Na análise dos parâmetros físicos do habitat para o rio do Braço (Figura 13) observou-se que para todos os parâmetros analisados, as pontuações mantiveram valores entre 14 e 16.
Nota-se uma boa resposta do rio ao parâmetro flutuações do nível do canal (5) e uma grande variação nas pontuações dos demais parâmetros, especialmente no que se refere à vegetação. Comparando-se cada ponto amostral do rio do Braço em termos de qualidade do habitat físico (Figura 14), o ponto #1 mostra a melhor qualidade ambiental (176 pontos de 180), referente ao somatório das notas atribuídas a cada parâmetro analisado, seguidos dos pontos #2 e #4, todos compreendendo a categoria “ótima”. Por outro lado, o ponto amostral
#3 com 100 pontos, com a menor pontuação, corresponde à categoria “boa” da avaliação das condições observadas no trecho (Figura 14).
As médias atribuídas aos parâmetros de qualidade física do habitat para o rio Canhanduba (Figura 15) oscilaram entre 16 e 18 pontos, contudo, o parâmetro estado de conservação da vegetação do entorno (9) apresenta maior valor. Neste rio, podemos observar um aumento da qualidade ambiental no sentido montante até o ponto #4, posteriormente variando entre o ponto #5 e #10 (Figura 16). Somente os pontos #1, #2 e #7 ficaram abaixo da nota mínima classificada como “ótima”.
A variação das notas atribuídas aos parâmetros analisados no rio Itapocú (Figura 17) é grande, com valores médios entre 12 a 16, sendo que o parâmetro flutuações do nível do canal (5) e alterações no canal (6) obtiveram as maiores notas, enquanto que os parâmetros sinuosidade do canal (4) a menor média em relação aos outros parâmetros. Porém, os parâmetros substrato de fundo (1) e proteção vegetal das margens (8) apresentaram as maiores variações nas notas atribuídas. No rio Itapocú, a menor qualidade ambiental observada, em relação aos parâmetros físicos do habitat (Figura 18), está no ponto amostral
#2, sendo classificado na categoria “regular” com 76 pontos. Por outro lado, a maior pontuação se encontra no ponto #5, com 161 pontos. Com exceção dos pontos #2 e #4, todos os outros pontos se mantiveram dentro da categoria “ótima”.
41 Figura 13. Média dos parâmetros físicos ao longo do rio do Braço (SC) em
2007 e 2008. Legenda: (1) Substrato de fundo; (2) Complexidade do habitat submerso; (3) Variação de velocidade e profundidade; (4) Sinuosidade do canal;
(5) Flutuações do nível do canal; (6) Alterações no canal; (7) Estabilidade dos barrancos; (8) Proteção vegetal das margens; (9) Estado de conservação da vegetação do entorno.
Figura 14. Somatório dos parâmetros físicos avaliados no rio do Braço (SC) em 2007 e 2008 por ponto amostral. Legenda: Ótima = 124 a 180; Boa = 81 a 123; Regular = 38 a 80; Péssima = 0 a 37.
42 Figura 15. Média dos parâmetros físicos ao longo do rio Canhanduba (SC)
em 2006. Legenda: (1) Substrato de fundo; (2) Complexidade do habitat submerso; (3) Variação de velocidade e profundidade; (4) Sinuosidade do canal;
(5) Flutuações do nível do canal; (6) Alterações no canal; (7) Estabilidade dos barrancos; (8) Proteção vegetal das margens; (9) Estado de conservação da vegetação do entorno.
Figura 16. Somatório dos parâmetros físicos avaliados no rio Canhanduba (SC) em 2006 por ponto amostral. Legenda: Ótima = 124 a 180; Boa = 81 a 123; Regular = 38 a 80; Péssima = 0 a 37.
43 Figura 17. Média dos parâmetros físicos ao longo do rio Itapocú (SC) em
2012. Legenda: (1) Substrato de fundo; (2) Complexidade do habitat submerso;
(3) Variação de velocidade e profundidade; (4) Sinuosidade do canal; (5) Flutuações do nível do canal; (6) Alterações no canal; (7) Estabilidade dos barrancos; (8) Proteção vegetal das margens; (9) Estado de conservação da vegetação do entorno.
Figura 18. Somatório dos parâmetros físicos avaliados no rio Itapocú (SC) em 2012 por ponto amostral. Legenda: Ótima = 124 a 180; Boa = 81 a 123;
Regular = 38 a 80; Péssima = 0 a 37.
