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PARTICIPANTES E ANÁLISE DE DADOS

No documento André Gustavo Flausino Vieira - Univali (páginas 37-46)

3. METODOLOGIA

3.2 PARTICIPANTES E ANÁLISE DE DADOS

Findado o projeto e qualificado pela banca de qualificação do Programa de Mestrado Profissional em Saúde e Gestão do Trabalho da UNIVALI, foi feito contato com a direção da academia na qual se realizou o estudo para entrega da carta de apresentação e solicitação de consentimento para a realização da pesquisa.

Após esta primeira etapa o projeto foi cadastrado na Plataforma Brasil no dia 20/05/2019 e enviado ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da UNIVALI para apreciação e parecer de aprovação. Dada a aprovação do projeto no dia 24/06/2019 iniciamos o cumprimento do planejamento de ação a campo. Primeiramente fizemos um cartaz com finalidade de publicar nas redes sociais da academia e colar nos ambientes da mesma para divulgar a pesquisa

e, assim, convidar pessoas a participarem da mesma. No referido cartaz organizamos uma imagem e colocamos o seguinte enunciado:

“E aí Mulheres de 18 a 45 anos! Querem saber mais sobre Mídia e Medicalização do corpo feminino? Então, vamos nos unir em uma roda de conversa para debater o assunto? Faremos uma pesquisa cientifica e iremos devolver os resultados com o objetivo de melhorar os serviços prestados e aprofundar as discussões sobre o tema. Não perca essa oportunidade de expor suas ideias e compartilhar com a sociedade. Será uma oportunidade única de poder contribuir com o universo feminino. Inscrições e mais informações na recepção da academia ou com o Coordenador”.

Figura 1 - Cartaz de divulgação

Nome da Academia

A divulgação do material na mídia digital e nas dependências da academia foi através de cartazes colados e aconteceram no dia 01/07/2019, e a partir desta data já abriu-se inscrição na recepção para interessadas em participar da pesquisa, dando a opção de quatro dias e dois horários (10/07,11/07,17/07 ou 18/07; sendo os horários 18:00 horas ou 19:00 horas), para contemplar as expectativas e ter o maior número de envolvidas no estudo.

Ao longo de 9 dias tivemos 8 inscritas no grupo de 18 a 30 anos (G1) e 11 inscritas no grupo de 31 a 45 anos (G2), totalizando 19 inscritas no total. A partir do número de inscritas e de suas escolhas referentes a data, marcou-se o dia 11/07 para o G2 e o dia 18/07 para o G1, sendo essa ordem para as entrevistas devido ao maior número de inscritas pelo G2 e, dessa forma, conseguiu-se mais uma semana de divulgação para aumentar o número de inscritas no G1. Todas as participantes foram comunicadas via ligação telefônica ou WhatsApp sobre a escolha da data e horário, e assim, foram feitos os preparativos para a entrevista em grupo.

O uso das entrevistas é respaldado por Minayo (2002, p.57) quando afirma que:

A entrevista é o procedimento mais usual no trabalho de campo.

Através dela, o pesquisador busca obter informes contidos na fala dos atores sociais. Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeitos-objeto da pesquisa que vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada.

Suas formas de realização podem ser de natureza individual e/ou coletiva.

Entendemos que para compreender de forma mais profunda o fenômeno da medicalização presente na sociedade se fez necessário o uso da entrevista como forma de captar toda a subjetividade envolta dos sujeitos de forma mais espontânea e natural, possibilitando uma maior eficácia na coleta de dados. Gaskell (2002) destaca que a entrevista na pesquisa qualitativa pode ser realizada individualmente ou em grupo, com finalidade através das narrativas dos pesquisados de compreender como funcionam suas vidas no sentido global de atitudes, valores, crenças e motivações no contexto social e cultural ao qual convive. Para essa pesquisa utilizamos a entrevista coletiva, e de fato pudemos observar durante a coleta de dados, em ambos os grupos, que algumas falas diferem ou corroboram durante as discussões sobre o tema,

o que torna a entrevista em grupo rica em material empírico para uma discussão mais profunda para a análise de dados.

