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ORGANIZAÇÃO

No documento JUSTIÇA DESPORTIVA: (páginas 53-58)

Consoante o que disciplina o artigo 217, parágrafos 1º, 2º e 3º, da Constituição da República Federativa do Brasil de 198886, e o artigo 33, da Lei 8.028, de 12 de abril de 199087, a que se referem à Justiça Desportiva, regula-se pelas disposições contidas no Capítulo VII, da Lei 9.615 de 24 de março de 199888, como nova redação dada pela Lei 9.981, de 14 de julho de 200089 e pela Medida Provisória 2.193-6 de 21 de agosto de 200190.

A constitucionalização da Justiça Desportiva, com caráter administrativo, vem enunciada nos parágrafos do artigo acima mencionados, da CRFB/88, veja-se:

(...).

§ 1º - O Poder Judiciário só admitirá ações relativas à disciplina e às competições desportivas após esgotarem-se as instâncias da justiça desportiva, reguladas em lei.

§ 2º - A justiça Desportiva terá o prazo de 60 (sessenta) dias, contados da instauração do processo, para proferir decisão final.

86 Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, de agora em diante denomina-se CRFB/88.

87 Lei 8.028, de 12 de abril de 1990, de agora em diante denomina-se Lei 8.028/90.

88 Lei 9.615, de 24 de março de 1998, de agora em diante denomina-se Lei 9.615/98.

89 Lei 9.981, de 14 de julho de 2000, de agora em diante denomina-se Lei 9.981/00.

90 Medida Provisória 2.193-6, de 21 de agosto de 2001, de agora em diante denomina-se MP 2.193-6/01.

§ 3º - O Poder Público incentivará o lazer, como forma de promoção social.

Ainda, o referido artigo constitucional em seus incisos I, II, II e IV, assim dispõe sobre o desporto:

Art. 217. É dever do Estado formentar práticas desportivas formais e não-formais, com direito de cada um observados:

I – a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento;

II – a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;

III – o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não-profissional;

IV – a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional.

(...).

Tal dispositivo diz respeito à celeridade processual, visando o que obstáculos possam a vir impedir o normal andamento das competições e seus calendários, os quais não podem ficar à mercê da morosidade das decisões que são proferidas na Justiça Comum, daí o porquê da existência da Justiça Desportiva.

E, ressalta-se que falta preparo e conhecimento por parte da Justiça Comum para tratar de questões jurídico-desportivas, pois tal matéria exige dos julgadores o conhecimento e a vivência de normas, práticas e técnicas desportivas, as quais os julgadores da Justiça Estadual não estão familiarizados.

Assim sendo, caso fosse da competência da Justiça Comum o julgamento de conflitos desportivos, haveria o perigo de denegação de justiça, pois há peculiaridades do Código Desportivo, as

quais só seriam compreendidas e explicadas por quem atue e conviva com a pratica desportiva91.

Segundo Melo Filho92:

(...) não será possível definir direito e aplicar justiça em função de matéria desportiva fora do mundo do desporto, sem o espírito da verdade desportiva, sem o sentimento da razão desportiva. Aquele que decidir questão originária do desporto, imbuído do pensamento formalizado nas leis terá distraído a consciência da justiça.

Nota-se, então, que a CRFB/88 é taxativa ao dispor que o Poder Judiciário só poderá conhecer das ações relativas à Justiça Desportiva depois de esgotadas as instâncias da mesma, ou, ainda, quando a decisão final não é proferida no prazo de 60 (sessenta) dias, conforme parágrafo segundo do artigo 217, da CRFB/88, anteriormente citado.

Consoante o entendimento de Carvalho93:

(...) as instâncias da justiça Desportiva ficam esgotadas, em princípio, quando qualquer de seus órgãos profere decisões de que não caibam recursos para outras instâncias o julga no caso de competência originária. Sendo recorrível a decisão não haverá esgotamento da instância se a parte deixar de recorrer por qualquer motivo.

Quanto ao prazo de sessenta dias para a Justiça Desportiva proferir a decisão final assim comenta Carvalho94: “(...) nesses casos, pode a parte, abandonando o processo no estado em que se encontrar, invocar imediatamente a proteção do Poder Judiciário.”.

