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Capítulo 3
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para a indústria automobilística. Sauer (2008) afirma que em 2005 o etanol representava 16,9% da matriz energética veicular do país. Com a introdução do biodiesel e o aumento do consumo de álcool pela venda dos carros flex-fuel6, essa participação será ainda maior. Abaixo temos o gráfico com a contribuição de diferentes tipos de energia na composição da matriz energética veicular brasileira:
Figura 7: Matriz Energética veicular do Brasil
Fonte: Ministério de Minas e Energia. Balanço Energético Nacional 2006, apud Sauer (2008)
Cabe ressaltar que o etanol, no Brasil, é comercializado no mercado de combustíveis em duas formas: anidro e hidratado. A principal diferença entre as duas formas está no percentual mínimo de álcool medido em volume, de 99,3%
para o anidro e 92,6% para o hidratado. Sauer explica que:
ϲVeículos automotivos lançados no Brasil em 2003 que permitem o abastecimento de álcool e gasolina, juntos ou separadamente, com qualquer percentual de mistura.
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O álcool anidro é utilizado no Brasil adicionado à gasolina, em percentuais que podem variar de 20% a 25%, conforme legislação federal. Já o álcool hidratado é usado, de modo direito, nos motores dos carros a álcool (ciclo Otto) e, mais recentemente, nos carros flex- fuel (2008; p.139).
Sobre o preço do combustível no Brasil, há de se destacar que é dado pela livre concorrência. Porém, dada a importância do setor e a sua própria natureza, que muitas vezes se afasta dos padrões de concorrência perfeita, as atividades de produção, distribuição e comercialização de combustíveis são reguladas pela Agência Nacional de Petróleo - ANP. Em relação ao preço do álcool, é importante lembrar que, uma vez que têm aproximadamente 70% do poder calorífico da gasolina, a arbitragem de preços entre os dois combustíveis deve considerar essa diferença. Melhor dizendo, só se torna vantajoso para o consumidor o abastecimento do seu carro com álcool apenas quando esse tem um preço na bomba inferior a 70% do preço da gasolina (SAUER, 2008).
Mediante as questões apresentadas relativas à produção de etanol, percebe-se que o governo tem um aspecto central no desenvolvimento desta matriz energética. Verificamos que com o PRÓALCOOL o estado criou as condições tecnológicas que possibilitou alcançarmos uma posição de vanguarda na produção de biocombustível. Porém, devido ao contexto já citado, o programa teve fim. Mas hoje, o etanol surge com toda a força, sendo a alternativa mais viável para suprir a demanda de energia. Com este quadro posto, se faz necessário que o Estado tome novas atitudes que tratem de ajudar a produção do biocombustível. Neste sentido surge o PAC e sua intima relação com o setor de infra-estrutura, criando uma série de mediadas voltadas para a produção de energia, conforme veremos a seguir.
3.1 - O PAC e a Energia Alternativa
No ano de 2007, durante o segundo mandato do presidente Lula, o governo brasileiro lançou o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), composto por um conjunto de medidas que visam contribuir para a elevação
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das taxas de crescimento econômico do país, por meio do aumento do investimento em infra-estrutura, do estímulo ao financiamento e ao crédito, da melhora do ambiente de investimentos, da desoneração e aperfeiçoamento do sistema tributário e da adoção de medidas fiscais de longo prazo. Costa (2007) afirma que, em sua maior parte, o PAC é um plano de investimentos em infra- estrutura do governo federal e de suas estatais, em particular Petrobrás e Eletrobrás, tendo como seu componente principal, em relação direta do governo central, o Projeto Piloto de Investimentos (PPI).