44 Na análise de correlação canônica para o Rio do Braço (Figura 19) nota-se que cada ponto amostral comporta-se de maneira similar em sua composição de espécies para diferentes estações do ano. Neste contexto, observamos os pontos amostrais como unidades, onde cada uma delas é determinada por um conjunto de espécies indicadoras. Como exemplo, o ponto #4 tem como espécies indicadoras Astyanax laticeps, Oligossarcus hepsetus e Rhandia quellen, sendo que os fatores físicos que mais influenciam nesta distribuição são sinuosidade do canal (4) e variação de velocidade e profundidade (3). O ponto #1 está associado às espécies Hipostomus cf. punctatus e Phallocerus caudimaculatus com fatores físicos como flutuação do nível do canal (5), proteção vegetal das margens (8) e estabilidade dos barrancos (7) influenciando diretamente nestes resultados. Já os pontos #2 e #3 não sofrem influência significativa dos parâmetros físicos analisados, porém estão associados às espécies como Hyphessobrycon cf. luetkenii, Hyphessobrycon reticulatus e Astyanax aff.
Scabripinnis, para o ponto #2 e as espécies Hollandichtys multifasciatus, Phareiorhaphis steindachneri e Geophagus brasiliensis para o ponto #3.
CCA joint plot
Axis 2
Axis 1
1I 1P
1V 1O
2P 2V2I 2O
3I 3P
3O
4I 4P
4O A. s.
A. r.
A. l.
C. p.
D. s.
G. b.
H. p.
H. m.
H. l.
O. h.
P. m.
P. c.
P. s. P. p.R. 1
R. 2
-0.7 -1.4 -2.0 -2.7 -3.4 0.7 1.4 2.0 2.7 3.4
-0.7 0.7 1.4 2.0 2.7 3.4
SubF CHS
VVP
SinuC FNC
AltC EstBPVM ECVE
Vector scaling: 3,43
Figura 19. Análise de correspondência canônica para os parâmetros físicos, número de indivíduos e ponto amostral por estação do ano para o Rio do Braço.
45 Conforme observado na Figura 20, através da análise canônica, não se verifica forte influencia dos parâmetros abióticos sobre a distribuição dos organismos, tanto no que se refere aos pontos amostrais, quanto à sazonalidade.
CCA joint plot
Axis 2
Axis 1
1V
1O 1I 2V 1P
2O2P2I 3V
3O 3I
3P 4V 4O 4I
4P
5V 5O
5I
5P
6V 6O 6I
6P
7V
7O7I 7P 8V
8O
8I
8P 9V
9O 9I
10V 10O 9P A. s.10I A. a.
B. m.
B. sp.
C. p.
C. st.
C. h.
Co. p.
C. m.
C. s.
D. s.G. b.
G. c.
H. p.
H. ma.
H. l.
H. r.
M. m.
O. h.
P. m.
P. c.
P. h.
R. q.
R. l.
-1.3 -2.7 -4.0 -5.4 -6.7 1.3 2.7 4.0 5.4 6.7
-1.3 -2.7
-4.0 -5.4
-6.7 1.3 2.7 4.0 5.4 6.7
SubF
CHS
VVP
SinuC
FNC
AltC
EstB
PVM ECVE
Vector scaling: 8,23
Figura 20. Análise de correspondência canônica para os parâmetros físicos, número de indivíduos e ponto amostral por estação do ano para o Rio Canhanduba.
Na análise feita para o rio Itapocú verifica-se que os pontos respondem às variáveis abióticas em termos sazonais (Figura 21). O ponto # 3 na primavera, outono e verão, está associado às características de proteção vegetal das margens (8), estado de conservação da vegetação do entorno (9) e flutuações no nível do canal (5), apresentando espécies indicadoras como Hyphessobrycon cf. luetkenii, Rineloricaria sp. 1, Astyanax laticeps. Este mesmo ponto no inverno está relacionado às alterações no canal (6). Da mesma forma, foram verificadas respostas sazonais para os demais pontos amostrais do Rio Itapocú, denotando influência na distribuição dos peixes. Os pontos #1a e #1b, em todas as estações do ano, não são influenciados por parâmetros físicos, porém está associado à espécies como Bryconamericus sp., Oligossarcus hepsetus e Hyphessobrycon bifasciatus. O ponto
#4, nas estações de primavera e verão é influenciado por parâmetros como proteção vegetal
46 das margens (8), estado de conservação da vegetação do entorno (9) e flutuações no nível do canal (5). Enquanto que no outono e inverno, observa-se que esta influencia se da por parâmetros como alterações no canal (6), substrato de fundo (1) e complexidade do habitat submerso (2) e possui a espécie Bryconamericus sp. como indicadora. No ponto amostral
#5 é observada, em geral, a ausência de influência dos parâmetros físicos do rio como a de ictiofauna indicadora, exceto no período de inverno que está condicionado ao parâmetro sinuosidade do canal (4) e tem a espécie Microglanis cibelae como indicadora.
