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PERCURSO METODOLÓGICO

Com a finalidade de avaliar as diferentes formas de comunicação envolvidas em uma equipe, este estudo tem uma abordagem qualitativa, a qual é caracterizada pela compreensão de fenômenos com elevada complexidade interna (MINAYO, 2008).

A pesquisa foi realizada no município de Ijuí, situado no noroeste do estado do Rio Grande do Sul, foi fundado em 19 de outubro de 1980. Localiza-se a uma latitude 28º23'16"

sul e a uma longitude 53º54'53" oeste, estando a uma altitude de 328 metros do nível do mar.

No censo de 2010 sua população foi de 78.461 habitantes, sendo considerado o 3º município mais populoso da região Noroeste Rio-Grandense a qual abrange 216 Municípios. Por ser uma cidade universitária e contar com amplos recursos hospitalares, o fluxo é de aproximadamente 100.000 pessoas. O município de Ijuí hoje é conhecido pelas seguintes descrições: Terra das Culturas Diversificadas, Cidade Universitária, Colmeia do Trabalho, Terra das Fontes de Água Mineral e Portal das Missões. Suas potencialidades se expressam através de uma economia baseada fortemente no setor agropecuário, no comércio, nas indústrias e serviços, no ensino qualificado e na saúde, amparada por hospitais que atendem a toda região. Na agricultura, as culturas anuais predominantes são o soja, trigo e milho. A pecuária está focada principalmente na criação de gado de corte e gado leiteiro. No setor industrial está voltado a produtos alimentícios, a construção de máquinas, implementos agrícolas e a produção de confecção e vestuário. O serviço público de saúde de Ijuí, até o final da década de 60 foi prestado por um órgão federal, a partir daí foi criado o Departamento de Trabalho e Ação Social, com objetivo de atender pacientes em vulnerabilidade social. Porém, somente em 1973 houve sua estruturação com a criação da Secretaria Municipal de Saúde, Trabalho e Ação Social (SMSTAS). No ano de 1983 houve uma ampliação da rede de atenção básica do município, mas apenas em 1992 o município aderiu ao Sistema Único de Saúde (SUS). O Município conta com um pronto atendimento 24 horas, com um Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) e também dispõe de cinco Unidades Básicas de Saúde (UBS) e três hospitais que também compõem a estrutura de saúde pública (MUNICÍPIO DE IJUÍ, 2015).

O Hospital do estudo é uma entidade sem fins lucrativos e de caráter filantrópico, regida por estatuto próprio e dirigida por uma diretoria composta por pessoas da comunidade, que desempenham seus cargos de forma voluntária. Atende cerca de 50 municípios da região,

é um hospital geral de pequeno porte possuindo 42 leitos para internação. Está direcionada ao atendimento nas áreas da geriatria, dependência química e psiquiatria, porém atende ainda as áreas de clínica médica, cirúrgica, obstétrica e pediátrica. O corpo clínico é aberto, com 61 médicos. O quadro funcional são 57 profissionais que atuam na instituição hospitalar pesquisada, nas áreas de atuação de enfermagem, nutrição e dietética, radiologia, faturamento, recepção, farmácia, administração, manutenção, lavanderia, higienização e assistência social (HOSPITAL, 2015).

Os participantes da pesquisa foram selecionados de acordo com a fase de coleta de dados. Na primeira fase da pesquisa, aconteceu a observação não participativa, neste momento os funcionários foram observados pela pesquisadora no seu ambiente de trabalho.

Foram observados todos os profissionais que estavam presentes na instituição durante os meses de novembro e dezembro de 2014, período em que realizei a primeira parte da pesquisa.

Na segunda fase da pesquisa, aconteceram as oficinas, os colaboradores das áreas técnica, administrativa e de apoio foram convidados por conveniência a participar das oficinas. Foi informado pela pesquisadora que a participação seria de forma voluntária e que o grupo trabalharia na reflexão sobre os processos de comunicação existentes na instituição em busca da construção de uma proposta de comunicação sob a perspectiva de humanização.

Os profissionais que participaram da pesquisa foram separados pelas seguintes áreas:

técnicas, administrativa e de apoio, mais especificamente as áreas da enfermagem, farmácia, secretaria e cozinha.

Essas áreas foram selecionadas, baseado na quantidade de trabalhadores de cada área.

O maior número de funcionários estava concentrado na área técnica, por isso do maior número de participantes, e as demais áreas foram escolhidas de forma representativa para abranger todos os setores. Os participantes foram selecionados por conveniência e foram abordados pessoalmente para serem convidados a participar da pesquisa.

Os critérios de inclusão dos sujeitos foram: ter vínculo empregatício, idade igual ou superior a 18 anos, ser da área administrativa, técnica e de apoio, assinar o termo de consentimento livre e esclarecido. Os critérios de exclusão dos sujeitos foram: menor de 18 anos, não ter vínculo empregatício, estagiários e voluntários.