Segundo o DIEESE (2007) o PAC não deve ser entendido como um plano de desenvolvimento do país, dado seu caráter restrito a um conjunto de medidas que não contemplam a articulação de diversas áreas como, educação, saúde, tecnologia entre outras, que necessariamente deveriam estar presentes numa visão desenvolvimentista. Não obstante, também não deve ser confundido com o programa de governo, pois a ação governamental é mais ampla que ele, através das políticas públicas implementadas por diversos ministérios, órgãos públicos e empresas estatais. Trata-se, portanto, de um conjunto articulado de medidas na área econômica, através das quais o governo estabelece metas para o crescimento (5% ao ano). Para que estas metas sejam atingidas, o governo propõe um conjunto de medidas que visam enfrentar os pontos identificados como de estrangulamento do crescimento:
insuficiência da infra-estrutura - principalmente de energia e transportes - e baixo nível de crédito e de recursos para o financiamento dos investimentos, além de aspectos regulatórios, fiscais e tributários.
3.2 - Características do PAC e os principais eixos de atuação
O PAC revela uma ação governamental planejada com vistas a retomada da capacidade orientadora do Estado na questão do crescimento econômico do país, através do incremento da taxa de investimento público e privado em áreas consideradas estratégicas. Dessa forma, o governo busca ter papel de destaque no processo de crescimento, através da indução e do direcionamento dos investimentos e da economia do país. Tais medidas podem significar uma mudança qualitativa no papel a ser desempenhado pelo Estado
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na sociedade brasileira, através do distanciamento em relação ao discurso liberal das “vantagens do livre mercado” na alocação dos investimentos.
O programa apresenta medidas de curto, médio e longo prazos, que procuram desenhar um horizonte mais favorável aos investimentos e à aplicação dos recursos. Busca contribuir para um ambiente econômico com previsibilidade, estabilidade e regras mais claras para a realização de investimentos.
O PAC prevê a intervenção estatal em pontos estratégicos da economia nacional (de forma direta ou indireta), afim de otimizar seu funcionamento, alcançando o desenvolvimento nacional. Dentre os principais eixos de atuação do PAC destacam-se os créditos e financiamentos concedidos pelo governo; a atuação direta junto ao trabalhador; e os investimentos no setor de infra- estrutura.
Segundo relatório do DIEESE (2007), no que diz respeito à oferta de crédito, este tem sido das metas do atual governo, desde o primeiro mandato, representado pela implementação de crédito consignado, pela elaboração da nova lei de falências, etc., fazendo com que a participação do crédito, no Produto Interno Bruto (PIB) – no período de dezembro de 2002 a novembro de 2006 pula-se de 24,2% para 33,7%. Cabe ressaltar que este número ainda é inexpressivo, se compararmos com os países desenvolvidos, porém já é um grande avanço.
Sendo assim, algumas medidas que integram o PAC dão continuidade a essa política, criando novos incentivos à expansão do crédito. Porém, o foco atual está na criação de crédito produtivo de longo prazo, com ênfase nas áreas habitacional e de infra-estrutura.
No que tange a questão dos trabalhadores, no PAC há um conjunto de medidas que terão impactos mais diretos sobre suas vidas. Tais medidas dizem respeito ao Salário Mínimo, ao FGTS, à Previdência Social e à remuneração dos Servidores Públicos Federais, dentre as quais destacamos:
política de longo prazo de valorização do Salário Mínimo (o PAC ratifica o aumento gradual do salário mínimo e cria uma regra de aumento anual);
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Projeto de Lei Complementar à Lei de Responsabilidade Fiscal (onde fica estabelecido, num prazo de 10 anos, uma nova limitação das despesas de pessoal para cada esfera de poder – legislativo, executivo e judiciário); e o Fundo de Investimento do FGTS – FI-FGTS ( na qual cria-se um Fundo de Investimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço, baseado na aplicação de parte dos recursos do FGTS referente ao seu patrimônio líquido, com o objetivo de aumentar os recursos para investimento em setores considerados estratégicos pelo governo. E essas medidas trarão impacto direto no consumo de energia do país, pois, o aumento do poder de consumo é diretamente proporcional a utilização de energia.
