Nesse estudo estão inseridas as principais correntes abordadas pelos professores durante o aprendizado em sala de aula no campo do empreendedorismo e a relação existente entre a teoria ensinada e a prática vivida pelos alunos que seguiram a carreira empresarial. Segundo Dolabela (2008, p. 59)
"empreendedorismo é um neologismo derivado da livre tradução da palavra entrepreneurship e utilizado para designar os estudos relativos ao empreendedor, seu perfil, suas origens, seu sistema de atividades, seu universo de atuação”. Para Dornelas (2001, p. 28) “pode ser definido como o envolvimento de pessoas e processos que, em conjunto, levam à transformação de ideias em oportunidades".
Assim inicia um caminho que não há como prever os resultados, apenas estimá-los, utilizando as estratégias aprendidas dentro do curso. Nesse processo deve haver uma certa devoção do empreendedor, comprometimento, tempo e ousadia para correr riscos.
O empreendedorismo é um dos grandes responsáveis pelo impulso da economia de um país. Ele responde por uma boa parte da fatia do crescimento econômico, aquece o mercado com a abertura de novos negócios, oportunidades de investimentos, gera empregos e cria produtos ou serviços que geram valor para os clientes. Além disso consome produtos financeiros, se abastece de produtos ou serviços de outras empresas já existentes e aumenta a concorrência. Com tantas opções ofertadas no mercado, as pessoas vão consumir mais, contribuindo para a roda da economia ficar maior e sempre girando. Consequentemente, um consumo maior, gera mais impostos e eleva o PIB (Produto Interno Bruto), índice que mensura o crescimento econômico de uma região.
Estamos na era em que empreender pode derrubar as barreiras comerciais e culturais perpetradas dentro de conceitos antiquados, criando novas relações de trabalho, quebrando tabus e gerando riqueza para a sociedade. O espírito empreendedor pode está presente em todas as pessoas dos mais diferentes perfis.
E como existem diversas áreas, onde este conceito pode ser aplicado, como empreendedorismo social, sustentável, corporativo, criativo, cultural, entre outros, esse estudo irá se ater aos empreendedores donos do seu próprio negócio e que abriram uma empresa.
Muitos empreendedores costumam agir de forma autônoma, dizem que tem o faro para os negócios e possuem a capacidade de executar as ideias assumindo os riscos inerentes da decisão de abrir um negócio. A formação pode ser um grande aliado para utilizar de estratégias e analisar aspectos importantes como viabilidade econômica, mercadológica e financeira. De acordo com Chiavenato (2004, p. 21) “o ideal é contar com a sua própria capacidade e o seu preparo técnico e profissional para o novo desafio”.
Dados do CFA – Conselho Federal de Administração mostra que o número de administradores crescia continuamente entre 2004 e 2011 quando sofreu uma sensível queda e estabilizou em 2015 com 34% de crescimento no país. A maioria dos graduados são do sexo masculino, casados e com dependentes, idade média de 33 anos, egressos de universidades particulares e ocupam cargos de gerência ou de analista em empresas de grande porte (serviços e indústria) e órgãos públicos.
As instituições de natureza privada são responsáveis por formar 82,44% dos administradores.
O estudo da administração proporciona recursos para lidar com as adversidades que aparecem no caminho, com isso surge a necessidade de conhecer as tendências mundiais. “Para vencer os mercados globais e altamente competitivos, as organizações bem-sucedidas compartilham uma forte ênfase em inovação, aprendizado e colaboração” Chiavenato (2003. p. 570), onde ele enumera seis ações: as empresas devem se organizar de acordo com a demanda, estipular altos objetivos, estimular os seus colaboradores a serem criativos com visão ampla do mercado, estimular o empreendimento, promover o aprendizado de seus funcionários constantemente e desenvolver parcerias.
Para um negócio prosperar é necessário que a organização seja eficiente, que utilize os recursos certos nas funções certas e melhore o grau de eficiência de cada recurso disponível. “Assim, a administração é imprescindível para a existência, sobrevivência e sucesso das organizações. Sem a administração as organizações jamais teriam condições de existir e de crescer” de acordo com Chiavenato (2003. p.
2). Não há dúvidas que existem empreendedores com formação em outras áreas do
conhecimento, mas isso mostra que uma maioria esmagadora de empreendedores pode está envolvida diretamente com a administração.