O projeto foi encaminhado ao Comitê de Ética de Pesquisa da UNIVALI para análise, e conduzido baseando-se na Resolução nº 466 de 2012 do Conselho Nacional de Saúde, que estabelece diretriz e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos (BRASIL, 2012). Com aprovação do Comitê de Ética e Pesquisa (ANEXO 1), o primeiro

momento da pesquisa foi de observação não participativa referente as formas de comunicação dos colaboradores na instituição hospitalar. A observação foi realizada durante 13 dias, gerando um diário de campo.

Foi exposto aos colaboradores da instituição, a forma como seria conduzida a pesquisa, sendo-lhes voluntária a participação. Foi garantido a todos o sigilo e o anonimato, sendo os participantes identificados por nome de cores. Os colaboradores que aceitaram participar da pesquisa assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido (Apêndice A).

O benefício esperado da pesquisa, é o de reunir subsídios que venham a contribuir na melhoria dos processos de comunicação sob a perspectiva de humanização dos serviços de saúde. Nenhuma pesquisa é isenta de risco, portanto para esta pesquisa os riscos identificados são: o constrangimento ou desconforto diante da presença do pesquisador durante o período de observação e das oficinas e o extravio do material.

Para a coleta de dados e o registro da informações primeiramente foi exposta toda a importância e complexidade da pesquisa para a administradora da instituição hospitalar e solicitada a ela uma autorização por escrito para que a pesquisa pudesse ser realizada, o que ocorreu de forma positiva. Foram utilizados como método de coleta de dados as observação naturalista e as oficinas. As observações foram registradas através de anotações em diário de campo e das fotografias e as oficinas foram registradas através de gravações por meio de um celular da marca SANSUNG. Os dados obtidos nas duas fases da pesquisa foram separados em dois grandes grupos: Comunicação e Valorização Profissional.

O diário de campo é o relato escrito do que o pesquisador ouve, vê, vivencia e pensa no decorrer do estudo, refletindo sobre os dados de um estudo qualitativo (BODGAN;

BIKLEN, 1994). É conhecido como diário de campo o instrumento mais básico de registro de dados do pesquisador. Inspirado nos primeiros antropólogos que, ao estudar sociedades, levavam consigo um caderno no qual eles anotavam todas as observações, experiências, sentimentos (VÍCTORA, 2000). O diário de campo foi elaborado a partir da observação da rotina de trabalho dos colaboradores da instituição, durante 13 dias, em diferentes horários e setores do hospital.

As observações foram necessárias para conhecer melhor a instituição, os colaboradores, as formas que se comunicam e para eleger os temas a serem utilizados nas oficinas. Portanto, foram observados os processos de comunicação através da observação naturalista. O processo de comunicação para Chiavenato (2004) está estruturado com base em cinco etapas: o emissor ou fonte, o transmissor ou codificador, o canal, o receptor ou decodificador e o destino. A observação naturalista é aquela que é realizada nas circunstâncias

da vida cotidiana por um observador, distanciado em relação à realidade observada.

(ESTRELA, 1986). Para Rena (2001), oficina é construção coletiva, através do esforço individual e do grupo, é um lugar de aprendizado, de capacitação e de diálogo.

Para conhecer e compreender melhor a instituição e com a autorização da administradora, percorri todos os ambientes do hospital. O primeiro dia de observação no hospital ocorreu no turno da manhã, ao chegar apresentei-me e informei a todos que faria uma observação não participativa ou seja naturalista. Iniciei a observação de forma discreta e silenciosa, porém, a minha presença gerou momentaneamente certa estranheza, desconfiança, olhares e silêncio. Já conhecia as instalações do hospital, mas naquele momento meu olhar era diferente, mais minucioso. Ao chegar no estacionamento do hospital, vejo um jardim com grades de proteção, nele há mesas, cadeiras, pacientes fumando, conversando e tomando chimarrão. Ao entrar no hospital, vejo a recepção e alguns bancos de espera, um espaço aparentemente novo, mas sem planejamento, adaptado ao espaço. Junto a recepção em uma pequena sala anexa fica o departamento financeiro e em outro anexo fica a farmácia, todos esses setores estão interligados e aparentam ser um só. Uma porta trancada, aberta através de um dispositivo separa a recepção dos demais setores do hospital. Passando está porta vejo um corredor, nele do lado esquerdo há salas de atendimento ambulatorial, e do lado direito uma lanchonete. No final do corredor tem-se acesso a esquerda ao jardim e a uma sala utilizada para atividades com os pacientes e colaboradores e que foi utilizada para a realização das oficinas. Ainda no final do corredor, a direita, tem a sala da administradora, uma porta de acesso ao ponto digital e a cozinha, o bloco cirúrgico e o início de um novo corredor onde ficam o posto de enfermagem e os leitos dos pacientes. Nesse corredor tem uma escada que dá acesso ao segundo andar, onde há mais um posto de enfermagem e mais leitos. Espalhados pelo hospital é possível observar a presença de cartazes, murais com recados e materiais informativos. No decorrer dos dias de observação, fui me alocando de forma estratégica nos lugares onde havia um maior fluxo de profissionais, alguns dias fiquei próximo ao ponto digital e a cozinha, em outros na recepção, farmácia, posto de enfermagem e corredores. As observações foram necessárias para conhecer melhor a instituição, os colaboradores, as formas que se comunicam e para eleger os temas a serem utilizados nas oficinas.

