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O uso de Problemas no ensino e suas potencialidades

No documento universidade federal do rio grande – furg (páginas 57-61)

4.2 RESOLUÇÃO DOS PROBLEMAS NA PERSPECTIVA DE PROFESSORES

4.2.1 O uso de Problemas no ensino e suas potencialidades

Uma das principiais razões de a Matemática fazer parte do currículo escolar é o fato de querermos que os alunos saibam lidar com problemas cujas soluções envolvam conceitos matemáticos e, de alguma maneira, exijam o modo de pensar matemático.

Com isso, o uso de recursos pedagógicos no ensino de Matemática vem ganhando grande destaque nos últimos tempos entre as comunidades escolares, pois proporciona ao aluno contextualizar a aprendizagem de acordo com a sua vivência. Ou seja, promove uma aula de Matemática mais significativa, desenvolvida em um ambiente de inquirição e, além disso, ainda desafia o professor na criação de suas aulas. No contexto apresentado aos licenciandos, o uso dos problemas matemáticos veio como uma alternativa metodológica a ser utilizada em sala de aula, pois um dos principais objetivos do ensino de Matemática é fazer o aluno pensar produtivamente e, para isso, nada melhor que apresentar-lhe situações-problemas que o envolvam, o desafiem e o motivem a querer resolvê-las.

Através de conceitos, técnicas e procedimentos matemáticos, procura-se matematizar uma situação real, organizando os dados em tabelas, traçando gráficos e fazendo operações. Em geral, são problemas que exigem pesquisa e levantamento de dados. Podem ser apresentados em forma de projetos a serem desenvolvidos, usando conhecimentos e princípios de outras áreas

que não a Matemática, desde que a resposta se relacione a algo que desperte interesse. Para o estudante A: “[...] o uso de problemas traz uma abordagem nova, aproximando o conteúdo do cotidiano do aluno, transformando assim os conteúdos mais acessíveis” (ESTUDANTE A).

Os alunos devem ser colocados diante de problemas que os desafiem, que os motivem, que aumentem sua curiosidade em querer pensar neles e em procurar solucioná-los. Os dados de um problema precisam ser reais, quer nas informações nele contidas, quer nos valores numéricos apresentados, pois a motivação é um dos fatores mais importantes para o envolvimento do aluno. E essa motivação é interior e natural quando os dados e as perguntas do problema fazem parte do dia a dia (esportes, televisão, música popular), assim, a ideia do projeto foi pautada neste princípio de unir a aprendizagem matemática com o contexto do aluno.

E como estamos diante de uma pandemia provocada pelo vírus da Covid-19, sobre a qual inúmeras informações estatísticas são divulgadas diariamente, a criação dos problemas se fez, utilizando-se desses dados. Foi uma estratégia pedagógica que teve relação com o pensamento inicial.

Partindo dessa concepção, o estudante B também analisou o uso de recursos como grande aliado ao ensino: “O uso de artefatos pedagógicos é bem interessante e bastante aprendizado para o aluno, pois precisamos sair daquela aula monótona de matemática com repetição de exercícios, para uma aula mais dinâmica” (ESTUDANTE B).

Muitos alunos guardam em suas memórias as aulas de Matemática como sendo aquela decoração de fórmulas, cálculos e muitas listas de exercícios para resolver. Quem compreendia o conteúdo, mais fácil resolvia as atividades, porém nem todos tinham esta habilidade. Apesar da grande e reconhecida importância da Matemática, quer pelo desenvolvimento de raciocínio que proporciona ao aluno, quer por suas aplicações nos problemas da vida diária, em geral os alunos, logo nos primeiros contatos com essa ciência, começam a detestá-la ou se tornam indiferentes a ela. Isso pode ser atribuído ao exagero no treino de algoritmos e regras desvinculados de situações reais, além do pouco envolvimento do aluno com aplicações da Matemática que exijam o raciocínio e o modo de pensar matemático para resolvê-las. A oportunidade de usar os conceitos matemáticos no seu dia a dia favorece o desenvolvimento de uma atitude positiva do aluno em relação à Matemática. Não basta saber fazer mecanicamente as operações de adição, subtração, multiplicação e divisão, é preciso saber como e quando usá- las convenientemente na resolução de situações-problemas.

Mesmo o método relacionado à decoração de fórmulas e às listas de exercícios perdurarem até os tempos atuais, o que pode significar um prejuízo no conhecimento, podemos

afirmar que fazer uso de recursos pedagógicos no ensino, em nosso caso, os problemas matemáticos, é um método instigante, que certamente não deixará lacunas na aprendizagem dos alunos. Uma aula de Matemática onde os alunos, incentivados e orientados pelo professor, trabalhem de modo ativo – individualmente ou em grupo – na aventura de buscar a solução de um problema que os desafia é mais dinâmica e motivadora do que a que segue o clássico esquema de explicar e repetir. O real prazer de estudar Matemática está na satisfação que surge quando o aluno, por si só, resolve um problema, sendo que quanto mais difícil, maior a satisfação em resolvê-lo. Um bom problema suscita a curiosidade e desencadeia no aluno um comportamento de pesquisa, diminuindo sua passividade e seu conformismo.