A administração é uma ciência que lida com pessoas e de alguma forma, essa habilidade inerente ao administrador, está presente em sua vida cotidiana, como lembra Chiavenato (2003.
p. 10) “a tarefa básica da Administração é a de fazer as coisas por meio das pessoas de maneira eficiente e eficaz”. Essa e outras habilidades são peças que se encaixam com outras no meio da trajetória acadêmica e que determinam as tomadas de decisões.
2.1.1 Empreendedor ou administrador
Como expõe Dornelas (2001), "o administrador tem sido objeto de estudo há muito mais tempo que o empreendedor, e, mesmo assim, ainda persistem dúvidas sobre o que o administrador realmente faz". Nesse caso a proposta está em observar, descrever e mensurar as características do empreendedor que estão presentes entre os estudantes que conseguiram vencer as barreiras da burocracia no Brasil e arriscaram abrir suas empresas.
De certo, que todo empreendedor deve ser um excelente administrador, no entanto a arte de empreender requer outras atitudes que os diferenciam dos demais administradores. Chiavenato (2004) caracteriza o ímpeto empreendedor em três pontos:
1. Necessidade de realização: cada pessoa é única e possui necessidades próprias de realização. Algumas se contentam com o básico e seguem o fluxo dominante no mundo contemporâneo com o modelo de emprego que conhecemos hoje e que existe há dois séculos. Porém existem outros tipos de pessoas com uma alta necessidade de se realizar, não se importam com o mundo competitivo e sentem que suas conquistas dependem de si mesmas. Característica presente na maioria dos executivos que conquistam sucessos nas grandes corporações.
2. Disposição para assumir riscos: esse é um dos fatores que mais repelem as pessoas de seguirem seus instintos, no entanto para outras é apenas motivação para alcançar sua ambição de seguir um plano desenhado dentro de sua cabeça. O empreendedor assume riscos financeiros quando investe seu capital e abandona
empregos tradicionais com carreiras muitas vezes já estáveis e bem definidas. Além de riscos familiares, quando envolve a família no negócio, riscos psicológicos já que há a possibilidade também do fracasso. Esses riscos porém, podem e devem ser calculados, pois existem situações que se planejadas com antecedência exercem um determinado controle pessoal sobre o resultado, contrastando com os riscos de um jogo, por exemplo, que depende unicamente de sorte. O risco moderado mostra a autoconfiança do empreendedor.
3. Autoconfiança: pesquisas apontam que empreendedores bem sucedidos são independentes, conseguem prever os pontos fracos do novo negócio, mas tem confiança em suas habilidades interpessoais para enfrentar esses desafios. É evidente que tudo feito com planejamento e estudo dará autoconfiança para encarar de uma forma mais confortável os riscos de qualquer projeto que será executado.
Contribuindo para a abordagem anterior, Dolabela (2008) procura resumir alguns traços característicos de empreendedores de sucesso: perseverança, iniciativa, criatividade, protagonismo, energia, rebeldia a padrões impostos, capacidade de diferenciar-se, comprometimento, capacidade incomum de trabalho, liderança, orientação para o futuro, imaginação, proatividade, tolerância a riscos moderados e alta tolerância a ambiguidade e incerteza. Essas características podem se diferenciar de acordo com o ramo de cada empresa.
Para Dornelas (2001, p. 22) “o empreendedor de sucesso possui características extras, além dos atributos do administrador, e alguns atributos pessoais que, somados a características sociológicas e ambientais, permitem o nascimento de uma nova empresa”. Entre tais estão: ser visionário, sabedoria na tomada de decisões, fazer a diferença, conseguem explorar ao máximo as oportunidades, determinação e dinamismo, dedicação, otimismo e paixão pelo que se prestam a fazer, são independentes e constroem o próprio destino, ficam ricos, são líderes e formadores de times, tem bons relacionamentos, são organizados, sabem planejar, possuem conhecimento, assumem riscos calculados e geram valor para a sociedade.
Há quem diga que o espírito de empreender é inato, ele já nasce dentro das pessoas com esse dom, e são predestinados ao sucesso no mundo dos negócios.
Isso algumas vezes desencoraja pessoas que não nasceram com esse perfil.
Contudo, acredita-se que sim, o processo de empreender pode ser transmitido e aprendido por quem desejar. Os empreendedores inatos não deixarão de existir e deverão continuar sendo as referências de casos que erraram algumas vezes, mas
que conseguiram superar cada erro e brilhar no mundo tão concorrido e duro que é o dos negócios. De inspiração existem nomes como Steve Jobs que chegou a ser expulso de sua própria empresa e hoje é um ícone de empreendedorismo, por nunca ter desistido de acreditar no seu potencial e de lutar pelo que acreditava.