Gil (2010) salienta que a entrevista é uma forma de dialogar assimetricamente, tendo em vista que uma das partes busca coletar dados e a outra se apresenta como fonte de informação e quando realizada de forma grupal pode investigar determinado termo com profundidade, sendo característica inerente às pesquisas qualitativas. Contudo, apesar de conseguirmos discussões ricas acerca do tema, acreditamos que por ter sido uma entrevista em grupo algumas participantes tiveram pouca participação em alguns momentos, devido a alguma divergência entre outra participante ativa do grupo, ou talvez, apenas seguiu o fluxo da entrevista sem querer interromper o processo de fala das demais. De certa forma essa foi uma das dificuldades que surgiu durante as duas entrevistas em grupo realizadas

No caso desta pesquisa utilizou-se entrevistas abertas e coletivas, pelo fato de o pesquisador poder falar livremente sobre o tema em questão, observando os tópicos previamente elaborados em roteiro de entrevista, atendendo dessa forma a finalidade do presente trabalho de ser uma pesquisa exploratória, no intuito de detalhar as questões abordadas e desta maneira colher dados mais precisos referentes aos conceitos. Boni e Quaresma (2005) demonstram que é uma forma de explorarem seu âmbito global. Em suma, as questões de forma aberta puderam abrir um campo de possibilidades, viabilizando várias formas de pensar e falar sobre os assuntos abordados.

Durante a coleta de dados as questões abertas possibilitaram uma “quebra de gelo”, ou seja, ao decorrer das entrevistas as participantes foram ficando mais à vontade para discutir o tema, pois em momento algum o pesquisador deu

“opções de respostas”, tornando, assim, a pesquisa mais aberta a diferentes discussões.

Na entrevista em grupo, das 11 inscritas no G2, compareceram apenas 5 participantes, o que parece ser suficiente por ser uma pesquisa qualitativa, tendo em vista que o objetivo desta não é mensurar fenômenos e, tampouco, generalizar resultados, tal como acontece nas ciências naturais (FLICK, 2008).

iniciou-se a conversa pontualmente as 19:00, e após a assinatura do TCLE, o gravador foi ligado no meio da sala a fim de captar melhor as repostas de cada

participante. Para isso, utilizou-se um gravador específico SONY® Estéreo IC Recorder ICD-PX440 e não um celular.

No que tange o espaço onde foi feita a pesquisa, utilizou-se a sala de avaliação da academia, que é clara, climatizada, com cadeiras confortáveis para todos e mais afastada dos espaços que tem muito ruídos, para não captar barulho excessivo devido a aulas de ginástica que estavam acontecendo no mesmo horário. A entrevista aconteceu em forma de roda de conversa e a partir de perguntas abertas deu-se início as discussões. Com intuito de alcançar as expectativas da pesquisa organizou-se um roteiro de acordo com os temas abordados para a entrevista e formulou-se as seguintes perguntas:

✓ Qual mídia você mais utiliza no seu quotidiano?

✓ Qual é a finalidade principal do uso da mídia que você utiliza?

✓ Você acha que a mídia influencia no seu quotidiano?

✓ Que conteúdos e procedimentos acerca do corpo feminino mais te interessam na mídia?

Foram feitas as perguntas em ordem, até que todas respondessem uma por uma, captando, assim, a fala de cada uma delas sobre o assunto. No início as participantes ficaram tímidas na condução das respostas, mas, ao decorrer da pesquisa, foram ficando mais à vontade e falaram sobre todos assuntos da conversa de forma mais confortável e aberta, inclusive, não necessariamente obedecendo a ordem das perguntas, na medida em que temas e assuntos se inter-relacionavam. Interessante ressaltar que foi nesse momento (depois dos primeiros 10 minutos), após a “quebra de protocolo”, que as discussões ficaram mais amplas.

