6. ÍNDICE DE DESENVOLVIMENTO JUVENIL
6.1. O IDJ
A partir das análises desenvolvidas nos capítulos anteriores, que en- volveram aspectos como educação, renda e saúde dos jovens, já é possível apresentar o nosso indicador sintético da situação da juventude no Brasil.
O intento fundamental na elaboração do Índice de Desenvolvi- mento Juvenil foi precisar locais, aspectos e graus de desigualdade que afetam os jovens do país. Além disso, a adoção do Índice proposto e sua réplica ao longo do tempo poderão permitir uma visão da evolu- ção dos diversos fatores que incidem, positiva ou negativamente, na vida presente e no destino futuro de nossas juventudes.
A partir dos referenciais fornecidos pelo IDH do PNUD, foram consideradas as seguintes dimensões e seus respectivos indicadores:
Os indicadores de base foram assim construídos:
• Analfabetismo, porcentagem de analfabetos na faixa de 15 a 24 anos em relação à população total da mesma faixa etária. Fonte:
PNAD 2001.
• Escolarização Adequada, porcentagem de jovens de 15 a 24 anos que freqüentam escola de Ensino Médio ou Superi- or em relação à população total da mesma faixa etária. Fon- te: PNAD 2001.
• Qualidade do Ensino. Média estandardizada1 das escalas de proficiência da 8ª série do Ensino Fundamental e da 3ª série do Ensino médio, nas áreas de Língua Portuguesa e Matemática. Fonte:
SAEB 2001.
• Mortalidade por Causas Internas, taxa de óbitos em 100.000 jovens de 15 a 24 anos, atribuídos a causas internas, segundo de- finição da Classificação Internacional de Doenças – CID-10. Fonte:
SIM 2000.
• Mortalidade por Causas Violentas, taxa de óbitos em 100.000 jovens de 15 a 24 anos, ocorridos por causas violentas (suicídios, acidentes de transporte e homicídios, segundo definição da Clas- sificação Internacional de Doenças – CID-10. Fonte: SIM 2000.
• Renda Familiar per capita, valor do rendimento mensal famili- ar dividido pelo número de membros da família dos jovens na faixa de 15 a 24 anos. Fonte: PNAD 2001.
Esses seis indicadores foram combinados para estruturar os três índices parciais: de educação, de saúde e de renda, constituindo o Ín- dice de Desenvolvimento Juvenil.
Algumas limitações surgidas durante o processo de construção do IDJ devem ainda ser apontadas.
Em primeiro lugar, o fato de trabalhar exclusivamente com fon- tes secundárias impõe as naturais limitações e restrições que a fonte possui. Entre essas limitações, podemos citar o fato da PNAD não trabalhar as áreas rurais da maior parte dos estados da região Norte, e adotar a compreensão da alfabetização como uma mera capacidade de ler e interpretar um bilhete simples.
1 Ver procedimentos de estandardização nas Notas Técnicas.
Em segundo lugar, a ausência de levantamentos sistemáticos e fidedignos limitam o espectro de indicadores potencialmente relevan- tes para o tema da juventude que poderiam ser incorporados na com- posição do Índice, como condições de acesso à cultura, a esportes, a lazer, à participação política etc.
Entrando de forma direta nos resultados, as tabelas a seguir per- mitem verificar que Santa Catarina, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná aparecem encabeçando o Índice de Desenvol- vimento Juvenil. Não é surpreendente: são estados que também lide- ram o último Índice de Desenvolvimento Humano divulgado para o país e pertencem a regiões – Sul, Sudeste e Centro-Oeste – que, de uma forma geral, destacam-se positivamente nos aspectos analisados neste estudo sobre as juventudes no Brasil.
Em outro extremo se encontram Roraima, Paraíba, Acre, Per- nambuco e Alagoas, pertencentes a regiões – Norte e Nordeste – me- nos favorecidas nos aspectos já referidos.
Santa Catarina, com um uma taxa de 1% de analfabetismo juve- nil, isto é, tendo praticamente erradicado o analfabetismo na faixa de 15 a 24 anos, lidera, nesse aspecto, com um índice de 0,950. Por outro lado, Alagoas, com uma taxa de 15,4% de analfabetos na faixa jovem, maior que a média nacional de analfabetismo de 15 anos e mais, ocupa o último lugar no espectro, com um índice de 0,230.
Com relação à escolarização adequada dos jovens, o 1° lugar é do Distrito Federal, com um índice de 0,693. Empatados no 2o lugar, estão Santa Catarina e São Paulo, com índices de 0,660. Os menores índices são encontrados na Paraíba (0,218) e Alagoas (0,153).
No que concerne à qualidade de ensino, os maiores índices fica- ram com Rio Grande do Sul (0,713), Distrito Federal (0,662) e Santa Catarina (0,628). Os menores, com Pernambuco (0,308), Maranhão (0,289) e Amazonas (0,274).
No cômputo parcial de educação, as dez primeiras colocações ficaram todas com UFs pertencentes às regiões do Sul, Sudeste e Cen- tro-Oeste. As dez últimas, com estados do Norte e Nordeste.
Tal como foi observado em educação, também no que concerne à renda os cinco primeiros lugares são ocupados por UFs (Distrito
Federal, São Paulo, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro) das regiões consideradas mais favorecidas. Novamente é no Norte e no Nordeste, mais precisamente em Bahia, Maranhão, Piauí, Paraíba e Alagoas que se apresentam as últimas colocações nesse índice parcial.
Diferentemente do que foi visto com os indicadores de renda e educação, não são observadas estreitas relações entres esses índices e os de saúde, sobretudo quando o indicador é mortalidade por causas violentas. É assim que nos deparamos, por exemplo, com o estado do Rio de Janeiro ocupando o 5o lugar em educação e em renda e o último (27º) em mortalidade por causas violentas. O mesmo raciocínio pode ser aplicado ao Distrito Federal, que ocupa o 1o lugar em educação e em renda e o 22o em mortalidade por causas violentas.
Situação oposta às assinaladas no parágrafo anterior pode ser encontrada no Maranhão, estado que ocupa o 24o lugar em educação e em renda, mas apresenta o menor índice do país em mortalidade por causas violentas entre os jovens. Calculada a correlação entre índices de renda dos estados e sua mortalidade por causas violentas, deu um resultado intermediário e negativo (R = – 0,53), o que estaria a indicar que as mortes de jovens por causas violentas, mais que acompanhar a pobreza, pareceria estar acompanhando a riqueza.
Ainda no que diz respeito à saúde, mais especificamente a mor- tes por causas internas, embora haja uma concentração dos maiores índices em estados mais pobres do Norte e Nordeste (Acre, Roraima e Alagoas), também é possível verificar que em UFs que se destacaram positivamente em educação e renda – como o Distrito Federal, Rio de Janeiro e Minas Gerais – são encontrados resultados desfavoráveis no que diz respeito ao indicador em foco.
As Tabelas que seguem não só sistematizam as informações até agora detalhadas como também apresentam o quadro completo dos indicadores e dimensões considerados.
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Tabela 6.2: Ordenamento das UF pelos indicadores do Índice de Desenvolvimento Juvenil – IDJ – 2003