7. ORGANIZAÇÃO CURRICULAR
7.1 P RÁTICA COMO C OMPONENTE C URRICULAR (PCC)
Para a constituição da identidade do futuro educador deverá ser garantida, segundo a Resolução CNE/CP nº 2/2015, ao longo do processo, efetiva e concomitante relação entre teoria e prática, ambas fornecendo elementos básicos para o desenvolvimento dos conhecimentos e habilidades necessários à docência.
Desde o início do processo formativo, a Prática de Ensino como Componente Curricular está presente na estrutura curricular, direcionadas para o âmbito do ensino.
A prática, nesse projeto de curso, não se confunde com a aplicação unidirecional da
teoria, mas se constitui como lugar de articulação, de pesquisa sobre a docência, de
desenvolvimento de metodologias de ensino, de avaliação e de reflexão sobre os ambientes
educativos e os múltiplos processos a eles associados. Relacionadas a um constante e
dialético ir e vir entre teoria e ação, as Práticas como Componente Curricular se constituem
na dimensão da práxis pedagógica. Tais práticas se articulam, mas não se confundem com o
Estágio Curricular Supervisionado.
36 É um pressuposto deste curso a não dicotomização entre o desenvolvimento do conhecimento específico em física e a formação profissional do professor de física. Nesse sentido, em cada disciplina do curso, a reflexão sobre o próprio processo de aprendizagem e as metodologias de ensino e de avaliação utilizadas serão um foco de atenção, favorecendo a constituição de um olhar discente crítico e reflexivo a respeito de sua própria vivência de aprendizagem, possibilitando assim que o estudante, mesmo quando está aprendendo algum tema disciplinar bastante específico, vá ampliando seu repertório, de maneira crítica e não simplesmente mimética, a respeito das diferentes possibilidades de relações de ensino e aprendizagem. Por isso mesmo, as diferentes disciplinas do curso se estruturarão em um processo de constante reinvenção, procurando sempre desenvolver novas perspectivas metodológicas e refletir a seu respeito.
A reflexão a respeito dos sentidos que os conhecimentos específicos aprendidos podem adquirir no contexto da educação básica é outro tema que atravessa o conjunto das disciplinas do curso. Nesse sentido, a investigação de novas formas de abordar tais conhecimentos na educação básica é um trabalho que ocorre de maneira concomitante - e não apenas posterior - ao próprio processo de aprendizagem da física, fazendo parte do programa das disciplinas que objetivam desenvolver tais conhecimentos.
Da mesma forma, no contexto das disciplinas que focalizam mais aprofundadamente os saberes pedagógicos, tampouco pode-se perder de vista a formação profissional do professor de física e torna-se fundamental o desenvolvimento de atividades que promovam a aproximação e o diálogo entre as reflexões teóricas desenvolvidas e o cotidiano escolar do professor de física. Novamente, tanto o próprio processo de aprendizagem do licenciando deve ser problematizado de maneira consciente, de forma a enriquecer seu repertório de possibilidades pedagógicas, como as reflexões teóricas desenvolvidas devem motivar a investigação, discente e docente, de novas possibilidades de práticas pedagógicas.
Buscar a integração e a interação entre teoria e prática nos diversos contextos
disciplinares, embora importante, parece-nos insuficiente para o desenvolvimento da Prática
como Componente Curricular, uma vez que é na articulação interdisciplinar que a prática
pedagógica pode se desenvolver em maior plenitude, conferindo maior organicidade à
37 formação do professor de física e contribuindo para a superação da compreensão do currículo como uma simples justaposição de disciplinas independentes.
Neste sentido, buscando estruturar e articular, através da Prática como Componente Curricular, os diversos contextos disciplinares e também a experiência de estágio, ao longo de todo o curso de licenciatura em física, foram organizados nove espaços curriculares responsáveis por articular a relação entre os conhecimentos específicos e educacionais, a prática pedagógica e as atividades de estágio. Trata-se dos Laboratórios de Práticas Pedagógicas (LP). Distribuídos ao longo do curso e focalizados, cada um, em diferentes temas correlacionados à prática docente (conforme tabela abaixo), estes laboratórios pretendem constituir-se como um espaço de diálogo interdisciplinar entre componentes curriculares que possibilitam a discussão do tema em questão de diferentes perspectivas, articuladas por meio do desenvolvimento de práticas de ensino e, opcionalmente, de atividades de estágio. Procuramos, dessa forma, romper com uma estrutura estanque de disciplinas que às vezes têm dificuldade em dialogar, bem como com a dicotomização entre teoria e prática, entendendo a prática de ensino e o estágio como momentos privilegiados para que os estudantes desenvolvam sínteses de seu aprendizado em trabalhos mais pessoais e no diálogo com a realidade escolar. Ainda que inseridos em uma estrutura disciplinar, os Laboratórios de Práticas Pedagógicas intencionam justamente superar a segmentação disciplinar do curso.
Sigla da disciplina Tema abordado Disciplinas com que dialoga de maneira mais direta
LP1Z2 Organização do trabalho docente
TAEZ1; COEZ1
LP2Z3 Física no cotidiano TAEZ1; ENEZ1; EECZ3;
MC1Z3; CVEZ3
LP3Z4 Educação não-formal ENFZ4; MC2Z4; TEDZ4;
FEOZ4; ENEZ1; MARZ2;
EECZ3; EDHZ5; ELSZ10
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LP4Z5 Educação, diversidade edireitos humanos
EDHZ5; LIBZ5; OTVZ5;
CHCZ7; ELSZ10 LP5Z6 Política e Organização da
Educação Brasileira
POEZ6; ELSZ10; EDHZ5
LP6Z7 Oficina de projetos de ensino
De acordo com o projeto abordado
LP7Z8 História e filosofia da ciência
MARZ2; GVTZ3; TMDZ6;
CHCZ7; IFQZ7; RELZ8;
FECZ9 LP8Z9 Física moderna e
contemporânea
ENEZ1; FNPZ9; MEQZ7;
FECZ9 LP9Z10 Oficina de projetos de
ensino
De acordo com o projeto abordado