessa forma que desenvolvemos nosso trabalho de pesquisa de coleta de dados, iniciando com uma visita à sede da ANTEAG em São Paulo durante três dias, para buscar o maior número de documentos, atas, relatórios, artigos, revistas e outras publicações referente à entidade.
Em se tratando de estudos em organizações, alguns aspectos referente à coleta de dados merecem destaque, conforme descreve Godoy (2006). Antes de iniciar o trabalho de campo, é preciso conhecer um pouco da história, da estrutura e do funcionamento da organização. Desta forma, isso facilitou o nosso estudo, pois fazendo parte da direção da ANTEAG o acesso foi facilitado. O exame de documentos realizado no primeiro momento teve como objetivo um maior entendimento do início da entidade e a cronologia dos seus 16 anos de vida.
Para a realização das entrevistas, seguimos alguns procedimentos inerentes às entrevistas qualitativas, conforme descreve GODOY (2006, p.304), afirmando que na pratica, há três modalidades principais;
a) A entrevista convencional livre em torno de um tema, caracterizada pelo surgimento das perguntas nos contextos e nos cursos naturais à interação, sem que haja uma previsão de perguntas nem de reações a elas;
b) A entrevista baseada em roteiro, caracterizada pela preparação desse roteiro e por dar ao entrevistador flexibilidade para ordenar e formular as perguntas durante a entrevista;
c) A entrevista padronizada aberta, caracterizada pelo emprego de uma lista de perguntas ordenadas e redigidas por igual para todos os entrevistados, porém de resposta aberta.
As entrevistas realizadas foram do tipo “semi-estruturada”, o que permitiu uma maior interação, compreensão e esclarecimentos de dúvidas com os entrevistados.
Estas entrevistas seguiram um roteiro, com a finalidade de um direcionamento para atingir os objetivos do estudo, roteiro este demonstrado nos anexos deste trabalho.
No primeiro momento, foram realizadas entrevistas com os três principais membros fundadores da entidade. Num segundo momento, foram realizadas entrevistas com os cinco coordenadores de departamentos da ANTEAG. A entrevista com os departamentos teve como principal foco o de educação. No terceiro momento foi realizado um focus group com os dirigentes, e quarto momento, realizamos entrevistas com quatro cooperativas e/ou associações que demandam serviços e se relacionam com a entidade.
Conforme descrevemos na introdução deste trabalho, para atingirmos o objetivo geral do estudo proposto, foram definidos três objetivos específicos, conforme descrito seguir.
1-Objetivo Específico
Descrever o histórico da Anteag
Procedimentos
Realizada pesquisa documental-bibliográfica e de campo com entrevistas em
profundidade com roteiro semi-estruturado, e história de vida com as pessoas
fundadoras e mais experientes da Anteag e com o responsável pela educação
cooperativista e autogestão.
2-Objetivo Específico
Identificar a percepção da diretoria da Anteag sobre a identidade organizacional e educação cooperativista e autogestão
Procedimentos
Entrevistas do tipo focus group com a Diretoria.
3-Objetivo Específico
Identificar a percepção, compreensão de outros atores e ou cooperativas que se relacionam com a entidade.
Procedimento
Entrevistas em profundidade com roteiro semi-estruturado
Quadro 7: Objetivos específicos e procedimentos metodológicos Fronte: Adaptado pelo autor
É importante reconhecer que entrevistas individuais não são suficientes para a compreensão total da identidade organizacional; a memória de cada entrevistado é particular e isolada. O que ele passa ao entrevistador é o que ele pensa no momento, não representa como aspectos mais fidedignos a percepção e formação de uma identidade organizacional. Porém, são complementos necessários à compreensão dos dilemas e da complexidade que forma uma identidade organizacional.
Na figura a seguir procuramos demonstrar todos os passos para o desenvolvimento do trabalho proposto.
Definição do Problema
Objetivos do Pesquisa
Escudo de Pesquisa Qualitativa
Coleta de Dados (Documentos / Entrevistas)
Anális dos Dados
Resultados Satisfatório
Fundamentação Teórica
ANTEAG Identidade organizacional,
Educação Cooperativista e Autogestão
Autogestão Cooperativismo
Economia Solidária
CONCLUSÃO SIM
NÃO
Figura 7: Delineamento da atual pesquisa Fonte Elaborado pelo autor
Conforme a figura acima colabora para uma maior compreensão do andamento da pesquisa realizada.
Para realização das entrevistas, foram agendadas as entrevistas de acordo com a disponibilidade dos entrevistados, bem como do entrevistador. O tempo médio de cada entrevista foi de 1 hora à 2 horas. O tempo médio de vivência dos entrevistados com a ANTEAG, com o cooperativismo e com a economia solidária é de 12 (doze) anos. Antes das entrevistas, foi apresentado a cada entrevistado o objetivo da pesquisa, bem como foi dada a garantia de que não seria divulgado seus nomes, só sua função dentro da entidade. Todos concordaram em conceder e gravar as entrevistas.
Com o objetivo de facilitar a redação deste trabalho, elaboramos um quadro apresentado abaixo, atribuindo uma codificação para cada entrevistado, facilitando a reprodução literal ou parcial de cada entrevista.
Entrevistados Função E1 Fundador da Anteag
E2 Fundador da Anteag E3 Fundador da Anteag
E4 Coordenador Relações Institucionais E5 Coordenador Departamento de Educação E6 Coordenador Departamento de Projetos E7 Coordenador Departamento de Comunicação
E8 Coordenador Departamento de Jurídico e Administrativo
E9 Diretor
E10 Diretor E11 Diretor E12 Diretor E13 Diretor
E14 Representante de Cooperativa E15 Representante de Cooperativa E16 Representante de Cooperativa E17 Representante de Cooperativa Quadro 8: Identificação dos entrevistados
Fonte: Elaborado pelo autor.