As oficinas foram de imenso aprendizado, com exposição de ideias, perspectivas e frustrações. Para a realização da primeira oficina, todos os participantes foram consultados sobre o melhor dia e horário e após foi definida a data e a hora. A segunda oficina foi agendada no final da primeira oficina, e a terceira da mesma forma, só que no final da segunda oficina. Aconteceram ao total 3 oficinas, com tempo médio de duração de 60 minutos

e ocorreram nos meses de fevereiro e março de 2015. Participaram das três oficinas oito profissionais convidados, dos diferentes setores do hospital, setor técnico (6), administrativo (1) e de apoio (1). As oficinas foram gravadas em áudio e após transcritas para análise.

As oficinas aconteceram em uma sala dentro da instituição pesquisada, esta sala é utilizada para diversas atividades com os pacientes e com os colaboradores da instituição, é também o local onde ocorrem as confraternizações. A sala possui uma mesa grande para atividades, cadeiras, televisão, materiais para desenhos e pinturas, jogos interativos e um quadro branco. É um ambiente bem harmonioso, transmitindo tranquilidade e a sensação de não estar dentro de um ambiente hospitalar. Todos os participantes ficaram sentados próximos a mesa, mas livres para mudar de lugar.

O primeiro momento da oficina foi de apresentação, pedi para que cada um falasse de si e de suas profissões de forma a quebrar a tensão inicial. Falei dos objetivos da pesquisa e reforcei a questão do sigilo que já tinham conhecimento quando assinaram o termo de consentimento livre e esclarecido, de que seria mantido o sigilo em todo processo do trabalho, preservando a identidade individual e coletiva do grupo. Solicitei autorização para gravar os encontros, o que foi aceito por todos. Após a apresentação inicial, os profissionais foram divididos em quatro duplas que serão identificados por cores: Verde, Azul, Vermelho, Amarelo. Inicialmente ocorreu uma certa agitação, desconforto, timidez, mas aos poucos o grupo foi ficando mais tranquilo e interagindo. Na segunda oficina todos estavam mais à vontade, era notável a necessidade que tinham de falar, desabafar, estavam vendo as oficinas como uma oportunidade de serem escutados. A terceira oficina, relembramos as duas primeiras e após os participantes falaram o que achavam necessário mudar para que o ambiente de trabalho fosse mais saudável. Durante as oficinas foram apresentadas palavras em letras grandes em um papel cartolina, uma de cada vez, com intuito de instigar o diálogo.

As palavras eleitas para as oficinas emergiram a partir dos temas da pesquisa e das observações, e são elas: Comunicação, sentimentos, ordens e regras, relacionamentos, mudanças e Celulares.

Todos os funcionários do hospital foram convidados a participar das oficinas, mas somente oito aceitaram, os demais alegaram falta de tempo e compromissos pessoais. Os oito profissionais estiveram presentes nas três oficinas realizadas, sendo seis do setor técnico, um do setor administrativo e um do setor de apoio. Os profissionais foram organizados em quatro duplas representados por cores, as quais serão caracterizadas na tabela a seguir:

TABELA 2: Caracterização das duplas

Pseudônimo Dupla Sexo Formação

Verde F F Ensino

Fundamental

Curso Técnico

Azul F F Curso Superior

com Pós Graduação

Curso Técnico

Vermelho F F Ensino Médio Curso Superior Completo

Amarelo F F Curso Superior

Completo

Curso Técnico

Fonte: produzido pelo autor

A análise dos dados foi realizada através da Análise de Conteúdo de Bardin (1977), obtendo-se indicadores qualitativos divididos em três fases: pré-analise; exploração do material; tratamentos dos resultados e interpretação, conforme segue:

a) pré-análise é a fase em que ocorre a organização e tem por objetivo sistematizar as ideias iniciais, criar um cronograma das próximas fases, porém flexível, permitindo a inserção de nossos procedimentos. Esta fase é dividida em três etapas importantes que não seguem necessariamente uma ordem cronológica mas estão ligadas uns aos outros que são: a escolha dos documentos a serem analisados, a formulação das hipóteses e dos objetivos e a elaboração de indicadores que respaldem a interpretação final;

b) exploração do material é a fase de análise onde são aplicadas as decisões que foram tomadas na pré-análise quando todas as suas etapas foram concluídas. Abrange operações de codificação, decomposição, categorização ou enumeração;

c) tratamento dos resultados e interpretação, estes precisam ser significativos e válidos, e com esses resultados o analista pode sugerir inferências e interpretações a partir dos objetivos previstos, ou a novas descobertas.

Para um melhor entendimento dos dados obtidos nas observações e nas oficinas, separamos o material em duas grandes categorias. Segundo Abbagnano (1998), um movimento filosófico reduziu as categorias em quatro situações: substância, qualidade, modo de ser e relação. Os elementos de uma categoria representam uma realidade existente a priori, onde os elementos são aproximados pelas suas características. O estabelecimento das categorias se deu de forma a priori, determinadas de acordo com o tema do trabalho. As categorias escolhidas foram: Comunicação e Valorização Profissional.

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