CCA joint plot
Axis 2
Axis 1 1aV
1aO 1aI
1aP
1bV 3V
3O 3I
3P 4V
4O4I
4P 5V
5I 5P
A. a.
A. l. A. sp 1 A. sp 2
B. m.
B. sp.
C. h.
C. a.
D. r.
G. b.
H. p.
H. le.
H. b.
M. c.
O. h.
O. n.P. sp.R. 1 R. 2
-0.8
-1.6
-2.4
-3.1
-3.9 0.8 1.6 2.4 3.1 3.9
-0.8 -1.6
-2.4 -3.1
-3.9 0.8 1.6 2.4 3.1 3.9
CHSSubF
VVP SinuC
FNC
AltC
EstB PVM
ECVE
Vector scaling: 3,27
Figura 21. Análise de correspondência canônica para os parâmetros físicos, número de indivíduos e ponto amostral por estação do ano para o Rio Itapocú.
47
5
DISCUSSÃOO presente estudo teve como objetivo analisar separadamente três rios de vertente Atlântica do litoral centro-norte do Estado de Santa Catariana, os rios do Braço, Canhanduba e Itapocú. Tendo em vista que os rios estudados apresentam características físicas distintas, bem como o emprego de seus esforços amostrais em relação ao número e cobertura geográfica dos seus pontos de coleta, torna-se inviável uma comparação entre os mesmos em termos de resultados da composição de ictiofauna. Também é importante destacar que o número de espécies da Floresta Atlântica varia muito de acordo com a região, dependendo da variação geomorfológica e climática local (MENEZES et al. 2007).
Segundo Menezes et al. (2007), a ocorrência de vários micro-habitats aquáticos, tais como águas abertas sombreadas ou expostas à luz solar, áreas próximas às margens, onde podem existir ambientes rasos ou fundos, o que varia de acordo com o grau de inclinação das margens, pode afetar a composição da ictiofauna. Além disso, as condições ecológicas como presença ou ausência de vegetação marginal, variações nos tipos de substrato (lamosos, rochosos ou arenosos), alterações no estado de conservação da cobertura vegetal e variações na hidrodinâmica do local, estabelecem condições específicas de habitat em diferentes trechos dos rios. O conjunto destes fatores, aliados ao fato de algumas espécies de peixes estarem adaptadas a apenas uma destas condições ecológicas e outras possuírem adaptações às grandes variedades de condições, resultam que a ocorrência das espécies varia de acordo com as condições ecológicas de cada local, e esteja diretamente ligada às chances de sobrevivência destes organismos á estas mudanças. Em um ambiente
“ideal”, onde todas as suas características ambientais estejam conservadas, espera-se encontrar um equilíbrio do mesmo. Quando este ambiente e modificado de maneira antropogênica ocorre um reflexo direto na ictiofauna, alterando a riqueza, a diversidade e abundância do local de maneira proporcional (MENEZES et al, 2007).
Em estudo realizado por Ferreira & Casatti (2006) em um riacho da microbacia de pastagem (SP), os rios estudados apresentam um padrão onde a maior parte dos seus trechos encontra-se pobre de vegetação nativa, este fator contribui para o aumento da incidência luminosa no local, incrementando a produtividade primaria autóctone. Essa é uma característica observada em alguns pontos amostrais dos rios estudados no presente trabalho. Desta forma, acredita-se que espécies menos adaptadas às modificações do ambiente podem ser excluídas, enquanto que espécie com maiores capacidades adaptativas e oportunistas vem a ser favorecidas. Esses fatores podem ter influenciado a
48 configuração da composição da ictiofauna dos rios do Braço, Canhanduba e Itapocú devido a diversas áreas estarem exposta a ações antrópicas.
