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a melhoria do curso/IES, em um prazo não superior a 1 ano. Durante o período de duração do protocolo de compromisso, a IES deve apresentar relatórios periódicos ao MEC/INEP. Ao final do prazo, o curso/IES será reavaliado por uma comissão de avaliadores do INEP, que norteados pelo mesmo instrumento aplicável às avaliações de cursos/IES, atribuirá CC ou CI reavaliados, considerando a atividade educacional globalmente. A manutenção de conceitos insatisfatórios prevê a aplicação de penalidades como a suspensão de vagas e a cassação da autorização da IES ou do reconhecimento de cursos (BRASIL, LEI Nº 10.861/2003; BRASIL, DECRETO Nº 5773/2006; MEC, PORTARIA NORMATIVA Nº 40/2007; MEC, PORTARIA NORMATIVA Nº 4/2008).

O cenário atual do SINAES soa para muitos estudiosos da avaliação como um retrocesso, uma vez que a divulgação desses indicadores, CPC e IGC, concentram, num único momento, informações de um único “pilar” do sistema – o ENADE – classificando cursos e IES e tendo como resultado um ranqueamento (POLIDORI, 2009; MARTINS, ALONSO; 2012). A supervalorização dos resultados do ENADE também traz a tona discussões sobre as formas como este tem interferido na gestão pedagógica dos cursos.

Nesta dissertação, os resultados do ENADE do Curso de Administração da UNIVALI, campus Itajaí, são o foco de estudo. Para tanto, se faz necessário inicialmente compreender a evolução dos cursos de administração no Brasil,próximo item desta revisão de literatura.

inicialmente aos países vizinhos e mais tarde a todos os continentes.

(COIMBRA, 2007, p. 11).

Entretanto, os estudos sobre os processos de gestão datam de muitos anos antes, quando Adam Smith (1776), James Watt (1800), Robert Owen (1810), Charles Babbage (1832), Henry Poor (1855), Daniel McCallum (1856) se dedicaram a compreender os fenômenos organizacionais (ANDRADE; AMBONI, 2007).

O início do século XX marca a história da administração. Os resultados dos estudos e práticas de Frederick Wislow Taylor, Henry Ford e Frank e Lilian Gilbreth, resultaram na escola denominada administração científica ou taylorismo, alterando as bases da administração. Seus estudos – baseados na divisão e racionalização do trabalho, na linha de montagem, trabalhador especializado e produção em massa – incrementam aos processos produtivos a tão almejada eficiência.

Essas novas tendências logo chegam aos currículos das escolas de administração. Em 1908, é fundada a famosa Harvard University que dispensa parte de seu currículo ao estudo do taylorismo (COIMBRA, 2010).

Entretanto, no Brasil, conforme aponta o Conselho Federal de Administração - CFA, os cursos de administração têm uma história relativamente curta, ao ser comparada aos Estados Unidos da América - EUA. Quando se iniciou o ensino da administração em terras brasileiras, os EUA já formavam em torno de 50 mil bacharéis, 4 mil mestres e cem doutores por ano (CFA, 2013).

A primeira iniciativa brasileira em prol do estudo da administração é a criação, em São Paulo, do Instituto de Organização Racional do Trabalho – IDORT. O IDORT era constituído por um grupo de empresários e professores que tinham o objetivo de estudar o gerenciamento do trabalho, a fim de melhorar o padrão de vida dos trabalhadores, por meio da disseminação dos estudos tayloristas. Logo na sequencia, em 1938, é instituído, pelo Governo Vargas, o Departamento Administrativo do Serviço Público – DASP. Este departamento estabeleceu padrões de eficiência no serviço público federal, criando canais mais democráticos ao recrutamento de pessoas para a administração pública. Seu grande objetivo era formar quadros para gerenciar a máquina governamental (ANDRADE; AMBONI, 2007; COIMBRA, 2007; ROMUALDO, 2012). “Inicia-se, assim, o crescimento do ensino de Administração no Brasil, próximo dos padrões conhecidos atualmente,

com a implantação da Escola Superior de Administração de Negócios – ESAN, em 1941, em São Paulo [...].”. (AMBONI; ANDRADE, 2007, p. 9).

Em 1944, o Governo autoriza a criação da Fundação Getúlio Vargas - FGV, com a atribuição de estudar as organizações, a racionalização do trabalho e preparar profissionais em nível superior. A FGV, em 1952, cria a Escola Brasileira de Administração Pública (EBAP) e em 1954 a Escola de Administração de Empresas de São Paulo (EAESP), visando atender a demanda do empresariado. Também nesta trajetória, em 1956, é criada da Faculdade de Administração e Economia (FEA) pela Universidade de São Paulo (USP) (COIMBRA, 2007; ROMUALDO, 2012).