Sobre os investimentos em infra-estrutura, este pode ser considerado como um dos pontos centrais do PAC, visando estimular um crescimento mais consistente da economia brasileira. Trata-se de um volume de recursos bastante expressivo, estimado em cerca de R$ 500 bilhões ao longo dos próximos quatro anos, que terão origem, fundamentalmente, no orçamento da União e nas empresas estatais (DIEESE, 2007).
Os projetos anunciados distribuem-se por todas as regiões geográficas do país, o que é, em princípio, algo positivo, haja visto que este fato pode vir a contribuir na redução dos desequilíbrios regionais atualmente existentes. Do ponto de vista das prioridades, de um lado há um direcionamento dos recursos para os investimentos no saneamento básico, na habitação popular e no setor de infra-estrutura urbana, o que poderá contribuir para a elevação da qualidade de vida dos segmentos de mais baixa renda da sociedade brasileira. De outro lado, há investimentos em setores apontados como “gargalos”, impedimentos ao aumento do nível de atividade econômica nacional, como o fornecimento de energia e de infra-estrutura de transportes em geral.
No que diz respeito aos investimentos no setor energético, o PAC volta suas atenções no desenvolvimento de fontes de energia, visando à autonomia do país, evitando a dependência, fazendo com que a produção não fique totalmente a mercê das oscilações do mercado externo.
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Segundo Costa (2007), com uma previsão de investimentos na ordem de R$ 274,8 bilhões até 2010, a área de infra-estrutura energética terá a maior fatia do bolo de investimentos do PAC. O mesmo autor afirma que o programa em questão apresenta um viés conservador, haja visto a preferência do governo em investir nos combustíveis fósseis (maiores causadores do aquecimento global). O setor de petróleo e gás levam R$ 179 bilhões, enquanto para o desenvolvimento de fontes renováveis de energia são destinadas "migalhas" da ordem de R$ 17,4 bilhões. O setor elétrico, por sua vez receberá R$ 65,9 bilhões para investimento em geração de energia e R$
12,5 bilhões para investimentos em transmissão e distribuição. Costa (2007) continua sua critica ao PAC, afirmando que:
(...) o tratamento dado à questão energética no PAC foi decepcionante e frustrante para aqueles que almejam o desenvolvimento em nosso país mais igualitário, menos excludente e sustentável ambientalmente. Estamos na contra mão da historia, pois os mais recentes estudos do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática da Organização das Nações Unidas têm apontado como o pior vilão das mudanças climáticas o uso dos combustíveis fosseis (petróleo, gás natural e carvão mineral) causadores do efeito estufa. E, lamentavelmente, são estes combustíveis que receberão os maiores recursos destinados pelo PAC (COSTA, 2007).
Porém, mesmo com essa crítica, não se pode negar que as metas de investimentos para o setor bioenergético foram cumpridas, principalmente no que diz respeito a produção de álcool. Neste sentido Medina (2009) afirma que as metas da produção de álcool se sustentaram, principalmente em função do aumento do consumo interno, influenciado pela expansão da produção de automóveis movidos a bicombustíveis, os flexs. Para reforçar a informação, em 2006 a produção era de aproximadamente 18 bilhões de litros por ano, com a meta de chegar aos 23 bilhões de litros em 2010. Porém, já em 2009 a produção era de 27 bilhões de litros. O aumento na produção também foi influenciado pelo crescimento da exportação do produto, onde se previa
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exportar cerca de 5 bilhões de litros até 2010, mas esse número foi atingido já no final de 2008.
A expectativa é que a produção e o consumo do etanol só venha a crescer no país. Isso ocorre devido os investimentos governamentais no setor.
Este fato contribui de maneira significativa no crescimento nacional além de colocar o Brasil numa situação de destaque no cenário mundial. Segundo Scandiffio e Furtado (2009) há um consenso entre os especialistas que o uso da biomassa é uma das principais soluções, no curto, médio e longo prazo, para minimizar o impacto extremamente negativo dos gases de efeito estufa.
Como o Brasil é um dos países que mais investem e desenvolvem essa tecnologia, benefícios futuros virão.