As falas foram se entrelaçando e se ligando umas às outras. As participantes tiveram momentos cômicos e de reflexão profunda, e juntamente com esse conjunto de emoções envoltos daquela sala teve-se a sensação de que a tarefa da pesquisa estava sendo cumprida. Apesar de uma participante ter compartilhado pouco, observamos que todas se envolveram e falaram sobre suas particularidades, buscando exemplos em familiares e amigos mais próximos e até mesmo na sociedade em geral.

O G2 apesar de fugir em alguns momentos do tema, falando sobre outros contextos, apresentou argumentos interessantes principalmente sobre a mídia, em especial a mídia digital como o Whatsapp®, Instagram® e Facebook®. Em poucos momentos da entrevista houve divergências. Notou-se a presença mais de ideias colaborativas e convergentes entre as participantes do que divergentes, talvez pelo motivo de elas se conhecerem e estarem compartilhando um ambiente em comum que seria a academia, aumentando, assim, seus laços de afinidades. A gravação teve que ser reaberta em um dado momento pois a conversa encerreou-se em 41 minutos e 43 segundos, porém, uma das participantes lembrou de uma fala e pediu para registrar o que iria falar, ligou-se o gravador novamente e registrou-se mais 6 minutos e 34 segundos. A conversa na sua totalidade durou 48 minutos e 27 segundos o que foi o suficiente para finalizar a conversa e também para que não se distanciassem do tema.

Para o G1, apesar de colocarmos mais à frente a data da entrevista com o intuito de angariarmos mais participantes, continuamos com as mesmas 8 inscritas inicialmente, sendo que destas apenas uma votou para ser no dia 17/07/2019, tendo em vista que a maioria optou pelo dia 18/07/2019, data na qual realizou-se a entrevista. Ocorreu um contratempo no dia 18/07/2019, pois foi um dia que choveu muito na cidade onde a academia é situada, e por este motivo vieram 3 participantes para a pesquisa. Levou-se em consideração a presença das 3 participantes e julgou-se fundamental valorizar sua presença, e por este motivo manteve-se a pesquisa com o G1. Iniciou-se a entrevista com as 3 participantes seguindo os mesmos critérios que foram utilizados com o G2 referentes ao TCLE, perguntas e organização da roda de conversa. O G1 se mostrou mais à vontade desde o início da pesquisa, e o que chamou atenção foi o fato de haver uma diferença grande a respeito da mídia digital utilizada, pois o G1 pareceu mais à vontade com as ferramentas das redes Instagram®, Whatsapp® e Facebook®. De forma mais crítica e incisiva o G1 mostrou situações as quais se inseriam no mundo digital de forma mais fluída, ou seja, aparentemente o contato com a mídia digital pareceu ser maior e consequentemente sua influência.

Os corpos e suas nuances na mídia digital foram mais discutidos no G1 do que no G2. Enquanto o G2 falava sobre quebra de padrões o G1 assumiu um papel diferente no sentido do corpo e seus procedimentos medicalizantes.

O G1 pareceu ser mais direto nas respostas e comentários, fugindo pouco do assunto, houve períodos de reflexão e risadas, mas o que chamou mais nossa atenção foi a forma diferente com que os dois grupos pensam, principalmente acerca da mídia digital.

Todas as participantes do G1 foram participativas, mas sempre esperavam que o pesquisador começasse o assunto, e dessa maneira exigiu mais para aprofundar os tópicos. As 3 participantes também tinham contato próximo e em nenhum momento divergiram sobre as ideias discutidas na entrevista. Embora o tempo de conversa tenha sido menor (25 minutos e 29 segundos) pelo número de participantes, acreditamos que se conseguiu contemplar o nosso problema de pesquisa e objetivos.