Destaca-se neste período a forte influência americana na estruturação acadêmica dos cursos de administração brasileiros. Tanto que

No Início das atividades a EAESP fez convênio com a USAID United States Agency for International Development, agência governamental voltada para o desenvolvimento internacional onde garantia a permanência de docentes americanos junto a EAESP e intercâmbio de professores brasileiros para cursarem pós-graduação nos Estados Unidos. Essa atividade conjunta permaneceu até 1965.

(ROMUALDO, 2012, p. 114).

Neste contexto de crescimento do ensino da administração e sua relevância para o processo de industrialização e consequente desenvolvimento do país, em 1965, a Lei nº 4.769, de 9 de setembro, regulamenta o exercício da profissão25. Com essa Lei, explica o CFA (2013) o acesso ao mercado profissional seria privativo dos portadores de títulos expedidos pelo sistema universitário.

Tomando como base a Lei que regulamentou a profissão, em 1966 o CFE, por meio do Parecer nº 307 fixou o primeiro currículo mínimo para os cursos de administração do país. Com duração de 2.700 horas, o currículo seria constituído das seguintes matérias: Matemática; Estatística; Contabilidade; Teoria Econômica;

Economia Brasileira; Psicologia Aplicada à Administração; Sociologia Aplicada à Administração; Instituições de Direito Público e Privado (incluindo Noções de Ética Administrativa); Legislação Social; Legislação Tributária; Teoria Geral da

25 A Lei nº 4.769, de 9 de setembro de 1965 habilitava para o profissão de Técnico em Administração, denominação que foi alterada para Administrador pela Lei nº 7.321, de 13/06/1985 (MEC, 2005).

Administração; Administração Financeira e Orçamento; Administração de Pessoal;

Administração de Material. A esse elenco de matérias, ainda era obrigatório cursar Direito Administrativo, ou Administração de Produção ou Administração de Vendas, segundo a opção do aluno; além da realização de um estágio supervisionado de seis meses (CFA, 2013; MEC, 2005).

Inicialmente, admitia-se somente a oferta dos cursos de Administração Pública e de Administração de Empresas. Entretanto, a Resolução MEC nº 18, de 12 de julho de 1973; e a Resolução MEC nº 21, de 15 de agosto de 1973, incluíram respectivamente as habilitações em Administração Hospitalar e Administração em Comércio Exterior. As disciplinas específicas para cada curso eram estabelecidas nos próprios currículos mínimos, nas chamadas “Matérias de Formação Profissional”

(MEC, 2005).

Em 1993, o MEC edita uma nova resolução, buscando tornar os currículos de administração mais modernos – denominados de currículos plenos, com vistas a atender as especificidades das regiões, que demandavam formações mais especialistas ou generalistas. Neste sentido, a Resolução MEC/CFE nº 2, de 4 de outubro de 1993, possibilita às IES a criação de currículos plenos, os quais deveriam em suas grades curriculares manter as disciplinas obrigatórias expressas no Parecer nº 307/1966, podendo incrementar com conteúdos específicos correlacionados ao foco do curso em determinada área da administração (MEC, 2005).

Neste momento, inicia-se o que ficou conhecido como a “Farra das Habilitações”, que originaram cursos de administração nas mais variadas áreas de atuação. Este movimento foi contido somente em 2004, com a instituição das Diretrizes Curriculares Nacionais para os Cursos de Graduação em Administração – DCNAdm (Resolução CNE/CES nº 1, de 02 de fevereiro de 2004), que foram alteradas em 2005 pela Resolução CNE/CES nº 4, de 13 de julho de 2005, as quais extinguiam as habilitações.

As Diretrizes Curriculares orientam a organização pedagógica dos cursos, a qual é expressa em seu projeto pedagógico por meio do perfil de formando, das competências e habilidades, dos componentes curriculares, do estágio supervisionado, das atividades complementares, do sistema de avaliação, do projeto de iniciação científica e do regime de oferta. Diferentemente dos currículos mínimos e plenos, as DCNAdm não determinam matérias obrigatórias a serem incluídas na

organização curricular. Definem, sim, campos de formação interrelacionados, a saber: conteúdos de formação básica, conteúdos de formação profissional, conteúdos de estudos quantitativos e suas tecnologias e conteúdos de formação complementar.

O Quadro 05 apresenta os conteúdos que compõem cada campo de formação expresso nas DCNAdm.