Mediante o que o exposto até agora, percebe-se que o Brasil tem potencial para se tornar um país de vanguarda, no que diz respeito às políticas dos setores energéticos. Esse fato não se dá única e exclusivamente pela questão determinista do tema. É claro que nosso território apresenta condições que favorecem a exploração de diferentes fontes de energia, porém, temos uma política de desenvolvimentos de energia alternativa as energias fósseis desde o inicio da segunda metade do século XX, quando se deu a crise do petróleo. As soluções desenvolvidas no início do Próalcool, na década de 50, surgem hoje como principais alternativas a dependência dos combustíveis fósseis problemáticos, que além de serem escassos, sua utilização gera grandes problemas para o mundo atual (vide aquecimento global, agravamento do efeito estufa, etc).
Porém, há de se ressaltar que os bicombustíveis não estão isentos de impactos, seja na sociedade, seja no meio ambiente. Sua utilização traz consigo não só aspectos positivos, mas também vários problemas e discussões que não podemos deixar passar. Sendo assim, se faz necessário ressaltar os principais pontos positivos e negativos na utilização da bioenergia como principal matriz energética de um país.
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3.3 - Aspectos negativos dos biocombustíveis
Como foi relatado ao longo do texto, a idéia de se retirar energia a partir das plantas não é algo novo. Essa prática vem sendo utilizada a muito tempo, porém, nos últimos anos ela ganhou força. Segundo Dourojeanni (2004), profissionais de diversas áreas como químicos, agrônomos, economistas, políticos e até empresários anunciam em publicações, eventos, comissões parlamentares e especialmente na imprensa, as diversas vantagens e virtudes de se produzir combustível as plantas cultivadas ou silvestres mais diversas.
Argumenta que a produção do biodiesel seria sustentável, devido ao fato que as plantas são renováveis e, seguindo este caminho, o Brasil teria grande vantagem, pois temos no nosso território terra fértil e disponível. Com isso, eles desenvolvem a temática como se não houvesse nenhum aspecto negativo no processo de produção, ou até mesmo, no momento do consumo, mas há.
Segundo Homem de Melo e Fonseca (1981) a produção do etanol tem efeito impactante não só nos aspectos naturais, mas também nos sociais. Os autores afirmam que as culturas energéticas estão tendo maior lucratividade que as alimentares domésticas. Com isso, se deixa de lado a produção alimentar a favor do “cultivo de energia”, exercendo impacto em diversos indivíduos. Nas palavras dos autores:
As culturas energéticas e exportáveis estão tendo maior lucratividade de que as alimentares domésticas, ou seja, o setor agrícola tem mais condições de alcançar as metas de exportação, do que cumprir as metas alimentares (HOMEM DE MELO e FONSECA, 1981, p.65).
Além disso, a cultura energética afeta de maneira significativa o meio ambiente e ecossistemas dos lugares onde são cultivados. Dourojeanni (2004) aponta que o Próalcool foi possivelmente o principal fator de eliminação da Mata Atlântica no Nordeste e em estados como São Paulo, reduzindo ainda mais a tão prestigiada biodiversidade dessas regiões. Ainda sobre os danos ao meio ambiente, os plantios de cana de açúcar também têm gerado enormes
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processos erosivos, contaminando o solo e o lençol freático com agroquímicos.
As usinas de álcool são famosas pelo envenenamento dos rios e lagos com o vinhoto, que até hoje muitas empresas lançam no seu entorno, sem qualquer controle.
Homem de Melo e Fonseca (1981) ressaltam que a cultura energética também traz conseqüência para o mercado de mão-de-obra. Os autores usam como recorte o estado de São Paulo, afirmando que o Próalcool vem agravando a sazonalidade do emprego agrícola e que a criação de empregos com as destilarias agrícolas não resolvem o problema, dado que o número de empregos gerados será pequeno e concentrado no segundo semestre. Além disso, os principias beneficiados da produção de bioenergia são as classes mais favorecidas, dado que os combustíveis favorecem o transporte individual.