A unidade de análise pode ser um indivíduo, uma organização, um grupo, uma comunidade ou até mesmo uma nação. Todos estes tipos de unidades são sociais, entretanto, a análise pode ser definida, temporariamente, em determinado período ou evento ou espacialmente, o estudo de um fenômeno que ocorre num determinado local (YIN, 1994).
Conforme escreve Vieira, Peixoto e Khoury (2000) em seu livro a Pesquisa em História, o que propomos não é um estudo paralelo do social, do cultural, do econômico, do político, mas sim um estudo que leve em conta todas essas aparentes dimensões, sem qualquer compartimentação ou subordinação. Neste sentido, interessam ao investigador as lutas reais; não só aquelas que se expressam sob forma organizada, como também as formas não demostradas de resistência,
estratégias ocultas de subordinação e controle; com isso, incorpora grandes áreas de resistência humana, essenciais para a compreensão do social.
No sentido epistemológico, o método é a maneira que permite chegar ao lugar desejado. Método é um conjunto de medidas eficazes para se obter um resultado, os meios através dos quais se atingem os objetivos pré-definidos.
Para Morin (2002), o método degrada-se em técnicas porque a teoria se tornou um programa; o método, para ser estabelecido, precisa de estratégia, iniciativa e arte. O método é a práxis fenomenal, subjetiva, concreta, que precisa de geratividade paradigmático-teórica, mas que, por sua vez, regenera esta geratividade. Desta maneira, a teoria não é o fim do conhecimento, mas um meio-fim inscrito em constante recorrência.
A entrevista é uma prática de pesquisa muito utilizada nas ciências sociais, conforme descreve Fontana e Frey (2000). Os cientistas sociais costumam reconhecer as entrevistas como encontros internacionais e a dinâmica social da entrevista pode determinar a natureza do conhecimento gerado.
Na entrevista focalizada existe um foco de interesse predeterminado que orienta a conversação e atua como parâmetro na seleção dos entrevistados. Além do roteiro, instrumentos eletrônicos, como gravador, filmadora e as transcrições, pretendem eliminar as imprecisões das anotações de campo, bem como permitem ampliar a possibilidade de acesso público aos resultados, com elevado detalhamento. O objetivo mais interessante de entrevistas qualitativas é a busca de produção de discursos motivacionais inconscientes (SIERRA, 1998). O estímulo do entrevistador é fazer o entrevistado expressar o que sente, e não só o que pensa e recorda.
Para Oliveira e Freitas (2006), o focus group é um tipo de entrevista em profundidade, realizada em grupo, cujas reuniões têm características definidas quanto à proposta, o foco ou objeto de análise com interação dentro do grupo. Os participantes influenciam uns aos outros pelas respostas e ideais e colocações durante a reunião, estimulados por comentários ou questões fornecidas pelo moderador. Os dados fundamentais produzidos por essa técnica são transcritos das discussões do grupo.
O focus group também pode servir para fornecer efetivo substituto para a especulação, na tentativa de explicar resultados anormais.
Focus group é um tipo de entrevista em profundidade realizada em grupo, cujas reuniões têm características definidas quanto às suas propostas, possui vantagens e desvantagens na sua execução. Segundo Oliveira e Freitas (2006), veremos a seguir um quadro explicativo das vantagens e desvantagens do focus group.
Vantagens Desvantagens
-Comparativamente, é fácil de conduzir -Não é baseado em um ambiente natural.
-Habilidade em explorar tópicos e gerar hipótese
-Pesquisador tem menor controle sobre os dados gerados (no caso de existir um grupo de questões predefinidas ou uma forte necessidade de manter comparação entre as entrevistas).
-Oportunidade de coletar dados a partir da interação do grupo, o qual se concentra no tópico de interesse do pesquisador.
-Não é possível saber se a interação em grupo se reflete ou não no comportamento individual.
-Alta validade dos dados, ou seja, além de o procedimento medir efetivamente o que se deseja, tem-se plena legitimidade e convicção ou crença nos dados coletados.
-Os dados são mais difíceis de analisar.
A interação do grupo forma um ambiente social e os comentários devem ser interpretados neste contexto.
-Baixo custo em relação a outros métodos.
-Exige entrevistadores treinados -Rapidez no fornecimento dos resultados
(em termos de evidência da reunião do grupo).
-É difícil reunir os grupos.
Permite ao pesquisador aumentar o tamanho da amostra dos estudos qualitativos.
-A discussão deve ser conduzida em ambiente que propicie o diálogo.
Quadro 9: Vantagens e Desvantagens do Focus Group
Fonte: Elaborado a partir de Krueger (1994) e Morgan (1988), por OLIVEIRA, M., FREITAS, H. Focus group: instrumentalizando o seu planejamento. In: GODOI, C. K.; SILVA, A. B. da.; MELLO, R. B. de (org). Pesquisa qualitativa em estudos organizacionais: paradigmas, estratégias e métodos. (2006).
Fazendo uma revisão documental, entrevistando os fundadores da ANTEAG, seu quadro de coordenadores de departamentos que executam as atividades de educação/formação, a direção da entidade e mais alguns atores envolvidos, os movimentos políticos, econômicos e culturais que influenciaram seu histórico e a percepção de sua identidade organizacional, suas ideias e práticas de educação cooperativista e autogestão.