Em todo o planeta, existem aproximadamente 28 mil espécies de peixes descritas, representando 50% das espécies de vertebrados, das quais 43% são exclusivamente espécies de peixes de água doce (PETRY et al., 2011; BUCKUP et.al 2007). A região Neotropical contém o maior grupo de espécies de água doce do mundo, o que está relacionado ao alto grau de endemismo nesta região (BARELLA et al., 2001; BUCKUP et al., 2007). Essa diversidade pode ser observada na ampla gama de formas, tamanhos, fisiologia e comportamento, resultado de adaptações sofridas devido à exposição às constantes variações do ambiente (OYAKAWA et al., 2006).
Entre os habitantes desta floresta, os peixes de riacho são os animais menos conhecidos (OYAKAWA et al., 2006). Esses ambientes também proporcionam às espécies de peixes morfologias adaptadas para sobreviver nesses ecossistemas (MENEZES et al., 2007; ESTEVES, 2011). Neste contexto, o estado de Santa Catarina também deverá oferecer uma grande diversidade de espécies de peixes de água doce relacionadas aos diferentes habitats encontrados (BUCKUP et al., 2007).
Esses efeitos também têm sido observados nas bacias hidrográficas do norte de Santa Catarina (ANTUNES et al., 2007; URBAN, 2008), provocando alterações ambientais significativas desde as nascentes dos cursos d’água até suas fozes próximas ao mar.
Objetivo geral
Objetivos específicos
Para analisar a composição da ictiofauna foram selecionados 4 pontos amostrais no Rio Braço, 10 no Rio Canhanduba e 5 em Itapocú (Figura 2), sendo que o ponto amostral nº 1 no Rio Itapocú incluído em #1a e #1b está subdividido .
Composição da ictiofauna
17 Vale do Itajaí (UNIVALI) e exemplares do Rio Itapocú foram coletados no decorrer deste estudo e também depositados na coleção LOB\ UNIVALI. O local próximo à igreja do Rio do Meio neste local apresenta pouco ou nenhum tipo de água, ausência ou presença mínima de vegetação aquática submersa e margens com menos de 50% de cobertura vegetal, com boa sinuosidade mas com menos curvas destacadas e mais. distantes, com movimentos nítidos e abundantes de massas de terra que limitam a continuidade da vegetação. A área de reflorestamento, a presença evidente de espécies exóticas e a retirada de vegetação nativa na região envolvente acompanhada de impactos antrópicos, onde se inicia o cultivo do arroz, sem aparecimento de mata ciliar na margem esquerda, com a existência de barragens em no curso superior do rio, porém, não há alterações recentes no trecho.
Local com vegetação natural preservada nas duas margens do rio, há presença de vegetação submersa, matéria orgânica em decomposição, troncos, galhos e folhas que caíram na água, proporcionando abundância de substrato subterrâneo; O nível da água considera os substratos aptos para colonização com exposição do solo em pontos esparsos por falta de vegetação preservada, mas com chances de recolonização pela vegetação terrestre. No último ponto a montante do Rio Canhanduba há nítida presença de espécies exóticas e poucos vestígios de vegetação nativa relacionada à presença de impactos antrópicos, onde a vegetação ciliar deu lugar à pastagem.
Ambiente com vegetação natural bem preservada, presença de curvas acentuadas e nítidas ao longo do trecho, presença de vegetação aquática, vegetação marginal inclinada acima do canal, remansos e habitats potenciais. Último ponto localizado a montante do lado esquerdo do rio, ambiente com clara presença de espécies exóticas associadas a impactos antrópicos, com presença mínima de vegetação aquática, margens escavadas e remansos, com grande acúmulo de matéria orgânica em decomposição. As margens do Rio Itapocú neste momento parecem estar degradadas por serem ocupadas por atividades agrícolas e construções.
As margens dos rios nesta área estão degradadas e têm muito pouca vegetação, por isso dão lugar a construções. Ponto no início do rio Itapocú, formado pela confluência dos rios Rio Novo e Humboldt, próximo à ponte ferroviária no município de Corupá. Localizado no município de Corupá, este local é o ponto mais afastado da foz do Rio Itapocú e possui as melhores características ambientais.
Aplicação do protocolo de avaliação rápida de integridade ambiental
22 onde S é o número total de espécies e N é o número total de indivíduos em cada ponto amostral (LUDWING & REYNOLDS, 1988). Para analisar variações nos valores obtidos e evidenciar possíveis oscilações nos mesmos, foi utilizado o pacote estatístico StatSoft Statistica® 7.0. 23 A estabilidade das voçorocas refere-se ao potencial erosivo, que determina se a área ciliar está sofrendo erosão ou se há potencial erosivo, considerando como condição de referência ideal pouca evidência da presença de falhas e/ou instabilidade e ocorrência de deslizamentos nas voçorocas , pois provoca estabilidade nas margens do curso d'água.
O atributo de proteção de voçorocas estima a área protegida do limite do curso d'água, observando a porcentagem de superfícies de voçorocas que são cobertas por estruturas estáveis, como vegetação, lajes rochosas e outras estruturas, onde as condições ideais são mais de 80% da superfície coberta por voçorocas estáveis. estruturas. , proporcionando assim condições de vida para certos organismos aquáticos. Por fim, o atributo grau de proteção conferido ao meio ambiente pela vegetação costeira avalia o grau em que o sombreamento induzido pela vegetação proporciona a superfície da água, uma vez que a falta ou exposição completa à luz solar prejudica o abrigo e o desenvolvimento das comunidades nos ecossistemas aquáticos. A análise de correlação foi realizada para verificar a relação entre os resultados da avaliação rápida da integridade ambiental em cada ponto de amostragem com a correspondente composição da ictiofauna e índices de riqueza, diversidade e equitabilidade de espécies.