No entanto, existem maneiras diversas de se abordar o ensino de resolução de problemas. A seguir vamos distinguir três tipos: (1) ensinando sobre resolução de problemas, (2) ensinando para resolver problemas, e (3) ensinando via resolução de problemas (SCHROEDER; LESTER, 1989, p. 32, tradução nossa, grifo do autor). De acordo com esses pesquisadores, ensinar “sobre” resolução de problemas é trabalhar com o método proposto por Pólya (1945) ou alguma pequena variação dele; no ensino “para”, o professor se concentra sobre as formas de como a Matemática pode ser aplicada na resolução de problemas rotineiros ou não rotineiros; no ensino “via” resolução de problemas, estes são válidos não só com o propósito de se aprender Matemática, mas, também, com o significado primeiro de fazer Matemática. O ensino de tópicos matemáticos começa com uma situação-problema que incorpora aspectos- chave e algumas técnicas são desenvolvidas como respostas razoáveis para problemas razoáveis. O objetivo da aprendizagem matemática é o de transformar certos problemas não rotineiros em rotineiros (SCHROEDER; LESTER, 1989).

A idealização é romper com o paradigma criado em torno da Matemática, enfatizando que não se resume apenas em decoração de fórmulas e repetição de exercícios. Talvez o caminho para tornar o aluno mais participativo nas aulas é apresentar-lhe as diversas formas que existem de se aprender a Matemática, proporcionando o protagonista de seu próprio aprendizado.

Dentre os diversos aspectos positivos que trouxemos em relação ao uso de problemas no ensino, podemos elencar a interdisciplinaridade. Ou seja, fazer a integração de duas ou mais disciplinas, juntamente com seus conteúdos, e utilizar a aplicabilidade de problemas em sala de aula. Um dos problemas criados para a análise dos licenciandos foram trazidos dados relacionados ao Covid-19 de duas cidades, Rio Grande e Pelotas. No entanto, aproveitando-se do momento, poderia ser válido trazer, juntamente, conhecimentos de Geografia, já que estamos

falando de cidades, estendendo-se para as regiões do Brasil. Enfim, apresentar dados que envolvessem cidades distintas, ou até mesmo curiosidades de nossa localidade comparada a estatísticas de outros lugares diferentes. As potencialidades são diversas a partir dessa pluralidade. O estudante C também traz a interdisciplinaridade como uma possibilidade:

Acredito que é possível trabalhar essa situação-problema de forma interdisciplinar, alguns exemplos são: geografia, analisando os dados referente a casa estado:

ciências, pensando em relação as doenças: português, utilizando a interpretação de texto (acredito já estar presente) e etc. (ESTUDANTE C).

Neste caso, o estudante também vislumbrou a mesma possibilidade em relação a trazer questões Geográficas, contudo, existem outros desdobramentos possíveis de serem lincados.

Relacionada à ideia do próprio estudante C, temos, como exemplo, a Língua Portuguesa, que está fortemente presente quando se fala em problemas. Arrisca-se afirmar que em grande parte dos problemas matemáticos, a interpretação equivale a mais que 50% da resolução, sendo que em diversos casos, um erro na interpretação compromete todo o encaminhamento da resolução.

Outro exemplo sobre a integração de disciplinas fica a cargo do estudante D, que trouxe a sugestão da articulação da Matemática com a Biologia: “Além dos conceitos matemáticos presentes na questão, é possível explorar conteúdos de biologia, química e português”

(ESTUDANTE D).

De acordo com a situação que estamos vivenciando, relacionada ao Coronavírus, a possibilidade de problematizar tal temática no ensino se tornou engrandecedora. Uma sugestão possível para trazer aos alunos, seria apresentar-lhes os mais diversos tipos de vírus que existem, como ocorrem as suas disseminações e, até mesmo, as possibilidades de contágio.

Nesse caso, traríamos o próprio vírus da Covid-19, como uma possibilidade de orientar sobre as maneiras do autocuidado e as formas de prevenção em relação ao Coronavírus: uma aula preenchida de descobertas e aprendizagens.

Mais do que nunca, precisamos de pessoas ativas e participantes, assim, é necessário formar cidadãos matematicamente alfabetizados, que saibam como resolver seus problemas, de modo inteligente. Para isso, é preciso que o aluno tenha, em seu currículo de Matemática, a resolução de problemas como parte substancial, para que desenvolva desde cedo a sua capacidade de enfrentar situações-problemas.

No documento universidade federal do rio grande – furg (páginas 57-61)

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