91 MELO FILHO, Álvaro. Direito desportivo no limiar do século XXI. p. 170.

92 MELO FILHO, Álvaro. Direito desportivo no limiar do século XXI. p. 170.

93 CARVALHO, A. Dardeau de. Comentários à lei sobre desporto.p. 159.

94 CARVALHO, A. Dardeau de. Comentários à lei sobre desporto.p. 159.

Sendo esgotado o prazo de 60 (sessenta) dias, tornam- se preclusas as instâncias da Justiça Desportiva, a menos que a parte, expressa ou tacitamente, concorde em, prosseguir com o andamento do processo. Porém, esta concordância não impede que a parte, antes da decisão final possa vir a valer-se das instâncias da Justiça Comum, ou seja, do Poder Judiciário95.

Quanto a organização, ao funcionamento e as atribuições da Justiça Desportiva, limitadas aos processos e julgamentos das infrações disciplinares e às competições desportivas, serão definidas em códigos desportivos, facultando-se às ligas constituir seus próprios órgãos judicantes, na esfera desportiva, com a atuação restritiva às suas competições96.

Referente aos Códigos Desportivos ensina Melo Filho97: As infrações à disciplina e às competições desportivas hão de ser ‘definidas em Códigos Desportivos’. O legislador preferiu explicitar e ‘batizar’ os Códigos Desportivos apenas no art. 91 desta Lei, onde estão previstos: um para o desporto profissional e outro para o desporto não profissional. Impede aduzir que caberá a estes Códigos Desportivos igualmente definir ‘a organização, o funcionamento e as atribuições da Justiça Desportiva’, observados os parâmetros e os limites constitucionais e legais, que tornam sua atuação adstrita ‘ao processo e julgamento das infrações disciplinares e às competições desportivas’.

Relativamente ao Futebol, a organização da Justiça Desportiva, regula-se pelo Código Brasileiro de Justiça Desportiva, a que ficam submetidas, em todo o território nacional, a Confederação Brasileira de Futebol – CBF98 e as federações, ligas, associações desportivas e

95 Consoante Resolução 03/89.

96 Consoante artigo 50, da Lei 9.615/98, com nova redação dada pela MP 2.193-6/01.

97 MELO FILHO, Álvaro. Lei Pelé – comentários à Lei nº 9.615/98. p. 151.

98 Confederação Brasileira de Futebol, de agora em diante denomina-se CBF.

pessoas físicas que lhes forem direta ou indiretamente subordinadas, mediante ou não a uma remuneração99.

Krieger100 referente ao acima comenta:

(...) o futebol, como todo esporte institucionalizado, rege-se por normas específicas que obrigam ao seu cumprimento os que dele participam oficial ou formalmente. Entidades dirigentes associações e as pessoas físicas que prestam serviços como treinadores, massagistas, fisicultores, médicos e, claro, atletas, bem como árbitros, não apenas não podem ignorar essas normas como devem conhecê-las perfeitamente, pois que a elas estão obrigados.

São órgãos que intregam a da Justiça Desportiva: o Superior Tribunal de Justiça Desportiva, o qual funciona junto às entidades nacionais de administração do desporto; os Tribunais de Justiça Desportiva, funcionando junto às entidades regionais de administração do desporto, das Comissões Disciplinares, com competência para processar e julgar as questões previstas nos Códigos de Justiça Desportiva, sempre assegurados a ampla defesa e o contraditório; e as juntas de Justiça Desportiva (artigo 91, da Lei 9.615/98)101.

Ressalta-se, que os órgãos que compõem a justiça Desportiva são autônomos e independentes das entidades de administração do desporto de cada sistema.

Os princípios da ampla defeso e do contraditório, os quais são assegurados pela Justiça Desportiva Brasileira decorrem da exigência constitucional prevista no artigo 5º, inciso LV, da CRFB/88, in verbis:

99 Consoante artigo 1º, do Código Brasileiro Disciplinar de Futebol.

100 KRIEGER, Marcílio César Ramos. Comentários ao código brasileiro disciplinar de futebol:

CBDF. p. 5.

101 Consoante artigo 52, da Lei 9.615/98, com nova redação dada pela Lei 9.981/00.

Art. 5º. Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidades do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:

(...).

LV – aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e a

ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes.

No documento JUSTIÇA DESPORTIVA: (páginas 53-58)

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