O Rio do Braço está localizado em área rural e apesar de ter mostrado uma avaliação razoável quanto as suas margens, esta foi muito variável. A principal causa desta variação foi a ocorrência de rizicultura junto as suas margens, sendo esta provavelmente a principal responsável pelos processos erosivos que acarretam o assoreamento e consequente aumento da turbidez da água, como observado por Minatti-Ferreira & Beaumord (2004) para o rio Limeira (SC). Apesar disso, a análise dos dados coletados mostra uma qualidade ótima dos elementos físicos propostos no protocolo de avaliação rápida. O somatório dos valores atribuídos na avaliação, na maioria das vezes, está entre 160 e 180 (ótima), com somente um valor definindo o trecho com boa qualidade ambiental.
Segundo Menezes et al. (2007) e Marceniuk & Hilsdorf (2010) várias espécies de caracídeos do gênero Astyanax ocorrem preferencialmente em pequenos riachos de altitude, mas também são bastante comuns em águas mais abertas. No caso de pequenos riachos de floresta, em áreas mais cobertas por vegetação, estas são em parte substituídas por espécies mais especializadas do gênero Deuterodon. Esse fato pode ser constatado no ponto amostral #2 do rio do Braço, que foi avaliado com nota 16 (Bom) no parâmetro proteção vegetal das margens (8), possuindo áreas mais cobertas e outras expostas, apresentando características próximas à condição ideal, o que é favorável à instalação e ao desenvolvimento destas espécies de peixes. Por outro lado, mesmo que a avaliação do ponto amostral #3 o classifique como boa, as pontuações atribuídas aos parâmetros estabilidade dos barrancos (7), proteção vegetal das margens (8) e estado de conservação da vegetação do entorno (9) foram muito baixas. Estes parâmetros são fundamentais no auxilio da manutenção da diversidade biológica, explicando a baixa diversidade de espécies neste ponto. Neste mesmo local, é verificada a ocorrência do gênero Hyphessobrycom no período de inverno, o que de acordo com Menezes et al. (2007) ocorre devido às espécies deste gênero serem amplamente distribuídas na região sul do país, por sua capacidade de sobrevivência em vários tipos de ambiente e principalmente por sua capacidade de sobrevivência em áreas desmatadas.
A espécie Hollandichthys multifsciatus, segundo Oyakawa et al. (2006) e Menezes et al.
(2007), vive em associação com a vegetação submersa, capturando insetos. Esta observação corrobora à condição “ótima” dos pontos onde a espécie foi capturada, sendo explicado pelo fato de os pontos #1 e #2 possuírem melhores avaliações para o parâmetro complexidade do habitat submerso (2) no rio do Braço.
49 No rio Canhanduba, as espécies mais abundantes foram Deuterodon supparis, Hyphessobrycon cf. luetkenii, Astyanax altiparanae, e Geophagus brasiliensis. As duas primeiras, encontradas também no rio do Braço, estão associadas a locais com menor cobertura vegetal inclinada sobre as margens e sua ampla distribuição na região sul do Brasil, além de Hyphessobrycon cf. luetkenii sobreviver em áreas desmatadas (OYAKAWA et al., 2006). Por outro lado, Astyanax altiparanae pode ser encontrado tanto em áreas aberto onde existe alta intensidade luminosa, bem como em áreas sombreadas (MARCENIUK & HILSDORF 2010), aproveitando os diferentes habitat encontrados no rio Canhanduba com ótima qualidade ambiental. A capacidade de Geophagus brasiliensis se adaptar facilmente aos vários tipos de ambiente resulta em uma ampla distribuição no sul do Brasil, no caso rio Canhanduba o mesmo foi encontrado em todas as estações e pontos amostrais, diferentes dos outros dois rios estudados.
A maioria dos resultados do presente estudo reflete a influencia do habitat físico na estruturação da ictiofauna. No trecho #4 do rio Canhanduba, seria esperado uma maior riqueza de espécies já que possui uma maior quantidade de habitats. Porém, este parâmetro isoladamente nem sempre é capaz de expressar a riqueza de espécies, fato observado por Angermeier & Schlosser (1989) em riachos de regiões tropicais e temperadas. No entanto, e importante frisar que o trecho em questão possui substrato arenoso e correnteza fraca, o que provavelmente explica uma menor riqueza encontrada.