Segundo Dourojeanni (2004), o meio acadêmico não tem analisado seriamente os impactos ambientais e sociais oriundos da produção de bioenergia. A realidade é que o programa constitui uma nova ameaça para a natureza do Brasil, em especial para suas regiões Norte e Centro Oeste, onde o avanço da soja e outros cultivos sobre as florestas já é preocupação nacional. Por fim Dourojeanni (2004) afirma que:
(...) não pretende propor, nem sequer insinuar, que o projeto do Biodiesel deva ser abandonado. Apenas se demanda que antes de promover o projeto como paradigma ou solução mágica, a opinião publica seja informada da realidade completa, sem ocultar uma parte tão importante. É indispensável que o projeto seja objeto de uma avaliação ambiental e social estratégica, que permita aos tomadores de decisão e ao povo saber seus prós e contras para que se tomem as medidas para atenuar seus impactos negativos (DOUROJEANNI, 2004).
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CONCLUSÃO
Mediante o que apresentamos algumas questões devem ser ressaltadas. Em primeiro lugar, atualmente, de modo cada vez mais decisivo, os sistemas energéticos devem ser não apenas renováveis, mas também sustentáveis. Porém, definir sustentabilidade de um sistema energético é uma tarefa árdua, onde devem ser levados em consideração não somente o sua potencialidade, mas também o contexto de sua produção e utilização.
O debate sobre a sustentabilidade das bioenergias está em curso, se polarizando entre aqueles que defendem a utilização da biomassa como fonte de energia e aqueles que são contra, pois esta matriz faz parte da alimentação dos indivíduos e, num mundo onde grande parte da população passa fome, não se pode desviar matéria-prima para produção energética.
Durante o decorrer do trabalho, viu-se que a utilização do etanol trará inúmeros benefícios para sociedade atual. Porém, sua produção traz impacto e este deve ser minorado. Ela atinge a questão ambiental (pois necessita de uma grande área para sua produção, além de seu processo produtivo ter impacto direto no lençol freático, no solo, etc.) e principalmente a questão social (além da questão da alimentação já citada, a condição dos trabalhadores que atuam na monocultura canavieira, principalmente no Brasil, são degradáveis, tendo casos inclusive – como o de Campos – onde são utilizadas mão-de-obra análoga a escrava). Sendo assim, deve-se ter um olhar critico com relação ao discurso oficial, onde é ressaltado todo aspecto positivo do bioetanol e são jogados “para debaixo do tapete” as conseqüências negativas. Há de se ressaltar que entende-se a importância e a necessidade da utilização do etanol, porém este deve ser feito de maneira sustentável.
Em segundo lugar, cabe aqui ressaltar o Proalcool brasileiro. O programa lançando no início do século XX teve papel preponderante na conformação da situação atual. O pioneirismo brasileiro naquele momento possibilitou a criação das bases tecnológicas de exploração atual da bioenergia. Há de ressaltar aqui que o programa teve suas falhas e não
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alcançou seu objetivo, como já foi exposto, porém deu sua contribuição para o desenvolvimento do bioetanol da cana-de-açúcar.
Este fato pode colocar o Brasil numa posição estratégica mundial, pois num contexto onde a bioenergia ganha grande importância, sendo considerados por alguns o ponto essencial para o desenvolvimento energético, o país já tem sua produção avançada e estruturada, não necessitando, como diversos outros países, iniciar do zero a busca por uma alternativa.
Mas muito ainda deve ser feito, o governo deve continuar investindo em pesquisas que possibilitem o desenvolvimento desse setor. Neste sentindo vemos o surgimento do PAC e sua atuação direta na questão energética.
Mediante este fator, será que podemos considerar o PAC energético como a retomada do Proalcool? Ou será que há a necessidade de ressurgimento do programa para impulsionar ainda mais a produção dos biocombustiveis? Muita coisa ainda está por fazer e respostas como estas só teremos mais a frente. O que há de fato é a possibilidade do país explorar esse novo setor que se apresenta, mas se o fizer, que faça de maneira sustentável.
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