O presente trabalho incluiu um levantamento da ictiofauna dos rios Braço, Canhanduba e Itapocú (SC), bem como uma análise da relação entre a integridade do habitat físico e a comunidade de peixes. O conhecimento da ictiofauna destes ecossistemas fornece uma base para a compreensão dos hábitos e respostas destas espécies às alterações que o seu habitat tem sofrido, especialmente associadas à intervenção humana.
Composição da ictiofauna
Em geral, a espécie mais abundante no Rio Braço, Astyanax laticeps, ocorre em maior número no ponto 2, em todas as estações do ano. Quanto ao Deuterodon supparis, a sua distribuição ao longo do rio é bastante variável, sendo pouco visível no verão para os diferentes pontos de amostragem, destacando-se nas restantes estações do ano. Número de peixes capturados no Rio Braço (SC) por espécie, época e ponto de amostragem em 2007 e 2008.
Número de peixes capturados no Rio Canhanduba (SC) por espécie, época e ponto de amostragem em 2006. Número de peixes capturados no Rio Itapocú (SC) por espécie, época e ponto de amostragem em 2012.33 Os maiores valores de índice de Riqueza de Margalef, no rio Braço, foi observada no período de inverno, diminuindo até o verão (Figura 7A).
Na análise por ponto de amostragem para o Rio Braço, os valores de Riqueza de Margalef (Figura 8A) apresentam um padrão crescente ao longo dos pontos de amostragem, com a menor riqueza no ponto #1 e a maior no ponto #4. Na análise dos índices para o Rio Canhanduba, observou-se a riqueza de Margalef sem sazonalidade definida (Figura 9A), semelhante ao observado para a diversidade de Shannon (Figura 9B). De acordo com a análise dos índices das estações do Rio Itapocú, a Riqueza de Margalef apresenta valores semelhantes entre o verão e o inverno, aumentando na primavera (Figura 11A).
Índices de riqueza (A), diversidade (B), dominância (C) e equitabilidade (D) das espécies coletadas no Rio Braço (SC) em 2007 e 2008 por local de amostragem. Índice de riqueza (A), diversidade (B), dominância (C) e equitabilidade (D) das espécies coletadas no Rio Canhanduba (SC) em 2006 por época. Índice de riqueza (A), diversidade (B), dominância (C) e equitabilidade (D) das espécies coletadas no rio Canhanduba (SC) em 2006 por local de amostragem.
Índice de riqueza (A), diversidade (B), dominância (C) e equitabilidade (D) das espécies coletadas no Rio Itapocú (SC) em 2012 por época. Índice de riqueza (A), diversidade (B), dominância (C) e equitabilidade (D) das espécies coletadas no Rio Itapocú (SC) em 2012 por local de amostragem.
O habitat físico
Os pontos 2 e 3 não são significativamente influenciados pelos parâmetros físicos analisados, mas estão associados a espécies como Hyphessobrycon cf. Análise de correspondência canônica para parâmetros físicos, número de indivíduos e local de amostragem por temporada pelo Rio do Braço. Análise de correspondência canônica para parâmetros físicos, número de indivíduos e local de amostragem por temporada para o Rio Canhanduba.
5, observamos geralmente a ausência da influência dos parâmetros físicos do rio, como o indicador ictiofauna, exceto no período de inverno, que é condicionado pelo parâmetro sinuosidade do leito (4) e tem como espécie a espécie Microglanis cibelae. um indicador. Análise de correspondência canônica para parâmetros físicos, número de exemplares e local de amostragem por safra para o Rio Itapocú. Este fato pode ser observado no ponto amostral nº. 2 do Rio Braço, que obteve nota 16 (bom) no parâmetro proteção vegetal das margens (8), por possuir diversas áreas cobertas e outras expostas e apresentar características próximas de uma condição ideal, favorável ao estabelecimento e desenvolvimento destas espécies de peixes.
No mesmo local verifica-se a ocorrência do gênero Hyphessobrycom no período de inverno, que segundo Menezes et al. 2007) ocorre porque as espécies deste gênero estão amplamente distribuídas na região sul do país devido à sua capacidade de sobreviver em diferentes tipos de ambientes e principalmente devido à sua capacidade de sobreviver em áreas desmatadas. A espécie Hollandichthys multifsciatus, segundo Oyakawa et al. 2007), vive em associação com vegetação submersa e captura insetos. No trecho 4 do Rio Canhanduba espera-se maior riqueza de espécies por possuir maior número de habitats.
Os pontos #1a e #1b têm Bryconamericus sp., Oligossarcus hepsetus e Hyphessobrycon bifasciatus como espécies indicadoras e não estão diretamente relacionados a nenhum dos parâmetros físicos, mas possuem pontuações muito diferentes para eles, com classificação “Ruim” para o parâmetro de conservação. vegetação das margens (8), estado de conservação da vegetação envolvente (9). No caso da espécie Hyphessobrycon bifasciatus, por ser uma espécie altamente resistente, pode ser facilmente encontrada em ambientes completamente modificados e forma cardumes bastante numerosos (OYAKAWA et al., 2006). A presença da espécie Microglanis cibelae no ponto #5 no período de inverno, de acordo com a análise canônica, demonstra as excelentes condições da vegetação circundante (9) e a estabilidade das ravinas (7) analisadas neste ponto, pois estas espécies hábitos são ativos à noite e durante o dia costuma abrigar-se nas margens sob vegetação (OYAKAWA et al., 2006).
Avaliação rápida da integridade ambiental das sub-bacias do rio Itajaí-Mirim no município de Brusque, SC. Peixes da Mata Atlântica migram para as unidades de conservação do Vale do Rio Ribeira de Iguape, no estado de São Paulo.