O Rio Itapocú está localizado parte em área urbanizada, sendo possível observar as alterações em sua condição natural sofridas por ações de origem antrópica, e parte em área rural, onde as alterações em sua condição natural estão associadas ao uso do solo como plantio e pastagem, além da extração de areia. Essa característica também foi observada em o estudo realizado por Minatti-Ferreira & Beaumord (2004) no rio do Cedro município de Brusque, identificando uma ampla região afetada principalmente pela rizicultura e bananicultura que resulta em impactos ambientais sobre os recursos hídricos. Contudo, a maioria dos pontos analisados mostra uma qualidade ótima dos elementos físicos, mas também apresenta locais com “boa” qualidade ambiental (ponto #4) e “regular” (ponto #2). A predominância de Bryconamericus sp., Rineloricaria sp., Cyanocharax alburnus e Corydoras herhardti, que ocupam distintos ambientes, mostra uma diversidade de habitat que vai desde remansos com fundo de pedra ou areia de pouca profundidade até locais de água clara e correntosa.
Sabe-se que na maior porção destes rios, o estado de conservação da vegetação do entorno (9) e proteção vegetal das margens (8) varia bastante, sendo considerado na
50 maioria das vezes como ruim. A partir dos resultados obtidos, foi possível observar a predominância de espécies dos gêneros Astyanax, Deuterodon, Hyphessobrycon e Bryconamericus nos três rios estudados. Sabendo que espécies destes gêneros geralmente comportam-se de maneira generalista no que se refere à alimentação, tornando-se mais abundantes após a supressão da vegetação, se adaptando rapidamente as condições ambientais a que estão sujeitos (MENEZES et al. 2007), explicando essa grande abundância.
Em relação aos resultados obtidos na análise canônica para o Rio do Braço, pode-se explicar o fato da ocorrência das espécies do gênero Astyanax, Oligossarcus e Rhandia devido às grandes variações de velocidade e profundidade (3) e sinuosidade do canal (4), que receberam pontuações 20 e 15 respectivamente, no ponto #4, consideradas como ótima e boa. Este fato pode ocorrer devido as espécies da família Characidae possuírem maior habilidade adaptativa a diversos tipos de ambiente e por viverem na parte superior da coluna d‟água, apresentando maior capacidade natatória. Segundo Menezes et al. (2007), os peixes que vivem próximos a superfície sem contato com a cobertura vegetal ou com o substrato, são os peixes com maior ocorrência em riachos lentos de áreas florestadas, e como dito anteriormente, possuem adaptações que permitem que se alimentem de uma grande variedade de itens como, insetos aquáticos e terrestres, pequenos peixes e material vegetal. Fato este, que também explica a ocorrência das espécies Hyphessobrycon cf.
luetkenii, Hyphessobrycon reticulatus e Astyanax aff. Scabripinnis no ponto #2.
Para o ponto #1 temos a espécie Phallocerus caudimaculatus, pouco se pode dizer sobre esta, por ser um gênero onde ainda não se conhece muito bem as espécies, porem é sabido que possui ampla distribuição geográfica no leste e sul do país e geralmente são bem comuns onde ocorrem (MENEZES et al. 2007; MARCENIUK & HILSDORF 2010). A ocorrência da espécie Hipostomus cf. punctatus neste ponto é explicada pelos fatores físicos de maior influencia neste ambiente, que são flutuação do nível do canal (5), proteção vegetal das margens (8) e estabilidade dos barrancos (7), já que esta vive preferencialmente em áreas de remanso, rasos, próximos a superfície e por se alimentarem preferencialmente de insetos provenientes das margens e da mata ciliar (OYAKAWA et al., 2006) que neste ponto são consideradas como ótima na avaliação fisica do ambiente.
Na análise canônica realizada para o Rio Canhanduba, a avaliação dos fatores abióticos não se revelou satisfatória para descrever a distribuição das espécies de peixes.
Considerando-se que a avaliação abiótica fora realizada em apenas um evento amostral,
51 sugere-se que em um novo estudo desta seja realizada com uma maior frequência ao menos em relação às amostras sazonais.
