• Nenhum resultado encontrado

3. METODOLOGIA

3.3 TECNOLOGIA SOCIAL

parte de cada participante da pesquisa antes de iniciar a coleta dos dados;

respeito aos valores sociais, morais, culturais, religiosos e éticos dos entrevistados; acesso livre dos participantes às suas informações, assim como aos resultados obtidos; respeito em relação à recusa do participante para ser entrevistado; manutenção do anonimato dos sujeitos entrevistados

no Youtube® chamado “Medicalização do corpo”, com objetivo de compartilhar os conceitos trabalhados, desenvolvimento e resultados da pesquisa, gerando uma tecnologia que possa contribuir para melhoria dos serviços prestados no local onde foi desenvolvida a pesquisa e dar sequência à discussão fora do espaço da universidade acerca da medicalização, corpo e mídia.

Para cada etapa do trabalho foi gerado um vídeo, ou seja, um para introdução, outro para definições teóricas e assim sucessivamente para os demais capítulos, possibilitando duas formas de acompanhar o trabalho, seja por escrito (tal como esta dissertação) ou em vídeos (no canal aqui referido no Youtube®), sintetizando as informações e trazendo uma linguagem simplificada com foco na população em geral para, desta forma, ser compreensível e acessível, possibilitando interação com outras pessoas e, quiçá, com o mundo.

O trabalho acadêmico-profissional de pesquisa de certa forma se encerra ao término desta etapa de mestrado, mas a tecnologia perdura nas redes e com possibilidades futuras de expansão como um podcast e uma página no Instagram®. Os vídeos foram produzidos em um celular Iphone® 7 com o auxílio de um cavalete para sustentar o celular e um microfone de lapela. A edição dos vídeos foi terceirizada para que ficasse nos moldes do Youtube® e assim alcançar mais pessoas.

Paras as produções elencou-se cada capítulo e, com base no capítulo presente neste trabalho, foram criadas palavras-chaves e um pequeno roteiro, objetivando que o vídeo não fosse muito longo para que prendesse a atenção do espectador. Disponibilizou-se também ao longo do trabalho QR codes que podem ser acessados via celular, sendo direcionado diretamente ao canal no Youtube®. Foi feito e editado o canal por conta própria para minimizar os custos da produção tendo em vista que, ao longo do tempo, podem-se melhorar esses aspectos, assim como, a captação e qualidade dos vídeos.

Para a divulgação dos vídeos utilizou-se canais de comunicação como Whatsapp®, Instagram® (página pessoal), Facebook® (página pessoal) e canais de e-mail da UNIVALI. O foco, em princípio, foi as participantes da pesquisa, o local onde foi elaborada e os colegas do Mestrado de Saúde e Gestão do Trabalho. Pretendeu-se, assim, começar com os mais próximos, evitando custos de propagando neste primeiro momento.

À luz dos conceitos metodológicos iremos a seguir entrar no campo das discussões e análises, contextualizando as ideias coletadas a partir das participantes com o conteúdo teórico apresentado anteriormente, além de trazer um pouco mais de como a pesquisa se desenvolveu a partir da análise temática.

4.DISCUSSÃO

Nesta pesquisa utilizou-se a análise temática, que segundo Vaismoradi et al (2016), é uma forma de análise de dados amplamente reconhecida nas pesquisas qualitativas pelo fato de sua transparência e sistemática nos processos de pesquisa. O processo para a análise temática envolve a identificação do tema e um minucioso cuidado, lendo e relendo a coleta de dados (RICE e EZZY, 1999). Primeiramente foram analisadas as transcrições separando os temas em questão a serem trabalhados, na intenção de atender a problematização dos objetivos propostos. Após essa etapa foram separados pelos temas identificados os autores e conceitos que poderiam embasar as discussões a serem realizadas, com intuito de potencializar as entrevistas, e assim, à luz da análise temática, procurou-se compreender como a mídia influencia a medicalização do corpo de mulheres praticantes de exercícios físicos em uma academia de Itajaí/SC a partir dos relatos produzidos junto as participantes da pesquisa.

Um fato interessante a ser observado é que se pretendeu, já no início das discussões, estabelecer como categorias de análise uma separação das participantes por suas faixas etárias, na medida em que se tinha como hipóteses que as diferenças de idade indicariam grupos culturais distintos.

Porém, ao fazer a pesquisa, observou-se que os relatos das participantes apresentavam significados que não se encerravam numa mera distinção baseada em marcações cronológicas de idade. Ao nosso ver, nas entrevistas realizadas, as narrativas sobre comportamento e atribuições de significados, as questões que buscamos trabalhar se inseriam muito mais numa compreensão cultural do que num recorte cronológico de tempo. Assim, procurou-se abdicar do recorte cronológico preditivo de idade para se basear na compreensão de grupos geracionais, pois se tratava muito mais de recortes culturais do que etários, e assim, resolveu-se analisar esses grupos geracionais de forma mais profunda. Destaca-se, de todo modo, que a categorização social de geração implica, em boa parte das vezes, em recortes etários, também.

Acredita-se que os Estudos Culturais tenham fundamental importância em compreensões da sociedade como um todo e, neste sentido, buscou-se elucidar perguntas relacionadas ao objeto de estudo a partir de noções

culturais. Cabe ressaltar que os Estudos Culturais se caracterizam por ser um campo de estudos heterogêneo que tematiza sobre objetos de pesquisa variados, incluindo, por exemplo, estudos geracionais, midiáticos, de gênero, comunicacionais, de recepção, entre outros.

