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O professor e a inclusão dos alunos surdos

No documento dissertação19nov.pdf - UEFS (páginas 31-34)

2. O ENTRELAÇAMENTO TEÓRICO

2.3. A educação de surdos no Brasil

2.3.1 O professor e a inclusão dos alunos surdos

Na escola regular, quando o trabalho com alunos que apresentam algum tipo de Necessidade Educacional Especial é iniciado, a maioria dos professores tem pouco ou nenhum conhecimento das especificidades que envolvem cada tipo de deficiência, especificamente, a surdez, apesar das leis que regulamentam a formação do professor na escola inclusiva, pois, segundo Guarinello et al. (2006, p. 3), “grande parte dos professores e das escolas não está preparada para receber alunos surdos”, encontrando apoio em Fernandes (1999, p. 78-79), para quem os professores precisam, ao encontrarem alunos surdos em sua sala de aula, entender:

[...] que têm diante de si, um usuário de uma língua diferente da sua, que inevitavelmente estará refletida nas diferentes práticas discursivas compartilhadas em sala de aula. Segundo, que o conhecimento dessa língua, por parte do professor é condição ‘sine qua non’ para que se estabeleça a interação verbal significativa, a partir da qual será tecido o vínculo afetivo tão perseguido nas experiências de aprendizagem escolar. E, por fim, concretizar na prática, o diálogo com as diferenças, respeitando as possibilidades e limitações de seu aluno, para que assim o auxilie na construção de sua identidade surda.

O professor, em sua formação e prática, em sua maioria, tem como referência principal o aluno ouvinte. Os objetivos de ensino traçados são, muitas vezes, sem se pensar em atividades para desenvolver com os alunos surdos, por isso não se alcançam as respostas esperadas. O professor precisa estudar e entender, então, o processo pelo qual conseguiu ou não tais resultados.

Conforme a LDBEN (1996), o seu Artigo 59, Inciso III, trata da formação específica que os professores, que estão no Ensino Regular, precisam ter para trabalhar com os alunos com deficiência, em sala comum, oferecendo subsídios para que os alunos surdos possam

desenvolver-se integralmente, quando declara que é preciso: “professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores do Ensino Regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns”. Estes são os desafios postos ao professor de uma sala inclusiva. É preciso fortalecer a importância da formação docente continuada, para que sejam atendidas as diversas demandas de ensino.

Ao longo do tempo, o professor, já mais experiente, consegue escolher melhor as estratégias para o ensino que pretende oferecer aos alunos surdos. Para isso, é necessário que o professor esteja sempre repensando e renovando sua própria prática pedagógica, determinado a pesquisar, estudar, procurar e aprender, inclusive com seus alunos, novas possibilidades que os desafiem, levando-os à construção do seu conhecimento, contribuindo para sua formação integral, ao que se adiciona, no caso do aluno surdo, o respeito e aceitação da sua singularidade (SILVA, 2011).

O risco da falta de apoio institucional ao docente está no fato de entregar ao professor, sem formação específica, a responsabilidade de ser professor e pesquisador ao mesmo tempo. O que é mais provável de acontecer é que o professor se adapte às dificuldades e espere menos dos alunos.

Como pode ser percebido, no processo da escola inclusiva, o papel do professor dependerá da sua formação e da sua atuação. Como ainda não há um processo de formação e acompanhamento sistematizado do professor, dependerá de sua singularidade, enquanto pessoa no mundo. O professor constitui parte essencial deste processo inclusivo, sendo determinante no sucesso ou insucesso da inclusão dos alunos com Necessidades Educacionais Especiais, possibilitando ou não a estes alunos o acesso ao conhecimento.

Os estudos de Leonardo, Bray e Rossato (2009) contribuem na perspectiva da falta de estrutura física e humana das escolas para a inclusão, ao abordarem que tanto escolas púbicas quanto particulares não estão preparadas para desenvolver o processo inclusivo. As autoras corroboram a ideia de precariedade da formação dos professores para atuarem na escola inclusiva, ressaltando que muitos não possuem conhecimentos e preparação adequada para o trabalho com alunos deficientes.

Outro ponto importante, em relação ao papel do professor na inclusão dos alunos surdos, é o seu envolvimento com os alunos, pois doar-se faz parte desse processo longo, difícil e prazeroso, que permite a todos experimentar, errar, tentar novamente, acertar, até alcançar a construção de novos conhecimentos, individuais e coletivos.

Sendo assim, o professor deverá encontrar estratégias de ensino para que os alunos surdos possam fazer do jeito deles, aceitando as suas particularidades e limitações, explorando suas potencialidades e respeitando sua unicidade, utilizando-se de recursos pedagógicos apropriados para alunos surdos, dando ênfase a linguagem não verbal, essencial na comunicação dos surdos, valorizando todo progresso alcançado pelos alunos surdos. Os estudos de Bomfim e Souza (2010) abordam como a práxis do professor é essencial na adoção de novas metodologias adequadas ao processo educacional dos surdos, sendo necessária a formação continuada do professor que está em sala de aula.

Desta forma, o professor fortalecerá as condições dos alunos surdos de interagir e incluir-se com os outros, levando à aprendizagem destes alunos, com o uso de metodologias e de estratégias de ensino adequadas, que, através de planejamento, possibilitem condições aos alunos surdos de poderem aprender de modo equivalente aos alunos ouvintes, atendendo aos conteúdos programáticos de modo abrangente e eficaz, mas, sobretudo, contemplando às especificidades de seus alunos, que segundo Fernandes (1999, p. 79) necessitam da prática de ações:

[...] que envolvem um projeto de educação, que considere em sua proposta curricular o legado histórico e cultural das comunidades surdas, novas tecnologias educacionais pautadas em concepções visuais, formação de professores edificadas em concepções sócio-antropológicas, maior participação da comunidade surda na gestão dessa educação, entre outros fatores.

Mesmo diante de um contexto social que procura implementar a inclusão das pessoas com deficiência, não é fácil para os professores da escola inclusiva assimilar este novo paradigma educacional, que está sendo formado, com propostas educacionais que atendam aos alunos surdos. Os professores apresentam muitas dúvidas em relação à posição a ser assumida diante desta nova realidade educacional, pois convivem em uma escola inclusiva sem as mínimas condições para atender aos alunos surdos, tais como, falta de intérpretes de LIBRAS, de material pedagógico adequado e de formação continuada para os professores.

Portanto, o professor possui, na sua nova formação profissional, os desafios decorrentes das diferenças que sempre existiram, mas que ainda não haviam sido assumidas pela escola. Porém, estas diferenças agora são expostas e aceitas pela educação inclusiva, embora muitas vezes apenas na legislação e nas políticas públicas educacionais. Ainda há muito a ser realizado para que a inclusão seja de fato implementada na escola, mas a aplicação das leis, quanto ao atendimento das condições humanas, físicas e metodológicas para

contemplar de modo adequado aos alunos surdos, tais como o uso da LIBRAS no ensino dos surdos e a presença do intérprete de LIBRAS na sala de aula inclusiva, já está ocorrendo.

No documento dissertação19nov.pdf - UEFS (páginas 31-34)