De acordo com a análise canônica para o rio Itapocú, pode-se verificar que o ponto amostral
#3 tem como indicadoras algumas espécies de Characidae e uma espécie de Loricariidae, a Rineloricaria sp.1, fato que pode ser explicado pelos parâmetros que estão influenciando o local, estes são proteção vegetal das margens (8), estado de conservação da vegetação do entorno (9) e flutuações no nível do canal (5). Espécies do gênero Rineloricaria costumam ser encontradas em locais onde há corredeiras, fixadas em rochas e troncos ou também em remansos com fundo arenoso, enterrada sob a areia (OYAKAWA et al., 2006). Sabendo-se que o ambiente em questão teve notas altas nestes parâmetros e que o ambiente encontra- se relativamente preservado, podemos concluir que quanto maior a cobertura vegetal e melhor o estado de conservação da vegetação, maior será a quantidade de alimento e habitats disponíveis a estes peixes, tornando-se assim um local propício para sua sobrevivência. Os pontos #1a e #1b possuem como espécies indicadoras o Bryconamericus sp., Oligossarcus hepsetus e Hyphessobrycon bifasciatus e não estão diretamente relacionado a nenhum dos parâmetros físicos, porém possui notas bastante divergentes para os mesmo, com classificação “Ruim” para o parâmetro proteção vegetal das margens (8), estado de conservação da vegetação do entorno (9). Esta combinação reflete diretamente na ocorrência destas espécies de Characidae. No caso da espécie Hyphessobrycon bifasciatus, por ser uma espécie bastante resistente, pode ser encontrada facilmente em ambientes completamente alterados, formando cardumes bastante numerosos (OYAKAWA et al., 2006).
No caso do ponto #4, pode-se explicar a ocorrência da espécie Bryconamericus sp. como indicadora pelo fato de ser uma espécie que sobrevive em vários tipos de água em áreas florestadas ou desmatadas (MENEZES et al. 2007), considerando que o ponto em questão teve notas baixas atribuídas aos parâmetros referentes à vegetação e estado de conservação da mesma. A presença da espécie Microglanis cibelae no ponto #5 no período de inverno, de acordo com a análise canônica, mostra as ótimas condições da vegetação do entorno (9) e estabilidade dos barrancos (7) analisados neste ponto, já que esta espécie possui hábitos noturnos e durante o dia costuma se proteger nas margens sob a vegetação (OYAKAWA et al., 2006). A integridade do habitat está ligada à disponibilidade de alimento e hábitos alimentares, proteção dos organismos a predação, exposição à luz solar, entre outros. Quando modificamos o habitat a que estes organismos estão associados, deixamo- nos expostos às variáveis bióticas e abióticas distintas das que estão adaptados fazendo
52 com que haja uma perda da biomassa ou uma sobreposição da comunidade, refletindo em todo o ciclo natural destes corpos d‟agua.
6
CONCLUSÕESO presente estudo evidenciou que a integridade do habitat físico dos rios estudados influenciou diretamente as comunidades ícticas. Revelou que a sazonalidade nestes rios não é bem marcada e que a variação espacial da ictiofauna nos três rios estudados está relacionada com a integridade ambiental observadas nos protocolos de avaliação rapida de cada local. Mostrou também, que apesar da grande influencia antrópica exercida sobre esses rios, em geral, são considerados “Bons” em relação aos seus parâmetros físicos no que se refere à qualidade ambiental dos mesmos.
É possível observar que apesar de ter sido verificado in loco que a ocorrência dos organismos foi condizente com a bibliografia, os resultados das análises canônicas não corroboraram com esta observação, aparentemente não conseguindo refletir com precisão a real influência dos parâmetros abióticos sobre a distribuição da diversidade da ictiofauna.
Desta forma, seria importante a adição de análises de parâmetros físico-químicos para verificar as influencias de modificações sazonais que ocorrem nestes ambientes.
Os resultados alcançados no presente estudo representam uma primeira avaliação da ictiofauna destas regiões, se configurando como uma referência para futuras análises de impactos ambientais nestes habitat que estão submetidos a frequentes pressões antrópicas.
Em adição, se faz necessário uma ampliação dos estudos da ictiofauna em rios costeiros, considerando a variabilidade da composição da assembleia de peixes em ambientes pouco distantes situados no litoral centro-norte do Estado de Santa Catarina. Assim, pode-se estabelecer bases sólidas para a conservação, bem como recuperação, de ambientes hídricos a fim de manter o equilíbrio e harmonia destes ecossistemas.