QUADRO 05 – Campos de Formação dos Cursos de Administração CONTEÚDOS DE

FORMAÇÃO BÁSICA

CONTEÚDOS DE FORMAÇÃO PROFISSIONAL

CONTEÚDOS DE ESTUDOS QUANTITATIVOS E SUAS TECNOLOGIAS

CONTEÚDOS DE FORMAÇÃO COMPLEMENTAR

Estudos antropológicos,

sociológicos, filosóficos, psicológicos, ético- profissionais, políticos,

comportamentais, econômicos e contábeis, bem como

os relacionados com as tecnologias da comunicação e da

informação e das ciências jurídicas

Teorias da administração e das

organizações e a administração de recursos humanos, mercado e marketing, materiais, produção e logística, financeira e orçamentária, sistemas

de informações, planejamento estratégico e serviços;

Pesquisa operacional, teoria dos jogos, modelos matemáticos

e estatísticos e aplicação de tecnologias que contribuam para a definição e utilização

de estratégias e procedimentos

inerentes à administração;

Estudos opcionais de caráter transversal e interdisciplinar para o enriquecimento do perfil do formando.

Fonte: Elaborado pela autora, com base na Resolução CNE/CES nº 4, de 13 de julho de 2005.

Conforme observado no Censo da Educação Superior de 2012, os cursos de administração são os que possuem mais matrículas, totalizando 883.042 matrículas, sendo a primeira opção entre os homens e a segunda entre as mulheres.

A Tabela 02 expressa a evolução dos cursos de administração de 1960 a 2010.

TABELA 02 – Número de cursos nas décadas de 60, 70, 80, 90 e 2000.

DÉCADAS

NÚMERO DE CURSOS

Antes de 1960 2

1960 31

1970 247

1980 305

1990 823

2000 1.462

2010 1.805

Fonte: CFA, 2013

No período apresentado, a evolução do número dos cursos de administração acompanhou o cenário da educação superior nacional. Entre 1990 e 2000, houve o crescimento exponencial que praticamente duplicou o número dos cursos, período no qual, conforme exposto no item 2.2.1, a educação superior brasileira, influenciada pela adoção das políticas neoliberais pelo Governo, abriu espaço para o crescimento das IES, principalmente pelas vias da privatização. Nos últimos 10 anos houve uma retração desse crescimento, em virtude do fortalecimento das políticas de regulação e avaliação e de investimentos destinados às IES públicas.

3 INVESTIGANDO OS RESULTADOS DO CURSO DE ADMINISTRAÇÃO NO ENADE

Este capítulo é dedicado ao estudo sobre os resultados do Curso de Administração da UNIVALI, Campus Itajaí, no ENADE. Para tanto, faz-se necessário contextualizar a pesquisa, neste caso, caracterizando a UNIVALI, o Centro de Ciências Sociais Aplicadas – Gestão e o Curso de Administração do Campus Itajaí, Posteriormente, o capítulo se dedicará ao desenvolvimento dos objetivos específicos, enfatizando os procedimentos metodológicos necessários no tratamento dos dados, discussão e análises dos resultados.

Entender os fatores envolvidos nos resultados do Curso de Administração nas Provas do ENADE, principalmente os causadores da queda de desempenho no ano de 2012, são importantes para a gestão didático-pedagógica não somente do curso em questão, mas dos cursos de administração de uma maneira geral. Assim, as competências, o currículo e os conteúdos curriculares são detalhadamente analisados a seguir, a fim de diagnosticar as possíveis incongruências que possam embasar ações para a melhoria do curso.

Na intenção de levantar correlações entre o desempenho dos alunos e os processos de ensino-aprendizagem desenvolvidos no curso, os planos de ensino26 das disciplinas relacionadas às questões de menor e maior desempenho nas Provas do ENADE foram analisados a fim de se identificar qual o domínio cognitivo27 desenvolvido na disciplina. Contudo, se tomará como base para esta análise somente os desempenhos dos concluintes, uma vez que os ingressantes, no momento de realização das provas, não cursaram todas as disciplinas, sendo inviável estabelecer relações para este grupo.

26 Faz-se necessário destacar ainda que os planos de ensino na UNIVALI são submetidos semestralmente e encontram-se disponíveis para acesso no Sistema Acadêmico da Vice-Reitoria de Graduação. Portanto, para se manter a coerência nas análises, os planos de ensino utilizados foram aqueles referentes ao ano/semestre cursados pelos alunos concluintes que realizaram cada prova.

27 Os domínios cognitivos das disciplinas foram estabelecidos a partir da análise dos objetivos de aprendizagem dos planos de ensino, com base na classificação de Bloom.