Parece que o corpo feminino tem sido um alvo constante do mercado da beleza pelo fato de vender padrões e modelos a serem apreendidos. A possibilidade da abertura de linhas de pesquisa e reflexão sobre a multiplicidade das formas de compreensão e existência relacionadas á gênero resulta, além de incremento de pesquisas e conhecimentos acerca das questões de feminilidades, também, atualmente, em um número maior de estudos sobre as “masculinidades” e “paternidades”, por exemplo (CISNE, 2005). Mesmo diante desta evidência, procurou-se com esse estudo ampliar o escopo das análises sobre o gênero feminino, e neste caso, em um recorte que trata das questões relacionadas à estética e saúde.

Considerando as observações que se obteve após realização das entrevistas, em que o recorte de faixa etária se mostrava menos produtivo de discussão do que um recorte cultural vinculado a grupos geracionais, procurou- se estabelecer discussões que abarcassem gerações vinculadas as tecnologias digitais e de informação, mesmo que de alguma maneira isso ainda incorra em recortes temporais. Porém, diferentemente de apenas circunscrever o recorte pelo ano de nascimento, procurou-se compreender o que implica, culturalmente, fazer parte de tal geração. Assim, chegou-se aos estudos que indicam a existência de grupos geracionais distintos, tais como os “nativos digitais” (ND). Os nativos digitais são sujeitos nascidos entre os anos de 1980 e 1994, e que viveram transformações em relação as tecnologias nesse período como quando a Usenet10 e os Bulletin Board Systems11 chegaram online na década de 80 (PALFREY; GASSER, 2011).

10 “O Usenet (do inglês, Unix User Network) é um meio de comunicação onde usuários postam mensagens de texto (chamadas de "artigos") em fóruns que são agrupados por assunto (chamados de grupos de notícias). Ao contrário das mensagens de correio eletrónico, que são transmitidas quase que diretamente do remetente para o destinatário, os artigos publicados nos grupos de notícias são retransmitidos através de uma extensa rede de servidores interligados.” (PALFREY; GASSER, 2011)

11 “Um bulletin board system (BBS) é um sistema informático, um software, que permite a ligação (conexão) via telefone a um sistema através do seu computador e interagir com ele, tal como hoje se faz com a internet.” (PALFREY; GASSER, 2011)

Por outro lado, tem-se os assim chamados “imigrantes digitais” (ID), que diferentemente dos nativos digitais já imersos de maneira fluída no mundo digital, passam por um aprendizado de uma nova linguagem (PASSARELLI, 2014). Considerando uma linha do tempo de nascimento que compreende um determinado período cultural é possível afirmar que das 8 mulheres entrevistadas, as 3 do grupo 1 (G1) de 18 a 30 anos, seriam consideradas como nativas digitais, e as 5 participantes do grupo 2 (G2), de 31 a 45 anos, seriam consideradas como imigrantes digitais. No entanto, apenas duas entrevistadas do G2 são nascidas após 1980, sendo as demais nascidas anteriormente aos anos 80, ou seja, 50% do G2. Esse registro implicou, então, que se pode considerar, por este recorte de geracional, que 3 participantes do G2 são imigrantes digitais e 2 são nativas digitais. Estas são situações limites de idade cronológica dentro deste grupo.

Tal forma de recorte permitiu pensar a organização das culturas dessas gerações de sujeitos, assim como, a maneira pela qual as categorizações baseadas em tempo (idade ou nascimento) promovem um flutuar nas fronteiras dessas categorias, na medida em que muitas vezes mesmo tendo determinada idade ou tendo nascido num respectivo ano que lhe acomode numa predefinição de categoria, suas falas e narrativas de seus comportamentos permitiram agrupá-las de outras formas. Em suma, o ano de nascimento e, portanto, a idade, permitiram agrupar, inicialmente, as participantes nas categorias culturais como ‘nativos digitais’ ou ‘imigrantes digitais’. Porém, houve situações de idade limítrofes (que estavam na linha divisória entre as categorias predefinidas), o que fez com que se tornasse problemática tais definições a priori e, principalmente, explorasse as ambiguidades de descrição das narrativas de comportamento que, por assim dizer, não condizia com o que a cronologia do nascimento lhe imputava. Assim, muitas vezes mesmo tendo nascido num determinado grupo geracional, as falas, os partilhamentos e atribuições de significados poderiam mais bem ser descritos e inseridos em outro grupo geracional e/ou cultural.

Para a discussão dos dados utilizou-se nome de flores para as participantes da pesquisa, ressaltando que se tratará os dados como fenômenos culturais com o aporte da concepção geracional de nativas e

imigrantes digitais. Assim, a Petúnia, Rosa, Iris, Margarida e Tulipa são partes do grupo nativas digitais, e Girassol, Amarílis e Hortência do grupo das imigrantes digitais. Dentro do contexto de uma análise temática serão subdivididas as discussões à luz dos três temas principais dessa pesquisa, que são a mídia, medicalização e corpo feminino a partir das categorias geracionais elencadas.

Retomando algumas das perguntas realizadas nas entrevistas, a saber,

“qual mídia você mais utiliza no seu quotidiano? Qual é a finalidade principal do uso da mídia que você utiliza? Você acha que a mídia influencia no seu quotidiano?”, apresenta-se, a seguir, discussões acerca dos dois grupos geracionais anteriormente apresentados. Destacamos que os tópicos sobre corpo, mídia e medicalização atravessarão as análises em ambos os grupos, permeados por elementos teóricos e substantivos da cultura (HALL, 1997), ou seja, por referências teóricas (conceitos, concepções) e por aspectos culturais mais amplos, como, por exemplo, em que espaços da cultura tais fenômenos também se alicerçam e multiplicam.

4.1 OS DISCURSOS MIDIÁTICOS NA MEDICALIZAÇÃO DO CORPO EM

No documento André Gustavo Flausino Vieira - Univali (páginas 46-52)

Documentos relacionados