Na última etapa da coleta de dados realizamos a transcrição de todo o material empírico armazenado pelo gravador entre os dias 20/07/2019 e 18/09/2019, a fim de dar início à análise de dados. Com todo o material empírico devidamente transcrito e organizado, retirando situações fora do contexto do estudo, deu-se início a análise de dados. Gil (2010) explana que a análise de dados em abordagem qualitativa de pesquisa obedece a um processo e uma sequência de atividades com intuito de reduzir, categorizar e interpretar os dados e a redação do relatório. A organização dos dados foi feita a partir de temáticas envoltas nos objetivos e problema de pesquisa, o processo foi cansativo tendo em vista que a transcrição é demorada e, além disso, tem-se que revisar toda ela para que não se perca nenhum material ou aconteça alguma troca de sentido da frase devido algum erro de transcrição.

Por isso esse trabalho deve ser minucioso e demandar tempo do pesquisador.

A análise deve possuir “três finalidades: estabelecer uma compreensão dos dados coletados, confirmar ou não os pressupostos da pesquisa e/ou responder as questões formuladas, e ampliar o conhecimento sobre o assunto pesquisado, articulando-o ao contexto cultural da qual faz parte” (GOMES, 2002 p. 69), e foi baseado nessas premissas que se realizou este procedimento.

Por ser um tema amplo e sem o intuito de produzir verdades, mas sim, interpretar os significados, utilizou-se para a análise de dados a análise temática, tendo em vista ser uma técnica de análise qualitativa caracterizada pela flexibilidade e independência de uma teoria ou epistemologia específica, podendo ser aplicada em uma variedade de abordagens teóricas e epistemológicas (BRAUN; CLARKE, 2006). Primeiramente, após a coleta de dados, transferiu-se as gravações feitas pelo gravador em um computador para armazenamento dos dados e início da transcrição. Apesar de os dados serem passados ao computador optou-se dar início as transcrições no próprio gravador, que possui uma função de escutar as gravações em modo lento, facilitando a compreensão das palavras ditas pelo pesquisador e participantes.

O processo de transcrição é demorado e demanda muita atenção do pesquisador para que os dados sejam transcritos ipsis litteris e não se perca nada do que foi dito, além de fazer uma revisão geral lendo e relendo repetidamente as transcrições para o máximo de precisão dos dados. Nesta fase, procurou-se familiarizar com os dados e aprofundar-se neles, o que Braun e Clarke (2006) caracterizam como fase de familiarização dos dados. Além disso as autoras trazem que o tempo gasto na fase de transcrição é essencial para um entendimento mais completo, destacando a importância de os próprios pesquisadores fazerem a transcrição, tal como foram feitas nessa pesquisa.

Após as transcrições concluídas, iniciou-se a fase de organização dos dados e busca por temas emergentes, e tendo em vista nossa familiarização, procurou-se buscar os temas que mais apareciam através de um pequeno mapa conceitual dividindo os temas mídia, medicalização e corpo feminino. Ao longo deste período observou-se uma peculiaridade referente a categorias geracionais, as quais entraremos em mais detalhes no próximo capítulo. Com as falas distribuídas e os temas definidos, deu-se início a construção da tecnologia social e da análise e discussão, contextualizando e buscando elucidar o problema de pesquisa.

Cabe ressaltar que esta pesquisa foi orientada pelas resoluções nº 466/12 e 510/16 do CNS (Conselho Nacional de Saúde), e dentro das normas do Conselho de Ética e Pesquisa procurou respeitar os seguintes itens:

assinatura de um Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) por

parte de cada participante da pesquisa antes de iniciar a coleta dos dados;

respeito aos valores sociais, morais, culturais, religiosos e éticos dos entrevistados; acesso livre dos participantes às suas informações, assim como aos resultados obtidos; respeito em relação à recusa do participante para ser entrevistado; manutenção do anonimato dos sujeitos entrevistados

No documento André Gustavo Flausino Vieira - Univali (páginas 37-46)

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